sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

MENSAGEM DE FIM DE ANO

Mensagem de fim de ano

Embora as perspectivas históricas não sejam alvissareiras, deixamos nossa mensagem de boas festas a todos, agradecidos, sobretudo, por termos nossas Famílias e Amigos com saúde e a certeza de que estar do lado da História é a melhor forma de retribuir à Vida, à Natureza, à Humanidade e à própria História.

Permito-me iniciar este texto lembrando que o Aniversariante nascera na manjedoura de um estábulo de um casebre em Belém, na Palestina milenar, porque os sábios Pais tinham noção do perigo que representava a perseguição anunciada por Herodes aos que viessem a nascer. Não podia ter nascido; se nascesse, era para não deixá-lo crescer; se crescesse, era para ser silenciado; se saísse do cerco mortal, era para ser vilipendiado; se evadisse da condenação do império em conluio com os sumos rabinos, era para ser injuriado, judiado. Foi: sua condenação, seguindo a lei do império romano, foi exarada por Pilatos atendendo à denunciação caluniosa de Anás e Caifás.

Dois milênios depois, e o que vemos? Não é o Menino Jesus, mas dezenas de milhares de crianças. Não são Anás e Caifás, nem Pilatos. É Benjamin Netanyahu com seus asseclas, apoiado e financiado por Biden e seus aliados da União Europeia, do Reino Unido e da OTAN. E a garantia de que seu sucessor, Trump, manterá o infanticídio sem qualquer comiseração. Em nome da ‘civilização’, do ‘deus mercado’ e dos ‘sagrados interesses’ de um ocidente infestado de crimes bárbaros.

Em sã consciência, chega a ser constrangedor fazer mensagem de boas festas quando, em plena luz do dia, são cometidos os crimes mais hediondos na face da Terra, seja no Oriente como em território sul-americano, inclusive no Brasil. Mas a gratidão por nossas Famílias e Amigos estarem desfrutando de saúde e ânimo para continuar a jornada, com fé na Vida, na Natureza, na Humanidade e na própria História, indistintamente qual seja a sua fé, religião, filosofia ou ideologia.

“A prática -- e somente a prática -- é o critério da verdade.” (G.B.)

As sábias palavras atribuídas a Gregório Bezerra, um valente nordestino perseguido pelos patrioteiros de 1964 por ser assumidamente comunista, parecem ter sido lapidadas para este funesto momento. Os cínicos ‘paladinos’ contemporâneos usam a fé (e a boa-fé de seus rebanhos!) para falsear a verdade. Para entorpecer a razão coletiva. E para isso hoje se valem da ‘bolha’, das ‘redes sociais’, da tecnologia, quando milênios atrás se valiam da rede de vassalagem do império romano e dos sumos rabinos aliados.

No tempo de Júlio César, Augusto e Tibério, de Antígono, Herodes e Pilatos não havia uso de ‘maquiagem’, de narrativa a serviço do império e do reino, como hoje Biden e Trump usam e abusam, em que Netanyahu e Erdogan também se lambuzam. Primeiro, porque na época de Herodes e Pilatos -- ou de Augusto e Tibério no império, já no início de sua longa decadência -- era importante atributo ser mau para ser temido (em vez de respeitado), não havia qualquer preocupação com a imagem de bom moço que hoje há. Mas, sobretudo, as urgências do império determinavam o uso puro da força para se manterem no poder.

Como? Uso da força bruta para tentar empurrar com a barriga a inevitável e nítida queda do império decadente não é novidade? Já se fazia naquele tempo. E como já disse o Velho Marx, que a história só se repete como farsa, Biden-Trump e sequazes em todo o mundo requentam um prato frio de milênios, tanto que o cerco a Damasco, semanas atrás, tratou-se de reedição de emblemáticas guerras ocorridas séculos passados em contextos diversos, e que usaram para, ‘com uma cajadada, matar dois coelhos’.

“Estou preso à vida e olho meus companheiros / Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças / Entre eles, considero a enorme realidade / O presente é tão grande, não nos afastemos / Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas” (C.D.A.)

O Poeta Carlos Drummond de Andrade, então jovem socialista, escrevera o poema “Mãos dadas”, pelos idos da década de 1940, de cujos versos retirei a citação. A iminência do fascismo e os horrores da guerra tornavam a juventude taciturna, daí porque ele convida a caminhar de mãos dadas. Este emblemático poema é de uma atualidade estonteante.

Três anos atrás, quando vimos que o fascista-mor travestido de fanta laranja era expulso da casa mal-assombrada sede do império decadente e perverso, nutríamos um tênue mas sincero -- ainda que desconfiado, pois não padecemos da inocência pueril que compromete a quase totalidade daqueles que se dizem progressistas -- sentimento de alívio e, por que não?, de esperança.

Mas os primeiros a traírem essa moratória da angústia coletiva foram os próprios beneficiários da oportunidade generosamente concedida pelos que insistem em crer na Humanidade, apesar de tudo, apesar dos insanos abutres que rondam nossas existências: os autointitulados democratas estadunidenses, os autoproclamados civilizados europeus e, pasmem, os cinicamente autodeclarados ‘eleitos’ de Deus! Nessa leva há, inclusive, os que de boa-fé embarcaram numa narrativa de que ser cristão é estar ao lado dos que acusaram Jesus de falso messias.

O nefasto sionismo, aliás, é o pivô desta quadra da História, da tragédia da humanidade em nossos dias, e quem o afirma não é apenas um mas quatro semitas que conhecem bem História que eles, sionistas, tentam apagar sob o recurso da narrativa, este ardil construído sob o argumento do ‘fim da história’ ou da ‘pós-verdade’, na última década do século XX. Trata-se de Shlomo Sand, Noam Chomsky, Michel Chossudovsky e Eric Hobsbawm. Cada qual com sua produção brilhante e iluminadora, fazendo luz sobre as trevas da inverdade, fomentada e alimentada, também, pela OTAN e seus vassalos.

“Minhocas arejam a terra; poetas, a linguagem.” (M.B.)

Manoel de Barros, nosso eterno Poeta, assim descobrira nos idos de 1980, quando escreveu o Livro de pré-coisas (1985). A grande sacada do Poeta é bem maior que a nossa medíocre compreensão de poesia, literatura e cultura nos permitem. Porque estéreis, inférteis, não são as palavras, a linguagem, mas nossa compreensão limitada de mundo, da própria Vida.

Revelado para o mundo por Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros soube traduzir como ninguém a fecundidade que gravita em nossa alma peregrina entre o autóctone e o cosmopolita, pois se embebedou nas águas mágicas do Pantanal em sua infância-juventude em nossa Corumbá de todas as culturas e matizes. Levou para a humanidade seu olhar de humilde sábio a descortinar horizontes generosos e instigantes, sorrateiros e andaluzes, não da nacionalidade mas de andarilhar luzes por onde há o cinzento desacalanto daqueles recalcados / desalmados que teimam em não ver o que a alma enxerga, sente e vive.

