sábado, 26 de setembro de 2026

BRASIL, CAPITAL MIAMI?

Brasil, capital Miami?

Ou melhor, Estados Unidos da América, nova metrópole do Brasil? Eis que há "patriotas" de meia pataca que querem nova colonização do País, desta vez pelos EUA, como proclamaram na Avenida Paulista, no Dia da Independência, com pixulecos do Trump e do sinistro terrivelmente enoquiano, em prol de um parasita que vive da propina porque nunca trabalhou em toda a vida.

Sim, senhor. Sem ter começado, está chegando ao fim esta campanha eleitoral, sob a batuta de golpistas baseados em Miami com a ingerência de big techs e do Departamento de Estado dos EUA e a conivência da mídia corporativa (Globo, Abril, Folha, Estado etc), e sequer tentou debater os programas de governo para o Brasil, para sorte do candidato-denorex, aquele que parece mas não é.

Nascido para fantoche e incapaz de raciocinar -- aprendeu com o pai somente a mentir, achacar e atacar reputações (fácil para quem não tem) --, não foi iniciativa do "Zero-Hum", mas da rede internacional de mercenários digitais, da qual o quase feminicida Fernando Cerimedo é um dos expoentes -- desde a disseminação de mentiras até a "agenda paralela", para desviar a campanha eleitoral de seus propósitos institucionais e legítimos.

Enquanto Lula apresenta as realizações deste mandato e anuncia projetos do programa de governo para conquistar seu quarto mandato, "Zero-Hum" faz que faz, ora com ironias da fala de seu adversário, "denúncias" do atual governo e, pior, disseminações de mentiras, bem ao estilo do amigo Fernando Cerimedo, homenageado pelo irmão em fevereiro de 2025 em Miami. Só agora a assessora econômica diz que o projeto de Flávio é igual ao de Javier Milei na Argentina.

Flávio, em duas palavras, três mentiras?

Há dados que constatam a vocação mentirosa e sem-caráter do "Zero-Hum". Em duas palavras, Flávio consegue a proeza de dizer três mentiras, sem qualquer esforço. Está em seu DNA. Isso se antes já não assediou, achacou ou conspurcou. Quando repórteres em serviço lhe fazem uma pergunta pautada pelo editor, ele recorre a uma resposta em inglês totalmente fora de contexto.

É claro, seus marqueteiros e mercenários digitais -- igual Fernando Cerimedo, o argentino que foi contratado por Marco Rubio para manipular as eleições em vários países, como Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia, Honduras, Colômbia e Peru -- já o adestrou. Também, com a inteligência rarefeita de que padece, só assim para aparentar o que não é. O tempo todo.

Por que Flávio não quer debater seu programa?

Primeiro, porque, na verdade, ele não tem programa. Tem, sim, um conjunto de ações indecentes para quem é minimamente consciente da importância daquilo que se chama SOBERANIA NACIONAL: iguais aos demais fantoches eleitos pelas "granjas de bots", isto é, pelas redes digitais que manipulam a cabeça de pessoas de boa-fé com mentiras absurdas criadas pelos mercenários digitais desde fora do país, Flávio e seus aliados querem privatizar tudo, inclusive universidades, hospitais, escolas e centros de pesquisa como Embrapa, Fiocruz e ICMBio, além da Caixa Econômica, Banco do Brasil, os Correios e até o PIX.

Se isso fosse pouco, quer acabar com concursos públicos e as carreiras do serviço público, terceirizando instituições como IBAMA, Receita Federal, Polícia Federal, Previdência Social e autarquias que existem desde antes da República. Acabar com as carreiras é o plano para precarizar os serviço público e fazer com que os funcionários não tenham condições de barrar os atos ilegais que eles praticaram durante o mandato do pai dele, cujo crime, de ter deixado morrer mais de 700 mil pessoas de covid-19 durante a pandemia, ainda não foi julgado.

