MOÇÕES PARA FORTALECER O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Compartilhamos estas cinco minutas de Moção de Apoio em cinco temas relevantes para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) como nossa contribuição modesta para a efetivação do Controle Social em todo o território nacional, com base na experiência coletiva protagonizada no período pós-1988. Algumas minutas tratam de questões aparentemente regionais, que podem ser adaptadas às especificidades de outras realidades sociais, culturais, geográficas e econômicas. O propósito é voltarmos a nos articular em caráter interdisciplinar e em escala nacional, neste contexto histórico acrescido do componente da Soberania Popular, que perpassa todas as temáticas e políticas públicas com a urgência que a história requer.
1) Moção de Apoio à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7578, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), pela revogação da Lei Federal 14.874/2024 e manutenção da CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que, entre outras questões relativas à ética na pesquisa com seres humanos, tira direitos de usuários do SUS, ao limitar em cinco anos o acesso aos medicamentos de cuja pesquisa participaram e reduziram a sua representação e participação direta e de seus médicos na nova composição do órgão sucedâneo, como denunciou a Sociedade Brasileira de Bioética (SBB).
2) Moção de Apoio à criação de Unidade Básica de Saúde (UBS) Fluvial e Ambulanchas do SAMU no Pantanal de Mato Grosso do Sul, além de outros equipamentos do SUS, como Centro de Farmacologia e Farmacognosia Fitoterápica à base de plantas nativas do Pantanal e do Cerrado; Centro de Radioterapia de Corumbá para atender pacientes oncológicos dentro da região, e Hospital Universitário Federal no Pantanal para atender a uma população com mais de 150 mil habitantes dos municípios de Corumbá, Ladário e Miranda, além das cidades vizinhas da Bolívia.
3) Moção de Apoio à criação da Escola da Família Agrícola Agroecológica do Pantanal (EFAA Pantanal), iniciativa da Associação da Escola Agrícola Agroecológica do Pantanal (EFAAP), voltada para a juventude das comunidades da agricultura familiar na formação de inicialmente 240 educandos, em regime de alternância com regime de semi-internato, promovendo o Ensino Médio Técnico Agrícola Agroecológico Integrado. A construção dessa proposta pioneira é resultado do protagonismo da comunidade e de parcerias com associações, sindicatos, universidades, Pastoral Social e movimentos sociais.
4) Moção de Apoio à criação da Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal), instituição com DNA do Bioma, da história de sua população e integrada aos desafios de sua região, que assuma a formação de jovens profissionais das mais diferentes áreas do conhecimento dedicados aos desafios contemporâneos.
5) Moção de Apoio à federalização do curso de Medicina oferecido em Corumbá por uma instituição privada que obteve nota 2 em avaliação do MEC e que se encontra sob monitoramento, correndo o risco de ser descontinuado. A oferta, por universidade pública, do curso de Medicina contribui para a elevação da qualidade da atenção do SUS em nível regional, além de proporcionar a oferta de outros cursos da área de saúde, como já verificado em Dourados e Três Lagoas.
Além da relevante manifestação de apoio ao sistema CONEP/CEP (construído ao longo de 30 anos no seio do Conselho Nacional de Saúde), de caráter nacional, os demais temas também são prioritários para nós, que estamos no Coração do Pantanal e da América do Sul (especificamente Corumbá, pois, segundo interlocutora de credibilidade, a comissão organizadora da Conferência de Saúde de Ladário, por razões que desconhecemos fez questão de ignorar o pedido de que as fizessem circular nos diferentes GTs do lócus de participação cidadã de Ladário para que posteriormente fossem submetidas à apreciação da Plenária Final, podendo ou não ser aprovadas, democraticamente).
