quinta-feira, 5 de setembro de 2024
sexta-feira, 30 de agosto de 2024
UFPantanal: desafios e fortalezas
UFPantanal:
desafios e fortalezas
O projeto de criação da
Universidade Federal do Pantanal na fronteira Brasil-Bolívia traz desafios e
fortalezas enormes. Cabe à sociedade civil e à sociedade científica transpor os
desafios e consolidar suas fortalezas, isto é, suas melhores características e
possibilidades.
Enganam-se os que esperam que entremos na onda das
fakenews e outras farsas próprias do chamado pós-modernismo e suas bizarrices,
como a mais recente, o tal ‘Diablo Quetal’, uma nova edição remasterizada do inominável,
indizível e, sobretudo, imprestável. Isso é fruto do parasitismo em que
vivemos, associado, obviamente, a um conjunto de absurdos de uma sociedade
decadente em que criminosos endinheirados servem de referência para as novas
gerações e os valores éticos foram transformados em algo inútil, descartável,
obsoleto. Na verdade, o ‘pragmatismo’ pós-moderno deu lugar ao cinismo fascista.
Vamos, portanto, continuar tratando da necessária
formação cidadã e profissional dos seres humanos, das pessoas, das novas
gerações, para não virarem reféns da precarização do trabalho, do subemprego,
do trabalho semelhante ao escravo, do crime organizado e, inclusive, dos
espertalhões que posam de ‘muito inteligentes’ por recorrer a ferramentas que
são perigosas armas de destruição em massa, como a inteligência artificial nas mãos
erradas.
Uma Universidade Federal no coração do Pantanal e
da América do Sul, quase seis décadas depois de concretizado o sonho dos
primeiros cursos universitários em Corumbá, por meio da criação, em 1967, do
Instituto Superior de Pedagogia (ISP), cuja primeira sede foi o imponente
prédio em estilo neoclássico do antigo Grupo Escolar Luiz de Albuquerque, onde
desde 1977, ano do bicentenário de fundação do município, funciona o ILA, isto
é, a atual Casa de Cultura Luiz de Albuquerque.
Entre as principais fortalezas de uma universidade
pública federal nesta fronteira com os dois países -- Bolívia e Paraguai -- que
com o Brasil partilham o rico e diverso Bioma Pantanal estão a autonomia e
gestão local, além da agilidade na efetivação de respostas às demandas
regionais e a interação com outras instituições de pesquisa e universidades
nacionais e latino-americanas envolvidas nos diferentes campos de pesquisa
nesta área do Planeta. Mais ainda: inovadora e inclusiva em sua concepção, essa
universidade terá a seu favor um conjunto de fatores que favorecerão o
desenvolvimento regional em consonância com os clamores de amplos setores da
população local e parâmetros científicos hodiernos.
Estarão presentes os desafios históricos como autonomia
administrativo-financeira, gestão local plena, fluidez de recursos financeiros,
participação dos diferentes segmentos da comunidade acadêmica nas decisões
relevantes e, sobretudo, constituição de equipes de pesquisa efetivas (não as
conhecidas euquipes que ao longo dos últimos anos prevaleceram em
detrimento da continuidade e perenidade de projetos interrompidos por causa da
contínua transitoriedade, intensa rotatividade, de docentes pesquisadores,
aprovados em concursos para trabalhar no Campus do Pantanal mas que migraram
para outros campi comprometendo a qualidade e o desempenho dos cursos e
atividades de pesquisa do mais antigo campus do interior do estado).
Não é de hoje a
justificativa, transformada em mantra, de que a localização e a falta de
condições materiais oferecidas em Corumbá contribuem para o compasso de espera
em que se encontra o atual CPAN/UFMS. Nas décadas de 1970 e 1980, quando a
precariedade e insuficiência de recursos eram muito maiores, o então Centro
Pedagógico da UEMT, depois Centro Universitário da UFMS, era de longe um centro
de referência na pesquisa e na oferta de cursos que atraíam estudantes tanto da
Bolívia como do Paraguai. Porque é o nível do curso oferecido e a qualidade das
pesquisas que servem de referência para a procura de uma universidade.
Com autonomia e gestão administrativo-financeira
plenas, não haverá risco de vermos as recorrentes ameaças de suspensão da
oferta de vagas em cursos como Letras
Inglês (cuja volta já foi assegurada para 2025) e Letras Espanhol e ver a avalanche de docentes lotados no campus
de Corumbá rumo à capital ou a outros campi em nome de uma suposta ‘otimização
de recursos humanos’. Ou termos que assistir à falta de pesquisas urgentes, exequíveis,
por pesquisadores locais, da realidade imediata deste riquíssimo Bioma em decorrência
das mudanças climáticas, quando, em parceria com as universidades que vêm
desenvolvendo pesquisas de interesse imediato, poderiam ser empreendidas ações
conjuntas, ainda que pontuais, de modo a preparar futuros grupos de pesquisa
com esse foco.
Registrado pela história
Em junho de 1984, quando
o então CEUC sediou o emblemático VII Seminário de Pesquisa e Extensão (SEPE)
comparado a uma ‘mini-SBPC’ pelo ex-coordenador do CNPq Célio Cunha -- um dos
participantes do rico evento científico --, Corumbá foi palco das articulações
que asseguraram mais tarde a oferta do curso de Jornalismo em Campo Grande.
