O EFEITO CERIMEDO E OS 'UNGIDOS'
Não foi conquista do 'Zero-Hum', mas da acintosa ingerência de Donald Trump e dos cúmplices de Fernando Cerimedo -- Javier Negre, Damián Merlo Debernardi e Brad Parscale --, desde Miami, com Marco Rubio, Donald Trump Jr. e os inúmeros mercenários da manipulação digital. Só que o crime não conseguiu se consumar, pois o ultraje a Nossa Senhora Aparecida, à diversidade religiosa e à fé dos povos originários e de matriz africana teve o retorno: a decisão foi para o segundo turno e não vai ter moleza.
Insisto: não houve mérito algum para o candidato-denorex: a ingerência, 'made in Miami', foi a protagonista desta quase vitória. Por que 'quase vitória'? É que 'eles' -- não os 'ungidos', mas aqueles que se pretendem 'predestinados' a ser amos e senhores de todo o continente americano (desde Groenlândia até Terra do Fogo) -- tinham como certa a surpreendente vitória no primeiro turno, mas o povo brasileiro e a fé nas diferentes denominações religiosas, inclusive na Nossa Senhora Aparecida, nos livraram desse 'pecado'...
E, como ensina a sabedoria popular -- "Deus é Pai, não é padrasto" --, deu aos 'ungidos' a alegria de estarem na dianteira no primeiro turno, até para que 'los de siempre' não venham dizer depois que as urnas não são confiáveis. Detalhe: o pastor e o fornicador, indicados pelo inominável (pai do candidato-denorex), são presidente e vice-presidente do órgão responsável pelo processo eleitoral. E me não venham com chorumelas...
Ninguém viu hordas em frente dos quartéis
Alguém viu algum desatinado raivoso amaldiçoando as urnas nas eleições deste domingo? Não, porque os 'ungidos' não foram contrariados. Quando seus ídolos são alçados ao pódium, tornam-se legalistas 'desde criancinhas'...
A gangue do 'bandido bom é bandido morto' costuma agir por impulso, tal qual criança mimada a espernear quando não é feita a sua vontade. O tempo todo se insufla, sobretudo quando os seus ídolos de lodo não 'chegam lá', no dizer de Guilherme Afif Domingos, o candidato pela legenda original em 1989, a primeira depois de 21 anos de censura, proibição, impedimento e tortura.
Quando as urnas trazem os resultados, sejam quais forem, todo democrata por convicção aceita, até porque dói menos. Democracia exige respeito à vontade do eleitor, às leis legitimamente construídas em plena vigência do Estado Democrático de Direito, contra o qual, aliás, as hordas peçonhentas já anunciam revogação sumária, impeachment de ministros do STF e outros delírios.
Miami em vez de 'mimimi'
Quem acompanha as postagens deste aprendiz de cidadão sabe que as teias do crime de Fernando Cerimedo vão além da tentativa de feminicídio na Bolívia. Não fosse verdade, Trump e Rubio não teriam dado ordens a Rodrigo, fantoche da Bolívia, sequestrar o procurador-geral do Estado e o procurador regional de Santa Cruz para 'aliviar a barra' do mercenário digital que acabou por expor a rede criminosa com sede em Miami.
Os céticos e os cúmplices da trama golpista podem recorrer a qualquer buscador na internet e conferir a ficha corrida dos amiguinhos do candidato-denorex, a começar pelo argentino Fernando Cerimedo, sócio do espanhol Javier Negre, do argentino-estadunidense Damián Merlo Debernardi e dos estadunidenses Brad Parscale e Donald Trump Jr.
Não foi falta de tentativa. Não foram poucos os interlocutores que enviaram a tempo as ligações criminosas de Cerimedo et caterva com a rede do 'banqueiro' Daniel Vorcaro. A despeito da procrastinação do 'terrivelmente prevaricador', as denúncias vindas da Bolívia, Argentina, Chile, Equador, Peru e Colômbia são consistentes e teriam elucidado a trama tempestivamente.
A mediocridade de muitos autodeclarados "de esquerda" que sequer conseguem ler uma página de manual de instruções bloqueou as informações necessárias a quem de direito. Mas ainda há tempo para reverter as ações criminosas do clã e seus cúmplices. Política é uma coisa, crime é outra. E precisam pagar por esses crimes todos, sob pena de vermos a ascensão do fascismo, como na Alemanha e a Itália no início do século passado.
