EPSTEIN, O EPÍLOGO DA SOCIEDADE CAPITALISTA
Como ensina a sabedoria chinesa, "ovo aberto por dentro é vida, ovo aberto por fora é comida" (generosamente compartilhada pelo comandante Robinson Farinazzo em uma de suas desmistificadoras lives do "Arte da Guerra").
A lista do rufião Jeffrey Epstein, um sionista ligado ao Mossad do Estado genocida e militante do rufianismo mais sádico, perverso e criminoso, expõe o já indisfarçável estado de podridão em que se encontra a sociedade capitalista, batizada nos anos 1970 de 'sociedade de consumo'. Não se trata apenas de mais um escândalo sexual envolvendo celebridades, magnatas e mafiosos de todos os naipes -- como, aliás, as corporações midiáticas 'inocentemente' cobrem o caso --, mas de uma estratégia de chantagem a todas as elites políticas e financeiras do ocidente empreendida pelo homem-forte do Estado proxeneta sionista cravado no centro geopolítico do oriente médio, com o propósito de realizar seu nefasto projeto de expansão de Israel.
Triste fim do 'american way of life', com o desmascaramento de mitos como que o 'mercado regula tudo', a 'livre de iniciativa', a 'meritocracia' etc. A história prova há séculos que o 'desenvolvimento' e a 'competência' ocidentais não são 'meritocracia', mas fruto da cobiça que se remete àquilo que a historiografia eurocêntrica ensina como 'revolução comercial', que deu origem às 'grandes navegações' e depois à 'descoberta de novos continentes'. Nem 'revolução', nem 'grandes' e muito menos 'descoberta'. Sim, a Europa saía do longo período de trevas posterior à exaustão do império romano, mas o obscurantismo medieval -- versão anterior do negacionismo de nossos sombrios tempos em que neopentecostais e fascistas foram recrutados pelos magnatas e mafiosos das grandes potências para dar sobrevida ao capitalismo capenga de nossos dias --, tendo recorrido para isso, à época, as cruzadas e a inquisição.
Que fique claro que os reinos 'cristãos' europeus acumularam muito dinheiro com a pilhagem, o saque, a opressão, a exploração, a escravização de povos africanos, asiáticos, americanos e da Oceania -- antes, durante as cruzadas, e depois, com o mercantilismo, isto é, as 'grandes navegações' --, o que permitiu a formação de uma nova classe, de artesãos que, diferentemente dos servos, eram livres e, antes da transição para o novo status social, também eram pobres -- a burguesia. E contra quem os reinos 'cristãos' faziam as guerras? Contra os 'mouros' (árabes, muçulmanos), tanto nas inúmeras cruzadas como no processo de ascensão dos reinos 'cristãos' na Península Ibérica, de onde partiram as primeiras esquadras para 'procurar novas rotas para as Índias' (e, pasme, os protegidos dos mouros, na época, eram os judeus, que se diziam 'primos' pela linhagem semita: árabes, descendentes de Hagar, a escrava árabe que concebeu Ismael, filho de Abraão, marido de Sara, que aos 90 anos engendrou Isaque -- coisa que os sionistas, em sua maioria não semitas, negam isso).
Desde sua origem, a burguesia (classe originária dos artesãos no feudalismo) vive da cobiça do rei e de sua classe, a nobreza, e no início, por razões de sua sobrevivência, tornou-se de vanguarda revolucionária, mas por um pequeno período, de grandes transformações, como durante o Iluminismo e na Revolução Francesa, por exemplo. A 'lua-de-mel' entre proletários e a burguesia, foi breve, pois a Revolução Industrial, assim que ganhou dinâmica própria, mostrou uma burguesia promotora de opressão, tirania, fome e exploração da classe trabalhadora. Por isso no início do século XIX houve muitas greves e nesse contexto nasceu o socialismo, tanto que até a Igreja Católica, no tempo de Leão XIII, deu uma guinada ao editar a encíclica Rerum Novarum, originando o que seria mais tarde conhecida como Doutrina Social da Igreja, com a relevante contribuição do Papa João XXIII, com a encíclica Mater et Magistra, com a opção preferencial pelos pobres.