Acontece que, nos bastidores daquele importante evento, acontecia a transição
consensual, depois da primeira gestão da UFMS, em que o saudoso Professor Jair
Madureira foi cacifado para ser o segundo reitor da universidade
recém-federalizada.
Evento que testemunhei
como enviado do jornal em que trabalhava na época, conheci o Professor Cláudio
Almeida da Conceição e sua pesquisa de aproveitamento do aguapé como fonte de
energia e importante despoluente das águas pantaneiras; a pesquisa ictiológica
pioneira do Professor Wilson Uieda, em que propiciava relevantes contribuições
para a ciência ao revelar o comportamento peculiar de espécies nativas de
peixes do Pantanal; as pioneiras pesquisas sobre jacaré, dos pesquisadores
Eliezer José Marques, Francisco Roberto dos Santos Breyer e Masao Uetanabaro, e
sobre a capivara, dos pesquisadores Francisco Breyer e Cleber Rodrigues Alho,
em que a parceria UFMS-Embrapa contribui sobremaneira para a transformação, em
novembro de 1984, da então UEPAE Corumbá em Centro de Pesquisas Agropecuárias
do Pantanal, hoje Embrapa Pantanal, tendo como carro-chefe os projetos de
aproveitamento econômico do jacaré, de Francisco Breyer, e da capivara, de
Cléber Alho, sob a chefia do pesquisador Araê Book e a coordenação técnica do
pesquisador Arnildo Pott.
Evidência desse
protagonismo em território corumbaense foi, também, a realização, em parceria
com a UFMS, do Primeiro Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do
Pantanal, realizado no fim de outubro e início de novembro de 1984, quando o
presidente da Embrapa e o ministro da Agricultura inauguraram o que hoje é
Embrapa Pantanal. O coordenador do evento, Pesquisador Eduardo Künze Bastos,
ictiólogo que depois se mudou para Brasília, contou com o apoio do Professor Arnaldo
Yoso Sakamoto, do CEUC/UFMS, para a organização e realização desse importante
conclave científico, de que participaram pesquisadores de diversas instituições
de pesquisa do Brasil, inclusive da UFMS.
Anos depois, durante a
gestão do Professor Celso Pierezan como reitor da UFMS, Masao Uetanabaro foi,
ao lado de Eliezer Marques, dos responsáveis pela implantação da base de
pesquisa do Pantanal, que coordenou por quase uma década. Esse importante
centro de estudos, na verdade, foi uma velha reivindicação dos pesquisadores
pioneiros do Centro Pedagógico, depois Centro Universitário de Corumbá.
Teimosia cidadã
Graças à teimosia cidadã do médico e Professor
Salomão Baruki, ex-vereador cujo partido, o PSD de Juscelino Kubitschek de
Oliveira, tinha sido proscrito ao lado do PTB de Leonel Brizola e de João Goulart.
Amigo do engenheiro Pedro Pedrossian, da coligação PSD-PTB que derrotara em
1965 o candidato da UDN ao governo de Mato Grosso apoiado pelo novo regime
instaurado em 1964, pecuarista Lúdio Martins Coelho, Salomão Baruki recorreu ao
cenário do emblemático desfile comemorativo de 1967 do centenário da Retomada
de Corumbá para fazer com que o governador Pedrossian anunciasse no palanque
das autoridades da solenidade da Retomada de Corumbá a criação do Instituto
Superior de Pedagogia como marco do início da oferta de ensino universitário em
Corumbá.
Então governador recém filiado à ARENA, Pedrossian
estava isolado por causa das pressões dos oriundos da UDN, que viam no governador
um traidor nas hostes do partido de sustentação do regime. Como sua vitória
sobre Lúdio havia sido assegurada no último bastião do trabalhismo getulista,
Corumbá, ele, Pedrossian precisava anunciar um conjunto de obras importantes,
entre elas o Instituto Superior de Pedagogia. Corumbá, no ano anterior, 1966,
tivera seu candidato favorito derrotado por meio de um estratagema questionado
no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, quando o médico Breno Medeiros
Guimarães, candidato da ARENA, ganhou por pequena diferença de votos o favorito
daquelas eleições -- o advogado e então deputado estadual Rômulo do Amaral,
eleito pelo PSP de Adhemar de Barros e que se filiara ao MDB --, graças à urna
da área rural, do Leque, região da Nhecolândia, em que não apareceu um voto
sequer, nem do representante do MDB, ao candidato oposicionista.
Sob a responsabilidade do líder do governo na
Assembleia Legislativa, o deputado José Ferreira de Freitas, foi constituída
uma comissão responsável pelos estudos e preparação do projeto de criação e
funcionamento do futuro instituto, a qual foi integrada pelos médicos Lécio
Gomes de Souza, Cleto Leite de Barros e Salomão Baruki, pela Professora Edy
Assis de Barros e pelo engenheiro civil Luiz Pedro Ametlla (titulares), que
escolheram o Professor Salomão seu primeiro presidente e mais tarde diretor. Em
tempo recorde, a 13 de novembro de 1967, era publicado o decreto que criava o
Instituto Superior de Pedagogia, que no ano seguinte começou a funcionar com
cinco primeiros cursos: História, Letras, Pedagogia, Psicologia e Ciências (depois
Ciências Biológicas e Matemática).