Nossa sociedade, tomada de negacionistas, terraplanistas, cristãos sionistas e neofascistas amarelados, saídos do armário sem qualquer constrangimento, precisa tomar um banho de amor, banho profundo de cultura com nossos melhores poetas, escritores e intelectuais generosos. A luz abre os caminhos do porvir pela cultura, que com a educação e a ciência fomenta a cidadania, princípio sobre o qual se fortalece uma nação. É a cultura o alicerce de uma nação, jamais o fanatismo religioso ou a patriotice alardeada por espertalhões baba-ovos dos saqueadores da humanidade que praticam ilicitudes sob o manto de uma proteção desavergonhada que vem dos tempos da colônia, do império, da escravidão.

“O mais feroz dos animais domésticos / é o relógio de parede: / conheço um que já devorou / três gerações de minha família.” (M.Q.)

É assim como o Poeta Mário Quintana registra sábia e criativamente o tempo, esse senhor cuja sentença grave e impávida determina a finitude de tudo e de todos. O célebre autor de “Poeminho do Contra”, que foi também um cronista memorável em prosa e verso, fez em sua pródiga e longeva existência uma ode à Vida, ao Amor e, sobretudo, à inesgotável capacidade de acreditar na espécie humana. A infinita irreverência de Mário Quintana nos convida a permanecer desassossegados ainda que os ‘donos do mundo’ se arvorem donos de nossa existência. “Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho, / Eles passarão... / Eu passarinho!” (M.Q.)

Sem perdermos a esperança e a sensibilidade, que 2025 seja ano de alento e resistência em que o Amor e o Companheirismo ensinado pelo Aniversariante de Belém triunfem para o bem de toda a humanidade. “Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.” (C.D.A.)

Ahmad Schabib Hany

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Movimento UFPantanal manifesta apoio à realização em Mato Grosso do Sul da COP15 da Convenção de Espécies Migratórias


Movimento UFPantanal manifesta apoio à realização em Mato Grosso do Sul da COP15 da Convenção de Espécies Migratórias

Movimento UFPantanal manifesta apoio à candidatura de Mato Grosso do Sul para sediar a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres da ONU, prevista para ocorrer em março de 2025.

O Movimento UFPantanal, que articula setores da sociedade civil, científica e educacional para a criação da Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal), enviou neste final de semana cartas para as autoridades estaduais e municipais e parlamentares de diferentes esferas em que hipoteca irrestrito apoio à candidatura de Mato Grosso do Sul para sediar a COP15, isto é, a 15ª Conferência das Partes da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres da ONU, a se realizar em março de 2025.

Além do governador Eduardo Riedel, receberam a carta com teor similar o prefeito eleito Gabriel Alves, deputados estaduais, deputados federais e senadores da República (como os vereadores eleitos só assumem em fevereiro, as cartas destinadas a eles ficarão para janeiro, quando serão conhecidos os presidentes das respectivas câmaras).

Além de apoiar incondicionalmente a candidatura do estado para a realização da COP15 sobre espécies migratórias, os interlocutores do Movimento UFPantanal reiteraram os propósitos da universidade federal com o DNA do Pantanal. Por essa razão os membros interlocutores e interlocutoras do Movimento UFPantanal não abrem mão de Pantanal em sua nomenclatura, sem abreviações, eis que se trata de um bioma emblemático e único no Planeta e para o qual estará focada, de maneira plena e explícita.

CARTA AO PREFEITO ELEITO

O Movimento UFPantanal tem a honra de parabenizar Vossa Excelência por sua eleição à Prefeitura de Corumbá, cidade ícone do Pantanal e referência nacional e internacional em biodiversidade, cultura e desenvolvimento sustentável.

Corumbá, como ‘Capital do Pantanal’, desempenha papel fundamental na preservação ambiental e no desenvolvimento econômico da região. Sua rica biodiversidade e localização estratégica tornam a cidade um exemplo de integração entre conservação e progresso, destacando-a como protagonista em iniciativas voltadas à sustentabilidade.

Neste contexto, manifestamos nosso total apoio à candidatura de Mato Grosso do Sul para sediar a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres da ONU, prevista para ocorrer em 2025. Esse evento internacional representará uma oportunidade única para reforçar a importância do Pantanal no cenário global, evidenciando seu papel crucial na preservação de espécies migratórias e na promoção do desenvolvimento sustentável.

A realização da COP15 trará benefícios significativos para Corumbá, ao impulsionar sua visibilidade internacional, fomentar parcerias estratégicas e atrair investimentos para a conservação e o desenvolvimento sustentável. Além disso, será uma oportunidade para fortalecer iniciativas acadêmicas e científicas que promovam o uso racional dos recursos naturais, alinhadas com os objetivos de projetos como a futura Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal).

Solicitamos o apoio de Vossa Excelência e da Prefeitura de Corumbá para que, juntos, possamos consolidar a candidatura de Mato Grosso do Sul como sede da COP15. Essa mobilização será essencial para destacar a relevância do Pantanal e posicionar Corumbá como modelo de preservação e desenvolvimento para o mundo.

O Movimento UFPantanal reitera seu compromisso de colaborar com Vossa Excelência nessa iniciativa, confiando que a realização da COP15 trará avanços significativos para a conservação ambiental, o fortalecimento da identidade cultural do Pantanal e o desenvolvimento sustentável de Corumbá e região.

O referido documento representa mais um passo em direção à efetivação de estratégias de sensibilização e mobilização para a construção cidadã de uma universidade com sede no coração do Pantanal e da América do Sul, voltada para o conjunto das demandas das populações e do Bioma Pantanal, com a consigna de que “o mundo precisa do Pantanal, o Pantanal precisa do mundo”.

PRIMEIRA REUNIÃO PÚBLICA

O Movimento UFPantanal, na primeira semana de dezembro, realizou no auditório do Campus de Corumbá do IFMS a sua primeira reunião pública sob a generosa condução de Dom Francesco Biasin, Administrador Apostólico da Diocese de Corumbá. Participaram das atividades a vice-prefeita eleita, Professora Bia Cavassa; a anfitriã e diretora do Campus de Corumbá do IFMS, Professora Renilce Miranda Cebalho Barbosa; a diretora do Campus do Pantanal da UFMS, Professora Andreliza Cristina de Souza; a fundadora e dirigente do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, Ativista Cultural e Professora Márcia Rolon; a diretora de Direitos Animais da OAB/Corumbá, Advogada Eliane Ferreira Gonçalves; as representantes do CRESS/MS, Assistentes Sociais Lúcia Helena Coelho da Silva e Verônica Murilo; o assessor do Deputado Zeca do PT, Arturo Castedo Ardaya; o representante do Comitê pela Revitalização da Ferrovia e Reativação dos Trens do Pantanal e do Cerrado, Professor Anísio Guilherme da Fonseca Guató, e a vereadora eleita Hanna Santana (MDB).

