domingo, 4 de janeiro de 2026
Quando chamam o petróleo de "democracia" e a pilhagem de "civilização"
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
QUANTO, AFINAL, VALE A VIDA?
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
FORÇA E CORAGEM
domingo, 21 de dezembro de 2025
"ROBSON LINS, VOZ SERENA E OLHOS QUE ESCUTAVAM" - BOSCO MARTINS
"ROBSON LINS, VOZ SERENA E OLHOS QUE ESCUTAVAM"
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
CACOETE DE "LUA PRETA"
CACOETE DE ‘LUA PRETA’
Que o senador baiano Jacques Wagner tem relevantes serviços prestados à República ninguém, em sã consciência, duvida. Entretanto, seu insólito impulso, de promover e executar um “acordão” com o seu colega presidente do Senado da República, David Alcolumbre, e integrantes da extrema-direita para submeter no atropelo a votação do projeto de lei da “dosimetria” e permitir que o “gado” se sentisse vingado pela condenação lícita e legítima pela Corte Suprema de seu “mi(n)to” e, em troca, aprovar para o governo um projeto de lei que acaba com isenção fiscal de “bets” e quetais para assegurar arrecadação de 22 bilhões de reais em 2026, chega a ser um acinte, um repulsivo deboche à população, que repudiou o casuísmo e foi no domingo às ruas para rejeitá-lo.
Caetano Veloso foi eloquentemente feliz quando, em pouquíssimas palavras, expôs a indignação que está presa na garganta de todos os que foram repudiar o cínico projeto votado a toque de caixa, mais uma vez, pela Câmara dos Deputados, sob a perigosa presidência de um neófito militante — aliás, militonto — que irresponsável e imprudentemente vive a submeter a governabilidade e o futuro do Brasil às suas demoníacas iniciativas sem qualquer observância ao rito democrático daquela que deveria ser a casa do povo e, desde a nefasta presidência de Eduardo Cunha, se transformou na casa dos inimigos do povo, inimigos do Brasil.
Quando cremos que já vimos tudo nesta Vida é que nos damos conta do sem fim da mesquinhez humana, verdadeira desfaçatez.
Terça-feira, ao assistir em tempo real à sessão do Senado da República que pôs em votação a toque de caixa e aprovou o projeto da redução das penas dos líderes do golpe de 8 de janeiro de 2023, não consegui acreditar que o senador sionista Jacques Wagner -- um dos maiores sabotadores do terceiro mandato presidencial de Lula -- havia fechado um “acordo” com o igualmente sionista senador David Alcolumbre e as vivandeiras que se passam por paladinos da "justiça", do "direito" e da "democracia" — de seu atabalhoado e incompetente mi(n)to, é claro.
Sob o pretexto de reduzir as penas das pobres senhorinhas e idosos induzidos à tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito em 8 de janeiro, canalhas experimentados como Pauzinho da Forca e Espertalhão Amém Dadá usaram sua expertise nefasta para consumar o estupro à República cansada de casuísmos e golpes baixos. Os que saíram no lucro são os inomináveis comandantes presos por terem sido condenados a mais de 17 anos por usarem o cargo para atentar contra as instituições republicanas e a vida do presidente eleito, do vice-presidente eleito e do presidente da Corte Superior Eleitoral.
Atrevidamente arrogante, Wagner atropelou todos os membros da bancada de apoio ao governo — valendo-se de sua condição de exercer a liderança do Governo no Senado —, impondo-lhes sua "estratégia" bizarra: em troca da entrega da resistência legítima e regimental à votação do projeto da "dosimetria", a inclusão na pauta de votação de outro projeto, este de interesse do governo, que viria a ser aprovado, para acabar com a isenção tributária das “bets” e outras renúncias fiscais e permitir a arrecadação de mais 22 bilhões, até para compensar a nova lei que isenta assalariados em até R$5000,00. Como real e tristemente aconteceu.
Ora, esse autoproclamado "exquerdista" de salão nunca me enganou, nem no tempo em que governou a Bahia de todos os santos e denominações religiosas. Ficou para a posteridade a atitude incendiária do líder do Governo no Senado quando Lula, primeiro dignitário no mundo a condenar o genocídio da população palestina em Gaza, usou em sua fala o termo “holocausto”, o que levou o governo nazissionista de Benjamin Netanyahu a aprovar no Knesset o status de “persona non grata” a Lula e ao chanceler Mauro Vieira, considerados “antissemitas”, como todo cidadão no mundo que ousa condenar a ação desproporcional e genocida cometida pelo carniceiro de Gaza.