Ahmad
Schabib Hany
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
PSICÓLOGOS HOMENAGEIAM TÂNIA NOZIERES DE SANT'ANNA E DOCENTES PIONEIROS
Psicólogos
homenageiam Tânia Nozieres de Sant’Anna e docentes pioneiros
Psicólogos homenageiam Tânia de
Sant’Anna e docentes pioneiros de Psicologia do CPAN, como os Professores Mathilde
Mônaco e Wilson de Melo.
“Tânia, Presente!”
Após a fala embargada pela emoção do Psicólogo
Aguinaldo Rodrigues, a Psicóloga Suzete dos Santos entoou como reverência à
memória de sua Colega e Amiga, “Tânia, Presente!”, seguido dos aplausos de
homenagem à Cidadã à frente de seu tempo que dedicou seus melhores dias à Saúde
Pública e aos Direitos da Mulher, da Criança e do Adolescente. Uma brilhante
ladarense que entra para a História da Cidadania, da Ciência e das conquistas
sociais com a maior dignidade, como viveu intensamente sua existência de luz,
humildade e humanidade.
Psicólogo aposentado e ex-secretário de Saúde e de
Assistência Social de Ladário, Juvenal Ávila de Oliveira tomou a iniciativa de
realizar confraternização com colegas de Ladário e Corumbá que desenvolvem
atividades na Pérola do Pantanal para homenagear a querida e agora saudosa
Psicóloga Tânia Nozieres de Sant’Anna. Ladarense, Tânia dedicou sua Vida a
Ladário, mas desenvolveu suas atividades em Corumbá, como funcionária
concursada da Secretaria Municipal de Saúde. Ela foi além em sua preocupação
com a saúde: foi pioneira, também, na efetivação das políticas de proteção
integral da população infanto-juvenil, tanto que foi a primeira psicóloga a
desenvolver uma ação integrada entre o Ministério Público e os novos órgãos
criados para dar proteção jurídico-social às crianças e jovens, sobretudo em
Ladário.
Em mais de 35 anos de vigência do Título da Ordem
Social da Constituição Federal de 1988 (em que, artigo por artigo, foi
paulatinamente pondo em efetivação, sempre com a voz meiga, doce e ponderada,
mas firme), Tânia de Sant’Anna
fez de seu ofício sagrado da Psicologia um instrumento de empoderamento e
protagonismo cidadão da população como um todo, sempre invisibilizada, sem voz
e sem vez. Emprestou generosa e anonimamente sua inteligência, sua voz e sua
capacidade de persuasão para que, fosse corumbaense ou ladarense, paraguaio ou
boliviano, criança ou idoso, mulher ou homem, homossexual ou bissexual, tivesse
seu direito assegurado, tal como determina a Constituição Federal, de cuja
íntegra se tornou porta-voz e operadora de direitos.
O evento, realizado neste sábado chuvoso, 24 de
agosto, também homenageou docentes pioneiros do curso de Psicologia oferecido
pelo CPAN-UFMS, como a Professora Mathilde Mônaco Ferra e o Professor Wilson Ferreira
de Melo, que dedicaram sua Vida à docência e à pesquisa desde a década de 1970. Ambos aposentados, são
referência viva na formação de profissionais que atuam no atendimento
terapêutico nestes tempos de pandemia na saúde mental de pessoas das mais
diferentes condições sociais, escolaridade, gênero, atividade profissional e
idade. Muitos profissionais têm se dedicado a efetivar as políticas sociais,
como Saúde, Assistência Social, Educação, Cultura, Desportos, Proteção
jurídico-social da população infanto-juvenil, Direitos Humanos, Direitos do
Idoso, Direitos das Pessoas com Deficiência, enfrentamento à exclusão social e
assistência à população em situação de vulnerabilidade social, entre outras.
Mais que uma
confraternização pelos 62 anos da profissão de psicólogo por lei federal no
Brasil e de 57 anos do curso de Psicologia oferecido pelo CPAN-UFMS, a
iniciativa pretende dar início a um processo de atualização profissional, em
que as intervenções sociais não percam o foco do exercício profissional. Para
se ter uma ideia, todas as políticas públicas assim caracterizadas pela
Constituição Federal de 1988 -- seja na concepção do SUS pelo Movimento da
Reforma Sanitária ou na adoção da doutrina da proteção integral pelo Movimento
Criança Constituinte Prioridade Absoluta e o Estatuto da Criança e do Adolescente,
que revogou o Código de Menores e sua doutrina da situação irregular --, o
Conselho Federal de Psicologia e todos os Conselhos Regionais tiveram
protagonismo inegável que precisa ser resgatado pelas novas gerações de
profissionais.
Primeiro de uma série
Apesar da chuvosa tarde
de sábado, que atrasou em pouco mais de uma hora primeiro evento meticulosamente
preparado pelo Psicólogo Juvenal Ávila de Oliveira, com o apoio incondicional
de colegas de novas gerações, a iniciativa pretende consolidar a organização
coletiva de uma das categorias mais atuantes na região de Corumbá e de Ladário.