Até onde foi possível verificar, não passam de reles criminosos, que por falta de capacidade intelectual e civismo, recorreram aos serviços 'profissionais' de mercenários digitais e estrategas golpistas usurários, que cobram caro por seus 'préstimos': a soberania nacional, riquezas minerais, reservas naturais, biomas e, sobretudo, a liberdade e a vida do povo brasileiro, que por décadas será alvo da cobiça e da sanha dos amos e senhores do império em franca decadência.
Sem projeto, sem dignidade
Quem já leu sobre a ascensão do nazismo na Alemanha e do fascismo na Itália é cônscio do que representa o candidato-denorex, aquele que parece mas não é. Aquilo não só não tem projeto como e principalmente não tem capacidade nem dignidade para liderar qualquer equipe de cidadãos capazes de concretizar um mísero esboço de projeto. Nunca trabalhou de verdade. Locupletou-se seguindo o mau exemplo do inominável.
Na remota hipótese de um desgoverno encabeçado por um fantoche como Zero Hum, o Estado brasileiro seria destruído rápido com a ampliação do número de parlamentares bolsonaristas, a exemplo do que ocorreu no do inominável: fim do serviço público, fim dos concursos públicos, substituição de servidores por empresas terceirizadas mediante contratos precários de prestação de serviços, fim da estabilidade e da carreira (assim todo funcionário será objeto de pressão com a demissão sumária quando não ceder ao assédio do superior, vinculado a um político da horda criminosa).
Adeus à Caixa, Banco do Brasil, Correios, Petrobras, INSS, INCRA, IBGE, Ibama, Infraero, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional, como também à Fiocruz, Institutos Federais, Universidades Federais, Embrapa e demais centros de pesquisa.
Fim da correção de salários, de aposentadorias e pensões, da tabela de isenção do Imposto de Renda, das bolsas e programas sociais de toda espécie (Bolsa-Família, Pé-de-Meia, Prouni, FIES, SISU, Pronatec, Farmácia Popular do Brasil, Minha Casa Minha Vida, Brasil Sorridente, Mais Médicos, Acredita no Primeiro Passo, Desenrola 1, 2 e 3).
Fim do SUS, SUAS e do sistema público de ensino em todo o país (quem repassa os recursos a todos eles é o governo federal por meio dos fundos constitucionais de Saúde, Assistência Social, Educação, da Criança e do Adolescente etc).
Liberação de compra e porte de armas de uso restrito das forças armadas; volta de crimes de pistolagem e das grilagens de terra; dos incêndios criminosos no Pantanal, Amazônia, Cerrado, Caatinga, Chaco e Mata Atlântica; do garimpo clandestino em áreas indígenas; da contaminação do solo e da água de uso das populações originárias, quilombolas e tradicionais; da devastação florestal por quadrilhas de madeireiros em áreas de preservação etc.
Volta impune, mediante indulto presidencial, de foragidos da Justiça por causa da preparação para a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-diretor da ABIN Alexandre Ramagem, os ex-deputados Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, além do criminoso digital Alan dos Santos.
Em breves linhas, é o panorama tétrico que se vislumbra para o Brasil e o povo brasileiro em caso remoto de hipotética vitória midiática das hordas fascistas. As próximas gerações serão as que pagarão pela hipotética tragédia causada por gestores vinculados às milícias, crimes de pistolagem, sonegação de tributos, quadrilhas ligadas aos garimpos ilegais, mineradoras clandestinas, grileiros de terras, contrabandistas e traficantes que apoiam um candidato sem passado, sem currículo e sem caráter, que usa da mentira para se passar por quem não foi e nunca será, por isso candidato-denorex, aquele que parece mas não é.
"O que será que será / Que todos os avisos não vão evitar / Porque todos os risos vão desafiar / Porque todos os hinos irão consagrar / E todos os meninos irão desembestar / E todos os destinos irão se encontrar / E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá / Olhando aquele inferno, vai abençoar / O que não tem governo, nem nunca terá / O que não tem vergonha nem nunca terá / O que não tem juízo." ('O que será?', Chico Buarque de Hollanda, 1976.)
Ahmad Schabib Hany