O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Médico Ronaldo de Souza Costa, participou por meio de mensagem de vídeo, seguido pelo Professor Moacir Lacerda, hoje na USP; Professor Jorge Eremites de Oliveira, da UFPel; Professora Ilsyane do Rocio Kmitta, da UFGD; Professor Sérgio Pereira, da Associação Escola Agrícola Agroecológica do Pantanal; Professor Ilídio Roda Neves, da ADUFMS; Professora Estela Márcia Rondina Scandola, da Escola de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul Dr. Jorge David Nasser; Professora Elisa Pinheiro de Freitas, hoje na UFTM, Professor Hélio de Lima, ex-secretário de Estado de Educação de MS, e do Professor Helvio Rech, da UNIPAMPA. Os Professores Thiago Godoy, da Comissão de Justiça e Paz; Flávio Reginaldo Pimentel, do IFMS, e Dirce Sizuko Soken, Tássio Túlio Braz Bezerra, Pablo Cardoso de Souza e Janan Bolívia S. Hany, do CPAN/UFMS, além dos Professores Danilo Barbosa, André Motta e Isaque Medeiros, do IFMS, bem como do Técnico Administrativo Educacional Tiago Assis, ex-presidente do SINASEFE.

Com base na consigna de que ‘o mundo precisa do Pantanal, o Pantanal precisa do mundo’, os participantes declararam seu apoio à participação e construção cidadã da Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal). A vice-prefeita eleita, Professora Bia Cavassa, saudou a iniciativa e se colocou à disposição do movimento para contribuir efetivamente com o processo de construção coletiva.

Investir em Educação é investir no presente e no futuro de nossa juventude, que, sem perspectivas, sai à procura de novos horizontes, pois a região não lhe oferece dignidade e oportunidade. Nas palavras de Dom Francesco Biasin, que sintetizou o sentimento comum na iniciativa, trata-se de “acreditar firme e solidariamente na construção da universidade com a cara do Pantanal, de sua gente e de sua biodiversidade; isso é também manifestar amor pelo seu próximo em tempos de tanta desarmonia e desesperança”.

A partir do início de 2025, serão iniciadas as reuniões setoriais das comissões temáticas, em que o projeto da UFPantanal será debatido de forma participativa e democrática com todos os setores da sociedade. Nessa fase, a população como terá condições de conferir como a implantação da UFPantanal representará em aumento expressivo da massa salarial na região (volume de dinheiro na mão do assalariado e seu poder aquisitivo no mercado regional, cuja renda caiu visivelmente na década). Também será constatado o impacto no desenvolvimento urbano com a construção da cidade universitária, que, além da geração de postos de trabalho com as obras de construção, haverá, quanto ao transporte coletivo com energia limpa e às ciclovias, uma nova dinâmica, de modo a promover um trânsito mais humano, solidário e responsável.

Mais que sonho, é hora de somar para que o Presidente Lula inclua a criação da UFPantanal como uma das medidas concretas a serem anunciadas na COP30 em novembro de 2025 em Belém para o enfrentamento das mudanças climáticas e os decorrentes eventos extremos que ameaçam a sobrevivência do Bioma e das populações originárias e tradicionais, bem como um centro de promoção de desenvolvimento econômico e social em consonância com a peculiaridade da região e de sua localização estratégica para a integração latino-americana.

Ahmad Schabib Hany




sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

PARA NÃO ESQUECER A SÍRIA

Para não esquecer a Síria

A República Árabe da Síria foi tomada por mercenários terroristas chamados pela mídia ocidental de ‘insurgentes’. Embora muitos analistas comemorassem a saída honrosa dos sionistas no sul do Líbano e a vitória da Resistência Libanesa na frente meridional pelos valentes resistentes do Hezbollah, turcos e russos de novo traíram os árabes e rifaram ao Estado sionista e à OTAN a Síria e, por tabela, todo o Eixo da Resistência [Irã, Iraque, Síria, Iêmen, Líbano e Resistência Palestina].

Para não esquecer a Síria, cuja gênese republicana se confunde com o pan-arabismo de Gamal Abdel Nasser, líder árabe laico e nacionalista, entre 1954 e 1970. A República Árabe Unida (RAU), fundada por ele, foi aos poucos se dissolvendo, tendo restado apenas e tão-somente a República Árabe da Síria. Não há dúvida que o partido que dava sustentação ao governo sírio desde os tempos de Hafez El-Assad, o BAAS, não tinha qualquer similaridade com o partido de Nasser ou com o seu homônimo iraquiano, do ex-líder iraquiano Saddam Hussein, ‘julgado’ por uma horda de mercenários terroristas sob a maldita batuta do exército americano.

Mas desde a eternização de Nasser, em setembro de 1970, era a Síria, com o seu Exército de Dissuasão Árabe, que intervinha nos conflitos que ameaçassem a unidade territorial de qualquer Estado árabe pelos tentáculos do ente sionista. O fim da República Árabe da Síria era uma obsessão das potências ocidentais -- e sobretudo do Estado sionista que se apossou da Palestina -- desde o fim da União Soviética, pois era este Estado forte e com ogivas nucleares a lhe assegurar a existência, bem como ao Iraque de Saddam Hussein e à Líbia de Muammar Gaddafi.

Ou por que a ‘primavera árabe’ [que nada tinha de ‘primavera’ e muito menos de ‘árabe’], em 2011, mirou a Síria e a submeteu a uma guerra de invasão por mercenários ocidentais trazidos do Afeganistão, Paquistão e Turquia? Além da destruição de um bastião árabe nas imediações da Palestina Ocupada e do Líbano ultrajado, a ‘balcanização’ dessa porção do chamado Oriente Médio pelo ocidente saqueador é um propósito alardeado por ninguém menos que Benjamin Netanyahu, que desde sua primeira eleição defende ‘novo Oriente Médio’ para saciar sua cobiça, compartilhada por seus malditos cúmplices.

Até conseguirem. Primeiro, subornando quase todos os generais e altos oficiais sírios [para que despesas com canalhas, se agem como parasitas?], cujo moral estava baixo depois de tantos bombardeios aos arsenais já deteriorados não apenas pelas bombas do Estado sionista, como pelas invasões aéreas da OTAN e do Reino Unido. Tudo combinado. Não satisfeitos, valeram-se da disseminação da intriga: puseram russos contra iranianos e sírios para causar uma cisma, imperdoável a esta altura da História. Mas o pior papel coube à Turquia, ex-metrópole por mais de 500 anos, cuja intolerância e opressão causam até nossos dias ojeriza pelo obscurantismo similar a todo o colonialismo europeu, de triste memória.

Perdoem-me a sinceridade, mas ainda bem que nosso saudoso Amigo Ali El-Seher não viu e não foi humilhado por estes tristes episódios. Também o saudoso Avô do estimado Alle Yunes Solominy Neto foi poupado desta vergonha. Não teriam resistido ante um vexame estonteante como este. Meu saudoso Pai também teria sucumbido, pois, embora nascido em território libanês pré-1943, portanto, na Síria, cursou seu fundamental e médio como interno em colégio sírio de Damasco entre 1927 e 1934, e sempre que fora ao Líbano fizera questão de ir a Damasco e Cairo, onde começara Filosofia na Universidade Al-Azhar, mas não colara grau por causa da eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939.