Além das homenagens à saudosa colega Tânia de Sant’Anna e aos docentes
pioneiros Professora Mathilde Mônaco e Professor Wilson de Melo, o reconhecimento
pelo exercício digno da profissão em suas diferentes especificidades foi
contemplado a mais de duas dezenas de colegas de diferentes gerações.
Em tom cordial e
bastante descontraído, Juvenal Ávila, como anfitrião e responsável pela iniciativa,
de imediato apoiada pela totalidade dos colegas alvo do evento, conduziu as
diferentes etapas do importante momento em que, entre a emoção de uma homenagem
justa à colega eternizada e a outra colega que se encontra na fila do
transplante fora de Ladário, e o entusiástico reencontro de colegas que não se
viam desde antes da pandemia, momentos de convívio fecundo e trocas de
experiências e ideias para novas iniciativas do gênero foram consignadas.
A categoria já tem uma
agenda de atividades para o próximo ano, em que os psicólogos terão
oportunidade de realizar atualização em diversas áreas por meio de seminários e
ciclos de palestras com pesquisadores de referência nacional. Especialidades
voltadas para a saúde mental e as demandas hodiernas, como o enfrentamento ao
suicídio e o apoio psicológico na oncologia e na violência contra as mulheres e
crianças e adolescentes, estão entre as prioritárias, mas o leque de atividades
pretende focar também as questões de interesse laboral, que nos últimos anos
ficaram defasados.
Uma categoria de
vanguarda e sempre atuante, teve diante de si as lutas desde a implantação do
primeiro curso no então estado de Mato Grosso com o saudoso médico e Professor
Salomão Baruki, fundador do Instituto Superior de Pedagogia de Corumbá no ano
do centenário da Retomada de Corumbá, 1967 (antes, portanto, da criação da
Universidade Estadual de Mato Grosso, UEMT, à qual, como Centro Pedagógico de
Corumbá, CPC, ficou vinculado até 1979, que com a federalização dessa
universidade foi criada como fundação a Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul, UFMS, da qual primeiro o Centro Universitário de Corumbá, CEUC, e depois
CPAN, no início dos anos 2000,
terminou designado).
Hoje o desafio para toda a cidadania corumbaense e
ladarense se encontra na criação de uma universidade federal, autônoma,
inovadora e inclusiva, com sede nesta fronteira histórica, como pretende ser a
Universidade Federal do Pantanal. Nesse sentido, coube a nós inserirmos essa
demanda justa e oportuna na agenda dos profissionais universitários de Corumbá
e Ladário cuja formação decorre da iniciativa de cidadãos que, em 1967, ousaram
pleitear e concretizar junto ao governador mato-grossense Pedro Pedrossian,
cuja vitória na última eleição direta realizada no regime de 1964 foi
assegurada pelo eleitorado de Corumbá e Ladário.
Ahmad Schabib Hany
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
UFPANTANAL em ação. Professores Lúcia e Valmir Corrêa lançam livro sobre produção de charque e tanino. Psicólogos homenageiam Tânia de Sant’Anna e docentes pioneiros
UFPANTANAL
em ação. Professores Lúcia e Valmir Corrêa lançam livro sobre produção de charque e tanino.
Psicólogos homenageiam Tânia de Sant’Anna e docentes pioneiros
A UFPANTANAL nasce à luz dos
pioneiros do ISPC, CPC, CEUC e CPAN e do binômio inovação e inclusão. Professores
Lúcia e Valmir Corrêa lançam livro sobre produção de charque e tanino no sul de
Mato Grosso. Psicólogos homenageiam Tânia de Sant’Anna e docentes pioneiros de
Psicologia do CPAN, como os Professores Mathilde Mônaco e Wilson de Melo.
UFPANTANAL à luz dos pioneiros e da inovação
Desde a entrega da carta ao Presidente Lula, em 31
de julho, a campanha pró-criação da UFPANTANAL vem definindo propostas e formas
de mobilização, mas com o cuidado de não se envolver na campanha eleitoral, bem
como com o processo sucessório do CPAN e da UFMS, em curso.
Embora os integrantes do Grupo Pró-Criação da
UFPANTANAL entendam que todo ato que se pratica no contexto da sociedade seja
político, esclarecem a população pantaneira e, sobretudo, a comunidade
universitária que não há entre os signatários do manifesto inicial qualquer
motivação político-eleitoral, tanto no renhido processo de escolha do futuro
reitor da UFMS quanto do futuro diretor do CPAN, em decorrência da renúncia ao
cargo pelo atual diretor, Professor Aguinaldo Silva, desde 2016 à frente dos destinos do
mais antigo campus do interior.
As ações da campanha pela criação da UFPANTANAL
seguem em ritmo célere, tendo sido bem aceitas as propostas, cujo binômio
inovação e inclusão leva em conta toda a trajetória dos pioneiros do Instituto
Superior de Pedagogia de Corumbá (ISPC); do Centro Pedagógico de Corumbá, vinculado à Universidade Estadual
de Mato Grosso (CPC/UEMT); do Centro Universitário de Corumbá, vinculado à
então recém-criada Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CEUC/UFMS), mais
tarde Campus do Pantanal (CPAN/UFMS).
