quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Jucá, Temer e Renan: governo foi formado para barrar a Lava Jato, segundo Janot

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Política

Corrupção

Formação do governo Temer visava proteger organização criminosa, diz Janot

por Redação — publicado 07/02/2017 10h46, última modificação 07/02/2017 10h47
Para PGR, nomeações de Jucá, Sarney Filho e Fabiano Silveira tinham objetivo de criar "ampla base de apoio" para conter a Lava Jato






















Jucá, Temer e Renan: governo foi formado para barrar a Lava Jato

A formação do governo de Michel Temer teve, ao menos em parte, o intuito de proteger a organização criminosa que vem sendo investigada na Operação Lava-Jato. Essa é a conclusão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em petição apresentada na noite de segunda-feira 6 ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento, Janot pede a abertura de um inquérito criminal contra o ex-presidente José Sarney (PMDB), os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado por possível crime de embaraço às investigações da Lava Jato.

A base do pedido de Janot são as gravações feitas por Machado com os caciques do PMDB e que foram vazadas à imprensa em maio de 2016. Nos áudios, o grupo trata do impeachment de Dilma Rousseff, discute a "solução Michel" e Jucá afirma, em meio a um diálogo sobre a preocupação com as delações premiadas de executivos de empreiteiras, que a forma de "escancar a sangria" é "mudar o governo".

No pedido entregue ao STF, Janot aborda tangencialmente o impeachment, mas afirma que indicados de Temer para o ministério tinham o intuito de aprovar "medidas de alteração do ordenamento jurídico em favor da organização criminosa".
Na página 28 da petição, Janot afirma que Jucá "explicita em uma das suas conversas com Sérgio Machado que na solução via Michel Temer haveria espaço para uma ampla negociação prévia em torno do novo governo". Na conversa, Jucá afirma que a "solução Michel" pode ser negociada "antes de resolver" colocá-la em prática.







Na sequência, Janot afirma que "pode-se inferir destes áudios que certamente fez parte dessa negociação" a nomeação de Jucá para o Ministério do Planejamento, além da nomeação do deputado Sarney Filho para o Ministério do Meio Ambiente e de Fabiano Silveira para o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, que substituiu a Controladoria-Geral da União.
Jucá também cita na lista "cargos já mencionados para o PSDB", mas não diz quais são. Antes, na petição, Janot cita diálogos de Romero Jucá com Sergio Machado nos quais o senador afirma que "caiu a ficha" do PSDB sobre a necessidade de embarcar no plano, e cita especificamente os senadores tucanos Aloysio Nunes Ferreira (SP), José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).

O intento dos nominados de Temer, afirma Janot, "é conseguir construir uma ampla base de apoio político para conseguir, pelo menos, aprovar três medidas de alteração do ordenamento jurídico em favor da organização criminosa".































Essas medidas, diz Janot na petição, "seriam implementadas no bojo de um amplo acordo político — tratar-se-ia do propalado e temido 'acordão' — que envolveria o próprio Supremo Tribunal Federal, como fica explícito em intervenções tanto do senador Renan Calheiros, como do senador Romero Jucá".

Ainda de acordo com o PGR, o "acordão" tinha o objetivo de conter "os avanços da Operação Lava Jato em relação a políticos, especialmente do PMDB, do PSDB e do próprio PT, por meio de acordo com o Supremo Tribunal Federal e da aprovação de mudanças legislativas".
Jucá foi ministro de Temer por apenas 11 dias. Deixou o cargo em 23 de maio de 2016 em meio ao escândalo provocado pelo vazamento justamente dos áudios que, agora, ensejam a ação criminal de Rodrigo Janot. Hoje ele é o líder do governo Michel Temer no senado.

Fabiano Silveira durou mais tempo no cargo. Ficou até 30 de maio e caiu após a divulgação de áudios também feitos por Sérgio Machado. Na gravação, Silveira orientava investigados da Lava-Jato sobre como proceder diante das investigações do Ministério Público enquanto tinha um cargo de conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que fiscaliza o poder Judiciário.
Sarney Filho ainda é ministro de Temer. 
A petição da PGR segue agora para o ministro Edson Fachin, que herdou a relatoria da Lava Jato após a morte de Teori Zavascki. 

Leia a íntegra da petição:

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

POR QUE ROMERO JUCÁ QUER "TRANSPARÊNCIA" NA LAVA-JATO?

NÃO É ESTRANHO, DE REPENTE, TODOS "ELES" QUEREREM FIM DO SIGILO DAS DELAÇÕES PREMIADAS? ISSO É BOM PARA AS INVESTIGAÇÕES?