TRAIÇÃO, PURA TRAIÇÃO

Quando, dias atrás, os sionistas e aliados ocidentais pediram cessar-fogo, numa clara demonstração de que haviam reconhecido sua derrota em sete décadas de perversidades sob a proteção cínica das potências ocidentais, não foram poucos os analistas a comemorar a vitória dos combatentes.

Apesar de se tratar de heroico combate da Resistência Libanesa e Palestina ante a absurda desproporção do poderio militar sionista -- aliás, o mais bem armado exército do planeta e, obviamente, o mais corrupto, diga-se de passagem --, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os Estados Unidos (EUA), União Europeia (UE), Reino Unido e Turquia armaram uma cilada para os combatentes do Eixo da Resistência, sob a omissão conivente da Rússia e da China: o tiro de misericórdia à República Árabe da Síria foi dado sob sanguinário combate promovido por mercenários terroristas disfarçados de fiéis do ‘islã’ domesticados pelo império ocidental por meio da sanha traidora da Turquia. Acuadas as forças armadas sírias, já combalidas pelos intensos bombardeios ao longo da última década e, sobretudo, no último ano com o genocídio em Gaza e depois no Líbano, não conseguiram deter mercenários e armamentos de última geração, provavelmente desviados da Ucrânia.

Em menos de duas semanas, a República Árabe da Síria foi assaltada e acabou tomada por uma horda de mercenários financiados pela Turquia, Estados Unidos e o Estado sionista, numa estratégia traçada pela OTAN, até como tática para negociar a derrota na Ucrânia. Além de não enfrentar à altura, com o devido profissionalismo que se espera de quem é pago para defender o país (os oficiais do Exército Árabe da Síria), as mais altas patentes foram ‘neutralizadas’ [subornadas?] pelo império e seus sócios no afã fraturar e pôr abaixo o Eixo da Resistência.

Não foram ‘vistas grossas’ da imprensa ocidental, que há muito deixou de ser imprensa para se transformar em ‘puxadinho’ do Pentágono. Foi estratagema preparado pela OTAN para negociar um cessar-fogo mais favorável para o ocidente na Ucrânia, sendo o Eixo da Resistência moeda de troca, simples assim. E isso serve de alerta para o Brasil, os BRICS, a América Latina toda (em particular Cuba, Nicarágua e Venezuela), cujos governos ‘rebeldes’, ou insubmissos aos seus interesses, não deram demonstração de ‘docilidade’ ante as ameaças propaladas a estes países.

O Presidente Lula, bem assessorado pelo grande diplomata e ex-chanceler Celso Amorim, não errou quando, habilidosamente, migrou sua estratégia de relações internacionais de modo racional e objetivo. Não dá para contar com as chamadas potências ‘multipolares’, pois, levadas por um pragmatismo -- aliás, o mesmo que levou ao fim da União Soviética com o canalha Mikhail Gorbatchev, que o capeta o tenha levado --, mas se esquecem que ao rifar a Síria, e por tabela a República Islâmica do Irã, as duas potências ficam com a ‘quina’ exposta: quem irá afrontar o maldito império decadente depois deste teatro de horrores, em que os falsos aliados não hesitam em rifar seus aliados históricos, como a Síria?

MALDIÇÃO TURCA

Os mesmos turcos que oprimiram árabes cristãos e muçulmanos durante 500 anos, durante o nefasto império turco-otomano (entre meados do século XV e início do século XX), nas duas últimas semanas protagonizaram, sob os auspícios nefastos do ocidente e asseclas da Arábia (caso particular dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Jordânia), operações militares de uma intolerância extrema, a ponto de serem registradas execuções à luz do dia pelo agora ‘ocidentalizado’ mercenário Al-Julani, cuja cabeça esteve a prêmio pela ‘bagatela’ de 10 milhões de dólares, vivo ou morto, até o início deste mês.

Tudo não passou de teatro de horrores. Uma vergonha para os árabes patriotas -- diferentes dos terraplanistas daqui, aqueles são declaradamente anti-imperialistas --, que viram o maior exército árabe se dissolver como um comprimido de antiácido em um copo de água. Sim, como árabe sinto vergonha dos falsos reinos, sultanatos e emirados árabes, bem como dos demais governos árabes traidores. Os últimos a resistirem são Argélia, até por aí, e o Iêmen, mas apenas com os hutis, pois os palacianos são outros vendilhões.

Sim, para não esquecer a Síria. Esses malditos seres já estupraram o Líbano, Iraque, Líbia, Egito e tantos outros países árabes. Agora, cínica e acintosamente, destroem à luz do dia tudo que resta da Síria, sobretudo a sua História, sua Cultura e sua Dignidade, encarnada em seus cidadãos altivos e combativos. Benjamin Maldito Netanyahu, esse calhorda com o DNA de Hitler, comemora o sangue derramado em toda a Arábia. Mas, tenham certeza, os árabes, feito fênix a renascer das cinzas, saberão retomar seu histórico destino, sem ódio ou recalque, como tantas vezes já se demonstrou na História. E que fique claro para os desavisados do rebanho de bajuladores do império decadente: enquanto houver um só árabe na face da terra seu império está com os dias contados, leve o tempo que levar.

A paz mundial começará na Palestina, trilhará por toda a Arábia histórica e se consolidará na América Latina dos grandes Estadistas, como o nosso Presidente Lula, que haverá de superar com vigor seu problema de saúde, como retirante que venceu as adversidades mais diversas pelos seus Irmãos, pelos que clamam por vez e voz, dentro e fora do Brasil. Alvíssaras, alvíssaras, temos História!

Ahmad Schabib Hany

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

MOVIMENTO UFPANTANAL ENTREGA LEMBRANÇA A LULA; SEGUNDA FAZ REUNIÃO NO IFMS




Movimento UFPantanal entrega lembrança a Lula; segunda faz reunião no IFMS

Em Ribas do Rio Pardo comitiva de Lula recebe kit ‘Pantanal é Vida’ e carta pró-UFPantanal; segunda-feira, em Corumbá, movimento realizará reunião no auditório do Instituto Federal.

O Movimento UFPantanal, que articula setores da sociedade pela criação da Universidade Federal do Pantanal, realiza nesta segunda-feira, dia 9, a partir das 9 horas, no auditório do campus do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), reunião pública, tendo como anfitrião Dom Francesco Biasin, Administrador Apostólico da Diocese de Corumbá.

Além de membros de vários segmentos sociais, educacionais e econômicos, são esperadas autoridades e parlamentares para sensibilizar os atores políticos municipais, estaduais e federais. É a primeira reunião pública desde que a campanha foi lançada, em 31 de julho, quando da vinda do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Corumbá para lançar um conjunto de medidas contra os incêndios no Pantanal. O abaixo assinado pela UFPantanal já ganhou mais de sete mil signatários, em menos de três semanas de iniciada a campanha de coleta de assinaturas.

A UFPANTANAL E A COP DE BELÉM

Propondo o anúncio da criação da UFPantanal durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), como resposta estruturante para desafios do Bioma Pantanal e suas populações -- carentes de iniciativas governamentais efetivas nos últimos anos --, no enfrentamento a eventos extremos, uma nova carta do Movimento UFPantanal ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi entregue pelo Professor Thiago Godoy à comitiva presidencial em Ribas do Rio Pardo. Com ela, o kit ‘Pantanal é Vida’, contendo camisetas com desenho da artista plástica Marlene Mourão, potes de mel escuro do Assentamento Taquaral premiado em certame nacional e uma imagem de Nossa Senhora do Pantanal --, na visita de Lula à inauguração de indústria de celulose.