Para fazer frente ao crescimento das idéias que proclamavam a emancipação do proletariado (trabalhadores do campo e da cidade) em todo o mundo, os capitalistas, com medo de perder suas propriedades e o poder político, financiaram o surgimento do fascismo e das demais versões nacionais em todo o mundo. Não por acaso o berço do socialismo -- Alemanha, sobretudo -- foi também o 'olho do furacão' da intolerância, do ódio e do caos desenvolvidos no coração da Europa ocidental, com a difusão do nazismo e seus satélites (salazarismo, franquismo etc). Pouco antes, a Revolução Russa (ou, melhor, Revolução Bolchevique) mudara por completo as sociedades da Europa oriental e seu exemplo foi determinante para importantes revoluções, como a Chinesa e a Cubana (e algumas árabes, como a do Egito e Argélia, além de indiretamente a Revolução Iraniana, liderada inicialmente pela esquerda e depois assumida pelo Aiatolá Khommeini), dois alvos de que o stablishment anglo-sionista tem obsessão.
Diferentemente do que diz a historiografia ocidental, a acachapante derrota sofrida pelos nazistas alemães e fascistas italianos em seu próprio território foi, a alto custo de vidas humanas (quase 20 milhões de soviéticos), protagonizada pelo Exército Vermelho. Sim, Hollywood não conta em suas fantasiosas produções cinematográficas. Mas todos os contemporâneos que puderam adquirir revistas e enciclopédias sérias têm esses dados inquestionáveis. O canal Geopolítica do economista Ariel Umpiérrez, argentino de origem judaica antissionista, denunciou que os oligopólios midiáticos do ocidente estão sendo comprados por grupos financeiros sionistas para silenciar e apagar as versões independentes desta triste quadra da história da humanidade.
Democracia? Não, plutocracia.
O que vem regendo a sociedade 'desenvolvida' desde antes da guerra de 1945 -- na verdade, desde meados do século XIX -- não é outra coisa que, em vez de democracia, a plutocracia (poder dos ricos), e o que conta são os monopólios, oligopólios, cartéis e trustes, simples assim. Parasitismo puro. A chamada Revolução Industrial foi possível graças aos trabalhadores e aos africanos escravizados desde o século XVI, mas só durante o século XIX é que os proletários despertaram para isto, o que, com Marx e Engels, passou a se chamar de consciência de classe.
Se o chamado 'ocidente' saiu do atraso medieval e da fome a ponto de se enriquecer exponencialmente foi graças às riquezas saqueadas, pilhadas e cobiçadas das terras colonizadas pelas 'metrópoles', isto é, os 'reinos cristãos', como Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Itália, Alemanha, Áustria etc. Graças ao ouro e à prata dos Incas, ao milho e à batata dos Andes (chamada de 'inglesa' ou 'francesa' pelos colonizadores), ao cacau e ao chocolate dos Astecas (que também foi batizado de 'suíço' como se tivesse surgido lá), à mandioca dos Guarani, ao pau-brasil dos Tupinambá, às esmeraldas e diamantes dos Pataxó e Karajá e, obviamente, às pedras preciosas em território africano dos povos Banto, Mbuti, Baka e Batwa (Congo) e os povos Banto (Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique) e Khoe-San (África Austral).
E não esqueçamos que a "mão invisível" do mercado -- endeusado pela burguesia -- não se incomoda com quadrilhas e organizações criminosas como a máfia e congêneres pelo mundo, desde os tempos do tráfico de pessoas escravizadas oriundas da África (o que enriqueceu os prósperos banqueiros ingleses com a pirataria e franceses com os corsários cujo alvo eram as naus ibéricas entupidas de matéria-prima saqueada das colônias que foram sendo instaladas a ferro e fogo na América, África, Ásia e Oceania). Essa falsa questão de a burguesia e seus tentáculos combater a "corrupção" ou o "tráfico" não passa de ficção e estratégia política para seduzir inocentes úteis, como quando Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e sequazes protagonizaram atos ilícitos para atender aos seus amos e senhores dos Estados Unidos, preocupados com o desenvolvimento do Brasil em áreas como a tecnologia no pré-sal e as indústrias petrolífera, naval e civil (além da entrega pelos dois golpistas dos campos de pré-sal e as maiores empresas brasileiras viraram "puxadinho" de empresas transnacionais superadas pelo know how brasileiro (Petrobrás, Odebrecht, Camargo Corrêa, Affonseca, Mendes Junior, OAS, Estaleiro Mauá etc).