Flávio quer chegar à Presidência para indultar Jair Bolsonaro e os comandantes da tentativa de golpe (além dos otários que fizeram o quebra-quebra), entregar as terras raras, minerais críticos e todas as reservas petrolíferas e minerais do Brasil a Donald Trump. Ele já entregou um documento convidando os membros do governo dos EUA a integrar uma equipe de transição, o que é proibido pela Constituição Federal (a mídia cúmplice sequer deu o devido destaque e debateu com especialistas, como fazia em campanhas passadas).

Por que "Zero-Hum" cresce nas pesquisas
apesar das denúncias?

Porque o filho do inominável -- para não precisar de uma "fakeada" em Juiz de Fora, como o pai em 2018 --, ganhou de presente dos meliantes de Miami (onde está o irmão foragido, que acaba de perder seu emprego de escrivão) um plano "combo" de como melar estas eleições e chegar a competir voto a voto, o que permitiria um golpe em caso de não conseguir fraudar a vontade popular. Pesquisa não elege, apenas é usada para manipular suas hordas fanáticas.

Marco Rubio, o "gusano" (verme) que foi capaz de impingir fome e morte a seus conterrâneos da Ilha, é o gestor do plano sinistro. Mas dele participam aqueles que, indicados pelo inominável, não foram julgados e devidamente punidos pelos tribunais em todas as instâncias, da primeira até o Supremo, alvo dos golpistas, a começar por Donald Trump e todos os seus sequazes dentro e fora do Brasil.

Você acredita que os ministros do Supremo saibam do golpe?

Saber, todos sabem. Até nós, reles mortais. O golpe não ocorreu apenas no dia 8 de janeiro de 2023 -- desde 2019, ano em que o inominável assumiu, já vinha sendo ensaiado (daí o ódio pelo ministro Alexandre Moraes, que foi alinhavando todas as tentativas golpistas), e o pior é que não parou na intentona: é golpe em série, continuado, igual câncer que vai "apodrecendo" por dentro os poderes da República.

Há ministros do STF que sabem demais, e contamos que não prevariquem e não procrastinem (pelo menos dos dois indicados pelo inominável um já conspurcou e outro já fornicou -- no caríssimo Hotel Fasano, patrocinado pelo ex-banqueiro e "irmão", com desconhecida a preço de ouro, sob rumores de ter dado calote na profissional do sexo, apesar da fé, segundo o temido celular que Mendonça não queria compartilhar, do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, "mermão" do Flávio "Cadê os 61 milhões?" Bolsonaro, impoluto candidatíssimo.

Hipocrisia conta?

Ora, deixemos de hipocrisia.  Se os ungidos se desviaram, cometeram pecados -- eles sabem disso, ainda que não o digam publicamente --, por que os demais, que não são ungidos, têm que ser apedrejados como nos tempos da Lei? Jesus Cristo, conforme João 8:7, não disse que atire a primeira pedra aquele que não tem pecado?

Em uma República laica, cabe a todo funcionário público, em todos os níveis e esferas de poder, o cumprimento da lei, sob pena de sofrer por eventuais desvios de função, conforme está consignado. O próprio descumprimento de André Mendonça, ao procrastinar desde maio e bancar o homem-bomba em setembro, início da campanha eleitoral, o torna passível de sanções, porque ninguém está acima da lei, mesmo sendo ministro ungido.

E o Lulinha da vez?

Podem constatar: desde o fim do ano passado, a mídia corporativa já andava fazendo o seu balão de ensaio depois de refeito seu balcão de negócios. Bem ao gosto e sabor dos eternos donos do país, incomodados com as conquistas das camadas sociais mais desassistidas entre 2016 e 2022, ensaiaram desviar o foco das manchetes, sem qualquer motivo real, para Luiz Fábio Lula da Silva, o Lulinha, de forma recorrente -- bastava ser revelada uma treta da familícia do inominável para que, do nada, aparecessem denúncias pipocando sobre Lulinha, tal qual nos nefastos tempos da quadrilha da Lava-Jato.

