Tributo a Otto Barreto
Nesta terça-feira, 23 de junho, eternizou-se Otto Barreto, diretor por muitos anos da Transportadora São Vicente, depois de resistir a uma longa tentativa de recuperação de um AVC, em Maricá (RJ), onde passou a morar depois de aposentado. À Família, sobretudo para Rita, Emanuelle e Professor Otto Filho, nossa profunda solidariedade.
Ser de estatura humana superlativa, generosidade única e por décadas diretor de várias transportadoras pelo Brasil afora (a derradeira foi a Transportadora São Vicente, TSV, em Cuiabá, São Paulo e Brasília), Otto Barreto se eternizou com a mesma discrição com que viveu, mesmo tendo galgado postos de direção cobiçados por muitos de seus contemporâneos.
Tive o privilégio de conhecê-lo em fins de 2005, quando ele acompanhara a sua Companheira de Vida, Rita Galeano Barreto, Irmã de Solange, em visita à sua Família, em Corumbá. Como bom carioca, era de uma irreverência a toda prova e, sobretudo, flamenguista espirituoso. Não me lembro de tê-lo visto alguma vez mal-humorado.
Além da humildade própria dos grandes gênios, Otto se sobressaía pela aguçada percepção e facilidade de se comunicar. Em minutos era capaz de apontar os potenciais e as fragilidades de uma região ou cidade, muito além de seu ofício. Atrevo-me a de dizer que se tratou de um talento desperdiçado em uma sociedade marcada pela desumanização e indiferença.
Antes de se aposentar, esteve estudando a possibilidade de fixar residência em Corumbá, quando o apresentei ao querido Senhor Jorge Katurchi, Amigo de saudosa memória. Observador, Seu Jorge se impressionou com sua capacidade de diagnosticar a realidade e tentou apresentá-lo a alguns amigos empresários e dirigentes públicos, sem ter sido bem-sucedido, por conta da mediocridade que (des)grass(ç)a nestas plagas que já sediaram o centro de cosmopolitismo e vanguardismo pioneiro de caráter continental.
Nessa mesma época eu estava tentando viabilizar um projeto editorial com um grupo de Amigos, alguns dos quais se revelaram inconstantes, a ponto de comprometer a editora. Com sua capacidade de analisar o comportamento humano, Otto de imediato detectou óbices e me advertiu de que havia gente indisfarçavelmente oportunista e que tomasse muito cuidado.
Nesse ínterim Otto, Rita e Emanuelle retornaram para o Rio de Janeiro, onde trabalhou por mais um tempo, até se aposentar, quando passou a residir em Maricá. Ao se despedir, em casa, revelou seu inegável poder de análise com uma locução nominal: primarismo humano. Referindo-se, obviamente, às elites locais, pois era apaixonado pelo povo corumbaense, o cidadão comum, que o identificava com o carioca "da gema".
Pai de um casal de Filhos -- a vestibulanda Emanuelle e o Professor de História Otto Filho -- e Companheiro da Rita, Otto tem um consistente legado profissional e cidadão do tamanho de sua grandeza humana, referente para a Família e para os que tiveram o privilégio e a sorte de terem convivido com ele. Nossa profunda solidariedade à Família e aos Amigos.
Até sempre, Otto Barreto, e obrigado pelas incontáveis lições de Vida!
Ahmad Schabib Hany
0) 0) 0)
Nenhum comentário:
Postar um comentário