É de causar, no mínimo, estranheza a repentina ladainha, bem entoada, para que o Supremo Tribunal Federal libere a íntegra das delações premiadas, a título de “transparência”, em benefício da sociedade. O discurso, bem afinado, vai de Cássio Cunha Lima, passa por Romero Jucá (a dispensar comentários) e Aécio Neves e tem continuidade com o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros. Por que essa repentina mudança de postura?

Até pouco tempo atrás, não era esse o argumento dessas raposas, pegas agora com as patas untadas de seu próprio barro fecal.

Quando o foco da Lava-Jato era (como, a rigor, continua a ser, dentro da ótica do discípulo-mor de Pôncio Pilatos, lapidado nas instituições agora comandadas por Donald Trump) Lula e seu partido, os representantes das quadrilhas que começam a ser desmascaradas com seus esquemas anteriores a 2003 (posse do primeiro presidente de origem operária da história do Brasil, e por isso vítima explícita perseguição das famílias donas da mí(r)dia conservadora, do(a)s concurseiro(a)s ávido(a)s de seus quinze segundos de fama e dos banqueiros e rentistas ávidos do ganho fácil), usavam discurso falso-moralista para deslegitimar as conquistas palpáveis para o povo brasileiro e execrar a honradez do mais popular de todos os ex-presidentes do país nas últimas décadas.

Valdo Cruz, analista político da outrora vanguardista Filha, digo, Falha, perdão, Folha de S.Paulo, chama a atenção para este discurso “redondinho”, que nos remete aos inglórios tempos da Arena de Petrônio Portella e Golbery do Couto e Silva, fins da década de 1970. É que medíocres, “estrategistas” e cartomantes do igualmente pouco iluminado Temer são incapazes de grandes sacadas, e se limitam a requentar velhas soluções para resolver seus problemas, não os do país. Assim, sob a receptiva e bem empolgante retórica da “transparência”, representantes de quadrilhas organizadas conspiram mais uma vez contra o Estado Democrático de Direito, a Nação e a própria Lava-Jato, da qual nunca gostaram e, na verdade, apenas usaram como pretexto para um impeachment sem crime tipificado, o golpe.

Não é preciso ser Sherlock Holmes para compreender os nada honestos propósitos desses meliantes que ofendem a memória dos democratas que deram a vida para ver instalada a jovem, mas já estuprada, democracia brasileira. A liberação do conteúdo das delações premiadas prejudica as investigações para reunir provas (documentos, testemunhos e pistas) que levem para a cadeia os correligionários de Cunha e Cabral, entre outros, curiosamente do mesmo partido do capo golpista, que sem qualquer pudor está a entregar o patrimônio do povo brasileiro aos abutres da globalização, ao mesmo tempo em que destrói conquistas sociais, seja na forma de políticas públicas ou de direitos sociais duramente instituídos nas últimas décadas.

Prova disso é a obsessão com que Temer envia para o Congresso Nacional sucessivas “reformas”, ostensiva e acintosamente contrárias aos interesses da maioria da população, dentro da lógica (ou, melhor, dos interesses) do capital especulativo internacional e, pior, do crime organizado, que atua no desmonte das economias formais como a do Brasil, potência que começava a ganhar reconhecimento no planeta, dentro da política externa soberana implementada pelo chanceler Celso Amorim, que trabalhou com os presidentes Itamar, Lula e Dilma. Por que o ameb..., digo, S(f)erra foi guindado para lá? É que ele foi e continua a ser o mascate do Brasil. Tanto é verdade, que ainda antes do consumado o golpe, como senador, enviou uma série de projetos para, digamos, “flexibilizar” os mecanismos (para ele entraves) para privatizar a Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil, Correios, Caixa e subsidiárias.

E só para concluir, refém que é dos tucanos, o inquilino-fantasma do Planalto, depois de insinuar que, como oriundo do Ministério Público de São Paulo, faria uma “indicação técnica” para a vaga do finado ministro do STF, causa mais uma perplexidade em cadeia com o anúncio do nome do rábula do PCC, aquele cuja biografia mais parece uma folha corrida, para a mais alta corte do país. Sem comentários...
Ahmad Schabib Hany

domingo, 5 de fevereiro de 2017

"DEUS LHE PAGUE..." (Chico Buarque, "Construção")

“DEUS LHE PAGUE...” (Chico Buarque, “Construção”)

PARA GISA, GABRIELA, RICHAM, MICHAEL E SÉRGIO

Dias atrás, quando escrevi “Perdão, Doutor(a), por existir”, perplexo com a leviana desumanidade de médico(a)s e membros do Judiciário que mais parecem discípulos de Pôncio Pilatos – aquele nefasto governador do Império Romano na Palestina que julgou Jesus Cristo e entrou para a história pelo ignóbil gesto de se lavar as mãos depois da condenação de alguém que incomodava os poderosos mas não havia cometido crime tipificado pelo código romano – diante da angústia e da dor da família de Dona Marisa Letícia num leito de hospital, jamais poderia imaginar que uma (suponho, pois não conheço) mãe e avó pudesse, igualmente, incorrer em atos tão maledicentes e condenáveis como o dos já conhecidos algozes.