Por seu turno, a mídia corporativa (Globo, Abril, Folha, Estado etc), que fez vista grossa ao golpe em curso e tem colaborado acintosamente na disseminação de factoides, precisa ser objeto de uma chamada de atenção ética pelos próprios profissionais do Jornalismo. A conduta antiética de profissionais carimbados pela desfaçatez não pode continuar a ser premiada com altos salários, enquanto repórteres investigativos têm seus ofícios preteridos por decisões corporativas, sempre em sintonia com os amos e senhores do planeta doente e da sociedade caduca, com base em Miami, Nova Iorque, Bruxelas, Londres, Berlim, Paris, Roma, Madri e Lisboa.

Para concluir, ante os evidentes escândalos recém trazidos do celular de Vorcaro, a mídia corporativa, nesta reta de chegada para o dia de votação no primeiro turno, não conseguindo mitigar o impacto negativo sobre Flávio Bolsonaro, volta o samba de uma nota só contra Lulinha, de forma acintosa e cínica. Isso tem nome e sobrenome: Donald Trump. Como as oligarquias midiáticas no Brasil sempre agiram contra os interesses do país, não surpreende, mas precisa ser devidamente enquadrada dentro de critérios éticos do Jornalismo pelas entidades representativas da categoria.

Ahmad Schabib Hany

JADALLAH SAFA, PRESENTE, HOJE E SEMPRE!

Jadallah Safa, presente, hoje e sempre!

Neste sábado, 26 de setembro, o saudoso Amigo-Irmão Jadallah Safa estaria fazendo 68 anos de Vida profícua e generosa, tendo-se dedicado à Causa Palestina desde tenra idade. Eternizado em 22 de outubro de 2023 depois de resistir por semanas a um AVC traiçoeiro, ocorrido durante sua fala em ato público de desagravo ao Povo Palestino em 8 de outubro de 2023 em São Paulo, seu nome passou denominar o mais antigo coletivo de solidariedade aos palestinos e palestinas na Região Centro-Oeste do Brasil, o Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino Jadallah Safa, de cuja fundação tive a honra de participar ao lado dele, de Yahya Mohamad Omar, Najeh Abdel Hamid Mustafa, Nasser Safa Ahmad, Adnan Hamad Haymour e os saudosos senhores Khamis Abdallah, Soubhi Issa Ahmad e meu querido Pai Mahoma Hossen Schabib, em Corumbá, em novembro de 1987.

Em homenagem ao aniversário natalício do querido e saudoso Camarada Jadallah Safa, republico o texto feito em 22 de outubro de 2023, por ocasião da precoce e irreparável eternização deste Mártir da Causa Palestina.



Até sempre, Companheiro Jadallah Safa!

Depois de resistir por mais de dez dias a um AVC, o Amigo-Irmão Jadallah Safa se eternizou neste domingo, dia 22 de outubro, em São Paulo. Seu exemplo de incansável ativista da Causa Palestina permanece vivo entre nós, que tivemos o privilégio de conviver e aprender por quatro décadas com ele.

O Amigo-Irmão que despeço, incansável e exemplar ativista palestino Jadallah Safa, conheci na luta, na resistência, no inesgotável ativismo em que todo resistente se forja. Interrompera seus estudos universitários na Palestina porque os invasores, os que vivem a impostar a falsa verdade de que são eternas vítimas, não permitiam que palestino pudesse ter diploma universitário. Três anos mais jovem, que eu, havia pouco tempo chegado a Corumbá para sobreviver, como comerciante, dono da humilde Casa Laiali, senão me engano na rua XV de Novembro, entre a Treze de Delamare.

