LULA TETRA, GLOBO TRETA
Ainda bem que não dei audiência à 'vênus platinada' (minúsculas, como a oligarquia proprietária da concessão pública conseguida na ditadura). Assisti a essa vergonha por meio de um canal alternativo que disponibilizou um narrador competente em tempo real e, assim, quase 250 mil pessoas que abominam a rede golpista puderam acompanhar aquela vergonha de tribunal inquisitorial contra o Presidente Lula, a quem dou nota 100 com louvor pelo equilíbrio, sensatez e inteligência!
Parabéns, rede Lobo! Vocês caminham a passos largos para o mesmo fim da Fechol (aquela editora que traiu sua história para virar gráfica de panfletos apócrifos e criar ídolos de barro, cuja oligarquia vendeu seu patrimônio e dívidas por apenas 100 mil reais durante o governo de Michel Temer, em 2018, e hoje mora nos Estados Unidos como reles imigrantes latinos). Os merdinho insistem em dar as costas à realidade: o clã Bolsonaro jurou cassar -- ou não renovar -- a concessão da 'vênus platinada'... Não se esqueçam disso.
Lula Tetra, Globo treta! Assim definiu uma espectadora, como eu, do canal alternativo sobre mais esta tentativa de manipulação pelas oligarquias midiáticas, que se pretendem donas legítimas dos destinos do Brasil (principais responsáveis pelo golpe empresário-parlamentar de 2016 e de todo o lavajatismo de triste memória).
Sem surpresas o vergonhoso script. Não surpreendeu a farsa mais uma vez montada para prejudicar Lula em sua histórica caminhada pela Soberania e pelo Estado de Direito. Porque não se trata de 'direita versus esquerda': trata-se de defesa da integridade territorial e cultural do Brasil ante a ingerência do império por causa das riquezas, a começar pelas terras raras, minerais críticos, pré-sal, Aquífero Guarani, Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Chaco, mas, sobretudo, pelo povo brasileiro, sua maior riqueza.
Eles, que se dizem 'profissionais do jornalismo' -- para mim, 'jornalixo' --, fazem questão de ostentar currículos e contracheques invejáveis, mas poderiam ser chamados de 'bocas de aluguel', ou mercenários eleitorais de luxo. Tinham ante si o estadista que ligou, um dia antes da entrevista, a Donald Trump e que até o dia 31 de agosto haverá uma nova decisão pelo governo estadunidense sobre as tarifas punitivas que encarecem os produtos da pauta de exportação do Brasil, incentivadas pelo candidato fantoche e seu irmão fugitivo.
Renata Vasconcelos e César Tralli pareciam ventríloquos de Fátima Bernardes e William Bonner nas entrevistas dos candidatos petistas em 2006, 2010 e 2014. Todas as primeiras perguntas-sentença -- carregadas de juízo de valor, hipocrisia pura -- tiveram relação com Fábio Luiz, filho de Lula, cujos vazamentos seletivos representam uma reedição da metodologia da Lava Jato, desta vez pelo gabinete do ministro terrivelmente evangélico que acumula a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, cujo presidente é seu colega também nomeado pelo inominável (daí uma ameaça à lisura do processo).
Além de responder resumidamente às repetidas perguntas, Lula bem que tentou expor seu programa, as conquistas de seu governo ou, ao menos, a sua sólida compreensão de governança (afinal, está provado que é o mais experiente dos candidatos a presidente desta campanha e um dos maiores estadistas da história do Brasil desde a proclamação da República). Foi atropelado, deselegante e vergonhosamente, o tempo todo por Renata Vasconcelos e César Tralli. Duvido que façam isso com o filho do capetão.
A certa altura, Lula precisou lembrar que estava em entrevista de candidato a presidente da República, não em oitiva do Ministério Público. Trouxe à tona que a imprensa escolheu transformar em heróis os ativistas da Lava Jato (fantoches do Departamento de Justiça da Casa Branca) quando os jornalistas sabiam não haver provas contra ele ou algum membro de sua família nos derradeiros dias de Dona Marisa Letícia, que se eternizou sob um inferno astral indescritível. Mas trazer à baila o caso do 'powerpoint' foi jogada digna de mestre, o que ganhou uma resposta de Renata Vasconcelos em nome da Globo, lembrando o reconhecimento da má-fé por esses oligarcas travestidos de... 'jornaleiros', com todo o respeito à categoria dos dignos trabalhadores, já em extinção.
Quem acompanhou as entrevistas dos demais candidatos sabe muito bem que o tratamento recebido pelos anteriores -- e, tenham certeza, o seguinte a Lula, o 'Zero-Hum' também -- segue o padrão, com respeito e urbanidade. Mas a 'delicadeza' dispensada a Lula é outra história, e vem dos tempos do patriarca da oligarquia merdinho (minúscula, como esgoto), aquele que usava pó-de-arroz para esconder a sua afrodescendência e cujo nome o saudoso O Pasquim, antes de existir internet, grafava 'robertomarinho' como sinônimo daquilo que ninguém pode fazer por outrem.