Estas cinco minutas de Moção de Apoio serão apresentadas, como sempre o fizemos, durante a Conferência Municipal de Saúde de Corumbá, que se realizará nesta quinta-feira, às 18 horas, e na sexta-feira, a partir das 8 horas da manhã, com toda uma programação, com GT temáticos e Plenária Final, quando propostas e as minutas de Moção de Apoio que estamos apresentando serão submetidas à apreciação dos participantes da Conferência Municipal de Saúde de Corumbá, ao contrário do que aconteceu em Ladário, em que a comissão organizadora (minúsculas!) cerceou o direito de os participantes se manifestarem.
ÍNTEGRA DAS CINCO MOÇÕES DE APOIO
1) MOÇÃO DE APOIO À ADI No 7578 PELA MANUTENÇÃO DA CONEP/CNS E REVOGAÇÃO DA LEI FEDERAL No 14.874/2024
Os cidadãos e cidadãs participantes da Conferência Municipal de Saúde de Corumbá (MS) manifestam seu apoio à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no 7578, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), promovida pela Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), cujo objeto é a revogação da Lei Federal no 14.874/2024 e a manutenção da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde (CNS) com o sistema CEP/CONEP, construído ao longo de 30 anos, juntamente com o controle social do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entendemos que a mobilização dos representantes dos Comitês de Ética em Pesquisas Envolvendo Seres Humanos (CEPs) em evento promovido pela atual Instância Nacional de Ética em Pesquisa (INAEP), em São Luís (MA), nos dias 11 e 12 de junho de 2026, representa importante defesa do SUS e proteção para usuários do SUS: a referida lei causou, entre outras questões relativas à ética da pesquisa em humanos, imediata perda de direitos dos participantes de pesquisa brasileiros no acesso ilimitado aos medicamentos exitosos no pós-estudo, o acompanhamento por seus médicos após os resultados das pesquisas para acessarem os medicamentos pesquisados e lhes foi retirado o direito a terem representação própria, paritária e ativa na composição do atual INAEP, criada por referida lei, vetada pelo Presidente da República e veto derrubado pelo Congresso Nacional.
Corumbá (MS), 3 de julho de 2026.
2) MOÇÃO DE APOIO À MOBILIZAÇÃO PELO SUS NO PANTANAL DE MATO GROSSO DO SUL
Os cidadãos e cidadãs participantes da Conferência Municipal de Saúde de Corumbá (MS), considerando os princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), da equidade, da universalidade e da integralidade, manifestam por meio desta moção seu apoio à implantação dos seguintes equipamentos do SUS no Pantanal de Mato Grosso do Sul: a) de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) Fluvial; b) de uma Ambulancha do SAMU; c) de um Centro de Farmacologia, Farmacognosia e Fitoterapia com base na flora nativa do Pantanal e do Cerrado; d) Centro de Radiologia no Pantanal, para assistir às pessoas em tratamento oncológico, e e) de um Hospital Universitário para a Região do Pantanal para atender à população de mais de 150 mil habitantes dos municípios de Corumbá, Ladário e Miranda, integrantes da Região Pantanal do SUS em Mato Grosso do Sul, em uma área de 70.257,68 Km2 (uma área 3,2 vezes maior que o estado de Sergipe), além de também atender à população boliviana dos municípios contíguos à fronteira (Puerto Quijarro e Puerto Suárez), aproximadamente 30 mil habitantes, que acodem aos serviços de saúde instalados na região do Pantanal.
Entendemos que tais demandas, formalizadas pela mobilização Efetiva SUS Pantanal em março de 2025, representam a presença do Estado brasileiro no Pantanal de Mato Grosso do Sul, onde há um vazio assistencial do SUS e de outras políticas públicas sociais que comprometem as condições de vida da população pantaneira originária, ribeirinha e tradicional, cujo acesso à área urbana só é possível por meio de embarcações ou, em caso de urgência, de helicópteros da Marinha do Brasil.
