Obrigados, IBEC! Obrigados, Amigas e Amigos!
"Adeus, Escola querida / Adeus, adeus, adeus! / De ti eu levo saudades / Saudades tantas de ti..."
Estes versos, de autor desconhecido por meus mestres queridos de quase 60 anos atrás, estiveram martelando minha memória desde o início de novembro, mês em que Omar, meu Filho, celebrou a conclusão do Ensino Médio no IBEC (Instituto Baruki de Educação e Cultura) - Objetivo de Corumbá.
Na verdade, até já tinha esquematizado mentalmente meu "improviso", no intuito de manifestar nossa gratidão profunda e incondicional de pais convictos da excelência da formação escolar realizada ao longo de uma década e meia na única escola que meus Filhos conheceram antes de rumar ao Ensino Técnico / Superior e definirem os seus caminhos de cidadãos com solidez e solidariedade.
Embora me sentisse impelido a expressar de viva voz a gratidão que vem desde antes da permanência de meus Filhos -- desde a permanência de Dunia, minha Sobrinha, que abriu caminho para Omar e Sofia no IBEC/Objetivo --, percebi o quão arriscado seria falar antes dos protagonistas da noite, da conquista e da contemporaneidade. Até porque temos um "combinado" já há um tempinho em que não posso incorrer no erro de lhes fazer "pagar mico".
Para minha sorte e alívio, tenho a oportunidade de expressar por escrito, sem correr o risco de causar constrangimento aos que amo mais que a mim mesmo. E o mais importante: com meu prudente silêncio, pude vê-lo manifestar-se, ao lado de seus Amigos e Amigas, como cidadão protagonista de seu destino que é. Nessas horas vemos como estão maduros, autônomos, desenvoltos... Claro, e fiquei cheio de emoção e orgulho, mas, como eles mesmos dizem, não podia fazê-lo "pagar mico"...
Ao agradecer, de coração, à Escola IBEC/Objetivo, quero dizer à Diretora, na pessoa da querida Professora Lígia Maria Baruki e Melo, muito obrigado a cada Professora/Professor, Auxiliares de Disciplina, Funcionárias e Funcionários -- maiúsculas, por favor -- das mais diferentes funções que, desde o pré-escolar, se dedicaram generosamente à formação educacional, intelectual e cidadã de meus Filhos -- na verdade, desde o tempo de minha querida Sobrinha Dunia --, gratidão que levaremos, a Família inteira, para toda a Vida.
Agradecemos também à Professora Adelma Pinto Galeano, cujas contribuições para a formação de nossos Filhos foi determinante. Nesse agradecimento estão inclusos os nomes das Coordenadoras ao longo desse período de formação. Mais ainda: à equipe de profissionais da Secretaria, da Tesouraria e da Cantina, cuja atuação cordial e prestativa foi extremamente salutar e resolutiva.
Nesse contexto está nossa profunda e sincera gratidão à Senhora Yula Baruki e Melo, mais que Filha e Neta dos saudosos fundadores do IBEC, uma gestora que inspira confiança e tem em seu DNA a Educação como instrumento de formação e de emancipação social e humana. Ao contrário do que hoje se preconiza de forma hegemônica e totalitarista, Educação não é mercadoria, produto; é meio de valorização humana, social e cidadã, o que temos testemunhado ao longo de quase 20 anos no cotidiano do IBEC.
Também temos que agradecer, com penhor, aos Colegas que se transformaram em Amigas e Amigos no transcurso do tempo e às suas queridas Famílias, que em diversos momentos nos representaram, fosse na Escola ou no seio familiar, com o mesmo carinho e responsabilidade que temos com os seus. Nesse particular, essa relação salutar e vívida foi essencial para a formação cidadã em sua plenitude, irradiada no ambiente escolar saudável. Nossa Amizade é, também, para toda a Vida.
Nossa gratidão, no âmbito familiar, do fundo da alma, para minhas Irmãs, Irmão e Cunhados, que generosa e espontaneamente dedicam afeto, cuidado e apoio efetivo para a formação cidadã, intelectual e humana de Omar e Sofia. Não há palavras capazes de expressar a dimensão de nosso reconhecimento profundo e sincero. E a presença de duas delas na celebração deste 28 de novembro foi, mais que representativa, gratificante. Obrigados, de coração, queridas Irmãs e queridos Irmão e Cunhados!
Verdadeira Amiga, Dona Carmen Gomes Galeano, mais que Avó presente de Omar e Sofia, tem sido uma discreta e sábia Companheira, capaz das atitudes mais nobres e singulares. Coração do tamanho de sua generosidade e de sua humildade, Dona Carmen constrói um porvir iluminado a todos os seus descendentes, ainda que eles e elas não percebam em profundidade. Seu Mário Galeano, como bom capitão mercante, sabe desse porto seguro que há mais de seis décadas lhe assegura um cotidiano estável e confiável.
Um igualmente agradecimento imprescindível a todas as Amigas e todos os Amigos presentes na Vida de Solange e na minha, na pessoa emblemática e inspiradora da querida Engrácia Leite, a Fada Madrinha que, desde antes do nascimento das "Crianças", tem cuidado da saúde mental de todos nós. Afilhada de um personagem histórico de Corumbá que merece um estudo de caso honesto e metódico, a saudosa Senhora Ernestina Ferreira de Araújo, responsável pela presença do Racionalismo Cristão no coração do Pantanal e da América do Sul, Engrácia, como uma monja sábia e solitária -- além disso, sempre solidária --, enfrentando os maiores desafios e adversidades, nos ensina com as suas espontâneas atitudes, todos os dias, a superar as nossas limitações, os nossos recalques.
