quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Joan Manuel Serrat - Nanas de la Cebolla - La Transición (TVE)


«Esta semana, como las anteriores, llega martes y no ha llegado tu carta. También empiezo a escribir ésta para que me dé tiempo a echarla después, cuando el correo me traiga la tuya, que no creo que falte hoy. Estos días me los he pasado cavilando sobre tu situación, cada día más difícil. El olor de la cebolla que comes me llega hasta aquí, y mi niño se sentirá indignado de mamar y sacar zumo de cebolla en vez de leche. Para que lo consueles, te mando esas coplillas que le he hecho, ya que aquí no hay para mí otro quehacer que escribiros a vosotros y desesperarme».

Carta de Miguel Hernández desde la cárcel de Torrijos a su esposa Josefina Manresa (Madrid, 12 de septiembre 1939)

 

Nanas de la cebolla.

La cebolla es escarcha
cerrada y pobre:
escarcha de tus días
y de mis noches.
Hambre y cebolla:
hielo negro y escarcha
grande y redonda.

En la cuna del hambre
mi niño estaba.
Con sangre de cebolla
se amamantaba.
Pero tu sangre
escarchaba de azúcar,
cebolla y hambre.

Una mujer morena,
resuelta en luna,
se derrama hilo a hilo
sobre la cuna.
Ríete, niño,
que te tragas la luna
cuando es preciso.

Alondra de mi casa,
ríete mucho.
Es tu risa en los ojos
la luz del mundo.
Ríete tanto
que en el alma, al oírte,
bata el espacio.

Tu risa me hace libre,
me pone alas.
Soledades me quita,
cárcel me arranca.
Boca que vuela,
corazón que en tus labios
relampaguea.

Es tu risa la espada
más victoriosa.
Vencedor de las flores
y las alondras.
Rival del sol,
porvenir de mis huesos
y de mi amor.

La carne aleteante,
súbito el párpado,
y el niño como nunca
coloreado.
¡Cuánto jilguero
se remonta, aletea,
desde tu cuerpo!

Desperté de ser niño.
Nunca despiertes.
Triste llevo la boca.
Ríete siempre.
Siempre en la cuna,
defendiendo la risa
pluma por pluma.

Ser de vuelo tan alto,
tan extendido,
que tu carne parece
cielo cernido.
¡Si yo pudiera
remontarme al origen
de tu carrera!

Al octavo mes ríes
con cinco azahares.
Con cinco diminutas
ferocidades.
Con cinco dientes
como cinco jazmines
adolescentes.

Frontera de los besos
serán mañana,
cuando en la dentadura
sientas un arma.
Sientas un fuego
correr dientes abajo
buscando el centro.

Vuela niño en la doble
luna del pecho.
Él, triste de cebolla.
Tú, satisfecho.
No te derrumbes.
No sepas lo que pasa
ni lo que ocurre.

De «Cancionero y romancero de ausencias» (1938-1941).

En Algún día: Miguel Hernández.

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Algún día en alguna parte también en:

https://algundiaenalgunaparte.com/2016/03/28/nanas-de-la-cebolla-miguel-hernandez/

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

A ESPERANÇA VENCERÁ O MEDO. O AMOR VENCERÁ O ÓDIO.

A esperança vencerá o medo. O amor vencerá o ódio.

Nestas eleições do segundo turno, o povo se libertará dos grilhões da hipocrisia, da mentira e dos patrioteiros. A coragem e a sabedoria popular, depois de quatro anos de apagão político, trarão a esperança e o amor, sem armas, ódio e medo.

É o Povo Brasileiro (maiúsculas, por favor), generosa e laboriosa nação, que já decidiu com coragem e sabedoria: a vitória da vontade livre e soberana da imensa maioria da população é pelo estadista que o Brasil levou praticamente 500 anos para revelar para o mundo, isto é, Luiz Inácio Lula da Silva, que no primeiro turno se sagrou campeão com mais de seis milhões de votos de dianteira.

Todas as pesquisas de véspera de eleição dão vantagem numérica, ainda que discreta, a Lula e Alckmin e seu projeto de reconstrução nacional. Trata-se de uma frente ampla, à luz da democracia, do Estado de Direito e, sobretudo, pela soberania nacional e popular. Afinal, o Brasil se cansou das perdas dos salários modestos, aumentos vergonhosos aos ‘patrioteiros’ e suas pensionistas, rachadinhas, orçamento secreto, sigilo de 100 anos e cortes criminosos ao orçamento da Saúde, Educação, Assistência Social, Enfrentamento à Fome e ao Desemprego, Habitação, Ciência e Tecnologia, Infraestrutura, Previdência, Cultura, Combate à Violência contra as Mulheres, Crianças e Adolescentes, Juventude, Idosos, População de Rua, Afrodescendentes, Povos Originários e Pessoas com Deficiência.