Valorizando e
respeitando todo o legado do CPAN/UFMS, cuja trajetória merecerá banco de
memória dos pioneiros e dos trabalhos produzidos durante mais de 57 anos,
incluindo as instituições anteriores mencionadas, a UFPantanal pretende ser um
projeto inovador, como centro de excelência em estudos do Pantanal nas diversas
áreas do conhecimento, em consonância com os novos conceitos de universidades
criadas no século XXI, em que pesquisas e formações serão oferecidos com
flexibilidade, sem perder de vista a formação humanista e científica dos alunos.
Inclusiva, a UFPANTANAL
terá plena autonomia, voltada às demandas da população, sem perder de vista a formação
de excelência, de modo que seus egressos possam optar onde desenvolver as
atividades profissionais. Assim, a população local/regional terá prioridade, em
razão da necessidade de promover o desenvolvimento regional de modo inclusivo e
sustentável. Até porque a redução das desigualdades regionais voltou a ser
prioridade do governo federal, papel a ser exercido também pela UFPANTANAL,
como centro gerador de conhecimento e de transformação da realidade de Corumbá,
Ladário e o Pantanal.
Professores Lúcia e Valmir Corrêa lançam livro sobre
produção de charque e tanino
Nesta
sexta-feira, 23 de agosto, o Instituto Cultural Gilberto Luiz Alves e a Editora
Maria Petrona, por plataforma digital, lançaram o livro A produção de
charque e de tanino no sul de Mato Grosso: cenários e dilemas, coautoria
dos Professores Valmir Batista Corrêa e Lúcia Salsa Corrêa. O livro, o segundo
da coleção dos bibliófilos do Instituto Cultural Gilberto Luiz Alves, traz o
cerne de uma produção histórica elucidativa, sem maniqueísmo, em que o leitor é
convidado a compreender uma realidade mistificada pelo senso comum, por isso desafiadora,
instigante.
Assim como o patrono
do instituto, Professor Gilberto Luiz Alves, o casal de pesquisadores é
referência na História Regional, tendo sido, durante décadas, dos primeiros
docentes do Centro Pedagógico de Corumbá (CPC),
da Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT),
depois Centro Universitário de Corumbá (CEUC),
vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) -- posteriormente Campus do Pantanal
(CPAN/UFMS) --, tendo se aposentado há cerca de quinze anos na capital, para
onde se mudaram em fins da década de 1990.
Pioneiros na
sistematização da pesquisa da História Regional em Mato Grosso e Mato Grosso do
Sul, os historiadores Valmir e Lúcia apresentam, neste livro, a essência do
estudo a que se dedicaram por mais de meio século, para desvendar, preservar e
divulgar, sobretudo, suas fontes documentais e a necessária análise com base em
uma perspectiva crítica à luz da História Universal.
Compreender o
passado mediante matriz teórica que parte da evolução do capital e da
penetração de relações capitalistas em determinado tempo e território para
interpretar fontes e fatos permitiu-lhes construir uma síntese explicativa das
formas de ocupação do sul mato-grossense e da criação da unidade da federação
de cuja gênese testemunharam, Mato Grosso do Sul.
Evento feito
por plataforma digital, o lançamento se transformou em celebração tomada de
muita emoção e simbolismo, pois o Professor Valmir Corrêa em maio deste ano
sofreu um infarto agudo do miocárdio, mas sua recuperação foi rápida e bem
sucedida, não tendo quaisquer sequelas dessa intercorrência que assustou os
amigos e causou o adiamento do lançamento deste livro. Vida longa e muita saúde
aos Amigos pesquisadores, e que venham muitas publicações de obras emblemáticas
que permanecem no prelo.
Tânia Nozieres
homenageada pelos colegas
Psicólogo aposentado e ex-secretário de Saúde e de
Assistência Social de Ladário, Juvenal Ávila de Oliveira tomou a iniciativa de
realizar confraternização com colegas de Ladário e Corumbá que desenvolvem
atividades na Pérola do Pantanal para homenagear a querida e agora saudosa
Psicóloga Tânia Nozieres de Sant’Anna. Ladarense, Tânia dedicou sua Vida a
Ladário, mas desenvolveu suas atividades em Corumbá, como funcionária
concursada da Secretaria Municipal de Saúde. Ela foi além em sua preocupação
com a saúde: foi pioneira, também, na efetivação das políticas de proteção
integral da população infanto-juvenil, tanto que foi a primeira psicóloga a
desenvolver uma ação integrada entre o Ministério Público e os novos órgãos
criados para dar proteção jurídico-social às crianças e jovens, sobretudo em
Ladário.
Em mais de 35 anos de vigência do Título da Ordem
Social da Constituição Federal de 1988 (em que, artigo por artigo, foi
paulatinamente pondo em efetivação, sempre com a voz meiga, doce e ponderada,
mas firme), Tânia de Sant’Anna
fez de seu ofício sagrado da Psicologia um instrumento de empoderamento e
protagonismo cidadão da população como um todo, sempre invisibilizada, sem voz
e sem vez. Emprestou generosa e anonimamente sua inteligência, sua voz e sua
capacidade de persuasão para que, fosse corumbaense ou ladarense, paraguaio ou
boliviano, criança ou idoso, mulher ou homem, homossexual ou bissexual, tivesse
seu direito assegurado, tal como determina a Constituição Federal, de cuja
íntegra se tornou porta-voz e operadora de direitos.