O Pantanal já foi vitimado por incêndios que consumiram boa parte do Bioma, sobrando doenças para a população decorrentes da nuvem de fumaça tóxica que persistiu por meses, sem que aos riscos e agravos correspondessem estruturas adequadas e em quantidade suficiente para atender à população, em uma área imensa grande vazio assistencial à saúde, tendo como desfecho do fogo incessante o diagnóstico do despreparo da rede, doenças agudas e crônicas, sofrimento e muitas mortes evitáveis.
Corumbá (MS), 3 de julho de 2026.
3) MOÇÃO DE APOIO À CRIAÇÃO DA ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA AGROECOLÓGICA DO PANTANAL (E.F.A.A. Pantanal)
Os cidadãos e cidadãs participantes da Conferência Municipal de Saúde de Corumbá (MS) manifestam por meio desta moção seu apoio à criação da Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal (E.F.A.A. Pantanal).
A Escola Família Agrícola Agroecológica do Pantanal é uma necessidade das comunidades camponesas, ribeirinhas, comunidades tradicionais que historicamente não têm tido acesso ao Ensino Médio. A E.F.A.A. Pantanal se propõe a enfrentar juntamente ao poder público e entidades parceiras a falta de acesso à Educação Básica de qualidade, imposta historicamente a jovens residentes do Pantanal, tanto da parte baixa que é alagável quanto do planalto, região dos Assentamentos e Colônias. A falta de acesso aos estudos tem submetido principalmente às adolescentes situações de vulnerabilidade, forçando-as muitas vezes a realizar casamentos precoces ou a migrar para cidade e morar de favor na casa de parentes ou conhecidos, e, aos rapazes o ingresso precoce no mercado de trabalho que muitas vezes não cumpre a legislação trabalhista.
A E.F.A.A. Pantanal, por meio de sua Associação (A.E.F.A.A.P.), tem construído sua proposta diretamente com as comunidades e diversas entidades parceiras, entre elas Associações, Sindicatos, Universidades, Pastoral Social e Movimentos Sociais, e o intuito é trabalhar com o público inicial de 240 educandos em regime de alternância com regime de semi-internato, promovendo o Ensino Médio Técnico Agrícola Agroecológico Integrado.
A A.E.F.A.A.P. apoia integralmente a proposta de criação da Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal) e pretende ser parceira na preparação das futuras educandas e educandos do Ensino Superior, garantindo assim a formação básica que irá propiciar o acesso às comunidades historicamente excluídas da Educação Técnica e da Superior, e, sugere a continuidade do regime da Pedagogia da Alternância a essas comunidades de maneira a garantir condições de permanência e desenvolvimento nos territórios, para que possamos fazer ciências de dentro do Pantanal para o mundo, através da Educação do Campo Integral seguir rumo à sustentabilidade e à Agroecologia garantindo emancipação intelectual e material com preservação do meio ambiente e das relações humanas com dignidade.
Corumbá (MS), 3 de julho de 2026.
4) MOÇÃO DE APOIO À CRIAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PANTANAL
Os cidadãos e cidadãs participantes da Conferência Municipal de Saúde de Corumbá (MS) manifestam, por meio desta moção, seu apoio à criação da Universidade Federal do Pantanal (UFPantanal), instituição com o DNA do bioma, da história de sua população e integrada aos desafios da região.
O sonho de uma universidade no Pantanal tornou-se uma necessidade urgente frente à conjuntura social, econômica, ambiental e, sobretudo, ao contexto de saúde em que a população da região vive, dependendo dos profissionais de centros maiores, como Campo Grande e Dourados. As atuais condições de vida e o modelo de desenvolvimento não contemplam amplas camadas sociais que têm no Sistema Único de Saúde (SUS) sua base assistencial e tendo como foco as novas gerações, obrigadas a sair à procura de oportunidades.
Precisamos de uma instituição compromissada com as demandas da população da região, com base na ciência, tecnologia e inovação, alinhada à realidade mundial, ao desenvolvimento social e ambientalmente sustentável como base para a transformação de nossa região. A UFPantanal será centro desse novo modelo, capacitando profissionais e promovendo pesquisas comprometidas com as comunidades locais, inclusive os saberes e ofícios ancestrais.