No tocante à Equipe IBEC/Objetivo, gostaria de citar, uma a uma / um a um, todas e todos, sem exceção. Tentei não esquecer ninguém, mas fui advertido de que o risco de deixar de citar uma / um prejudicaria a homenagem toda. Porém, não poderia deixar de mencionar três cuja ausência não consegui não sentir durante o ato de celebração: uma Diretora, Professora Terezinha Baruki; um Docente, Professor Francisco Carlos Ignácio, e uma Funcionária, Dona Maria de Fátima da Silva Franco.
Durante a celebração, tive a sensação de que, ainda que em pensamentos, elas e ele estivessem, ora entre Alunas e Alunos da Nona Série e do Terceirão, ora entre as adultas e os adultos, compartilhando das alegrias e das tristezas. Sim, porque além da alegria de completar um ciclo de Vida, que é a conclusão do Ensino Fundamental e do Médio, o fato de cada um começar a trilhar novas vias (a maioria em outras cidades ou estados) é de partir o coração. O clima foi de despedida, mesmo que a alegria também reinasse.
A Tia Fátima, assim chamada por meus Filhos, se eternizou num dia como amanhã (em 29 de novembro de 2017), aos 37 anos, dia de seu aniversário e da abertura do 18o Fórum Infanto-juvenil. Professor Francisco, que se eternizou 15 dias depois da Diretora (2 de setembro de 2021), deixou sua marca indelével na memória das e dos Colegas, Alunas e Alunos e de todas as Mães e Pais do IBEC/Objetivo. E o que dizer da Professora Terezinha, que se eternizou no dia 13 de agosto de 2021 (um dia depois do Dia do Estudante)? Três grandes faltas muito sentidas, embora não verbalizadas.
Tristeza, também, por essas ausências. Porque somos o que nosso convívio nos torna. Seria redundância dizê-lo, mas o farei porque as pessoas vivem a dizer, a lamentar: a falta da Professora Terezinha, considerada a alma do Educandário. Por certo, não conheceram a Professora Magali de Souza Baruki e o Professor Salomão Baruki, fundadores da Escola, ao lado da Professora Terezinha. Pais da Professora Lígia, eles são referência na Educação, na Cultura e na formação de diversas gerações de Educadores.
Aliás, o IBEC/Objetivo é mais que uma Escola, é uma usina de Vida. Lembro-me como hoje quando Dunia iniciou seus estudos, fins da década de 1990, e todos os dias, ao retornar, nos relatava as experiências vividas com as Professoras e os Coleguinhas. Não por acaso, ela sempre ousou ir em frente, desafiando todos os limites, fosse em Corumbá, Rio de Janeiro ou São Paulo, e experimentando novos horizontes, sem titubeio.
Ao contrário de muitas escolas contemporâneas, o IBEC se caracteriza, desde o início, pelo trabalho em equipe. E quando se trabalha de forma coletiva, isto é, em equipe, outro é o comportamento das Alunas e dos Alunos. Muitos pais têm consciência, sabem desse valor agregado, para usar uma expressão do vocabulário neoliberal. Formação qualificada, o chamado espírito de grupo, sentido de coletivo, é perceptível no alunado do IBEC, cujo desempenho tem um diferencial para toda a Vida.
Portanto, Professora Lígia, o nosso muito obrigado vem com esse conjunto de reconhecimentos -- no plural, ainda que pareça cacofônico --, que nos tornam seus devedores altivos e ativos de um contexto de Educação experimental, com generosas pitadas da vanguarda, em um tempo em que a maioria da sociedade tem manifestado incredulidade, ceticismo, ante suas generosas perspectivas. E, é bom destacar, que o problema não está na Educação, mas na própria sociedade, cujo modo de produção aparentemente hegemônico já capitulou mas insiste em impor suas bizarras concepções de Vida e de Mundo, ainda que caducas.
Quando deixamos, no primeiro dia, nossos "bebês" no pré-escolar do IBEC, já tínhamos certeza de que estávamos seguros, convictos, que a trilha a ser feita pelos nossos Filhos era saudável, profícua e, sobretudo, transformadora. Hoje, quando eles concluem este ciclo de Vida escolar, além de gratidão e Amizade, forjadas ao longo de um convívio intenso e dialético, como a Vida e a História, temos em sua concepção de Educação esperança, conforme o legado do Mestre Paulo Freire, de saudosa memória. Esperançar, verbo transitivo direto.
Assim, até breve, Família IBEC/Objetivo! Até breve, Amigas e Amigos que fomos nos irmanando ao longo dos anos, década e meia a fio!
E, como dizia a canção ensinada em nossa Escola Paroquial Nossa Senhora de Caacupê, aí, bem pertinho de nós, mas num distante 1966 (cujo capelão era o saudoso Padre Ernesto Saksida, do alto de sua jovem maturidade): "Adeus, escola querida / Adeus, adeus, adeus! / De ti eu levo saudades / Saudades tantas de ti..."
Ahmad Schabib Hany