O evento, realizado neste sábado, 24 de agosto,
também reuniu docentes pioneiros do curso de Psicologia oferecido pelo
CPAN/UFMS, como a Professora Magali Mônaco Ferra e o Professor Wilson Ferreira
de Mello, que dedicaram sua Vida à docência e à pesquisa desde o início da
década de 1970. Ambos
aposentados, são referência viva na formação de profissionais que atuam no
atendimento terapêutico nestes tempos de pandemia na saúde mental de pessoas
das mais diferentes condições sociais, escolaridade, gênero, atividade profissional
e idade. Muitos profissionais têm se dedicado a efetivar as políticas sociais,
como Saúde, Assistência Social, Educação, Cultura, Desportos, Proteção
jurídico-social da população infanto-juvenil, Direitos Humanos, Direitos do
Idoso, Direitos das Pessoas com Deficiência, enfrentamento à exclusão social e
assistência à população em situação de vulnerabilidade social, entre outras.
Mais que mera
confraternização pelo transcurso de mais um ano do reconhecimento por lei
federal da profissão de psicólogo, a iniciativa pretende dar início a um
processo de atualização profissional, em que as intervenções sociais não percam
o foco do exercício profissional. Para se ter uma ideia, todas as políticas
públicas assim caracterizadas pela Constituição Federal de 1988 -- seja na
concepção do SUS pelo Movimento da Reforma Sanitária ou na adoção da doutrina
da proteção integral pelo Movimento Criança Constituinte Prioridade Absoluta e
o Estatuto da Criança e do Adolescente, que revogou o Código de Menores e sua
doutrina da situação irregular --, o Conselho Federal de Psicologia e todos os
Conselhos Regionais tiveram protagonismo inegável que precisa ser resgatado
pelas novas gerações de profissionais.
Ahmad
Schabib Hany
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
UFPantanal, Dona Aurélia Gomes Novais e Dr. Alan Pithan
UFPantanal, Dona Aurélia Gomes Novais e Dr.
Alan Pithan
Na
terceira semana de campanha pela criação da UFPantanal, a aceitação vem
surpreendendo o Grupo Pró-Criação. Dona Aurélia Gomes Novais, festeira de Nossa
Senhora de Caacupê, se eterniza: quem dará continuidade às festividades de mais
de quatro décadas? Primeiro presidente do Sindicato dos Médicos de MS, Doutor
Alan Pithan deixa lições e saudades.
UFPantanal: antes
sonho, hoje necessidade
Além do manifesto
de lançamento da campanha pela criação da Universidade Federal do Pantanal,
entregue ao Presidente Lula em sua mais recente estada em Corumbá, o Grupo
Pró-Criação da UFPantanal, nesta terceira semana, disponibilizou pequena
quantidade de adesivos, cartazes e ‘praguinhas’ para massificar a mobilização.
A aceitação pelos mais diferentes segmentos sociais de Corumbá, Ladário e
fronteira boliviana surpreendeu os integrantes da coordenação da campanha.
Entre os fatores
para a receptividade, sem dúvida, estão a letargia do desenvolvimento local e as
mudanças climáticas, refletidas em tragédias como os incêndios que devastam as
várias formas de vida no Pantanal, as ameaças que representam para o
desenvolvimento regional e, sobretudo, o estímulo a novas estratégias de
progresso com base na ciência, tecnologia e inovação de modo interdisciplinar e
inclusivo, também do ponto de vista da integração com a população boliviana e
paraguaia no contexto do Bioma Pantanal.
Por outro lado, o
agendamento de reuniões presenciais e online visa preparar um longo e
efetivo processo de participação de pesquisadores e docentes universitários,
bem como de professores secundários e do ensino fundamental, profissionais
universitários, líderes comunitários dos mais diferentes setores da população
do Pantanal e de representantes empresariais, dirigentes sindicais de
trabalhadores, populações tradicionais e originárias e autoridades e
parlamentares de todas as esferas administrativas.
Como salienta o
documento entregue ao chefe do Executivo federal, se antes a criação da
Universidade Federal do Pantanal era um sonho, hoje se trata de uma necessidade
para o desenvolvimento regional do coração do Pantanal, no contexto das
mudanças climáticas e da transição energética. Portanto, a mobilização da população
é fundamental para que a UFPantanal se concretize e alavanque nova realidade
local, regional e subcontinental num momento crítico da história da humanidade.
Dona Aurélia, na memória e no coração
A partir deste 8
de dezembro não haverá a benfazeja atuação, com generosidade e muito
entusiasmo, de Dona Aurélia Gomes Novais, eternizada no último domingo, dia dos
pais. Durante mais de quatro décadas, com afinco e devoção, foi a festeira que
consolidou em Campo Grande a celebração ao dia da Padroeira do Paraguai, Nossa
Senhora de Caacupê, ou Virgen de Caacupé. No Parque dos Ipês, onde ela
morou desde sua chegada à Cidade Morena, ela não só construiu uma réplica da
gruta, como depois, com o envolvimento dos diferentes sacerdotes que se
sucederam, transformou a modesta devoção em emblemática manifestação popular de
fé e acalanto religioso.