PRECEDENTE PERIGOSO
Jacques Wagner abriu um perigoso precedente político institucional ao permitir que, dois dias depois de as multidões nas ruas de todo o Brasil se manifestarem de forma contundente contra essa acintosa iniciativa da Câmara Federal, o Senado da República não só ignorou acintosamente o recado das ruas, como com o conluio do líder do Governo naquela Casa, permitiu uma orgástica vitória dos golpistas em seu intento doentio, de fazerem seu “mi(n)to” e cúmplices se passarem por “vítimas” do “abuso” do Supremo Tribunal Federal.
Wagner, experiente que é, sabe que isso não só fragiliza ainda mais o Presidente Lula perante um Congresso Nacional dominado pelos inimigos do povo, bem como desacredita os bons militares institucionalistas, ou legalistas, que barraram o intento insano do inominável e de seus comparsas de consumar o golpe e, mais, assassinar com requintes de crueldade os escolhidos como “inimigos” — Lula, Alckmin e o Ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condução das eleições de 2022 como presidente do Tribunal Superior Eleitoral — e os inúmeros atos de sabotagem perpetrados desde a segunda semana de 2022, como a tentativa de ato terrorista no Aeroporto Internacional de Brasília e a explosão nas imediações da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
Ainda mais. A nefasta e arrogante atitude de Jacques Wagner representa uma deslegitimação da condenação dos facínoras golpistas e uma ducha de água fria sobre a importante mobilização popular em defesa de uma pauta propositiva e efetivamente transformadora. Depois de muitas décadas, os grandes nomes da MPB voltaram a se manifestar nas ruas — como Chico Buarque, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Djavan, Martinho da Vila, Ivan Lins etc — para barrar as sucessivas tentativas de retrocesso e de golpes promovidas pela extrema-direita. Até a “musa das Diretas”, Fafá de Belém, entoou no Rio, neste domingo, ovações a favor do Estado Democrático de Direito, depois de um silêncio a que se impôs por causa do desastre que foi o governo da Aliança Democrática, inicialmente liderada por Tancredo Neves e mais tarde sustentada por Ulysses Guimarães, o maior sacrificado pela falta de firmeza de José Sarney.
Sem dúvida, a despeito de seus relevantes serviços para a República, Wagner passa para a história como um abjeto cúmplice dos facínoras que teimam em impor um regime totalitário, em que militares e policiais doutrinados no nefasto dogma fascista da “segurança nacional”, fundamentalistas neopentecostais de inspiração sionista impõem um projeto de Estado teocrático, criminosos de todos os naipes se articulam em verdadeiras redes que vão do sistema financeiro até o agrobusness e quadrilhas do crime organizado, além dos grupelhos remanescentes de saudosistas do integralismo, fascismo e nazismo dos anos 1930 instalados no sul do Brasil.
Com esse “pragmatismo” de “lua preta” — como dizia o saudoso Leonel Brizola em 1982 para denunciar os “intelectuais” apoiadores de Miro Teixeira, então candidato pelo PMDB e apoiado pelo dono da TV Globo, Roberto Marinho —, Jacques Wagner presta um funesto desserviço ao não fazer mais que nivelar por baixo democratas que defendem verdadeiramente o Estado Democrático de Direito com sequazes dos facínoras que resistem às legítimas e necessárias iniciativas legais, embasadas na Constituição, da mais alta corte do Judiciário, que é o Supremo Tribunal Federal.
Fora disso, só há narrativa barata e muita bravata, próprias das vivandeiras que desde os idos de 1960 vivem a gemer libidinosamente pela penetração demoníaca dos germes do fascismo inoculados nas entranhas das instituições castrenses. E Wagner sabe muito bem disso, porque conhece por dentro essa verve insana. Sem dúvida, um péssimo conselheiro de um grande estadista — agira assim com que propósito? Inocente não é, há décadas deixou de sê-lo.