O inominável passou quatro anos subestimando a inteligência das pessoas, esnobando vítimas da pandemia, passeando com homens com perfil misógino e espalhando mentiras -- muitas mentiras -- em vez de trabalhar. Ele, aliás, foi eleito para trabalhar dentro das prerrogativas constitucionais, e não para ensinar infectologista a cuidar da pandemia de covid-19; médico a tratar de doenças; professor a dar aula; cientista a pesquisar e fazer ciência; artista a fazer arte; jornalista a fazer seu ofício. Como se ele fosse onisciente, quando mal e porcamente descuidou da educação de filhos atabalhoados e desconexos.

Na semana passada, o Jornalista Leandro Demori, um dos ex-diretores do The Intercept Brasil -- a equipe de jornalistas corajosos que arrancaram a máscara de Sérgio Moro e da matilha da Leva Jeito --, publicou bem fundamentada reportagem intitulada ‘O tamanho do assalto à Petrobras’, que expõe a maior sangria do dinheiro da Petrobrás, ou melhor, do povo brasileiro, superior ao que a banda podre comandada por Urinol -- digo, Tramadol, ou seria Cepacol? -- vivia a regurgitar: via mercado financeiro, os dividendos da maior estatal brasileira vão para os fundos de pensão, banqueiros e especuladores internacionais: aos bilhões, razão pela qual muitos banqueiros e seus comparsas do ‘mercado’ continuam a financiar o messias da rachadinha.

É assim que ele diz ser defensor dos ‘pobres’... banqueiros! Enquanto os milionários têm problemas de como guardar tantos bilhões, a imensa maioria da população passa fome. Há menos de seis meses, deixou todos perplexos quando revelou que não está preparado para o cargo para o qual foi eleito. Também já disse que foi formado para matar, o que deixa claro por que essa afinidade por temas funestos, entre os quais a tortura e morte. Já foi capaz de dizer que se o regime de 1964 tivesse matado uns 30 mil, para ele, os problemas estariam resolvidos. Isso é ser, de fato, ‘cristão’? No meu modesto entender, não: trata-se de um cretino, um ser abjeto.

Diz ser defensor da Família, mas troca de família -- e de partido -- como quem troca de camisa. Refere-se a adolescentes como um pedófilo, quando é um sexagenário que, se tivesse vergonha na cara, em vez de ‘pintou um clima’, não teria prevaricado, isto é, teria agido como funcionário público e tomado as providências cabíveis. Vem agora dizer que ‘denunciou’: a ele não cabe denunciar, mas agir como o servidor número um e dar exemplo de que no País não há tolerância à pedofilia. Mas não.

Foi assim com os criminosos que atearam fogo na Amazônia e no Pantanal (criminosos, porque fazer queimadas na estiagem é crime previsto em lei), ao desmontar o IBAMA, o ICMBio, a FUNAI e a FUNASA. Quantos seres humanos morreram? Quantas espécies dos reinos dos animais, vegetais, fungos, bactérias e amebas terão sido extintas antes de a ciência tê-las catalogado e estudado? Os comparsas do inominável só têm olhos para a cobiça fácil e predadora. São totalmente predadores, por excelência. Quando o então sinistro Salles, da Destruição do Ambiente Inteiro, foi flagrado ensinando deixar a boiada passar, era para ter-se exigido a abertura imediata de um processo de impeachment.

Mas a hora é agora. É preciso já ir mandando esses seres bizarros para o lugar de onde jamais deveriam ter saído. O seu caráter sórdido e predador vai além da profusão de mentiras pela internet: de natureza abjeta, seus atos atentam contra tudo o que foi construído ao longo de séculos, milênios. Destila ódio e raiva quando deveria, por dever de cristão, levar o amor e a paz. Difunde maledicências quando deveria disseminar a fé, o amor e a esperança. Dá a impressão de que se trata de ser recalcado, de mal com a própria Vida. Só há lugar para sordidez nesse coração enviesado.

Pois é. A esperança vencerá o medo, e o amor vencerá o ódio. Mas não foi fácil: terror, mentiras, ameaças, coação e assédio moral, eleitoral e até algumas vezes sexual, como revelado pelo inominável, tamanho cinismo, desfaçatez e certeza da impunidade que tem, fascista despudorado que é e sempre foi, desde que Sérgio Moro, o juiz fascista que perseguiu o Presidente Lula, facilitou a subida do inominável à rampa. Sem méritos, ele terá que retornar à sua insignificância, em que trevas e o conjunto de maldades sórdidas o esperam avidamente.

Alvíssaras, alvíssaras! O Brasil se encontra com a História... O Planeta volta a contar com a grandeza de um povo de paz, amor e solidariedade! E que viva a reconstrução deste país-continente cujo porvir agiganta a espécie humana pela generosidade e altivez! Ao trabalho, Presidente Lula!

Ahmad Schabib Hany

domingo, 23 de outubro de 2022

SEU PANDO TEMELJKOVITCH, SEMPRE NA MEMÓRIA

Seu Pando Temeljkovitch, sempre na memória

O grande e longevo coração do Senhor Pando Temeljkovitch decidiu parar aos 95 anos, no alto de uma Vida singular. Trabalhador exemplar, foi cidadão à frente de seu tempo e cultor de utopias cosmopolitas, justas e solidárias.