Aos 84 anos, Dona
Aurélia, nascida em Concepción, Paraguai, se tornou saudade, imensa saudade.
Foi acompanhar o Filho que, num acidente de trânsito, ainda jovem Pai, deixou o
convívio da Família, bastante unida e sob seu bastão de matriarca atenta e
generosa. Um pouco mais velha que Dona Carmen Gomes Galeano, a querida Avó de
meus Filhos, igualmente generosa e entusiasta, a incansável festeira de Caacupê
era uma Irmã presente e afirmativa. Em 2005, quando tive a honra de conhecê-la
(portanto, quase há 20 anos), foi
protagonista de um documentário da TV UCDB sobre a fé e religiosidade popular,
por conta de uma pesquisa das Professoras Maria Augusta de Castilho e Cleonice
Alexandre Le Bourlegat, do Mestrado em Desenvolvimento Local.
Que a alegria e
generosidade de Dona Aurélia se multiplique entre os seus descendentes e seu
legado de caridade e devoção irradie muita luz sobre as novas gerações,
privadas da grandeza de alma dos que se proclamam arautos de uma fé bizarra e mesquinha,
distantes do milenar ensinamento do Cristo humilde e libertador que tão
necessário se faz nestes tempos insólitos e adversos. Obrigado, Dona Aurélia,
por ter existido, sempre na memória!
Doutor Alan Pithan,
Presente!
Primeiro
presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, na primeira metade
da década de 1980, Alan da Rosa Pithan honrou o juramento de
Hipócrates e fez de seu ofício de médico, à luz dos valores humanistas com que
se formou, um exemplar proceder para levar bem-estar e cidadania aos usuários do
Sistema Único de Saúde (SUS), de cuja implantação é dos protagonistas ao longo
da incessante luta, por décadas, do Movimento da Reforma Sanitária.
Desde jovem Alan Pithan foi incansável artífice da democratização da
medicina no País, como também ousou, com coragem incomum, participar do
enfrentamento ao regime de 1964, ao arbítrio e à falta de liberdades
democráticas. Sua sólida formação humanista o credenciou a uma trajetória
fecunda e inovadora não só como profissional da medicina, mas, sobretudo, como
cidadão gigante e honrado na construção de uma sociedade melhor. Tamanho o seu
engajamento em defesa do SUS, ele atuava com desenvoltura singular no Fórum dos
Usuários do SUS de Mato Grosso do Sul (FUSUS/MS), ao lado de sua colega Luísa
Amélia Corrêa da Costa, em meados da década de 1990 e a primeira década deste século.
Humilde, generoso e bastante espontâneo, o Doutor Alan Pithan abriu as
portas de sua casa para acolher defensores do SUS num tempo em que o
funcionamento do lócus, isto é, do conselho de saúde, tinha que ser monitorado
pelo Ministério Público, pois os gestores municipais não aceitavam o controle
social e viviam assediando os membros dos conselhos em todo o País. Tive a
honra de conviver bem de perto com ele e sua querida Companheira, Mabel,
durante o período em que o FUSUS/MS foi reestruturado com base na experiência
pioneira protagonizada pelo Fórum de Corumbá e Ladário (FORUMCORLAD) e, assim,
as eleições para a sua composição periódica abriram a participação a todos os
representantes de entidades de defesa de direitos de todo o estado, sobretudo
do interior. Até sempre, querido Amigo-Irmão-Companheiro-Camarada Alan!
Ahmad Schabib Hany
quinta-feira, 8 de agosto de 2024
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PANTANAL, LUTA DE TODOS
Universidade Federal do Pantanal, luta de todos
Neste momento de falta de
perspectivas no contexto local, é fundamental que a cidadania saia da letargia
e se some a uma luta de todos: trinta anos depois de o Pacto Pela Cidadania
levantar bandeiras comuns, a UFPantanal se consolida como uma efetiva bandeira
de unificação das legítimas aspirações do povo da região.
Uma semana depois da divulgação da carta aberta
para o Presidente Lula, as boas repercussões se espalham por todo o Brasil e
até em países em que há brasileiros fazendo ciência. Não são poucos os que
entenderam que não se trata de ‘mais do mesmo’, mas que a acalentada
Universidade Federal do Pantanal chega no momento em que urgem ações
preventivas, atitudes proativas, medidas efetivas e, sobretudo, instituições focadas
e comprometidas com as necessárias demandas que a realidade clama.
Quem tiver lido a carta ao Presidente Lula com
bastante atenção notou que não se trata de devaneio e muito menos de ‘bairrismo’.
Ao contrário, uma legítima reivindicação em favor dos jovens que se vêm
obrigados a uma diáspora cíclica, decorrente da eloquente falta de perspectivas
para toda a população, sobretudo as novas gerações. Corumbá, bem como Ladário e
toda a região desta fronteira com a Bolívia, tem sentido profundamente a
necessidade de um efetivo desenvolvimento em consonância com a sua vocação
natural e histórica.