Ahmad Schabib Hany
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
SOMOS TODOS PADRE JÚLIO LANCELLOTTI
SOMOS TODOS PADRE JÚLIO LANCELLOTTI
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
CORUMBÁ SILENCIOU NO ATO DE 14 DE DEZEMBRO
Corumbá silenciou no ato de 14 de dezembro
Não é que, injustificável e inexplicavelmente, o bastião trabalhista dos anos 1950-60 e depois reduto oposicionista ao regime de 1964 -- responsável pela histórica eleição de Wilson Barbosa Martins como primeiro governador democraticamente eleito em 1982 --, determinante na eleição de José Orcírio Miranda dos Santos, o "candidato azarão", em 1998, se silenciou no ato nacional pela soberania popular de domingo?
Bem que tentaram. O incansável Companheiro Anísio Guilherme da Fonseca, ao acolher a proposta de realizar o ato de domingo, dia 14 de dezembro, na feira-livre, no meio da manhã, ficou mais de uma hora esperando a chegada de cidadãs e cidadãos desassossegados para entoar o repúdio ao golpismo pela cúpula da Câmara Federal e Senado da República. A incansável Professora Mônica e três de minhas Irmãs estiveram presentes, como cidadãs conscientes do significado histórico -- e prático -- do Estado Democrático de Direito.
Manifestação silenciosa e legítima, ainda que imperceptível para o grande público. Sem panfletos, amplificador de som e uma estratégia elementar para um ato público dessa relevância, o emblemático manifesto de indignação foi marcado pelo silêncio. E certos dirigentes sindicais e partidários questionam por que não realizamos, ainda que sem qualquer apoio logístico! Ora, em pleno Estado Democrático de Direito, para que servem as organizações da sociedade civil senão se querem se somar às manifestações legítimas da cidadania? Claro, precisamos dar um desconto aos pobres burocratas, que sequer conhecem a história das conquistas das classes oprimidas.
Como as tantas tentativas de protesto durante a longa noite que desabou sobre a sociedade civil brasileira entre os anos de chumbo e o burburinho rebelde do final dos anos 1970. O martírio de Vladimir Herzog, Manoel Fiel Filho e Santo Dias, cada um ao seu tempo, foi determinante para esse levante da sociedade civil, em que o corajoso engajamento de Dom Paulo Evaristo Arns, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI) exerceram um protagonismo indiscutível.
Na rebelde e cosmopolita Corumbá de meados dos anos 1970, da maneira mais discreta possível, os desassossegados de então faziam suas vigílias como se vivêssemos na Idade Média, tamanha a repressão. O querido e saudoso escritor Adolpho Jorge da Cunha -- autor de trilogia que faz resgate histórico da poaia, ou ipecacuanha em Corumbá e Cáceres --, proprietário do Hotel Luzia, situado à rua XV de Novembro (onde atualmente se situa o Lincoln), era o mais dedicado dos organizadores. Nas poucas oportunidades em que a Vida me propiciou momentos de conversa franca com esse baluarte da resistência, nos advertiu que quando o fascismo acena, é hora de ousar, empreender contra, sem hesitar.
Uma pena que os burocratas de sindicatos, partidos e coletivos corumbaenses de hoje não tivessem conhecido os protagonistas da resistência à ditadura em Corumbá. Porque os tais "luas pretas" -- para usar locução nominal criada pelo imortal Brizola --, a bem da verdade, só deram as caras depois de derrotada a ditadura, em 1985. Enquanto viver, darei-me o direito -- na verdade, o dever iniludível -- de afirmá-lo e reafirmá-lo.
SEM ANISTIA OU DOSIMETRIA
Se o ato tivesse sido público hoje na Corumbá de vergonhosos medos e conchavos, o meu manifesto seria tornado público antes de publicado por escrito. Eis a íntegra, até porque bajulador de tiranos e ditadores não intimidam nem amedrontam os que têm consciência política e, sobretudo, de classe. Mas vamos à íntegra do manifesto, a seguir.
Sem anistia, sem dosimetria, sem patifaria!
Pela soberania, pela democracia, pelo respeito ao povo brasileiro!
Têm, sim, que cumprir a pena quem atentou contra o estado de direito, usou o cargo para liderar uma trama golpista, não reconheceu sua derrota eleitoral, planejou assassinar, com requintes de crueldade, o presidente eleito, o vice-presidente eleito e o presidente da Corte Superior Eleitoral, usando ilegalmente prerrogativas conferidas pelo cargo de presidente, ministro, comandante, assessor e auxiliar da Presidência!