Lembro-me como hoje, precisamente quatro décadas atrás, na mobilização para observar o primeiro ano do Massacre de Sabra e Chatila, em que, como sempre, a hipocrisia israelense usou a insanidade odienta do militar libanês Ellie Hobeika, líder miliciano da Falange Libanesa, para executar, sob ordens e requintes de crueldade de Ariel Sharon, que mais tarde, em vez de punição, receberia Prêmio Nobel da Paz (sic). Era setembro de 1983, quando Corumbá realizara a terceira manifestação de solidariedade à Palestina.

Filha do saudoso Senhor Subhi Issa Ahmad, Amigo-Irmão de décadas de meu saudoso Pai, a hoje saudosa Abla e a sua Amiga Bassma Hussein eram as porta-vozes das mobilizações. Com a discrição e disciplina que lhe eram peculiares, Jadallah se revelara um grande articulador. Logo se tornou Amigo, desses com letra maiúscula. Fui-lhe apresentando as pessoas simpáticas à Causa Palestina, entre elas o então o Professor e Vereador Valmir Batista Corrêa (do PMDB), o Professor Gilberto Luiz Alves, o Professor Tito Carlos Machado de Oliveira, a artista plástica Marlene Terezinha Mourão (querida Peninha), a saudosa Professora Heloísa Helena da Costa Urt (a querida Helô), o Professor Maurício Lopo Vieira (então coordenador da Unidade Regional do Trabalho), o ferroviário Manoel do Carmo Vitório, o saudoso Professor e Vereador Fausto Matto Grosso (do PCB, de Campo Grande) e o também saudoso Manoel Sebastião da Costa Lima, então generoso proprietário da maior livraria da história de Mato Grosso do Sul, a emblemática Livraria Guató, em cuja edícula funcionava a sede do Centro de Estudos Políticos, Econômicos e Sociais (CEPES).

A discrição e o rigor metódico eram a marca indelével desse incansável ativista. Sincera e honestamente, em 40 anos de Amizade e trabalhos incessantes, nunca o vi perder o foco e, sobretudo, a sobriedade. Um verdadeiro estoico em toda a sua generosa existência. Em minha estada em Corumbá, quando o conheci, era aprendiz de repórter num jornalão que associava palestino a ‘terrorista’. A família proprietária, três anos antes, se prestara ao papel de publicar uma foto do então Deputado Antônio Carlos de Oliveira (fundador do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul) ao lado de Yasser Arafat, líder da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) usando um texto-legenda vergonhoso, em que insinuava que o idôneo e combativo parlamentar tivesse ‘vínculos espúrios’ com o ‘terrorismo internacional’.

Ainda vivíamos os derradeiros dias da ditadura, mas a política externa capitaneada pelo chanceler Saraiva Guerrero desvinculara o Brasil da melancólica condição de marionetes dos Estados Unidos e das potências ocidentais, em plena guerra fria. Aliás, mérito de seu antecessor, chanceler Azeredo da Silveira, escolhido pelo general-presidente Ernesto Geisel, com o firme propósito de deixar bem claro de que o Brasil não era ‘quintal dos Estados Unidos’, e assim o Brasil passou a se destacar no concerto das nações pela posição independente e defensor da autodeterminação dos povos e contra o colonialismo ainda vigente nos anos 1970.

Diferente da maioria dos jovens de sua idade, Jadallah lia compulsivamente. Como ler em português requeria muito cuidado (embora tivesse em casa um bom acervo bibliográfico, fazia questão de sublinhar parágrafos inteiros para ter convicção de que compreendera o texto corretamente), e nossas reuniões também tinham uma dose de didática. Generoso, ele também nos ensinava o árabe e o inglês, pois na Palestina se estuda também a língua do colonizador britânico. Ambidestro, escrevia simultaneamente em árabe com a mão esquerda e em inglês ou português com a mão direita. Uma inteligência a toda prova.