Os EUA fazem um discurso de defesa da liberdade de mercado, no entanto, toda vez que um país usa sua soberania para escolher seus parceiros comerciais e políticos eles recorrem a intervenções como a que, por meio da "Lava Jato" (da quadrilha Moro-Dallagnol, que usavam o advogado e ex-deputado peemedebista Toni Garcia como X-9 para gravar, inclusive, autoridades com foro privilegiado e guardar para fazer algo ilícito do tipo Epstein, provavelmente sob assessoria do Departamento de Justiça dos EUA) se valeram para depor criminosamente Dilma Rousseff da presidência, ou como fizeram de modo acintoso na deposição de Rafael Noriega no Panamá e neste ano no sequestro e invasão da Venezuela para fazer reféns Nicolás Maduro, a esposa e todo o governo da Venezuela, que age sob pressão cumprindo as estapafúrdias ordens do louco, pedófilo e genocida chefe da Casa Branca, serviçal do assassino e corrupto carniceiro de Gaza.
Além da dívida abissal de 38 trilhões de dólares dos Estados Unidos para alimentar parasitas que vivem totalmente fora da realidade a delinquir, violar, abusar, explorar sexualmente, cobiçar, pilhar, saquear, roubar e escravizar sob regime de opressão, 'cidadãos' de bem que aparecem na lista de Epstein são das mais diferentes nações, mas com a chancela das elites de Washington e Nova York, para muitos o centro do ocidente decadente, mas para a maioria dos recalcados e das recalcadas do mundo os seus 'amos e senhores', para os quais não só dão vênia, mas se rastejam. Ou, sabe-se lá, não ficam de quatro para serem parte do banquete e das orgias mefistofélicas de Trump.
Milhares ou milhões de vítimas?
Mais de três milhões de arquivos do caso Epstein foram expostos ante a grande plateia a que se resumiu a sociedade de consumo, travestida de ocidental para inglês ver, das raras unanimidades em um contexto histórico adverso e medonho. Pedofilia é pouco: canibalismo, tortura, assassinatos, rufianismo, exploração sexual intensa e psicopática... Enquanto 85% da população humana do Planeta sofre com algum tipo de carência, menos de 1% da espécie, totalmente descolado da realidade, esbanja o seu dinheiro mal havido e poder acintosamente usurpado em orgias e crimes de toda índole.
Religiosos, militares, reis, príncipes, nobres, magnatas, empresários, formadores de opinião, intelectuais, políticos, artistas, traficantes, mafiosos, contrabandistas, juízes de altas cortes, diplomatas, policiais, espiões, lobistas, jornalistas e comunicadores renomados, ditadores, parlamentares, burocratas, mercenários, torturadores, dedo-duros, terroristas etc. Desde integrantes do Capitólio, nos Estados Unidos, até o reino ultraconservador da Arábia Saudita envolvidos nessas orgias cujas vítimas eram crianças e adolescentes inclusive de países como o Brasil, sob pretexto de promover-lhes uma carreira de sucesso no mundo da moda.
Diferentemente do que a mídia corporativa tem desinformado, a rede de Jeffrey Epstein foi ardilosamente planejada e executada com a intervenção direta do Mossad, o serviço de espionagem sionista aparelhado pelo ocidente desde antes da criação dessa farsa de país proxeneta. Além de servir de 'entretimento', na verdade devassidão, de magnatas, delinquentes, tiranos e seus amos e serviçais, o principal objetivo sempre foi coletar imagens e documentos comprometedores para chantagear a todos, sem distinção. Essa é uma expertise também ensinada pelo Departamento de Justiça dos EUA, tanto que as marionetes da sórdida 'operação Lava Jato' andaram usando contra muitas autoridades para criar um 'climão' contra o PT e conseguir tirar Dilma da presidência e Lula de 2018, levando-o à masmorra de Curitiba por 583 dias e colocando um boçal despreparado e com personalidade de delinquente na presidência entre 2019 e 2022.
Por que 'gente de bem' gosta de 'sacanagem'?