Era o ano de 1969. Enquanto eu me preparava para o Exame de Admissão ao Ginásio na saudosa Escola Batista de Corumbá, minhas Irmãs estudavam no agora nostálgico Ginásio e Escola Normal Imaculada Conceição (GENIC, depois CENIC), emblemático Colégio das Irmãs, que celebraria seu centenário em 2025 não tivesse encerrado melancolicamente suas atividades em 2021 por falta de apoio das autoridades educacionais, precisamente no tempo do famigerado ministro da Educação envolvido em escândalos de propina em barras de ouro enquanto a Educação desmoronava em todo o território nacional.

Na época, duas de minhas Irmãs, Soad e Zamzam, possuíam duas colegas de sobrenome iugoslavo que se tornariam Amigas: Walkiria e Neda Temeljkovitch. A primeira foi para os Estados Unidos para continuar seus estudos, mas nunca deixou de enviar longas cartas em que contava com uma dose de irreverência as diferenças culturais nos EUA. Neda, que fez sua graduação em Direito, manteve a Amizade por décadas. E foi por meio dessa relação de profunda identidade que eu acabei por conhecer Miro e o Pai, o agora saudoso Seu Pando Temeljkovitch.

Em 1989, quando Miro cursava Biologia no Centro Universitário de Corumbá (CEUC), da UFMS, nos reencontramos e participamos das atividades acadêmicas e, inevitavelmente, da primeira campanha presidencial pós-1964. A campanha de Lula, no segundo turno, unificou os estudantes das diferentes posições, o que fortaleceu os movimentos sociais. Nessas idas e vindas, em reunião na residência de Seu Pando, pudemos conversar longamente: foi quando ele nos revelou a gratidão pelo povo brasileiro, como imigrante da Iugoslávia, hoje Macedônia, sua vinda com a Mãe e o reencontro com o Pai, que viera primeiro a Corumbá, antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial.

O cosmopolitismo de Seu Pando era invejável. Convivia como se ainda sua Corumbá fosse a de sua infância, e fazia questão de compreender a diversidade existente no outrora próspero entreposto comercial que acolhia pessoas de todas as origens e sonhos. Os anos dedicados à fábrica de cimento Itaú, que lhe permitiu residir na antiga Vila Itaú, forjou suas convicções de trabalhador consciente de sua classe, o que se manteve vigoroso nos ideários de seus Filhos, inclusive adotivos. Generoso, nunca impôs seu modo de pensar, a ponto de ter entre seus Filhos pessoas com as mais diferentes posições ideológicas sem qualquer constrangimento.

Lembro-me que um saudoso Companheiro de História chegou a fazer entrevista longa e paradigmática a propósito do fim da Iugoslávia. Não escondia sua admiração pelo grande libertador da Iugoslávia do jugo nazista, o memorável Broz Tito, fundador do Movimento dos Países Não Alinhados. Lamentavelmente eram tempos em que os arquivos de papel não resistiam ao tempo, e os cupins acabaram destruindo esse trabalho emblemático. O Senhor Pando gostava ressaltar que a vocação do Brasil era a de uma potência da paz e da concórdia, tal como era concebido o princípio dos Não Alinhados. Tenho certeza de que, entre as fotografias e documentos de Família, ele guardou vários exemplares de trabalhos e reportagens que tratavam de sua belíssima Iugoslávia.

Nos agora saudosos anos 2010, quando Miro topou o desafio de ser membro do Conselho Municipal de Saúde de Corumbá, fiquei sabendo que Seu Pando ficara viúvo de sua eterna e terna Companheira de Vida, Dona Leonor Temeljkovitch, e isso o fragilizara bastante. Cidadão de convicções sólidas, não se deixou levar pela melancolia e resistiu a toda a adversidade imposta pela idade e pelos descaminhos tomados pelas elites deste país-continente. Sem correr o risco de cometer uma indelicadeza, podemos assegurar que os sonhos que acalentaram seu grande coração permitiram uma existência longeva e saudável, a despeito das limitações impostas pela idade.

No domingo de véspera das eleições mais importantes da história da República, quando a cidadania se depara ante o risco iminente de encarar o fascismo em território nacional, o querido Cidadão Macedônio, em cuja infância enfrentou o nazismo, se despede do Povo que amou com uma mensagem sábia, de que a diversidade fortalece e potencializa as nações, ao contrário do refrão nazifascista, de que a ‘pureza racial’ torna um povo livre e forte. Seu Pando é prova viva de que a fortaleza e a liberdade são frutos da diversidade, como na natureza, essa fonte de Vida e de sabedoria.

Seu Pando Temeljkovitch, presente, na memória e no coração!

Ahmad Schabib Hany

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

‘Pintou um clima’

‘Pintou um clima’

Cristão ou amoral? No Dia das Professoras e Professores, o inominável não só não cumprimentou os trabalhadores da Educação como revelou que ‘pintou um clima’ quando viu ‘meninas de 14 anos’ venezuelanas em um de seus passeios de moto. Como assim, pedófilo?