Quem ousou invadir e destruir o patrimônio público, as sedes dos Três Poderes da República, com o maior cinismo, à luz do dia, sem pudor nem comedimento, não têm anistia, nem dosimetria.
Trata-se de fazer valer o que está no arcabouço jurídico brasileiro. Nem mais, nem menos. E sem casuísmos! Não é que eles mesmos vivem a bradar que “bandido bom é bandido morto”?! E agora, amarelam, como covardes que são — aliás, que sempre foram.
Eles têm procurado "naturalizar" os crimes que cometeram para manter o seu "mito" no poder. O cara passou quatro anos falando e fazendo besteiras em vez de trabalhar! Não conseguiu se eleger porque não teve competência, capacidade, e agora vem com “mi-mi-mi”! Ora, cresça e apareça!
Sem ir longe, na Argentina a pena para esse tipo de crime é prisão perpétua. Ou eles não sabiam que generais da ditadura e altos oficiais golpistas de lá estão até hoje na prisão, sem direito a perdão, qualquer indulto ou anistia?
Na França e na Itália, a lei é bem mais dura: quem comete golpe ou crime de lesa-pátria é condenado à pena capital, isto é, à pena de morte, simples assim. Porque golpista que não é punido volta a praticar o crime, e quando o consuma faz verdadeiro massacre, quando não um genocídio, e destrói todas as instituições do país.
É chegada a hora de dar um basta aos golpistas e seus asseclas que vêm brincando com coisa séria. Não se trata de pauta-bomba, muito menos de pataquada! O Congresso Nacional teve suas prerrogativas resgatadas pelo movimento popular pró-constituinte durante a Nova República.
Se hoje todos têm liberdades é porque nós as conquistamos, e não abrimos mão de sua proteção! Golpistas têm, sim, que ir para a prisão, não importa o cargo ou a patente! Nossa geração foi às ruas e foi atrás da organização da sociedade civil em todo o Brasil para conquistar as liberdades democráticas e fazer a nova Constituição.
As Diretas-Já e a Constituinte foram conquistas de toda uma vida, e que permitiram a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), entre tantas outras leis. Leis que permitiram transformar em direitos efetivos e políticas públicas velhas demandas do povo brasileiro, que durante décadas eram reivindicadas e prometidas, mas não realizadas.
Fomos nós, nas ruas e com muita batalha, que conquistamos também a revogação, a anulação, do entulho autoritário -- todos os decretos e atos institucionais da ditadura que tiravam direitos e permitiam abusos autoritários, como prisão sem ordem judicial, habeas corpus e proteção aos presos. Pois é, eles defendem que preso seja torturado e morto. Nós, ao contrário, asseguramos que seja protegido, como o seu “mito” está sendo.
Não permitiremos que voltem, sob outros nomes, pretextos ou argumentos, essas leis que envergonham as instituições democráticas no Brasil e no mundo. As leis têm que ser iguais para todos: “pau que bate em Chico, bate em Francisco”, ensina a sabedoria popular.
Por quê o ato contra as traquinagens de Hugo Motta e seus aliados?
Um garoto mimado do interior do Brasil profundo não pode enxovalhar e muito menos pôr em risco a governabilidade, o Estado Democrático de Direito. Como bem disse o jurista Lenio Streck, como um menino sem vivência legislativa pôde ter sido guindado à presidência da Câmara dos Deputados? Até porque é o terceiro na linha sucessória.
Ao impor pautas-bomba sem qualquer pudor ou articulação com as forças que compõem o Congresso Nacional, ele tem agido mais como um militante que como presidente de uma das Casas do Parlamento!
É um deboche, um acinte à nação: a sociedade civil precisa pôr um limite à sanha golpista que ainda teima impor seus delírios fascistas no lombo da população!
Sem anistia, sem dosimetria, sem patifaria!
Pela soberania, pela democracia, pelo respeito ao povo brasileiro!
Reitero: quem atentou contra o Estado de Direito, usou o cargo para liderar uma corja golpista, não reconheceu sua derrota eleitoral, planejou assassinar, com requintes de crueldade, o presidente eleito, o vice-presidente eleito e o presidente da Corte Superior Eleitoral, usando ilegalmente prerrogativas conferidas pelo cargo de presidente, ministro, comandante, assessor e auxiliar da Presidência, têm, sim, que cumprir pena, e ponto final!
Ahmad Schabib Hany