Primeiro porque essas elites se julgam poderosas e, portanto, protegidas pelo manto da impunidade. Elas têm total convicção de que podem tudo. E, à exceção de países como Brasil, em que uma legislação pós-Constituição de 1988 acabou com muitos privilégios, a maioria dos países do mundo -- sobretudo os EUA -- tem um conjunto de leis muito antigas e que precisam de atualização (tanto que, apesar da tentativa de golpe cometida por Donald Trump contra o Congresso dos EUA, ele conseguiu não ficar inelegível, candidatar-se novamente à presidência e vencer para conquistar seu segundo e trágico mandato presidencial).
Não posso me esquecer de um episódio que está fazendo 30 anos. Em 1996, quando o Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso do Sul (FEDCA/MS), sob a coordenação do Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social Mato Grosso do Sul (IBISS/MS) da incansável combatente e pesquisadora Estela Márcia Rondina Scandola, realizou a primeira pesquisa e, consequentemente, a primeira campanha estadual de enfrentamento à exploração e ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Então, o juiz de Direito da Infância e Juventude da comarca de Corumbá questionou, durante o seminário de apresentação da pesquisa e da estratégia de campanha de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes, por que tanta preocupação com essa temática. Para justificar a sua posição, ele, sem qualquer constrangimento, disse ser "a prostituição a primeira profissão da mullher". Sua fala, obviamente, foi repudiada pelo público presente, bastante irado. Não lhe restou nada mais, senão sair à francesa e meses depois ser transferido para outra comarca, pois o clima para ele ficou muito feio em Corumbá.
Quem não está na base social, nas hostes do proletariado, não consegue entender por que essa temática é tão cara para a classe trabalhadora e, obviamente, causa indignação às camadas populares, diferentemente que para as elites que lidam com ela com total naturalização. Acontece que na base da pirâmide social, dignidade não é uma palavra vã, ela é muito cara para a classe trabalhadora. Vida, dignidade e lealdade costumam ser a tríade pela qual os proletários em todo o mundo passam a se politizar até o momento de compreender o que é consciência de classe, algo que até a presente data nem os chamados social-democratas conseguiram compreender.
Professor francês denunciado
Quando cremos que já vimos tudo é que nos damos conta que atrocidades piores ainda estão por acontecer. Não só em Gaza, Sudão, Iêmen, Congo, Venezuela, Cuba, Argentina, Paraguai, Chile etc, mas até dentro do território brasileiro. Imaginem que um sobrinho, por acaso, encontrou um 'pen drive' do professor francês Jacques Leveugle, 79 anos, com informações de abuso sexual de pelo menos 89 crianças e adolescentes cometidos por ele entre as décadas de 1960 e 2020 em mais de cinco continentes em que 'peregrinou' como professor. Mas não ficou só nisso: acabou por confessar que asfixiou a própria mãe em meados da década de 1970 e assassinou a tia nonagenária na década de 1990.
Desgraçadamente o que deveria ser caso excepcionalíssimo se repete com tanta frequência e, pior, nos ofícios mais sensíveis e responsáveis pela formação de novas gerações. Categorias dedicadas à preparação de futuros cidadãos acabam sofrendo constrangimento pelo comportamento oportunista de colegas com problemas sérios de personalidade, e que muitas vezes os gestores da educação ou da saúde deixam para enésimo lugar na agenda de políticas públicas. Sabe-se que o abusador pode ter sido na infância um abusado, que a família não soube tratar ou sequer tomou conhecimento.
Mas o problema de fundo é a caducidade, a exaustão, de uma sociedade que, para assegurar uma sobrevida ao modo de produção capitalista, se torna permissiva e, mais grave, cúmplice de um projeto de sociedade baseado no ódio, no caos e, pior, na hipocrisia de fingir ignorar que a onda perniciosa se chama fascismo (nazismo, sionismo, salazarismo, franquismo, pinochetismo, stroessnerismo, medicismo, banzerismo ou videlismo que o valha) e lhe faz concessões como a que se permitiu fazer Aécio Neves da Cunha, neto de Tancredo de Almeida Neves, mártir da democratização, ao lado de Ulysses da Silveira Guimarães, Marcos Freire, Severo Fagundes Gomes, Juscelino Kubitschek de Oliveira e João Belchior Marques Goulart (eternizados em circunstâncias bastante curiosas em um país cujos 'viúvos' e 'órfãos' de facínoras demostraram que foi grave erro não terem sido exemplarmente condenados e punidos por crimes de lesa-humanidade e de lesa-pátria cometidos nos 21 anos de ditadura.