O autoproclamado ‘paladino’ da família, da moral e dos bons costumes revelou cínico e despudorado, precisamente no Dia das Professoras e Professores, ter ‘sentido um clima’ ao se aproximar de três meninas de aproximadamente 14 anos numa comunidade de Brasília, quando soube que eram venezuelanas e foi até o lugar onde estariam a ‘ganhar a vida’. Como assim? Pedófilo? Quer dizer que o ‘cristão’ é acometido, apesar de sexagenário, de, digamos, ‘tentações’ do capeta?

E que malditos como Malassaia, Malassemalça e Malacheia, verdadeiros mercadores da fé, fariseus canalhas, não venham dizer que se não houve penetração não há pedofilia... Até porque, além de garfar acintosamente o sagrado dinheiro público, esse falso messias imprevisível, desmiolado, desequilibrado e incompetente, atenta também contra a inocência de crianças e adolescentes. Logo ele que reproduz uma consigna de Benito Mussolini de um século atrás: ‘Deus, pátria e família’...

Não surpreende tamanha desfaçatez. Lembro-me ter testemunhado, nos idos de 1990, um juizeco vociferar a um seleto grupo de cidadãs e cidadãos que a luta contra a pedofilia era inglória, pois a primeira profissão da mulher é a prostituição... Embora sua fala como representante, na época, do Judiciário tivesse chocado todas as pessoas racionais e movidas pela empatia e solidariedade, aquele indivíduo recalcado sequer esboçou algum gesto de cordura ou arrependimento.

Tenho a honra de afirmar que sou um dos poucos homens que, em 1996, participaram da grande cruzada brasileira contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, ao lado de pioneiras como a incansável Assistente Social Estela Rondina Scandola, referência no enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes e do tráfico de seres humanos. E é bom lembrarmos que governadores posteriores a José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, não mantiveram a equipe especializada de policiais à paisana para desenvolver inteligência no combate à pedofilia, coordenada pelo Comitê de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (Comcex/MS), paulatinamente atrofiado por décadas a fio. E com quem estão esses políticos? Com o inominável, naturalmente...

A propósito, no primeiro debate do segundo turno (da Band, Cultura, Uol e Folha), o ex-presidente Lula foi gentil com o ser bizarro, tendo-se limitado a insinuar uma insônia que deduziu se tratar de uma crise de consciência. Obviamente, o debate revelou a fragilidade total do atual inquilino do Planalto, a despeito da ‘assessoria vip’ do juizeco da Leva Jeito e sinistro da Justiça demissionário Sérgio Moro e do filho ‘pródigo’ Carlos, aquele sob cuja consciência pairam fantasmas de muitos inocentes à procura de justiça. Enquanto o inominável passou três anos e seis meses espalhando fakenews e passeando em vez de trabalhar, os problemas da população foram se acumulando, sobretudo com os cortes criminosos nas políticas de Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura e Assistência Social, entre outras. E agora mente que é o defensor dos pobres...

Compra de votos e ameaças

Razão pela qual era preciso ‘exorcizar’ os fantasmas e derrotar o inominável no primeiro turno, o ‘vale-tudo’ na cara dura desabou de maneira cínica e atrevida: nem pastores escapam da estratégia da ameaça, compra de votos, assédio moral e até intimidação.

Não há quem não tenha recebido o compartilhamento de algum contato chantageando-nos da maneira mais constrangedora: ao nos comparar a ‘bandidos’, ou ‘cúmplices de bandidos’, por querermos usar nosso direito de escolher livremente a opção libertadora contra o atraso e o ódio que teima permanecer contra a vontade da maioria; ao nos ameaçar recorrendo ao discurso medieval dos tempos inquisitoriais, por meio de pastores fundamentalistas que não se envergonham de praticar a conduta dos fariseus.

A que se deveu o aumento surpreendente de abstenções quando era certa a presença de um contingente maior que o de 2018? Por que mais de 20 por cento do eleitorado deixou de votar no primeiro turno? Pela assustadora campanha de assédio moral, isto é, ameaça contra eleitores declarados de Lula e Alckmin. Feito seres teleguiados, os eleitores do inominável recorreram aos ardis ensinados ao longo da campanha do primeiro turno para assustar, intimidar ou simplesmente vender seu voto sob uma pressão medonha.

Foi essa a campanha de véspera de eleição que reverteu a tendência das pesquisas de boca de urna, de modo a levar o desqualificado para o segundo turno e assim conseguir provocar um ‘apagão eleitoral’ igual ao de 2018, para garantir mais quatro anos de farra e desmonte criminoso do Estado Democrático de Direito.

Inimiga da democracia e do Estado Democrático de Direito, a extrema-direita mostra sua cara neste segundo turno. Com uma desenvoltura capaz de ruborizar Adolf Hitler e Benito Mussolini, os fora de lei (garimpeiros, grileiros, madeireiros, jagunços, milicianos, traficantes, sonegadores de impostos e vigaristas de toda espécie) se aliaram aos golpistas e saudosistas da ditadura para atentar contra a soberania popular.