Senhor Presidente,

Nós, representantes de instituições acadêmicas, lideranças comunitárias, organizações não governamentais e sociedade civil do Pantanal, reunidos no Movimento UFPantanal, temos a honra de nos dirigir, respeitosamente, a Vossa Excelência para ressaltar a importância da criação da Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal), como uma ação estratégica do Governo Federal para o Bioma Pantanal, a ser anunciada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em Belém em novembro de 2025.

A criação da UFPantanal é uma iniciativa que transcende o campo educacional, sendo uma resposta concreta e estruturante aos desafios enfrentados pelo Bioma Pantanal e suas populações. Reconhecido como um dos maiores e mais ricos biomas úmidos do planeta, o Pantanal enfrenta sérias ameaças decorrentes das mudanças climáticas, incêndios florestais, degradação ambiental e pressões socioeconômicas.

Uma universidade pública dedicada ao Pantanal será um pilar estratégico na articulação de esforços científicos, tecnológicos e sociais para preservar este patrimônio natural único e impulsionar o desenvolvimento sustentável da região. A UFPantanal terá o potencial de se consolidar como um centro de excelência em pesquisa sobre áreas úmidas, promovendo inovação e desenvolvendo soluções concretas para desafios ambientais. Além disso, a universidade fortalecerá políticas públicas de conservação, ao mesmo tempo que integrará saberes tradicionais e conhecimentos modernos técnico-científicos, criando um espaço de diálogo e colaboração que valorize a riqueza cultural e natural do Pantanal.

A COP 30, que ocorrerá na Amazônia, representa uma oportunidade histórica para reafirmar o compromisso do Brasil com a preservação ambiental e a justiça climática. A criação da UFPantanal poderá ser apresentada como uma das medidas emblemáticas de seu governo, demonstrando ao mundo a liderança brasileira de aliar educação, ciência e políticas públicas no combate às mudanças climáticas.

Senhor Presidente, a UFPantanal não será apenas mais uma universidade; será um marco transformador para o Pantanal e para o Brasil. Representará a concretização de um compromisso histórico de seus governos com a educação, a ciência, o desenvolvimento sustentável e a emersão da vida em regiões historicamente negligenciadas, ao mesmo tempo que se tornará um símbolo de esperança para a preservação ambiental e o progresso social. Esta iniciativa visionária irá além das demandas locais, posicionando o Brasil como um líder global em sustentabilidade e integração regional. Confiamos na sensibilidade e na visão transformadora de Vossa Excelência para tornar a UFPantanal uma realidade, deixando um legado inestimável para as futuras gerações e reafirmando o papel do Brasil como protagonista na preservação ambiental e na construção de uma América Latina mais unida. O Pantanal precisa do mundo, e o mundo precisa do Pantanal.

Atenciosamente,

Hélvio Rech, professor; Elisa Pinheiro de Freitas, professora; Dirce Sizuko Soken, professora; Rosangela Villa da Silva, professora; Adilson Schieffer, artista plástico; Egon Krakhecke, engenheiro agrônomo; Marcelo Ubal Camacho, professor; Gerson Jara, jornalista; Waldson Luciano Correia Diniz, professor; Lígia Baruki e Melo, professora; Wilson Ferreira de Melo, professor; Janan Bolivia Schabib Hany, professora; Masao Uetanabaro, professor; Moacir Lacerda, professor; Giliard do Prado, professor; Ahmad Schabib Hany, professor; Marlene Therezinha Mourão, artista plástica; Igor Alexandre Schabib Péres, técnico em pesquisa; Alberto Feiden, pesquisador; Débora Fernandes Calheiros, pesquisadora; João dos Santos Villa da Silva, pesquisador; Sant Clair Honorato dos Santos, procurador de Justiça; Gilberto Luiz Alves, professor; Valmir Batista Corrêa, professor; Lúcia Salsa Corrêa, professora; Ilsyane do Rocio Kmitta, professora; Robertson Fonseca de Azevedo, promotor de Justiça; Paulo Cesar Boggianni, professor; Suzianny da Silva Mosciaro Ebeling, professora; Flávio Pimentel, professor; Sérgio Pereira da Silva, professor; Valdinei Conceição, professor e apicultor; Luiz Conceição, apicultor; Thiago Godoy, professor; Dom Francesco Biasin, Administrador Apostólico; Severino Ferreira Guató, cacique e líder comunitário; Dalva Maria Ferreira Guató, líder comunitária; Catarina Ramos da Silva Guató, artesã e líder comunitária, Doutora Honoris Causa UFMS; Armando Arruda Lacerda, produtor rural; Mayara Silva Torres de Souza, pesquisadora; Estela Márcia Rondina Scandola, pesquisadora; Tássio Bezerra, professor; Ilídio Roda Neves, professor e dirigente sindical; André Motta, professor; Márcia Raquel Rolon, ativista cultural; Jorge Eremites de Oliveira Guató, professor; Anísio Guilherme da Fonseca Guató, professor e ativista social; Mariuza Aparecida Camilo, professora e dirigente sindical; Tito Carlos Machado de Oliveira, professor; Paulo Marcos Esselin, professor; Paulo Roberto Cimó Queiroz, professor; Luciane Costa, educadora social; Victor Raphael, professor; Mônica de Carvalho Magalhães Kassar, professora; Mário Sérgio Lombardi Kassar, médico; Amanda de Paula, estudante e ativista social; Zacaria Yahya Mohamad Omar, odontólogo; Munther Suleiman Safa, comerciante e ativista social; Nasser Safa Ahmad, comerciante; Falastin Ady, comerciante; Abdel Aziz Ady, comerciante; Irio Valdir Kichow, professor; Suzana Arakaki – Professora; Raquel Soares Juliano, pesquisadora; Mirane dos Santos Costa, funcionária pública e sindicalista; Eloisa Castro Berro, assistente social e militante feminista; Adrieli Fernanda Coelho do Nascimento, assistente social; Marcos Vinícius Kumakura, técnico jurídico; Rafaela França da Silva Della Santa, psicóloga, professora e pesquisadora; Tânia Regina Comerlato, psicóloga e pesquisadora; Edson Moraes, jornalista e poeta; Claudete Suely Caballero Moraes, artesã e ativista dos Direitos Humanos; Simone Yara Benitez da Silva, professora e sindicalista; Nádia Bureman, psicóloga; Mara Leslie do Amaral, funcionária pública; Luiz Taques, jornalista e escritor; Regina Utsumi, advogada e jornalista; Ivaneide Terezinha Minozzo, professora; Milton Zannoto, professor; Dary Jr., jornalista e músico; Simone de Oliveira Lopes, professora; Lejeune Mirhan, professor, sociólogo e analista político; Marcelo Barbosa Martins, advogado; Mário Márcio da Rocha Cabreira, servidor público; Walesca de Araújo Cassundé, advogada e poeta; Antônio Carlos Navarrete, engenheiro civil; Acir Alves, artista plástico; Ismael Gonçalves Mendes, advogado; Jacy Corrêa Curado, professora; Ayoub Hanna Ayoub, jornalista, professor e sindicalista; Maurício Pinto Hugo, jornalista; Sylvia Cesco, professora, cronista e poeta; José Carlos de Souza, professor; James Borges Barbosa, escritor; Eliane Ferreira Gonçalves, advogada; Aiesca Oliveira Pellegrin, pesquisadora.