Mortes não esclarecidas no pós-franquismo
Meados da década de 1970, Madri, capital castelhana que substituíra a Córdoba andaluz do apogeu mouro, vivia a transição para a democracia. Parecia sensacionalismo barato a denúncia de que uma jovem atriz, Sandra Mozarowsky, teria sido assassinada por estar grávida do recém-entronizado Juan Carlos I, da Espanha, imposto pelo ditador Francisco Franco. Um ano antes, causara perplexidade a notícia do suicídio do célebre arranjador e maestro argentino Waldo de los Ríos, sem qualquer explicação plausível (com a esposa Isabel Pisano, atriz e jornalista igualmente célebre, estava vivendo o ápice do sucesso profissional).
Passados praticamente 50 anos desses rumorosos (e trágicos) episódios ocorridos nos primeiros anos da Espanha pós-franquismo, vêm à tona denúncias de que ambas tragédias teriam relação. Embora a recém-falecida viúva de Waldo de los Rios tivesse negado qualquer vínculo entre as duas mortes, jornalistas espanhóis publicam livros e filmes mostrando que para os 'viúvos' do regime fascista que coagiu a Espanha por quase quatro décadas era perigosa a existência de uma jovem atriz, grávida de cinco meses, que não escondia a relação extraconjugal com o nada discreto monarca, aliás, vulgar 'bon-vivant', que, a despeito do pai estar vivo e saudável, foi indicado pelo todo poderoso ditador para sucedê-lo.
Mais que isso. Em nome de uma hipócrita moral conservadora, os franquistas faziam estrepolias para preservar a imagem de tudo que os cercavam. Sandra Mozarowsky, uma diva menor de idade em franca ascensão, e Waldo de los Rios, um virtuose de talento ímpar que não fazia questão de esconder sua homossexualidade, se conheceram no meio artístico, cada um em seu respectivo ofício. Contudo, o comportamento de Waldo de los Rios e de Sandra Mozarowsky era desafiador e perigoso demais para a 'ordem' e a 'moral' pantanosa dos eternos 'donos' do poder.
É preciso esclarecer que entre Waldo e Sandra nunca houve relacionamento afetivo ou íntimo. Bastante desenvolto e com muita autoconfiança, o célebre regente se permitiu uma atitude paternal que lhe custou a vida. Na verdade, a personalidade extrovertida de Waldo, segundo o Jornalista Javier Breda, que ousou expor a trama criminosa, causou a reação criminosamente ardilosa, própria dos tempos imemoráveis do franquismo, irmão siamês do nazifascismo, que se impôs por meio da perseguição, tortura, medo e morte durante praticamente quatro décadas de opressão e exploração, que as elites europeias faziam questão de chamar de (sic) 'modernização'...
E o que isso tem a ver com o rumoroso caso Epstein?
Mais que mexermos nesse fétido e nauseabundo caso, que tem tudo a ver com a decadência ocidental, aquela da 'sociedade de consumo', precisamos tocar em um tema desprezado pelos 'luas pretas', os 'ideólogos' de plantão. Por que aqueles que são formados para informar jogam seus diplomas e seus currículos no lixo e sucumbem à mentira, à farsa, à covarde subserviência dos oligarcas da comunicação? Em todos os episódios ora elencados propositalmente os protagonistas foram de alguma forma beneficiados pelas emboloradas corporações midiáticas.