Sob o manto do maniqueísmo canhestro, os tais ‘homens de bem’ começam a tirar as manguinhas de fora. Com o maior cinismo, movidos pela certeza da impunidade, criam o clima do ‘bem contra o mal’ para justificar o jogo sujo que praticam: intimidação, ameaças, assédio moral, compra de votos e outras formas bizarras de destruir a vontade popular, a liberdade de escolha.

Mesmo assim, a decisão soberana do povo, já cansado, enojado, dessa coação medonha e criminosa, a manifestação livre e corajosa da vontade popular está dando a resposta contundente a esses verdadeiros tonton macoutes (os jagunços criados por François Duvalier, o ‘Papa Doc’, o chefe da dinastia, ou melhor, da quadrilha que oprimiu e empobreceu a população do Haiti, com o apoio dos Estados Unidos, a bancar os títeres e demais sequazes que vivem feito urubu a se alimentar da tragédia dos haitianos) estão a disseminar o medo, o pânico, mas a altivez deste povo corajoso e valente decidirá a sua libertação. Parabéns, valoroso Povo Brasileiro, que enterrará os fascistas e sua maldade insana para o lugar de onde saíram no processo de gestação do golpe que depôs Dilma Rousseff em seu início de segundo mandato na Presidência da República.

Ahmad Schabib Hany

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

OUTUBRO DE ESPERANÇA, LUTA E REGOZIJO

Outubro de esperança, luta e regozijo

Outubro é mês de importantes marcos históricos: instalação do Estado Democrático de Direito em 1988, com a promulgação da Constituição Cidadã; realização, desde 1994, de eleições democráticas em todo o Brasil; e divisão, em pleno regime de 1964, de Mato Grosso e criação de Mato Grosso do Sul, que beneficiou, sobretudo, Campo Grande.

Primeiro mês depois de iniciada a primavera no hemisfério sul, outubro é portador de novos horizontes, momentos que marcaram os rumos da História da humanidade nas diferentes regiões da Terra, sobretudo neste país-continente.

Dia 5 de outubro de 1988, meio da tarde, o Congresso Nacional estava em festa devido à solenidade de promulgação da Constituição Federal de 1988: Doutor Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, encerrava os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte com seu emblemático discurso em que louvava a implantação do Estado Democrático de Direito. Obviamente, a maioria do centrão e grande parte dos canalhas que mamaram nos anos sombrios estavam desconfortáveis, ávidos de vingança e rancor.

A partir de 1994, o mês de outubro passou a ser o mês de realização do primeiro turno das eleições no Brasil. Desde então a soberania popular teve a sua manifestação maior neste mês, que passou a celebrar os momentos de esperança, luta e regozijo. Pilar da democracia, o voto livre, direto e secreto é uma conquista consignada pela Assembleia Nacional Constituinte na década de 1980, que revogou o entulho autoritário de 1964.

A celebração do Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, teve sua data de devoção reconhecida durante o mandato do presidente José Sarney, e a partir de então as manifestações populares passaram a ser explicitadas em todos os quadrantes do país, sobretudo em Aparecida do Norte, pois com o feriado nacional foi possível ir à cidade paulista como devotos no sagrado direito de manifestar sua fé e devoção.

Pois, com perplexidade e tristeza, registro nesta data em que escrevo este texto um ato de vandalismo protagonizado pelas hordas fundamentalistas ligadas ao inominável que tumultuaram o sagrado ato de devoção dos católicos, além de agredir um rapaz e uma senhora que por acaso trajavam roupas vermelhas nessas celebrações. Mais uma vez, a propósito, o inquilino que teima por todos os meios permanecer no Planalto mais um mandato decidiu ‘assistir’ a uma das missas no Santuário Nacional de Aparecida, mesmo tendo conhecimento da nota de sua Arquidiocese a respeito da presença de candidatos em atos litúrgicos da Igreja Católica.

E há exatos 30 anos, num 12 de outubro de 1992, que o Doutor Ulysses Guimarães, em companhia de Dona Mora Guimarães, o Senador Severo Gomes e sua Esposa, se eternizou depois de atuar bravamente na destituição de outro inominável que mentiu para a nação e acabou desmascarado pela histórica CPI de Collor. Desde o trágico acidente com o helicóptero que caiu no litoral norte de São Paulo, o Dia da Padroeira tem sentido de saudade, pois esse grande protagonista da capitulação do regime de 1964 encerrou sua jornada na terra, para tristeza dos que conhecem a história recente do Brasil.

Por outro lado, a Vida, generosa e pródiga, propiciou à nossa Família, no primeiro dia do mês, o regozijo de celebrarmos, durante décadas, o aniversário de nascimento de nosso querido e saudoso Pai, Mahoma Hossen Schabib, cuja conduta de peregrino incansável, cidadão do mundo à frente de seu tempo, nos abriu horizontes e forjou o caráter -- no seu entender, o maior patrimônio de todo ser humano.