Não importa o sobrenome, vou chamá-la apenas de Gisa. Deve ter mais de 50 anos. Trata-se de uma pessoa medianamente informada e com um nível de escolaridade acima da média. Eis a íntegra de seu comentário, leviano e inoportuno, em postagem sobre o desabafo do Presidente Lula ao final do velório de sua Esposa numa das redes sociais: “É ridículo o que Lula fez no velório da esposa. Cada um colhe o que planta. Não podemos defender quem fez mal ao Brasil. E a lava jato não é culpada da morte dela, que já teve aneurisma. Quem sofre nos hospitais é que sofrem. Quem tem plano de saúde não se preocupa com os outros que morrem a cada minuto. Primeiro porque não tem força política pra resolver essa situação. E os políticos corruptos não estão nem aí.”

Quanta desumanidade junta! Quem pretenderá ser? Mas, vamos por partes. Pergunto-me, ela e sua família não são tão mortais como todos nós? Ainda que houvesse alguma etiqueta, protocolo a ser observado em velórios (supondo que por se tratar de ex-presidente da República), ele não pode ter o comezinho direito ao desabafo na hora em que “vai ser fechado o caixão”? Enquanto aquela pessoa que traz um nome feminino (mas tem todo o ranço do machismo inoculado nas entranhas de uma sociedade hipócrita e bizarra) se atribui o direito de agredir – e não apenas usufruir do direito de manifestar sua opinião, pelo qual, aliás, minha geração, entre outras, lutou para que ela o dispusesse –, um homem da dimensão de Lula, tomado pela dor e no fatídico instante da separação eterna, não pode ter direito de dizer o que não só pensa, como há evidências do que ele (e os melhores jornalistas e analistas políticos também) declarou.

É “ridículo”, Gisa, porque partiu da boca de um retirante nordestino que ousou não obedecer à sina da maioria de seus conterrâneos e acabar confinado à Zona Leste de São Paulo, no máximo, servindo de massa de manobra para o malufismo, quercismo, janismo, alkminismo, dorismo e outros ismos? Quando passou a ser a encarnação do (chamado por eles, com maldade) lulopetismo, aí é banditismo, “organização criminosa” – e põem as polícias, paparazzi, x-9, penas de aluguel, cronistas chapa-branca e interceptadores de telefonemas atrás dele (policiais só, não: fugindo à histórica praxe inquisitorial, promotores e procuradores, auditores e juízes à cata dos quinze segundos de notoriedade). Não “deixa ele” virar ministro. Mas o impopular agregado de Amaral Neto e ex-governador fluminense mais rejeitado de todos os tempos, delatado como representante no esquema de propina da corja que tomou de assalto os destinos da população daquela que já foi maior democracia do planeta, sim, ele pode, pois tem “pedigree”, tem “um pé na corte” e, acima de tudo, tem folha corrida, digo, currículo: por tudo isso pode, e cinicamente ele ganha o tal status quando o pária do Lula está velando sua “Galega”, altiva e honrada como ele!

“Cada um colhe o que planta.” Sim, Gisa, foi Marisa que pediu para Lula priorizar a Lei Maria da Penha e implantar uma rede de proteção social para as mulheres, fossem elas vítimas de violência doméstica, sexual ou para seu empoderamento. Políticas afirmativas de igualdade de gênero, social e racial, idem. E Lula plantou programas de inclusão social – dados da ONU confirmam que no país não há mais pessoas abaixo da linha da pobreza, o que os donos da mí(r)dia ideológica não divulgam –, políticas de geração de trabalho e renda e elevação do poder aquisitivo de amplas camadas sociais, criou programas habitacionais que não só deram casa como dignidade, sobretudo à mulher chefe de família, como imagino, Gisa, você deva ser. Se você fez algum curso universitário (graduação e/ou pós-graduação) deve saber que ele e Dilma são os pioneiros, em quase duzentos anos de existência do Brasil, na expansão de cursos e vagas em universidades e institutos tecnológicos espalhados por todo o território nacional com diversos tipos de bolsas (de iniciação científica, de permanência, de assistência, de desenvolvimento científico, de iniciação à docência etc). Isso além do mais ousado programa de infraestrutura já empreendido no país desde os tempos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek: os dois PACs incluem transposição do Rio São Francisco, despoluição de vários rios contaminados, expansão de redes de captação de água e de criação (sim, criação) de sistemas de esgotamento sanitário e de destinação de resíduos sólidos, construção de ferrovias e rodovias etc.