Os mais velhos irão se lembrar, no Brasil do regime de 1964, de pelo menos dois rumorosos casos, Aracelli e Ana Lídia -- duas meninas sequestradas, violentadas e que depois de mortas com requintes de crueldade e cujos algozes eram 'jovens de bem' de famílias abastadas ligadas à ditadura, tanto no caso da menina Aracelli Cabrera Sánchez Crespo (sequestrada e mantida em cárcere privado por dois dias, tempo em que tivera laceradas as partes íntimas, drogada, asfixiada e depois de morta seu corpo mantido sob refrigeração e para impedir a identificação jogaram produto corrosivo sobre seus restos mortais, atirado aos fundos de um hospital infantil de Vitória do Espírito Santo, onde as poderosas famílias Michelini e Helal, a que pertenciam os jovens afeitos a violentar adolescentes, fizeram de tudo para deixar impunes os três algozes identificados e processados) como no caso da menina Ana Lídia Braga (sequestrada e mantida em cárcere privado por um dia no sítio do então ministro da Justiça do ditador Emílio Garrastazu Médici, Alfredo Buzaid -- um dos mentores do Ato Institucional n. 5, o AI-5 --, em que seu filho Alfredo Buzaid Filho e o filho do à época senador vice-líder da Arena no Senado, Eurico Rezende, do Espírito Santo, Eurico Ribeiro Rezende, mais o filho de um conhecido traficante de Brasília violentaram e asfixiaram a menina e jogaram seu corpo nu com condões usados em terreno baldio nas imediações da Universidade de Brasília, caso de fácil elucidação, mas as investigações foram interrompidas depois que a cúpula do regime acusou tratar-se de "manobra de grupos a serviço da subversão", em prejuízo da imagem de membros do governo, ficando o caso também impune).
Aos que vivem a exaltar as virtudes do regime militar, bem como aos fãs entusiastas do agente laranja da Casa Branca, de seu nazissionismo século XXI e do seu inspirador genocida de Gaza, os dois casos foram censurados e durante o governo do ditador Emílio Médici e de seu sucessor Ernesto Geisel sequer uma linha a imprensa pôde noticiar, por determinação do 'comunicado' do Departamento de Polícia Federal, de 20 de maio de 1974: "De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulgação através dos meios de comunicação social escrito, falado, televisado, comentários, transcrição, referências e outras matérias sobre caso Ana Lídia e Rosana. -- Polícia Federal"
O Jornalista e escritor José Louzeiro, autor de "Aracelli meu Amor", foi o único preso no caso da menina estuprada e morta com crueldade em Vitória, mas, graças à sua coragem, no final do governo Geisel, o Jornalista Carlos Alberto Luppi, da então bem posicionada "Folha de S.Paulo" de Claudio Abramo, fez série de reportagens que desmascararam o regime em seu afã de manter impunes seus apoiadores e serviçais. Já o caso Ana Lídia não pôde ter sido profundamente investigado por ter ocorrido na capital federal, cujo rigoroso controle foi exercido por militares da inteligência da Aeronáutica, conforme revelou em 11 de julho de 2012 a Jornalista Josie Jerônimo, do "Correio Braziliense", em matéria intitulada "militares no caso Ana Lídia".
Desaparecimento forçado de 'Lichita'
Em dezembro de 2020 a adolescente Carmen Elizabeth Oviedo Villalba, carinhosamente chamada de 'Lichita' pelos seus, foi vista pela última vez com vida no Paraguai, de onde a Família Villalba precisou sair para não ter o mesmo fim que duas outras crianças ainda menores -- Lilian Mariana e María Carmen, de 11 anos --, sequestradas e executadas em setembro do mesmo ano pelas Forças-Tarefa Conjuntas (integradas pelo exército do Paraguai) pelo simples fato de serem parentes de combatentes do Exército Popular do Paraguai, organização política que luta pela emancipação do proletariado naquele país, em que 2% da população detêm 90% das terras agricultáveis, em sua maioria empresas transnacionais, que as receberam de graça e são isentas de tributos.
Mario Abdo Benítez, então presidente do Paraguai, teria elogiado a operação que matou as duas crianças sob alegação de que elas eram também 'terroristas'. Onde essa besta humana destituída de mínima sensibilidade obteve a informação? Sob assessoria militar do Estado genocida que tomou a Palestina milenar, as duas crianças tiveram seus corpos crivados de balas e depois, já inertes, vestidos com uma farda para montar a encenação diante de uma imprensa covarde, que publica tudo sem questionar seus governantes.
