RUBÃO, CORDURA E HOSPITALIDADE
Rubão, ex-vizinho de uma de minhas Irmãs em Campo Grande, se eternizou com a mesma discrição com que viveu solitária e solidariamente.
Há pessoas com quem apenas uma vez na Vida nos vemos, mas que nos marcam tanto, feito Amigo de infância, desses com letra maiúscula.
É o que me ocorreu com Rubão -- ou, se preferirem, Rubens e só --, generoso, acolhedor, hospitaleiro. Ele era, nos idos de 2009, vizinho de condomínio de uma de minhas Irmãs residentes em Campo Grande.
Quando o conheci, por meio do Amigo Luiz Taques, ele morava sozinho e, pelo que pude observar, tinha algum problema de saúde que não o deixava dormir a um sono só.
Eu estava na capital, em breve estada, por causa do tratamento oncológico de minha saudosa Mãe e, em razão de algum compromisso com o Amigo Taques, me demorei voltar para a casa de minha Irmã.
Para não interromper o descanso das pessoas que estavam acompanhando minha Mãe, ao retornarmos, aceitei a sugestão do Taques e fomos 'visitar', no início da madrugada, o Rubão, cujo apartamento não distava mais que 200 metros.
De fato, Rubão estava acordado, assistindo a algum programa de televisão e nos recebeu com um sorriso acolhedor, o que me deixou à vontade. Taques logo foi me apresentando e justificando o horário da visita.
Nessa época Taques era assessor de imprensa do incansável Deputado Laerte Tetila, do PT de Dourados (onde foi, também, prefeito por dois mandatos), pelo que teria que acordar cedo para trabalhar naquela manhã.
Devemos ter conversado por uns trinta minutos. Taques foi descansar em um dos cômodos enquanto conversávamos de política e de amenidades. Ofereceu-me um outro cômodo e, depois que ele se recolheu, fui descansar.
Sabendo que estava com minha Mãe em casa próxima de seu apartamento, no mesmo condomínio, me deu as instruções caso tivesse de sair antes que eles se levantassem. Despedimo-nos como velhos conhecidos. Lamentavelmente nunca mais o vi, embora desde então trocássemos cumprimentos por meio do Taques, nosso Amigo comum.
E assim foi. Bem cedo, provavelmente antes que o sol saísse, eu prudentemente me retirei do apartamento, fechei e passei a chave por baixo da porta. Em poucos minutos estava em frente à casa de minha Irmã, meu Cunhado e meus Sobrinhos. Eles já estavam acordados, afinal, a minha Mãe dormia muito pouco.
Menos de dois meses depois, minha Mãe se eternizava em um hospital de Campo Grande, precisamente às 6 horas e 50 minutos da manhã de uma segunda-feira fatídica, 15 de junho de 2009.
Soube hoje à noite que Rubão se eternizou esta tarde, quando foi acometido de mal súbito e foi vítima de morte fulminante. Taques me havia contado que a Mãe dele, que morava em Londrina, também se eternizara havia pouco tempo, aos 90 anos de idade, em decorrência de um acidente doméstico.
Embora não tivesse maior convívio com Rubão, seu comportamento e sua história de Vida muito me marcaram. Quando recebo esta triste notícia, procuro tentar ver por outra perspectiva: ele foi se encontrar com a sua querida Mãe depois de ter celebrado a vitória por virada do Estadista que emocionou o mundo inteiro.
Até sempre, Rubão, e obrigado pela acolhida e pelos ensinamentos em regime intensivo, em algumas horas que valeram para toda a Vida!
E fico devendo mais esta a Você, caro Taques!
Ahmad Schabib Hany
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