Trata-se de mais um passo na efetivação de estratégias de sensibilização e mobilização para a construção de universidade com sede em Corumbá, voltada para o conjunto de problemáticas da região.

Ahmad Schabib Hany

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Alberto Cortez - Sabra y Chatila

SOLIDARIEDADE CORUMBAENSE, 47 ANOS ATRÁS

Solidariedade corumbaense, 47 anos atrás

Cosmopolita secular, Corumbá (Ladário também) protagoniza desde o início da Nakba, na década de 1940, a solidariedade ao Povo Palestino, formalizada em 1987 com a criação do Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino Jadallah Safa.

Nesta quarta-feira, 27 de novembro, transcorrem os 47 anos de criação do Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino Jadallah Safa -- como passou a se denominar depois da eternização em São Paulo, em novembro de 2023, por AVC durante a primeira manifestação pró-palestina após o início do genocídio a Gaza, do querido e incansável ativista palestino que residiu em Corumbá nos anos 1980. Não por acaso, a década de 1980 foi fértil para a Causa Palestina no coração do Pantanal e da América do Sul: o Camarada Jadallah, sempre presente, era ativista incansável, além de grande articulador, a tornar Corumbá conhecida no Mundo pelos eventos feitos com sua imprescindível participação.

O à época presidente da Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira em Corumbá, Najeh Abdel Hamid Mohd Mustafa, assim que assumiu a entidade, constituiu uma equipe para tratar do planejamento e realização da Primeira Mostra da Cultura Árabe-Palestina, que levou dois meses para ser preparada e outros 60 dias em exposição ao público, nas dependências da Biblioteca Pública Estadual Dr. Gabriel Vandoni de Barros, sob gestão da Biblioteconomista e Professora Elenir Machado de Mello. O diretor da Casa de Cultura Luiz de Albuquerque, saudoso Doutor Lécio Gomes de Souza, aprovou de imediato a realização do evento, tendo disponibilizados três funcionários da instituição -- os queridos Carlos Augusto Canavarros, Dona Regina Siqueira e Dona Therezinha Silva, além do apoio de seu assessor, o saudoso e querido Poeta Rubens de Castro, o popular Baiano.

Naquela época não havia internet e o acesso à vasta cultura árabe-palestina estava restrito ao acervo de algumas famílias de imigrantes árabes. Daí por que levou tanto tempo para ser preparada, eis que documentos, fotos, livros, telas, esculturas, artesanato, utensílios domésticos, indumentária e peças emblemáticas da milenar cultura palestina precisavam ser literalmente garimpados, família por família, inclusive sírias, libanesas e jordanianas. Além de Najeh e Jadallah, os Irmãos Nasser e Munther Safa, o Amigo Yahya Mohamad Omar e seu saudoso Tio, Seu Khamis Abdallah Suleiman, deram importante apoio, corroborado pelos saudosos Seu Soubhi Issa Ahmad e Seu Mahoma Hossen Schabib, meu querido Pai.

Sem dúvida, a dedicação, experiência e disciplina da querida Lena Machado de Mello foi determinante para a consecução do intrincado quebra-cabeça, como foi a preparação dos objetos domésticos e pessoais para virarem peças da mostra cultural. Seu conhecimento de docente e pesquisadora universitária (interrompera seu doutorado na Universidade de São Carlos, no interior de São Paulo, para assumir sua função de biblioteconomista no ILA) propiciou a concretização do projeto, em que todo final de expediente era checado ponto por ponto, a fim de não faltarem dados pormenorizados. Para completar a diversidade da mostra, foram requisitadas do Escritório de Representação da OLP em Brasília algumas peças de um acervo de que dispunham para eventos do gênero, em sua quase totalidade peças em madre pérola que tão logo encerrou a mostra foram devolvidas para Brasília, conforme orientação recebida no ato do empréstimo desse acervo.

Para a elaboração de cada etiqueta de identificação de objeto/peça, foi necessária uma pesquisa detalhada, inclusive consultando a memória dos mais velhos. Além de idoso, meu Pai tinha uma biblioteca em árabe bastante diversa e representativa das diferentes culturas que compõem a complexa e rica cultura árabe. Para atender a todos os quesitos estabelecidos por Lena foi preciso muito estudo, paciência e persistência -- o que tornou aquela equipe mais integrada e confiante. Aquilo que não fosse possível verificar naquele momento, ficava como ‘tarefa de casa’ a pesquisa a parentes ou até pessoas de outros países, que por telefone se prestavam a essa colaboração.

À exceção do governador Marcelo Miranda e seu vice George Takimoto, que estavam na data em Brasília, participaram da solenidade de abertura o prefeito Fadah Scaff Gattass, o secretário de Estado da Cultura Humberto Espíndola e o então diretor-executivo da Fundação de Cultura de MS Cândido Alberto da Fonseca, a diretora do Centro Universitário de Corumbá Professora Gisela Levatti Alexandre e o representante da Câmara Municipal Professor Valmir Batista Corrêa, acompanhado da Professora Lúcia Salsa Corrêa, então coordenadora do Curso de História. Os então secretários de Estado de Justiça, Doutor Roberto Moaccar Orro, e de Trabalho, Doutor Carmelino de Arruda Rezende, foram representados, respectivamente, pela Jornalista Margarida Gomes Marques e pelo Professor Maurício Lopo Vieira e Sindicalista Manoel do Carmo Vitório.

Esse convívio fraternal e bastante produtivo permitiu que, ao se encerrarem as atividades da Primeira Mostra da Cultura Árabe-Palestina de Corumbá, entre uma palestra e outra, fossem dadas as condições para a criação do primeiro comitê de solidariedade ao povo palestino em Mato Grosso do Sul. Com a importante ajuda do Sindicalista Manoel do Carmo Vitório e do Professor Maurício Lopo Vieira, entre setembro e novembro foram articuladas várias entidades e personalidades do Brasil e da América Latina. Assim, foi escolhido o dia 27 de novembro de 1987 e como local o anfiteatro do Centro Universitário de Corumbá para sediar o ato de lançamento do Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino, que 46 anos depois ganhou o nome de um dos fundadores, o saudoso Camarada Jadallah Safa como seu Patrono póstumo.