A herança maldita da ditadura do tirano nazista de ascendência alemã que desgovernou o Paraguai entre 1954 e 1989, Alfredo Stroessner Matiauda, é trágica e perversa. Não só por 35 anos de opressão, censura, perseguição, tortura, eliminação e desaparecimento, mas pelo seu legado fascista. O Estado paraguaio até a presente data repete o modus operandi sórdido, que vai além da corrupção, entreguismo e tirania. A despeito de se proclamar um país democrático com ordem constitucional, a intolerância e o ódio às organizações populares que tentam promover conquistas sociais no campo e na cidade foram intensificados, isto é, aperfeiçoados com requintes de crueldade.
Graças à solidariedade das corajosas organizações populares argentinas, que chamaram para si a causa das presas políticas paraguaias Carmen e Laura Villalba e Francisca Andino, a Campanha Internacional de Solidariedade à Família Villalba / Andino não só visa assegurar um mínimo de dignidade às prisioneiras de consciência, submetidas a um calabouço comparável às condições desumanas dos campos de concentração dos palestinos pelos sionistas, mas a mobilização de organizações da sociedade civil em todo o mundo, sobretudo na América Latina, para que o Estado paraguaio sofra pressões de outras nações para conseguir sua libertação, bem como punição por sistemáticas violações de convenções internacionais de proteção de presos políticos e dos direitos humanos.
Corumbá também tem seus casos
Nem no tempo da ditadura houve tanta apatia da sociedade como em 2010, quando as meninas Lívia e Larissa desapareceram, cada uma em circunstâncias diferentes. Naquele ano, tanto Lívia Gonçalves Alves (de 11 anos, desaparecida quando deveria ir até a casa de uma tia, em 13 de junho, e desde então nunca mais vista, a despeito de diversos inquéritos policiais da Civil e da Federal durante anos, mas a hipótese mais provável é de que se trate de mais uma vítima da rede de exploração sexual que atua na fronteira) como Larissa (de 12 anos, de mãe brasileira e pai boliviano, precocemente explorada sexualmente tanto no Brasil como na Bolívia, atendida pelo programa de proteção de crianças e adolescentes local, com o acompanhamento da Defensoria da Infância da Bolívia, mas subitamente desaparecida e não mais encontrada).
Segundo a Jornalista Ivanise Andrade, que transformou os casos das desaparecidas em pesquisa acadêmica, apesar da existência de uma rede informal de proteção às vítimas desse crime com a participação de autoridades dos dois lados da fronteira, os entraves burocráticos acabam por dificultar maior eficiência dessa rede de voluntários. Embora a Polícia Federal disponha de mecanismos de cooperação com as autoridades policiais da Bolívia, segundo a matéria "Exploradas, meninas desaparecem na fronteira boliviana", publicada no "Correio do Estado" em 12 de setembro de 2010, há aspectos de caráter diplomático que atravancam uma atuação com maior efetividade. O fato é que, 15 anos depois, Lívia nem Larissa foram encontradas.
Na breve gestão do Professor Anísio Guilherme da Fonseca na presidência do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Corumbá, foi realizada intensa campanha para localizar a menina Lívia, mas em vez de apoio das autoridades locais, o que se viu foi vergonhosa campanha de deslegitimação dos membros da sociedade civil do CMDCA, a ponto de terem sido destituídos os conselheiros não governamentais e apeado o pioneiro Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário (FORUMCORLAD), do processo de composição independente e a devida comunicação ao Ministério Público desde 1994. A partir de então, os membros do pioneiro Observatório da Cidadania Dom José Alves da Costa mantêm uma campanha cuja consigna é "Cadê Lívia?", sem recursos públicos e ininterrupta.
Como o sábio provérbio chinês ensina, "ovo aberto por dentro é vida, ovo aberto por fora é comida". Cabe às camadas populares (o proletariado) a defesa da soberania e a conquista das transformações, sob pena de os títeres do império entregarem nossas riquezas e nossa dignidade aos abutres que vêm cobiçando nossos territórios. E fazemos questão de agradecer ao Comandante Robinson Farinazzo pelas generosas aulas de geopolítica e história no canal "Arte da Guerra". Torçamos para que militares com o seu perfil consigam reverter a tendência bizarra de seguidores do inominável na caserna e foquem na soberania brasileira antes que toda a América Latina vire nova colônia do nefasto império anglo-sionista.
Ahmad Schabib Hany
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