Por meio de meu Pai conheci inúmeros Amigos que ganhei para a Vida. Ainda criança, Dona Amélia Abraham Katurchi, que falava fluentemente o espanhol e o árabe, era uma das Amigas com quem ele conversava quando descia para o centro de Corumbá. Saudosa e querida Mãe do Senhor Jorge José Katurchi, querido Amigo de décadas, Dona Amélia sempre dedicou sua gratidão ao povo corumbaense com generosidade e afeto.

Seu Jorge Katurchi, do alto de seus 96 anos, celebra seu aniversário neste 11 de outubro com o mesmo entusiasmo de seus tempos juvenis, de brilhante jogador de futebol e de garboso cidadão apaixonado por sua querida e saudosa Dona Anna Thereza Rondon Maldonado Katurchi e pela Corumbá de todos os encantos e culturas. E, sobretudo, um cidadão honrado e Pai-Avô dedicado, exemplo para gerações e gerações.

Companheiro de primeira hora do Pacto Pela Cidadania, Seu Jorge é um incansável batalhador das grandes causas de Corumbá. Em tempos sombrios, soube defender muitos injustiçados, ainda que fosse mal interpretado: entre eles estava o saudoso Promotor de Justiça Dr. José Mirha, seu Amigo dos tempos de escola, que até a última semana de Vida o visitara, depois de ter sido o primeiro candidato a senador do PT de Mato Grosso do Sul.

E por citar o estado, no mesmo dia em que Seu Jorge comemora seu aniversário Mato Grosso do Sul celebra a data de sua criação. Foi em 11 de outubro de 1977 que o então general-presidente Ernesto Geisel sancionou a Lei Complementar nº 31, que dividiu Mato Grosso. Detalhe: o vice-governador era o Dr. Cássio Leite de Barros, corumbaense nada identificado com o movimento divisionista e que por ironia da História foi o governador derradeiro de Mato Grosso uno. Nunca é demais lembrar que a divisão foi um casuísmo do regime de 1964, na ânsia de garantir três senadores da Arena e uma maioria folgada de deputados federais que ampliassem a já diminuta bancada situacionista na Câmara dos Deputados.

Em 43 anos de existência (o governo foi instalado a 1º de janeiro de 1979), à exceção de dois governadores -- Dr. Wilson Barbosa Martins e Zeca do PT --, só Campo Grande foi beneficiada por ser capital do estado. É flagrante como o interior do estado é vítima dos governos que se sucederam: como se fosse um carma (até porque o movimento divisionista nasceu no início do século XX em Corumbá, como ato de protesto de grandes comerciantes contra a centralização administrativa praticada por Cuiabá), o Coração do Pantanal e da América do Sul se ressente pela ausência de políticas de desenvolvimento que promovam a autonomia do mais antigo centro comercial do Centro-Oeste do país.

Finalmente, a celebração do Dia da Professora e do Professor e do Dia da Médica e do Médico, mais que um ato de digno reconhecimento desses honrados ofícios, desperta o valor da Educação e da Ciência como instrumentos de afirmação da Vida e da cidadania. Ainda que em tempos cruentos, a dedicação das Professoras e Professores e das Médicas e Médicos aos respectivos ofícios fez diferença: despertar de uma consciência crítica e de percepção da realidade, uma postura, aliás, de várias gerações que não hesitaram em participar do processo de democratização seja na defesa da Educação Pública ou no Movimento da Reforma Sanitária, berço do Sistema Único de Saúde (SUS).

Por conta do momento iluminado em que vivemos, quando a cidadania passa a conhecer as propostas do futuro dirigente do Brasil e de Mato Grosso do Sul, na certeza de que não seremos novamente vítimas do apagão eleitoral ocorrido em 2018 (e que milhões de pessoas pagam caro pelo desgoverno existente), celebremos outubro como o primeiro mês primaveril a levar esperança, regozijo e consciência de luta em defesa dos valores democráticos e civilizatórios, para que o fascismo que atenta o Estado de Direito não se perpetue e destrua tudo que foi construído com muito denodo e generosidade pelas gerações anteriores.

Ahmad Schabib Hany

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

34 ANOS DA CONSTITUIÇÃO CIDADÃ E OS NOVOS DESAFIOS

34 anos da Constituição Cidadã e os novos desafios

Nada é por acaso. Embora tenham chegado a pouco mais de 1,5 pontos percentuais de sua eleição no primeiro turno, Lula e Alckmin têm diante de si um desafio emblemático: novas estratégias para a defesa da Constituição Cidadã e a restauração do Estado Democrático de Direito.

Dia 5 de outubro a Constituição Cidadã completou 34 anos de sua histórica promulgação, a despeito das tentativas incessantes do atual inquilino do Planalto de pô-la por terra e com ela o Estado Democrático de Direito.