SABRA E CHATILA

“¿A dónde estaba el sol cuando sonaron / los ecos desatados de la ira? / ¿No será que las sombras lo apagaron / en Sabra y Chatila? / ¿A dónde estaba Dios, cuando la gente / fue sometida a hielo en las pupilas? / ¿No será que se ha vuelto indiferente / en Sabra y Chatila? / ¿A dónde estaba yo, en qué galaxia, / insensible leyendo la noticia? / ¿No seré uno más en la falacia / de Sabra y Chatila? / ¿A dónde estabas tú, con tu arrogancia, / poderoso señor que en la mochila / llevas todo el cadáver de la infancia / de Sabra y Chatila? / ¿A dónde está la voz del abogado / fiscal de la razón y la justicia? / ¿No será que sus leyes derogaron / en Sabra y Chatila? / ¿A dónde está el orgullo de los hombres, / o acaso hay que decir "hipocresía"? / ¿Por qué tanto dolor no tiene nombre / en Sabra y Chatila? / ¿De qué me estás hablando amigo mío? / ¿No ves que mi conciencia está tranquila? / ¿Qué tengo yo que ver con lo ocurrido / en Sabra y Chatila? / ¿O acaso estaba yo con los soldados / metido a la distancia, entre sus filas / aceptando los hechos consumados / en Sabra y Chatila? / Es tiempo de dictar comunicados / que limen lo espinoso de la espina. / ¿Qué harán para ocultar lo que ha pasado / en Sabra y Chatila? / ¿Qué harán para que amengüe la condena / histérica, total y colectiva? / ¿Qué harán para que cese la gangrena / de Sabra y Chatila? / Aunque yo siga ausente en mi galaxia / comentando en canciones la noticia, / el ángel del horror sigue su marcha / en Sabra y Chatila. / Deambula por Beirut y en otras lunas, / reptando sin parar, como una anguila. / Insaciable y cegado por la gula / de Sabra y Chatila. / Tal vez quiera llegar hasta mi puerta. / Quizá ya esté a la vuelta de la esquina. / Ya fue abierta la herida y sigue abierta / en Sabra y Chatila.” (Alberto Cortez, ‘Sabra y Chatila’, 1983.)

A gravação da emblemática canção do compositor argentino Alberto Cortez ecoava no anfiteatro do CEUC tão logo foi composta a mesa da solenidade. Coube ao Poeta Rubens de Castro, com sua voz potente, fazer a abertura com a declamação da versão em português, feita pouco antes do evento, como forma de homenagear as vítimas inocentes de Sabra e Chatila, um campo de palestinos refugiados na periferia de Beirute, Líbano, nos dias 16, 17 e 18 de setembro de 1982, então sob ocupação pelo exército sanguinário sionista, aliado às forças da Falange Libanesa, em que foram cruelmente assassinados milhares de crianças, mulheres e idosos desarmados e indefesos.

Compuseram a mesa de honra o Doutor Roberto Orro, secretário de Estado de Justiça; o Professor Ussema Khader, do Comitê Palestina Democrática; a Jornalista Margarida Gomes Marques, do Sindicato de Jornalistas Profissionais de MS; a Jornalista Maria Helena Brancher, do Grupo de Apoio aos Povos Indígenas (GAIN-MS); o Professor Valmir Batista Corrêa, representando a Câmara Municipal de Corumbá; a Professora Gisela Levatti Alexandre, diretora do Centro Universitário de Corumbá; o Doutor Lécio Gomes de Souza, diretor da Casa de Cultura Luiz de Albuquerque (ILA), representando o Artista Plástico Humberto Espíndola; o Poeta Rubens de Castro, representando a Academia de Letras de Corumbá; a Professora Elenir Lena Machado de Mello, biblioteconomista da Biblioteca Pública Estadual Dr. Gabriel Vandoni de Barros, representando o cineasta Cândido Alberto da Fonseca, diretor-executivo da Fundação de Cultura de MS; o Professor Maurício Lopo Vieira, chefe da Unidade Regional do Trabalho, representando o Doutor Carmelino de Arruda Rezende, secretário de Estado do Trabalho, e Najeh Abdel Hamid Mohd Mustafa, presidente da Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira em Corumbá. O Sindicalista Manoel do Carmo Vitório foi conduzido à função de coordenador da comissão colegiada do Comitê, tendo sido responsável por todos os encaminhamentos durante três anos de mandato.

Sob a consigna “A paz mundial começa na Palestina!”, o Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino desenvolve, ininterruptamente, atividades em prol da paz e da concórdia para o desenvolvimento da cultura da paz, além de vários tipos de palestra e ato público voltados para todos os públicos. Em 2002, 2005 e 2008, sobretudo, foram realizadas importantes passeatas massivas, que contaram com diversos segmentos sociais, no contexto de uma articulação conhecida por Comitê Corumbá Pela Paz, sob sua direção, participativa e protagonista da sociedade civil local. Em 2015 foi realizada, no Auditório Professor Salomão Baruki, uma atividade emblemática da qual o saudoso Jadallah Safa foi palestrante e em que foram importantes protagonistas os estudantes dos cursos superiores de três universidades com campus em Corumbá.

Ahmad Schabib Hany

sábado, 23 de novembro de 2024

PARA LEMBRAR O LÍBANO E A PALESTINA

Para lembrar o Líbano e a Palestina

Em 1977, no dia 22 de novembro, Mahoma Hossen Schabib escreveu uma emocionada crônica em que, a uma só vez, homenageava o Líbano, sob intenso bombardeio pelas forças entreguistas da Falange Libanesa, e a Palestina, ao som da saudosa cantora Fairouz e sua emblemática ‘Jerusalém’, em árabe ‘Al Quds’.

Não há como não deixar de observar o 22 de novembro sem me lembrar de meu saudoso e querido Pai Mahoma Hossen Schabib e sua inesgotável capacidade de manifestar poética e politicamente sua indignação pela traição de expressiva parcela de governantes árabes que, na trilha do nefasto Anwar Sadat, deixaram a um só tempo os povos irmãos palestino e libanês à sanha perversa do sionismo e de seus associados hachemitas e falangistas, os responsáveis diretos e indiretos pela súbita eternização de Gamal Abdel Nasser em 1970.

Assim como o Diário de Corumbá, da Família do saudoso Jornalista Carlos Paulo Pereira, a Rádio Clube de Corumbá, à época sob a direção da Odontóloga Laurita Anache, Amiga de meu Pai, divulgavam suas crônicas de forma generosa e fraternal. Em 22 de novembro de 1977, às pressas, levou sua crônica, por mim datilografada, para ser lida no programa do saudoso Joãozinho Gente Boa, JGB (João de Oliveira Neves), período vespertino. Três anos depois da súbita eternização de meu saudoso Irmão Mohamed e um ano do trágico massacre de Rásen-Hache (em que meu Pai perdera 36 familiares na frente setentrional da guerra civil instigada pelo Estado sionista liderado por Golda Meir e Moshe Dayan, no afã de expulsar a OLP, Organização para a Libertação da Palestina, do território libanês).