Sim, Gisa, nisso eu concordo com você: “Não podemos defender quem fez mal para o Brasil.” Esse não é o Lula. Quem parou o Brasil desde antes das eleições de 2014 foram os golpistas, que já previam tomar de quatro – serei explícito: 2002, 2006, 2010 e 2014 – e, raivosos por não terem competência para ganhar uma eleição no voto, partiram para o “quanto pior melhor”. Não sei se você e sua família têm meios de se sustentar fora do mercado de trabalho. Mas quem, como eu e a maioria da população deste país continental, depende de seu trabalho sabe que quando a crise desaba não há quem se salve. Até o especulador, o agiota e o usureiro levam a pior, pois é maior o número de inadimplentes. Mas para Serra, Aécio, Cunha, Aloysio e Roberto Freire (esse comunista arrependido que hoje é “sinistro” da Cultura, que por décadas apoiei sem saber que era um traidor), elevar o nível de renda, assegurar os programas sociais, reaquecer a economia para promover a distribuição de renda possível, ainda que na lógica capitalista, não é prioridade. A prioridade para eles é o tal “superávit primário”, eufemismo (nome bonito) da cobiça de banqueiros, dos ávidos especuladores internacionais que se apossaram do Banco Central, que não é mais do Brasil. Como a Petrobras, Banco do Brasil, Caixa, Correios e até a Eletrobrás serão entregues para o capital especulador internacional (do mesmo jeito que FHC deu, a preço de banana, a Vale, Telebrás, Embratel, todas as teles estaduais e centrais elétricas, deixando-nos com os mais caros serviços e os piores deles). O (des)governo que eles instalaram depois do golpe (por isso golpistas) é a prova disso: há limite para tudo, menos para os juros (nome bonito de especulação), os mais altos do mundo pra cima de nós, cidadãos anônimos.

Ah, sim, Gisa: o mal do Lula foi a roubalheira, a rapinagem que está instituída no Brasil... Sinto ter que desapontá-la, porque as delações começam a revelar o que os golpistas temiam (e está provado na fala do ex-ministro golpista e hoje líder de Temer no Senado Romero Jucá com o ex-senador tucano e ex-dirigente da Petrobras Sérgio Machado, amplamente divulgada depois do impeachment): o propinoduto (ou esquema da propina) da Petrobrás e de outras estatais são anteriores à posse de Lula, em 2003. Há delações que dão conta de detalhes que, não sei por quê, os “jornalistas” que comandam a Central Gloebbels se recusam a tornar públicas. Bom, dizem que, também, havia uma “bolsa-mí(r)dia”, desde os tempos da (mal)dita cuja que a Dilma resolveu cortar, e que por isso ela perdeu o “apoio” que nunca, em verdade, teve. Por quê? Porque, por exemplo, na Bahia, a família Marinho é sócia da família ACM.

Mal que lhe pergunte: estudou (ou gosta de estudar) História? Sabia que os primeiros colonizadores degredados de Portugal eram, em sua grande maioria, criminosos, enviados para cá mais para cumprir condenação que como oportunidade para se reinserir à sociedade lusitana? Sabia que os colonizadores, como demonstração de gratidão pela receptiva acolhida pelos povos originários, exploraram, caçaram, expulsaram, mataram e corromperam os povos originários? Sabia que a Inglaterra virou potência naval graças ao comércio de escravos capturados na África e vendidos nas colônias da América? Sabia que o capital (e o próprio capitalismo) se desenvolveu por meio de saques de piratas e corsários, do uso e abuso da mão de obra escrava dos povos africanos e povos originários da América? Sabia que, graças Marx e Engels (e não à “dupla sertaneja” do procurador pouco letrado das terras bandeirantes), dois estudiosos bastante dedicados no século XIX, foi possível demonstrar que o salário pago a um(a) operário(a), por maior que seja, não remunera totalmente sua força de trabalho gasta para seu patrão, e que é possível mudar o modo de produção quando a classe trabalhadora tem consciência de sua vontade política? Mas, em resumo, Gina, os empreiteiros e banqueiros sempre mantiveram vários esquemas de propina, tanto assim, que quando tentaram derrubar Getúlio a UDN usou esse expediente, tal como foi usado na tentativa de deposição de Juscelino e no golpe contra João Goulart. E durante os 21 anos do regime de 1964 houve, apesar da violenta censura, vários casos de corrupção denunciados, como o Banco Halles de Investimento, da Caderneta de Poupança Delfin, Caso Coroa Brastel, Projeto Jari, Caso Ponte Rio-Niteroi, Caso Angra I, Caso BNH, Caso Transamazônica, Caso Codrasa, Caso Transpantaneira, Caso Lutfalla, Caso Caixa Econômica Federal, Caso Capemi, Caso Finor, Caso Light, Caso BrasCan, Caso Paulipetro, Caso Baumgarten, entre muitos outros.