Não por acaso, Lula e Alckmin têm ante si um emblemático desafio: novas estratégias para a defesa dos principais pressupostos da Constituição Cidadã. É como se estivessem diante de um cenário de guerra de terra arrasada, em que não restou pedra sobre pedra, e os sobreviventes dependem de medidas emergenciais para obter uma sobrevida como se tratasse de um insólito milagre.

Na verdade, trata-se de momento bastante inusitado: cada eleitor está sendo chamado à consciência para decidir pelo reencontro do Brasil com a História, e dar sua contribuição inadiável: assegurar a vitória acachapante de Lula sobre o atual inquilino do Planalto que, apesar de seu juramento, comporta-se como um fedelho interessado única e tão somente no desmonte, na destruição, da democracia e das políticas públicas.

1) programas consistentes e bem estruturados de enfrentamento da fome e no contexto da segurança alimentar (e não projetos oportunistas feitos a toque de caixa com o intuito de apenas garfar votos em período eleitoral); 2) reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo para desafogar os milhões de pacientes com cirurgias e tratamentos atrasados desde antes da pandemia de covid-19; 3) fortalecimento do sistema educacional, com ênfase para a recuperação dos recursos para a educação, bem como a correção de rumo das políticas educativas para colocar os milhões de estudantes das escolas públicas em programas de nivelamento com aqueles que frequentam escolas particulares; 4) recuperação das universidades, em especial públicas (federais, estaduais e comunitárias), mediante superfinanciamento para retomar programas descontinuados pelo atual governo, como o Bolsa Permanência, PROUNI, REUNI, Ciências Sem Fronteiras, ENEM, política de cotas, refinanciamento de alunos inadimplentes na área estudantil; 5) investimento pesado em programas de desenvolvimento de Ciência, Tecnologia e Inovações para todas as faixas etárias de jovens e adultos; 6) reestruturação do Sistema Nacional de Cultura, com a criação de comitês de cultura em cidades reconhecidamente culturais, inclusive como Corumbá e Ladário.

Foi o que a Constituição Federal de 1988 consignou por meio de seus mais de 500 constituintes e milhões de cidadãos que participaram de todas as votações para cada um dos inúmeros direitos que foram definidos mediante a Assembleia Nacional Constituinte. Além do fortalecimento das políticas fiscais, de transparência (aliás, é bizarro ver um governante em pleno século XXI recorrer a decreto de 100 anos de sigilo e ao orçamento secreto) e de otimização dos recursos públicos, a valorização dos direitos individuais, sociais, coletivos, difusos e trabalhistas que constam da Constituição Cidadã é mais um dos desafios estruturados ‘para ontem’, pois é inegável que estejamos na redenção do Estado Democrático de Direito.

E justamente no dia em que a Constituição Cidadã completa 34 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os candidatos presidenciais Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), além de inúmeros candidatos a outros cargos e personalidades de renome e credibilidade, estiveram manifestando seu apoio a Lula e Alckmin. Mais que certeza de uma consistente retomada de rumos, com reconhecimento e solidariedade, a opção na candidatura Lula no segundo turno é um convite entusiasta a um tempo de resgate da harmonia, da empatia e da esperança em que cada um de nós estará dando a sua participação inclusiva e parceira para que o Brasil volte a ser a potência da paz, do combate à fome e da concórdia neste mundo cada vez mais imprevisível.

Todo apoio ao estadista que o povo brasileiro ofereceu para a humanidade no período de 2003 a 2010. Com fé e tranquilidade, mais uma vez a esperança vencerá o medo e o amor vencerá o ódio.

Ahmad Schabib Hany

sábado, 1 de outubro de 2022

NOS TRILHOS DA HISTÓRIA

Nos trilhos da História

A vitória do ex-presidente Lula é sinal evidente de que está superado o apagão eleitoral de 2018. O reconhecido estadista, pelo povo e o concerto das nações, baliza a jovem Democracia brasileira e coroa uma carreira política voltada para a inclusão social.

Pesquisas mais recentes indicam uma possível vitória do ex-presidente Lula no primeiro turno, razão pela qual o último debate entre os principais candidatos à presidência da República se caracterizou pela unanimidade, entre os adversários, no ataque ao único presidente pós-1945 que elegeu sua sucessora, a primeira mulher na história do Brasil, e promoveu até então uma inédita política de inclusão social, combate à fome e afirmação da indústria naval, petrolífera e de infraestrutura nacional.

Com entusiasmo e alívio, o estadista revelado entre 2003 e 2010 se reencontra com o povo e recoloca sabiamente o Brasil nos trilhos da História. Sem mágoas ou rancores e com uma lucidez do tamanho dos desafios a enfrentar pelos próximos quatro anos, Lula resgata a esperança e o amor com que o povo brasileiro sempre se caracterizou. Agenda, aliás, nunca adotada pelos patrioteiros patetas que em quatro anos só fizeram bravatas em todas as direções: foram quatro anos de incessantes ameaças e mentiras em vez de trabalhar, de cumprir com as responsabilidades constitucionais.