A população não mais acredita em panaceias, em
megaprojetos milagreiros, que só servem para eleger as velhas raposas que,
posando de paladinos do progresso, auferem privilégios e poder sem que a
população consiga melhorar suas condições de vida, sem que o paraíso que é a
região possa oferecer qualidade de vida a uma população que vive a migrar como
retirantes nordestinos no século XX. Assim como a Vida, a História não dá
marcha a ré: é com a ciência, o estudo, o investimento na maior riqueza que
temos -- os seres vivos, em especial os seres humanos -- que o desenvolvimento
que tanto acalentamos por décadas a fio transforme nosso cotidiano hoje
profundamente adverso e até ameaçador.
As novas universidades criadas nos diferentes
governos do Presidente Lula têm trazido as inovações mais contemporâneas, tanto
do ponto de vista institucional como acadêmico. De um lado, abertas e
inclusivas para receber os jovens das mais diferentes classes e condições
sociais, e de outro, interagindo com as populações dos países irmãos, em que a
elevação das condições de vida representa aumento das oportunidades para os
nacionais. No entanto, um item a mais representa um atributo maior: com um
horizonte aberto mais para a contemporaneidade oferecida pelas transformações
científicas e tecnológicas, as novas universidades criadas mais recentemente
voltam-se para os desafios apresentados pelas adversidades naturais e
históricas, como as mudanças climáticas e a redução das desigualdades regionais
e hemisféricas.
Esse é, em poucas palavras, o eixo central da
demanda atual pela Universidade Federal do Pantanal. Uma usina formadora de
novos profissionais em que valores civilizatórios são associados à qualificação
profissional e aos imperativos históricos que ‘afrontam’ aqueles que não gostam
de sair de sua zona de conforto. Dez anos atrás a realidade era outra, em que a
ortodoxia de uma realidade impávida permitia a mesmice sem cobrar ousadias.
Hoje não é mais possível se postular uma universidade pública que não dialogue
com a realidade imediata e as suas demandas latentes. Mais que retórica,
trata-se de um desafio sincero.
Por que Universidade? Porque um campus -- ou
centro, como já foi no passado -- não tem a autonomia necessária e os recursos
devidos para a definição de cursos e prioridades que uma universidade tem,
sobretudo quando conectada à realidade em que estamos inseridos desde sempre, o
Pantanal, que não é problema, é solução. Como universidade, reunirá condições
de oferecer alternativas de desenvolvimento, bem como propostas racionais de
mitigação e até de solução para os problemas que têm causado prejuízo a todos,
desde a incidência de incêndios cada vez maiores até a estagnação econômica que
empobrece as famílias corumbaenses, ladarenses, pantaneiras e bolivianas.
Por que Federal? Além de dispor de um status
qualificado, por conta da legislação nacional e da infraestrutura mínima
oferecida, essa condição permitirá não só aos estudantes e docentes, mas a toda
a população, um conjunto de oportunidades conquistadas pelas regiões como usina
geradora de transformações e formadora de cidadãos de qualificados e conectados
com a sua própria realidade. Nesse sentido, a proposta de Espaço Comum de
Educação, nas regiões de fronteira, serve para integrar e promover as
populações que estão nos limites territoriais dos países vizinhos.
Por que do Pantanal? Em nome do Pantanal, muitas
unidades da federação conseguem granjear recursos das mais diferentes
instituições transnacionais e multilaterais. Quando esses recursos chegam, se é
que chegam, são diminutos e em conta-gotas, sujeitos a todo o mecanismo
institucional que caracteriza a burocracia existente. Com uma Universidade
Federal do Pantanal com sede no maior município pantaneiro e com todas as
prerrogativas proporcionadas pela autonomia universitária, a instalação não só
gerará empregos diretos como inúmeros empregos e oportunidades de trabalho
indiretos, além da qualificação profissional decorrente dessa nova
universidade.
Aos poucos, iremos trazendo, ponto por ponto, as
questões que suscitam as discussões da mais nova demanda não apenas por nova
instituição, mas por desenvolvimento integrado e por novas oportunidades para
os jovens, perspectivas para as populações das regiões de fronteira inseridas
em um Bioma cuja existência se encontra no limiar da exaustão, ou até da
extinção, conforme a perspectiva de quem assiste ao dramático momento da história
em que a polarização não é apenas ideológica, mas irrefutavelmente total, até
climática.
Hoje a cidadania desperta de uma
letargia de uma década, como há trinta anos Corumbá protagonizou a gênese de
uma iniciativa pioneira e vitoriosa, o Pacto Pela Cidadania, sob a condução do
saudoso e querido Dom José Alves da Costa, Bispo Emérito de Corumbá, ao lado de
Cidadãos e Cidadãs com letras maiúsculas, como Padre Pasquale Forin, Padre
Ernesto Saksida, Padre Emílio Mena, Irmã Beatriz de Barros, Pastor Antônio
Ribeiro, Pastor Cosmo Gomes de Souza, Senhor Jorge Katurchi, Senhor Mahmud
Abdallah, Senhor Zózimo de Paula, Senhor Ariodê Martins Navarro, Senhor José
Batista de Pontes, Doutora Angélica Anache, Professora Maria de Paula e Professora
Heloísa Urt, de saudosa memória.
Como toda causa grande e justa, esta luta não tem ‘donos’.
Sabemos quando ela se inicia e também que ela só se encerra quando tiver
conquistado seu objetivo. Ao trabalho!
Ahmad
Schabib Hany