Perseguiram Lula sem provas – apenas por (sic) “convicção” de um imaturo concurseiro galgado a um cargo maior que sua rasa mentalidade, e por representar as ideias de uma dupla (sertaneja?) “Marx & Hegel”, segundo um medíocre, ignorante e sobretudo pedante procurador de justiça de São Paulo –, aquele discípulo de Pilatos deixou vazar conversa telefônica entre Lula e Dilma sem observar o que estabelece a legislação, como se estivesse acima da lei. Alguém de direito o advertiu, repreendeu ou, ao menos, determinou que pedisse desculpas à Presidenta Dilma e ao então Ministro Lula? Não. Isso o fez repetir o abuso, quando já havia sido diagnosticada a morte cerebral. Tudo isso, é claro, contribuiu para o agravamento da saúde de Dona Marisa Letícia, que abandonou as caminhadas para não ter que ouvir desaforos e ofensas. Se eu estivesse no lugar dele, não tenha dúvida, teria processado, um por um, todo(a)s o(a)s que contribuíram de alguma forma para que se chegasse a esse desfecho trágico. Mas esse sou eu. A grandeza de Lula não permite rancor e retaliação. Ele cresce na dor, ele se fortalece na adversidade. Não por acaso (a menos que os covardes golpistas o impeçam por todas as vias), ele irá subir a rampa do Palácio do Planalto, em 1º de janeiro de 2019, e nos braços do povo brasileiro, de quem é fiel representante. Então, a sua estrela Galega irá iluminá-lo, com a mesma discrição de sempre, no mandato presidencial em que se repararão os danos causados pela quadrilha que quer dilapidar o patrimônio do Brasil para entregar aos especuladores internacionais. Amém!

Ahmad Schabib Hany

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

DONA MARISA LETÍCIA VIVE!