Tendo como vice Geraldo Alckmin, articulador e administrador experimentado (em que pesem as diferenças políticas que por décadas os distanciaram, sobretudo depois da eternização do Governador Mário Covas), os trabalhos da Equipe de Transição precisam se iniciar, ‘para ontem’, diante do entulho autoritário e dos desmandos administrativos recentes: cortes e desvios de recursos para o ‘orçamento secreto’ e desmonte das políticas públicas de Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia, Assistência Social, Cultura, Meio Ambiente, Integração Regional, Habitação, Acessibilidade, Relações Exteriores, Infraestrutura, Agricultura Familiar, Reforma Agrária, Povos Originários, Quilombolas, das Políticas Afirmativas Raciais, Sociais e Culturais, dos Direitos Humanos, das Crianças e dos Adolescentes, das Mulheres, da Juventude, dos Idosos, Previdência Social, Desportos, Trabalho e Renda, Aquicultura e Pesca, Indústria e Comércio, Minas e Energia, Transportes, Comunicações e Defesa, além da Economia e do Planejamento.

A acachapante vitória sobre o inominável que assombrou a nação pelos sombrios quatro últimos anos celebra a vitalidade do Estado Democrático de Direito. É o repto ao apagão eleitoral de 2018. Ao contrário do porta-voz do ódio e caos, ao reconhecido estadista brasileiro caberá pacificar o País, aglutinar as forças sinceramente democráticas e realizar um governo de reconstrução nacional. O entendimento de que adversário não é inimigo e que a diversidade de forças políticas pode e deve orientar a participação nessa jornada histórica nos leva à certeza de que os estragos causados pelos fantasmas da desconstrução da democracia serão descartados de modo sereno, mas firme.

Esse trabalho de reconstrução nacional será realizado por todas as forças políticas de perfil democrático, até porque as demandas serão do tamanho deste país-continente, diante do rombo deixado pelo atabalhoado maniqueísmo fascista -- o famigerado negacionismo que desorganizou as instituições brasileiras nestes quatro anos. Do alto de sua maturidade política, Lula já sinalizou nesse sentido, e não é de se surpreender se integrarem seu futuro governo expressões políticas que nesta campanha estiveram fazendo críticas mordazes ao líder não apenas das pesquisas, mas líder de uma nação que já vislumbra seu reencontro com a civilidade e a empatia.

Mais que retórica, o aceno de Lula aos adversários de dias atrás tem o nítido propósito de soerguer as instituições esvaídas de sua razão de ser em decorrência da desfaçatez de um grupo de patetas que atentou acintosamente contra o Estado brasileiro em nome de um patriotismo mentiroso, em que os mais sórdidos interesses pautaram suas ações predadoras. Não é pouco o trabalho a ser empreendido nas mais diferentes direções. Daí que é necessidade vital reunir o maior número de forças políticas comprometidas com a democracia. Como se o País tivesse saído literalmente de uma guerra de terra arrasada e a reconstrução devesse ser tarefa de todas as lideranças sinceramente responsáveis.

As lições que a história recente do Brasil deixa à sociedade -- sobretudo às lideranças políticas democráticas -- são muitas, mas neste momento de congraçamento e regozijo o mais urgente e inadiável são a serenidade e a lealdade a um povo apaixonante como o brasileiro que sabiamente demonstrou à pretensiosa ‘classe política’ (na verdade elite política) que não é nem nunca foi ‘massa de manobra’. Sábio, o povo sabe qual direção tomar toda vez que seus abastados desmiolados atiram contra as próprias patas, sujas de sangue de tantos inocentes, pela covid-19, pela violência, pela fome e pelo abandono.

Aliás, pelos episódios anteriores à aparição do desatinado inominável, esse perfil coube à pretensa casta de saudosistas de 1964, verdadeiros bananas de pijamas, e às hordas de delinquentes e milicianos que aproveitaram os delírios do boquirroto para, criminosa e cinicamente, entupir-se de verdadeiro arsenal de armas letais em sua perversa sanha de usá-las contra essa população civil que com candura e alegria derrotou os napoleões bonapartes (sem maiúsculas) de convescote decadente. Como Lula não padece do mal do recalque nem é vingativo, caberá à História, oportuna e inexoravelmente, fazer a prestação de contas no momento certo, o que não vem ao caso neste momento e alívio e entusiasmo.

Com a sabedoria que lhe é peculiar, o povo em harmonia, sem ameaça nem soberba, está celebrando o Bicentenário da Independência, em que os fantasmas do fascismo e da contravenção estão sendo cândida e docemente exorcizados pelos milhões de cidadãos que compõem a nação do amor e da esperança chamada Brasil.

Ao trabalho, Presidente Lula! E que Deus, que é Pai e não padrasto, abençoe a todos, disseminando concórdia, humildade e honestidade a cada um dos cidadãos anônimos, que de alguma forma haverão de contribuir para a redenção do Brasil, da América Latina e, enfim, da humanidade, cansada (com ‘s’, por favor) de falsos messias, disseminadores de mentiras e ódio. Como diz o querido Jornalista Ricardo Kotscho, Vida que segue...

Ahmad Schabib Hany