Professora Zein Hamad Borges, na memória e no coração
Referência do magistério nas décadas 1960 e 1970, a Professora Zein dedicou sua Vida à formação de diversas gerações, semeando valores civilizacionais, éticos e humanistas. Ela e sua Irmã, a igualmente querida Professora Zenir Hamad, desde bem jovens fizeram da Educação sua razão de ser.
Por meio do Professor Obeltran Martins Navarro tomei conhecimento da sentida eternização da querida Professora Zein Vilma Hamad Borges, nesta segunda-feira, dia 4 de maio. A saudosa Professora Zein é Mãe do Professor Marcos Hamad Borges e da Psicóloga Vanessa Hamad Borges, dois profissionais que seguem o exemplo da Educadora com letra maiúscula, além de Progenitora ímpar.
Tenho a honra de ter sido aluno da querida Professora Zein e de sua Irmã, a igualmente querida Professora Zenir Hamad, na saudosa Escola Paroquial Nossa Senhora de Caacupê, nos anos 1960. Bem jovens (creio que ainda não tinham 20 anos de idade quando foram minhas inesquecíveis professoras), elas foram referência do magistério nas décadas de 1960 e 1970.
Era o ano de 1965 e o início das aulas em Corumbá ocorria em março. A menos de três quadras de nossa casa, a Escola Paroquial Nossa Senhora de Caacupê se apresentava como uma experiência inédita em nossas vidas -- a duas das três Irmãs mais novas e a mim. Embora o educandário nos aguardasse de braços abertos, com jovens e afetuosas professoras para que iniciássemos a incansável jornada da formação educativa e cidadã, a sensação de vazio ao nos distanciar de nossa rotina familiar nos causava apreensão.
Pela primeira vez frequentava uma escola regular e a dificuldade idiomática era um desafio inevitável. Se bem me lembro, minha saudosa Mãe era quem me deixava pacientemente na sala de aula, tendo precisado ficar ao fundo até que me acostumasse ao ambiente escolar. Não preciso dizer que nos primeiros dias era um drama, com direito a um vergonhoso berreiro. Nesse contexto as duas jovens e lindas Professoras, Zein e Zenir, também de ascendência árabe, foram de uma generosidade e afeto extraordinários.
Jamais as esqueci. Como o prédio com espaçosas salas de aula (que na década de 2000 abrigou a Casa dos Conselhos de Corumbá) estava em construção, as aulas eram compartilhadas por duas turmas simultaneamente: a turma do 1o. ano A e do 1o. ano B -- nos primeiros dias minha primeira professora foi a querida e agora saudosa Professora Zein Hamad; creio que a partir da segunda quinzena de março de 1965 a querida Professora Zenir Hamad assumiu a titularidade como Professora de nossa turma, o 1o. ano A.
Confesso que graças a elas é que comecei a gostar de frequentar a escola e de estudar, pois me sentia alvo de carinho e atenção única. Em 2021, quando, por uma dessas inimagináveis situações da vida, precisei comprovar ter sido alfabetizado em português -- e não em espanhol ou árabe -- e levei as provas finais de 1965, 1966 e 1969, que ainda conservava comigo desde aquela data, tomou conta de mim muitas saudades das queridas Professoras Zein e Zenir Hamad (Escola Paroquial Nossa Senhora de Caacupê) e Irlene Maria dos Santos (Escola Batista de Corumbá). Educandários, aliás, que foram fechados ainda nas décadas de 1970 e 1980.
As Professoras Zein e Zenir, para minha felicidade, tive a sorte de reencontrar, mesmo esporadicamente. Ora em fila de banco ou supermercado, e foi assim como pude apresentar Omar e Sofia à Professora Zenir, que lhes contou como era seu aluno na infância. Já a Professora Zein, casada com o empresário Older Corrêa Borges, presidente da Associação dos Exportadores de Corumbá, até meados da década de 1990 era possível encontrá-la com mais frequência, porque o Senhor Older tinha sua exportadora na mesma quadra da Hospedaria de meus saudosos Pais.
Depois da pandemia de covid-19, tudo ficou mais difícil. Por acaso, encontrei uma das Irmãs das Professoras Zein e Zenir no centro de Corumbá, quando me informou que a Mãe delas havia se eternizado. Isso veio à minha lembrança quando, no Dia Primeiro de Maio, passei em frente da residência da Professora Zein rumo a um compromisso no Dia do Trabalhador. Jamais iria imaginar que estava próximo o fatídico dia da despedida definitiva da querida Professora Zein, que descanse em paz.
Sessenta e um anos depois de ter sido aluno seu, está presente a lembrança de sua iluminada vocação, sua generosa conduta, sua inestimável dedicação a um ofício nada reconhecido ao longo da história nas sociedades vitimadas pelo jugo ocidental. Sobretudo à Professora Zenir, ao Professor Marcos e à Psicóloga Vanessa, e obviamente a todos os demais Familiares, a sincera solidariedade de toda a nossa Família, e o testemunho de que seu legado de Luz e Saber se multiplicou ao longo de gerações. Porque ser Professora é mais que um ofício, mais que uma profissão, é referência perene e fonte de inesgotável dos valores civilizacionais tão caros e necessários nestes sórdidos tempos de intolerância, ódio e opressão.
Até sempre, Professora Zein, sempre na memória e no coração!
Ahmad Schabib Hany
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