DONA MARISA LETÍCIA VIVE!
Dona Marisa Letícia –- a “galega” que cativou, 43 anos atrás, o coração solitário do retirante de alma peregrina que se tornou o maior estadista brasileiro dos últimos 50 anos –- personifica a alma guerreira da mulher brasileira. Empregada doméstica aos 9 anos e operária da indústria da alimentação a partir dos 13 anos, deu-se o gosto de trabalhar por alguns anos como servidora da educação, já que não pôde realizar o sonho de ser professora, postergado pela maternidade e viuvez precoce. Assim como Lula, que ficou viúvo de sua companheira grávida, Marisa perdeu o primeiro companheiro quando estava grávida de seu primeiro filho.
História de vida como de tanto(a)s brasileiro(a)s anônimo(a)s que produzem a riqueza de uma das sete maiores economias do mundo e cujas elites, desde os tempos coloniais, jamais se preocuparam com seu verdadeiro drama: viver sem direitos, trabalhar como escravo(a)s, morar precariamente, sonhar com os estudos, adoecer para morrer (tanto que o casal conheceu a viuvez precocemente, porque trabalhador/a ia para o INAMPS ou INPS e sua sobrevivência dependia da sorte de encontrar algum/a profissional sério/a, a bem da verdade não muito diferente de hoje).
Ao contrário da lenda cafajeste de que Lula teria pedido para amputar o dedo a fim de se aposentar, Marisa e o único presidente a eleger e reeleger sua candidata (a primeira mulher a presidir um país de machistas, inclusive mulheres machistas), desde os tempos em que se conheceram, faziam horas-extras para melhorar sua renda. Assim como o sindicalista ranheta como era caricaturado, a querida “galega” era altiva e cheia de valores para (jamais) pedir vantagens aos chefes e patrões. Nos primórdios do Partido dos Trabalhadores, foi ela que confeccionou a primeira bandeira, tudo da cabeça dela, envolvida como estava com os propósitos do primeiro (e único até hoje) partido a nascer das massas trabalhadoras do Brasil.
Por isso, o casal fez a diferença na presidência da República. Simplesmente porque foram diferentes de todos os antecessores. Seu comportamento, espontâneo, desestabilizava o embolorado protocolo, tão bizarro quanto a conduta das elites que o impuseram ainda nos tempos da corte imperial, caduca e hipócrita. O raro senso de oportunidade de Marisa impediu a protelação sistemática de conquistas sociais e econômicas já no primeiro mandato. (Por favor, não confundir senso de oportunidade com o oportunismo atávico da burguesia meliante brasileira, aquela que “faz qualquer negócio”, inclusive a barganha, a propina, a cooptação e a corrupção que começam a vir à tona por meio das delações dos corruptores, pelos esquemas anteriores a 2003, ano da posse de Lula.)
Daí a identificação do povo e o ressentimento transformado em ódio pela chamada classe mé(r)dia, que, a rigor, é uma ficção, pois não passa de um extrato de classe, eivado de pretensões e preconceitos e destituído de identidade: projeta-se, ilusoriamente, nas aspirações dos poderosos e seus agregados, popularmente definidos como aqueles que “comem farofa e arrotam caviar”. O pior é que as políticas distributivas, compensatórias e de inclusão foram as responsáveis por “inchar” a tal classe mé(r)dia, cooptada a partir da incessante campanha da mí(r)dia e dos grupos de mercenários autodenominados de “movimentos”, como o “Tchau Querida”, o “Vem Prá Rua” e o “Movimento Brasil Livre”. A propósito, onde estão agora? Nos gabinetes de Brasília, São Paulo (governo e prefeitura), Porto Alegre, Rio de Janeiro etc.
Ao reconhecer publicamente meu erro de avaliação, durante a luta contra a ditadura, e ficar ao lado de traidores como Roberto Freire, Alberto Goldman e Augusto Carvalho (é só ver de qual lado eles estão no atual contexto político), perdi a oportunidade histórica de conhecer mais de perto pessoas de uma grandeza humana ímpar. Em 1980, ao participar do Primeiro de Maio Unificado, pude ver a aguerrida atriz, depois deputada do PT, Bete Mendes em Campo Grande. Mas nunca tive a honra de estar perto de Dona Marisa Letícia, lamentavelmente. Lula mesmo, fui conhecer, lado a lado, em 1998, em Corumbá, quando o saudoso Bispo Diocesano Dom José Alves da Costa me deu a honra de acompanhá-lo a um encontro de quase duas horas, em sua residência. Ele aceitara o convite por ser coordenador-geral do Pacto Pela Cidadania (o Movimento Viva Corumbá), e graças à sua gentil atenção, fui a única testemunha do encontro, com a obrigação de participar da conversa, de alto nível.
E, confesso, foi ao conhecê-lo pessoalmente que me convenci de que ele é o melhor representante do sacrificado povo brasileiro. Em todos os sentidos: na sinceridade, fluência e espontaneidade (quando entregamos um documento protocolar do Pacto Pela Cidadania, Lula com a desenvoltura de sindicalista que lhe é peculiar esqueceu-se de que era o candidato à presidência da República e nos orientou como encaminhar tais reivindicações junto às autoridades constituídas, com a maior sinceridade: “Devem entregar este mesmo documento a todos os candidatos que vierem à região, e sobretudo àqueles que disputam o governo do estado, e neste caso, o Zeca tem chances reais de ser o futuro governador.”). E, assim como meu Amigo octogenário que antes fora arenista, eu também acabei virando um admirador do Lula e de Dona Marisa Letícia, por tudo o que fizeram, e só não puderam fazer mais porque tinham que ceder à chantagem dos “éticos” cínicos que tomaram de assalto os destinos daquela que um dia foi a maior democracia do planeta.
Como dizem, #ForçaLula! #DonaMarisaLetíciaVive! Em nossa memória e em nosso coração! Em cada mulher consciente de seu papel e de seu valor humano, político e social. Em cada trabalhador(a) que produz as riquezas do país. Em cada criança cujo coração só tem espaço para o amor e a esperança. Até sempre, Dona Marisa, e obrigado por existir!

Ahmad Schabib Hany

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

"PERDÃO, DOUTOR(A), POR EXISTIR..."