Na verdade, não foi sabatina. Foi sessão inquisitorial, em que Lula, graças à sua desenvoltura, soube responder à altura e, brilhantemente, não perder a cabeça com tanta provocação para, sobretudo, fazê-lo cair em pegadinhas. Como aquela em que Vasconcelos se deu mal ao tentar enquadrar Lula com a Matemática, que a despeito de sua formação elementar compreende como poucos diplomados -- os avanços na educação matemática foram obtidos em seus mandatos, como as Olimpíadas de Matemática, as bolsas de aprimoramento dos docentes do ensino básico e a inserção dessa disciplina para o desenvolvimento da lógica, da linguagem, do pensamento e, sobretudo, do raciocínio crítico. Quem duvidar pesquise os anais da Sociedade Brasileira de Matemática, a sisuda SBM, ou instituições matemáticas tradicionais.
Lula poderia simplesmente dizer que, pela Constituição de 1988, cabe à esfera federal o financiamento da educação básica, responsabilidade dos estados e municípios. Mas fez questão de mostrar seu compromisso com a educação para preparar o ingresso do Brasil à revolução tecnológica contemporânea, além da criação de mais universidades e institutos federais pelo Brasil e concessão de bolsas de aperfeiçoamento profissional do magistério. Ao contrário do que fazem os governos estaduais do sul e sudeste, cujos titulares têm promovido a privatização, militarização e ideologização do ensino básico, sobretudo nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, governados há décadas por obscurantistas avalizados pelo mercado.
Mais uma vez Lula deixou clara a sua prioridade pela educação qualificada, para a formação dos cérebros brasileiros, em que terras raras e minerais críticos são a alavanca do desenvolvimento estratégico do país, e não a entrega bruta para as potências estrangeiras -- como Javier Milei e Rodrigo Paz fazem a pedido de Marco Rubio, o queridinho de Eduardo e Flávio Bolsonaro, o mesmo que sobretaxou os produtos brasileiros --, a exemplo dos recursos bilionários oriundos do pré-sal para o financiamento do SUS e da educação, entregues de bandeja, sem qualquer garantia, aos especuladores transnacionais nos governos golpistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro (uma das verdadeiras razões do golpe contra Dilma Rousseff em 2016).
Confesso não saber mais se as campanhas eleitorais são para emissoras como a Lobo ou para o eleitorado. Porque esses mercenários aproveitam o período de campanha para fazer treta. Como nas anteriores, as repetidas perguntas de fatos sem contexto, sempre recorrendo a mantras como 'mensalão' e 'propinoduto' sem provas, criados pelo ativismo judicial que culminou no lavajatismo criminoso, responsável pela perda de milhares de postos de trabalho altamente qualificado e de empresas brasileiras de excelência, com know how reconhecido internacionalmente. Nesta campanha o tom dos debates parece estar sendo dado pelo gabinete do ministro André Mendonça, que até hoje não investigou as contas de Flávio Bolsonaro, suas ligações pedindo 61 milhões a Daniel Vorcaro, os vínculos com o dono do Banco Master e, pior, filtrando informações sobre Lulinha no claro afã de prejudicar o desempenho de Lula na campanha eleitoral (pode ser até 'terrivelmente evangélico', mas, além de prevaricar, o agir é nada cristão).
Quem fez durante todo o regime de 1964 tudo o que eles, os merdinho, fizeram (e não nos esqueçamos da edição fraudulenta do debate presidencial do segundo turno de 1989 entre os candidatos Collor e Lula) são capazes de coisas ainda piores. Como hoje todas as oligarquias da mídia corporativa têm seus ativos no sistema financeiro graças ao ex-presidente do Banco Central nomeado pelo inominável, seus executivos não se interessam se amplas camadas sociais brasileiras amanhã estarão de novo na fila do osso ou, a exemplo da Argentina de Milei, comprando carne de burro e, pior, matando gatos para fazer picadinho com a abobrinha do quintal do vizinho.
Nesta campanha eleitoral Lula é o único que reúne experiência, reconhecimento internacional e representa a manutenção do Estado Democrático de Direito, da Soberania Nacional e da continuidade do processo de modernização do parque industrial brasileiro para assegurar o desenvolvimento do país e gerar emprego formal e qualificado aos milhões de brasileiros. Flávio, ao contrário, é réplica de Javier Milei, até na vergonhosa dancinha de marionete. Qual a sua experiência? Trazer de volta a fila do osso? O arrocho dos assalariados e aposentados que o pai não só ignorou como subtraiu por vias nada republicanas? O fim ou o desmonte das instituições brasileiras, como SUS, Receita Federal, universidades públicas, IBAMA etc? Basta ver que só com a volta de Lula os concursos públicos voltaram, pois para os amos e senhores dos Bolsonaro a solução é acabar com os órgãos de carreira do Estado brasileiro, precarizar o serviço público e privatizar tudo, para saciar a cobiça dos abutres do mercado.
Como ensinou Brizola, com muita sabedoria: na dúvida, faça o contrário ao que a Lobo aponte. Para os donos dela, da (in)Veja, Falha e Estradão, o Brasil que se dane: eles ganham dos especuladores sem fronteiras, cujo líder, Donald Trump, está de prontidão para sugar as riquezas e o sangue do povo brasileiro. Basta olhar o que Fernando Cerimedo (aquele amigo de Eduardo Bolsonaro que tentou matar a namorada boliviana para queima de arquivo em um hotel de Santa Cruz de la Sierra) e o sócio espanhol Javier Negre, mercenários digitais de Marco Rubio, fizeram na Argentina e Bolívia, aqui ao lado.
Você tem o direito de não gostar do Lula, mas goste do Brasil e defenda os reais interesses do povo brasileiro. Vote em Lula e Alckmin pelo Brasil, pelo povo brasileiro.
Lula Tetra. Globo treta.
Ahmad Schabib Hany