Universidade pública que assuma papel fundamental na formação de jovens profissionais das mais diferentes áreas do conhecimento dedicados aos desafios contemporâneos, capacitados para equilibrar desenvolvimento com conservação, progresso com qualidade de vida para todos. Como instituição externa para o compartilhamento de conhecimento, poderá colaborar com universidades de outras regiões do mundo, ampliando o impacto científico em benefício de toda a população do Pantanal.
A criação da UFPantanal representa passo fundamental para a transformação social e ambiental do Pantanal, comprometida com a conservação do bioma e o consistente progresso humano e social das futuras gerações.
Corumbá (MS), 3 de julho de 2026.
5) MOÇÃO DE APOIO À FEDERALIZAÇÃO DO CURSO DE MEDICINA OFERECIDO EM CORUMBÁ
Os cidadãos e cidadãs participantes da Conferência Municipal de Saúde de Corumbá (MS) manifestam por meio desta moção seu apoio à federalização do curso de Medicina oferecido por uma instituição privada em Corumbá (que, ao receber nota 2 na avaliação do Ministério da Educação, encontra-se sob monitoramento, correndo o risco de ser descontinuado).
Entendemos que a manutenção do curso de Medicina na região, sobretudo no contexto de uma universidade federal, com a contratação de professores com mestrado e doutorado, contribui para a elevação da qualidade da formação dos profissionais de saúde em toda a região, sem perder de vista a assistência do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando seus princípios fundamentais da equidade, da universalidade e da integralidade, para melhorar a atenção em saúde na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, com a implantação destes equipamentos do SUS: a) Unidade Básica de Saúde (UBS) Fluvial; b) Ambulancha do SAMU; c) Centro de Farmacologia, Farmacognosia e Fitoterapia com base na flora nativa do Pantanal e do Cerrado; d) Centro de Radiologia no Pantanal, para assistir às pessoas em tratamento oncológico, que hoje precisam se deslocar com sua saúde frágil até a capital do estado, e d) Hospital Regional Federal para o Pantanal, a fim de atender à população de mais de 150 mil habitantes dos municípios de Corumbá, Ladário e Miranda, integrantes da Região Pantanal do SUS em Mato Grosso do Sul, em uma área de 70.257,68 Km2 (área 3,2 vezes maior que o estado de Sergipe), além de também atender à população boliviana dos municípios contíguos à fronteira (Puerto Quijarro e Puerto Suárez), aproximadamente 30 mil habitantes, que acodem aos serviços de saúde instalados na região do Pantanal.
Corumbá (MS), 3 de julho de 2026.
Finalmente, longe de querer incorrer em exibicionismo lascivo, faço questão de me referir a todas as pessoas generosas que deram o melhor de si e os melhores momentos de suas Vidas e aos espaços públicos não estatais que propiciaram a compreensão da relevância do caráter público do Sistema Único de Saúde, razão de ser das moções referidas. A participação pioneira, a partir de 1994, como membro fundador do Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário (FORUMCORLAD); como articulador, a partir de 2013, do Observatório da Cidadania Dom José Alves da Costa; como facilitador, entre 1999 e 2002, do Fórum dos Usuários do Sistema Único de Saúde de Mato Grosso do Sul (FUSUS/MS), Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso do Sul (FORMADS/MS) e Fórum de Entidades Não Governamentais de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso do Sul (FDCA/MS), e como membro fundador da Plenária Permanente de Fóruns de Controle Social de Políticas Públicas de Mato Grosso do Sul, espaços acintosamente excluídos em nível estadual da participação dos segmentos interessados não governamentais desde o ano de 2007, em Corumbá a partir de 2012 e em Ladário a partir de 2017, quando os conselhos estaduais foram burocratizados e os conselhos municipais da região do Pantanal foram transformados em meras instâncias cartoriais, não mais expressando os clamores da população.
Ahmad Schabib Hany