“PERDÃO, DOUTOR(A), POR EXISTIR...”
Dia 2 de fevereiro, data da celebração de Nossa Senhora da Candelária – portanto, Dia da Padroeira de Corumbá, feriado municipal no Coração do Pantanal e da América do Sul – não é, por si, um fatídico dia, marcado pela consternante eternização de Dona Marisa Letícia, esposa do Presidente Lula, depois de ter resistido por dez dias na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês (indiscutivelmente, um dos melhores hospitais do Brasil).
Mais ainda, é dia de contrição, de penitência para a espécie humana toda: ceifaram o mais elementar dos valores humanos, construídos ao longo de milênios, que é o respeito à dignidade humana. A morte de um ser vivo – inclusive humano, mesmo que não prive de nosso convívio – costuma consternar toda e qualquer pessoa minimamente civilizada. Sobretudo, nestes tempos em que até verdadeiros facínoras se declaram cristãos, arrependidos e convertidos, repletos de testemunhos de fé e transformação. O que vimos, no entanto, em todas as redes sociais e seções de comentários da mídia brasileira foi a explícita manifestação de ressentimento e ódio contra a ex-primeira-dama brasileira e seu esposo, eleito e reeleito democraticamente, pelo voto direto e secreto, além de ter conseguido eleger a sua sucessora, com os mais elevados índices de popularidade – e, curiosamente, sem “comprar” os donos dos grandes grupos de comunicação, que nunca lhes deram trégua.
É de causar perplexidade, quando não indignação, a leviandade com que se jactam da tragédia humana. E, pior, não se trata de pessoas com baixa escolaridade. São “elementos” (como diria a caquética crônica policialesca) frequentadores dos mais requintados círculos sociais, cuja formação, via de regra, custou aos cofres públicos (pois se formaram nas melhores universidades, que são as públicas – estaduais ou federais) vultosos recursos financeiros. Que nunca foram devolvidos para a sociedade, fosse como prestação obrigatória de serviços profissionais (como na maioria dos países europeus) ou mediante quitação pecuniária, alguns anos depois, constatado o sucesso profissional.
Nem a temida morte é capaz de aplacar esse maldito (na acepção da palavra) rancor, curtido nas vísceras de detentores de diplomas universitários que juram (ou perjuram?) sobre o legado de Hipócrates? São esses que, quando estudantes, ouvem de certos professores que o bom profissional se revela quando depois de tantos anos adquire o mais caro dos modelos de automóvel; num período maior, já ostenta um belo casarão, e coroa sua brilhante carreira ao obter uma boa fazenda repleta de centenas, não, milhares de cabeças de gado.
O sábio provérbio espanhol adverte: “Lo que natura no da, Salamanca no presta.” [“Aquilo que a natureza não proporciona, a Universidade de Salamanca – ou a USP, a Sorbonne – não tem como emprestar.”]
O que esperar, enfim, dos jovens filhos de elites bizarras, que desde os primórdios coloniais ficam de cócoras (por não ser chulo; a posição não é essa) diante dos descendentes de piratas e corsários e agressivas ante os povos originários, que generosamente acolheram seus ancestrais, em sua maioria criminosos enviados como degredados no começo da colonização lusitana e castelhana, e como gratidão os condenaram à morte em vida, seja como mão de obra escrava ou relegados à condição de miseráveis, “indolentes”, “silvícolas”, “desalmados”...
Perdão, Doutor(a), por existir... Talvez fosse isso o que gostariam de ouvir, tamanha a sua soberba. Mas nem o mais poderoso milionário ou descendente de rei, sultão, emir, imperador, césar ou faraó está livre de passar por um drama desses, de perder um ente querido. Quem lhes garante não passar por uma experiência dessas a qualquer momento? Em sã consciência, desejo e rogo que não conheçam essa dor. Desejo, sim, e rogo para que, num lampejo de humildade cristã, sincera e leal, se penitenciem, façam a devida contrição, resgatem sua dignidade humana que se encontra latente, adormecida, pois ainda há tempo. Nunca é demais lembrar que para ser bom profissional é imprescindível ser ótimo cidadão, ser humano e solidário. Tudo isso não subtrai, só acrescenta e, sobretudo, faz bem para si e os seus.

Ahmad Schabib Hany

sábado, 21 de janeiro de 2017

GERALDO ESPÍNDOLA COMENTA "UM RIO, UMA GUERRA", DE LUIZ TAQUES

O rio e a guerra
Por Geraldo Espíndola

Meu querido amigo:
gostei muito do seu livro
Um Rio, Uma Guerra.

Quanta memória!

Levou-me ao Forte Coimbra,
à guerra na nossa terra, e que agora faz 150 anos.

Lembrei-me do Marçal de Souza, AMERÍNDIA, lembra?
Meu coração tem uma sombra
entristecida pela grande Nação Indígena,
massacrada e espoliada injustamente.
Sem a presença deles, os índios,
nem água de rios teríamos para beber.

Parabéns pelo seu trabalho, guerreiro poeta do meu tempo.
Seus livros estão na minha cabeceira a me emocionar.
E o velho rio que passa em sua cidade natal,
a Corumbá que eu tanto amo, a me inspirar.

Saudações pantaneiras.