Seriam 14h30m, aproximadamente. Lá estava ele tocando a campainha do consultório da Doutora Laurita Anache, a uns 60 metros do estúdio da emissora. O original datilografado da crônica sobre o Líbano e o LP da amada Fairouz intitulado ‘Al-Quds’ [Jerusalém, em árabe], faixa que ele escolhera como trilha sonora de sua crônica. Para evitar eventuais erros, Doutora Laurita pedira ao jovem radialista João de Oliveira Neves que gravasse no ‘Estúdio B’ para depois levar ao ar. Entramos juntos ao moderno estúdio, cheio de recursos [até então eu só conhecia o velho estúdio da Rádio Difusora Mato-grossense, ciceroneado pelo querido Amigo Juvenal Ávila de Oliveira, então diretor musical da Pioneira]. Primeiro JGB fizera rápida leitura do texto, por conta de alguns termos árabes. Depois ouvira com atenção a faixa do LP de Fairouz, ‘Al-Quds’, e pedira ao sonoplasta que deixasse a parte inicial, instrumental, para preâmbulo de sua leitura, mais ou menos 1m30s, e com seu profissionalismo emblemático, deu ênfase ao tom emocionado da crônica.

Como ‘Al-Quds’ no dia da Independência do Líbano? Primeiro, naquele tempo não havia o acesso digital à discografia dos grandes cantores e cantoras árabes, em sua maioria fãs e discípulos de Gamal Abdel Nasser. Ele comprara, em uma de suas viagens a São Paulo, um LP de Fairouz intitulado ‘Al-Quds’, em homenagem ao heroico povo palestino. Também como forma de, ao mesmo tempo, homenagear a Palestina e seu povo milenar, igualmente vítimas da sordidez do colonialismo, que traíra acordos anteriores pactuados por meio de Thomas Edward Lawrence [o famigerado Lawrence da Arábia] com a coroa britânica para combater ao lado dos britânicos o império turco-otomano, também europeu, que desde o século XVI colonizava tiranicamente toda a Arábia, inclusive a Palestina.

Como a maioria de seus contemporâneos, meu saudoso Pai era um pan-arabista, isto é, seguidor do Movimento pela Reunificação da Arábia, em contraposição à maldita herança colonial franco-britânica e o funesto Acordo Sykes-Picot, de dividir a Arábia em mandatos e protetorados [eufemismos para colonizar, em pleno século XX, mais da metade da África e um-terço da Ásia], de olho nas riquezas naturais e, sobretudo, na posição geopolítica do imenso território árabe. M. H. Schabib, como assinava seus artigos em vários idiomas, dizia sempre que não se faz acordo com algozes de outros povos, pois o mesmo farão com o seu, e foi isso que o Reino Unido fez com os líderes árabes que se aliaram ao ocidente para se livrar do jugo turco-otomano em 1914.

PATRIOTAS E ‘PATRIOTAS’...

“La patria no está en las promesas que nunca cumplí, / conciencia de hombres que nunca juraron verdad. / La patria está en niños que vagan por mundos ajenos, / hambrientos de besos y no son como aquellos que solo nacieron para hacer maldad. / La patria está en manos callosas de hombres mineros, / que muestran senderos y son los primeros que mueren por otros llevando una cruz, / llevando una cruz.” (Luis Rico, ‘La Patria’, 1967)

Patriota de verdade [nada a ver com a patriotaria latino-americana, na qual a brasileira está inserida, cínica lambe-botas dos parasitas que saqueiam a riqueza, a vida e a cultura dos povos originários do Planeta], M. H. Schabib reverenciava todas as datas cívicas, mas sempre explicando que se tratava de civismo, e não de convicção política. Porque o Líbano fora ‘tornado independente’ da Síria em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, com o único afã de provocar uma cisão entre os árabes do oeste da Ásia. Tão artificial quanto o Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Jordânia, o Líbano foi fruto daquilo que os colonizadores franceses chamaram de ‘Pacto Libanês’, em que forjaram uma ‘democracia’ segmentada, em que a maioria não é protagonista, razão da revolução libanesa de 1958 e da guerra civil de 1975-1996.

Em 1975, quando criamos o Clarim Estudantil, M. H. Schabib nos dera uma entrevista em que afirmava ‘sou libanês, infelizmente’, que usamos como título, e em duas laudas explicávamos a razão dessa afirmação: por conta do secessão territorial árabe, que levara a governos fantoches em todos os Estados criados pelo ente colonial, que aos poucos foram sendo emancipados pelo povo. Naquele momento começava a guerra civil que destruiria o Líbano, seu progresso e seu porvir, pois as maiores vítimas foram as novas gerações, cuja expressiva parcela se envolveu em quadrilhas organizadas de tráfico de armas, drogas e alta tecnologia. Meu Pai já não estava entre nós quando a tragédia iniciada em agosto de 1975 com um atentado sionista contra um ônibus com refugiados palestinos levara pelos ares corpos de inocentes e o porvir de dois povos irmãos vitimados pela cobiça incessável do maldito sionismo travestido de ‘fé’, não muito diferente do que ocorre em nossos dias.

Ante a omissão sórdida dos governantes árabes é que, com a vitória da revolução iraniana de 1978, aos poucos as forças de resistência tanto palestinas quanto libanesas se articulam e viram os ‘monstros terroristas dos coitadinhos sionistas’: Hizbullah, Hamas e Jihad, entre outros. O chamado Eixo da Resistência, com a participação da Síria [e por isso perseguida pelos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e o Estado sionista inominável, por meio da ‘primavera árabe’ ou de ‘revoluções coloridas’, década passada], são hoje a única resistência contra o neocolonialismo travestido de ‘democracia ocidental’, protagonizado pelo império decadente cujo fim está próximo, leve o tempo que levar [não há império que resista à falta de dinheiro, drama do Tesouro dos EUA, que tem em dívidas três vezes mais que o PIB estadunidense], e que vê com desespero nova ordem econômica vir à tona, sob a sigla BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul].

Mas o servilismo, o chamado ‘complexo de vira-latas’, de lambe-botas dos colonizadores de olhos azuis, faz com que parte das elites econômicas latino-americanas (e brasileiras) -- afinal, por que a Leva Jeito de dois semianalfabetos, Esterco Mor(d)o e Anal Urinol, foi tão eficaz para destruir o Estado Democrático de Direito e toda a infraestrutura industrial de vanguarda brasileira (construção civil, naval, petroleira, mineira etc), representada por empresas cem-por-cento nacionais como a Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Junior, Affonseca, A. Gaspar etc, dilapidadas para beneficiar as concorrentes estrangeiras -- o que põe por terra o falso patriotismo desses serviçais do império da cobiça.

Lembre-se, Amigo/a leitor/a: enquanto houver cidadãos altivos e resistentes na face da Terra -- entre os quais árabes ou latino-americanos --, os fantoches e serviçais do império não encontrarão sossego nem passividade. Porque o porvir da humanidade está no Sul Global, como ficou patente neste G20. Daí por que devemos proteger o Estadista do século XXI, o Presidente Lula, a despeito de eventuais diferenças pontuais com ele e sua equipe. Avanti, Popolo!

Ahmad Schabib Hany

https://www.youtube.com/watch?v=M4EYQVcRY-E - "Al-Quds" ["Jerusalém"] - Fairouz

https://www.youtube.com/watch?v=tVOx0-jS3hk - "La Patria" - Luis Rico