AOS 90 ANOS DO HUMILDE PEREGRINO, PADRE PASQUALE FORIN
Nesta sexta-feira, 17 de abril, Padre Pasquale Forin celebra seu 90° aniversário natalício e cinco anos (e alguns meses) de eternização. Seu lema sacerdotal, "Tudo para todos", foi sua razão de ser.
No quinto ano de sua sentida eternização, o querido e saudoso Padre Pasquale Forin celebra, com o mesmo ambiente de alegria com que pautou a sua Vida de Peregrino incansável, 90 anos de nascimento neste 17 de abril, uma sexta-feira como as tantas que, depois da Missa, dedicava a seu encontro periódico com membros de espaços públicos como Comitê de Corumbá e Ladário da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário e Pacto pela Cidadania (Movimento Viva Corumbá).
Seu lema sacerdotal, "Tudo para todos", foi sua razão de ser, de viver. Desde que o conhecemos, em 1988 (ano seguinte à sua chegada para assumir a Paróquia São João Bosco em Corumbá), e o procuramos para convidá-lo para participar da celebração, ao lado do também saudoso Pastor Antônio Ribeiro de Souza (da Igreja Batista Missionária) de um culto ecumênico a propósito do transcurso do sexto aniversário do Massacre de Sabra e Chatila -- ocorrido em 16, 17 e 18 de setembro de 1982 --, no antigo anfiteatro do então CEUC (Centro Universitário de Corumbá), onde hoje funciona a Biblioteca Manoel de Barros.
Ficou marcado em nós o sorriso acolhedor e o brilho de seu olhar de peregrino incansável, sempre disposto a estender a mão pela dignidade humana dos que nada têm além da fé e determinação, por uma causa justa, como cristão de rara sensibilidade social em uma sociedade com a qual coexistia, com o devido distanciamento, para se dedicar à sua missão, ao seu ofício indissociável de sua fé generosa e fraternal.
Em 1988 começou uma extensão em sua já exaustiva missão: organizara em nível estadual -- e posteriormente em nível regional -- a coordenação das obras da Comissão Pastoral da Terra, para a qual dedicou todo o seu conhecimento e seu generoso afeto cristão; a fundação do Centro de Documentação e Apoio aos Movimentos Populares (emblemático CEDAMPO); a criação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal Tupã'i de Souza (CDDHMS), ao lado do querido e saudoso Amigo, Doutor Ricardo Brandão; o apoio incondicional ao Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua (MNMMR), sobretudo em sua fase de mobilização e conquista da efetivação da doutrina da proteção integral na legislação constitucional e infraconstitucional brasileira, exemplo para o mundo.
Em seus 90 anos de nascimento, seu legado generoso e vívido permanece ativo e altivo, à luz de seu humilde peregrino. Tanto a CRIPAM, o CAIJ e todos os projetos disseminados no vasto município corumbaense lhe rendem tributo, de pé e com a fé que soube semear e, no melhor dos sentidos, sedimentar de modo consistente, estão a saudar, a brindar por sua existência fecunda entre nós. Sentimos, é claro, sua ausência. Mas trazemos conosco a sua presença de luz e de comunhão sábia e solidária.
Sem lugar a exagero, Corumbá se conhece antes e depois do Padre Pasquale Forin. Na verdade, de pelo menos cinco grandes sacerdotes católicos que colocaram a pauta social na ordem do dia em um dos mais exuberantes biomas do Planeta cujas elites políticas e econômicas não mostraram sensibilidade: Padre Pasquale Forin, Dom José Alves da Costa, Padre Ernesto Saksida, Padre Osvaldo Scotti e Padre Emilio Zuza Mena. Todos eles, generosa e sinceramente, dedicaram seus melhores dias a alguma causa de relevância sem se preocupar com o olhar de, no mínimo, estranhamento dos contemporâneos, em sua maioria incompreensíveis.
Sem dúvida, quis a Vida, quis a História, quis o Destino, que se encontrassem e partilhassem do mesmo tempo cronológico para restaurar a verdade, humilde verdade, de que no coração de um missionário não há lugar para 'maldição'; ao contrário, muitas bênçãos e total doação. A terra que havia recebido a missão de Frei Mariano de Bagnaia em 1864 e no pós-guerra de 1867 foi responsável por seu injustificável desterro para bem distante (município de Assis, na então província de São Paulo) por ter desagradado uma legião poderosa ao se indispor com o dono da empresa de fundição contratada para a confecção e instalação do campanário da Igreja Matriz.
Felizmente, entre os inúmeros membros e anônimos participantes dos espaços públicos já enumerados (sob cuja orientação foram estruturados), há ainda as e os aprendizes de cidadãs e cidadãos que estão atuando incessantemente em meio à construção de uma sociedade menos injusta e um mundo melhor, a despeito dos déspotas e tiranos que ameaçam destruir tudo que ao longo de milênios a humanidade construiu com os melhores propósitos.
A propósito, um de seus Irmãos de fé, o igualmente querido e saudoso Dom José Alves da Costa, Bispo Emérito da Diocese de Santa Cruz de Corumbá, neste 20 de abril estará a celebrar 87 anos de nascimento, ele que se eternizou em 10 de dezembro de 2012, menos de quatro meses antes do Padre Ernesto Saksida, que em 15 de outubro celebrará 107 anos de nascimento. E o também querido e saudoso Padre Osvaldo Scotti, da Congregação Salesiana e seu contemporâneo, neste 15 de abril, celebrou seus 81 anos de nascimento e três anos de sua eternização.
Mesmo não sendo católico -- o que, aliás, nunca representou qualquer óbice em nosso relacionamento fraternal, apresentado que fui, em 1993, à Irmã Antônia Brioschi pelo querido Amigo Armando Arruda de Lacerda --, convivemos irmãmente ao longo de pelo menos 30 anos, em que fomos testemunha privilegiada de inúmeros momentos históricos, em que o protagonismo cidadão, isto é, popular foi consolidado. A mais eloquente demonstração de confiança foi quando, por decisão unânime do Conselho Diocesano, fui designado delegado da Diocese de Corumbá à Segunda Semana Social Brasileira (SSB), realizada em Brasília em julho de 1994. Desse momento inspirador -- em que conheci pessoalmente o Sociólogo Herbert de Souza, Dom Mauro Morelli, Jornalista Flávio Schilling e outras lendas vivas do Brasil contemporâneo -- trago grandes lembranças e Amizades com letra maiúscula, como a querida Professora Regina Marchesini, com respeitável atuação, em nível nacional, no CEBI (Centro de Estudos Bíblicos).
Obrigado, Padre Pasquale Forin, por ter existido, ter permitido uma fraternal e sincera convivência e ter-nos inspirado generosa e humildemente!
Ahmad Schabib Hany
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