Geraldo Espíndola é cantor, autor de

“Vida Cigana”, entre outros grandes sucessos da MPB.

"SI SE CALLA EL CANTOR, CALLA LA VIDA..."

"SI SE CALLA EL CANTOR, CALLA LA VIDA..."

"Qué ha de ser de la Vida si el que canta no levanta su voz en las tribunas, por el que sufre, por el que no hay ninguna razón que lo condene a andar sin manta!" (Horacio Guarany, “Si se calla el cantor”)

Compositor e cantor de iluminada capacidade criativa -- e, sobretudo, imenso compromisso com a emancipação e verdadeira integração dos povos latino-americanos --, Horacio Guarany se eternizou no fatídico dia 13 de janeiro, a segunda sexta-feira do ano em que a humanidade celebra o centenário da Revolução Bolchevique. Ano também, não nos iludamos, em que a corja de meliantes que saqueiam o mundo, inclusive nossa América Latina cada vez mais rastejante, ganha um novo amo e senhor na Casa Branca (ou seria casa mal assombrada?).

Dono de uma voz grave e de uma estatura imponente, suas melodiosas e reflexivas composições ganharam o mundo e povoaram docemente os generosos sonhos, a utopia por justiça e igualdade, de mais de quatro gerações de jovens pelo mundo afora, provavelmente pela doce e eterna Mercedes Sosa. Quem não se sentiu, alguma vez, tentado a cantarolar, ao menos, o hino da liberdade intitulado "Si se calla el cantor", cujo clamor à consciência e à rebeldia nos contagia com seus versos permanentemente contemporâneos: "Si se calla el cantor, calla la Vida, porque la Vida, la Vida misma es todo un canto..."

Fins de 1974, dois meses depois da trágica eternização de meu querido Irmão Mohamed Schabib Hany, eu ouvia pela primeira vez, na terna e telúrica voz de nossa saudosa Mercedes Sosa, numa fita cassete (de áudio) trazida desde Cochabamba pelas minhas Irmãs Wadia, Zamzam e Soad, "Si se calla el cantor". Foi amor à primeira vista. Mas era, como todo amor proibido, para se guardar em segredo, escondido, pois, assim como Geraldo Vandré, Chico Buarque e Taiguara, esses compositores e intérpretes eram a razão de ser da censura que cerceou por uma ou duas gerações os horizontes da juventude amputada de nosso tempo. Sequelas que ainda teimam minar nossas esperanças e anseios por um mundo igualitário, justo, solidário e libertário.

Quando a (mal)ditadura de Rafael Videla, Emilio Massera e Orlando Agosti condenou à morte o presente e o futuro da Argentina (e, por extensão, de toda a América Latina), ao lado de Augusto Pinochet, Emílio Médici, Alfredo Stroessner e Hugo Banzer, com o abominável "Plano Condor" (eu diria "Plano Kissinger") e sua peçonhenta Operação Cone Sul, Horacio Guarany, Mercedes Sosa e Atahualpa Yupanqui estavam em verdadeira peregrinação humanitária por todos os nossos países, levando a "luz e a esperança aos de embaixo" do Trópico do Equador, disseminando, no meio das trevas assassinas, o melhor que a espécie humana pode produzir, isto é, arte, amor pelo próximo, consciência de classe, solidariedade e resistência democrática, legado usufruído por todo(a)s nós!

Eraclio Catalín Rodríguez Cereijo, o eterno Horacio Guarany, não saiu de cena, não deixou sua missão. Foi somar-se, com sua inesgotável inquietude juvenil e talento intrépido, aos seus companheiros de luta e ofício na eterna lide-lira da utopia transformadora, generosa, solidária, criativa, companheira e libertária. Ao lado de eternamente grandes, como Mercedes Sosa, Jorge Cafrune, Benjo Cruz, Victor Jara, Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Nicolás Guillén, Mario Benedetti, Eduardo Galeano, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Vinícius de Moraes, Elis Regina, Papete, João Cabral de Mello Neto, Fernando Brant e Nara Leão, está agora a partilhar o cântico de luta e de amor da juventude desassossegada de todos os tempos com as novas gerações, os jovens de hoje e de amanhã, para que, no dizer do também eterno e terno Charlie Chaplin, "o sonho que sempre nos acalentou renasça em outros corações".

Até sempre, eterno e altivo Horacio Guarany, como o povo que homenageou com o seu emblemático nome artístico, ou melhor, nome de guerra, da boa guerra, da luta pela paz, luz, esperança: "Pueblo, escucha, únete a la lucha! / Lucha, lucha, no deja de luchar... / Pueblo unido, nunca vencido!" (“Pueblo, escucha!”)


Ahmad Schabib Hany