Morou oito anos em Corumbá. Nesse período, bastante fecundo por conta da Constituinte e das mobilizações decorrentes da construção do Estado Democrático de Direito, a Vida nos permitiu testemunhar inúmeras atividades no âmbito da defesa de direitos do Povo Palestino. No primeiro ano da Nova República, tivemos a sorte de conhecer Miguel Anacleto Junior, fundador e presidente do Instituto Brasileiro de Amizade e Solidariedade aos Povos (IBASP), com sede em Olinda (Pernambuco), por meio da querida Amiga Yone Ribeiro Orro, esposa do saudoso Deputado Roberto Moaccar Orro, de Aquidauana.

No entanto, sua atuação em Corumbá e região ficou marcada com a histórica realização por mais de 60 dias da I Mostra da Cultura Árabe-Palestina de Corumbá (Casa de Cultura Luiz de Albuquerque, ILA, de 30 de junho a 30 de setembro de 1987, com a importante colaboração da Professora Mestra Elenir de Mello Alves, biblioteconomista responsável da Biblioteca Pública Estadual Doutor Gabriel Vandoni de Barros). O evento contou com a visitação de mais de três mil pessoas e a presença do Secretário de Estado da Cultura, artista plástico Humberto Espíndola; do Diretor-executivo da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Cândido Alberto da Fonseca; do chefe do Escritório de Representação da Palestina no Brasil, Farid Sawan; do Prefeito Municipal de Corumbá, Dr. Hugo Silva da Costa; do Prefeito Municipal de Ladário, o saudoso Professor Nivaldo Ferreira da Silva; do ex-prefeito de Corumbá, o saudoso Dr. Fadah Scaff Gattass; do saudoso Deputado Armando Anache; do Vereador Valmir Corrêa, e do Presidente da Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira de Corumbá Najeh Mustafá nos atos solenes de abertura e encerramento.

Por seu turno, outro momento emblemático foi o ato de lançamento do Comitê 29 de Novembro de Solidariedade ao Povo Palestino, no dia 27 de novembro de 1987 no antigo auditório do Centro Universitário de Corumbá (CEUC/UFMS), de que participaram o Secretário de Estado de Justiça, o saudoso Dr. Roberto Orro; a Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul, a saudosa Jornalista Margarida Marques; a representante do Grupo de Apoio ao Índio (GAIN-MS); o Diretor da Casa de Cultura Luiz de Albuquerque, saudoso Dr. Lécio Gomes de Souza; a Diretora do Centro Universitário de Corumbá, Professora Doutora Gisela Levatti Alexandre; a Biblioteconomista responsável da Biblioteca Pública Estadual Dr. Gabriel Vandoni de Barros, Professora Mestra Elenir de Mello Alves; o Historiador e Vereador Valmir Corrêa, um dos primeiros Professores Doutores em Mato Grosso do Sul; o saudoso Poeta Rubens de Castro, autor de ‘Flor dos Aguaçais’, membro da Academia Corumbaense de Letras que generosamente declamou o célebre poema ‘Sabra & Chatila’, de autoria do Poeta e Compositor argentino Alberto Cortés, em sua versão traduzida ao português para o evento, e os Amigos Professor Maurício Lopo Vieira e Manoel do Carmo Vitório, na época da Unidade Regional do Trabalho (URT), que integraram a primeira coordenação do referido Comitê de Solidariedade.

Ele é um dos milhões de Palestinos e de Palestinas espalhadas pelo Planeta. Não porque quisesse sair de seu país milenar, berço de culturas, protagonista de História. Foi expulso pelos invasores, europeus, que se apossaram de suas terras, suas casas e suas vidas. Já imaginaram uma pessoa com a inteligência e a capacidade do querido Jadallah o que não poderia ter sido? Mas foi impedido de fazer um curso universitário pelos que fingem ser vítimas, quando não passam de criminosos, em todos os sentidos. Foram os nazistas, na Europa, que lhes impuseram o holocausto, por que os Palestinos, por que os árabes, têm que pagar a conta, em piores condições? É porque naquela região há muita riqueza, e a cobiça tem nome e sobrenome, Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia?

Jadallah Safa, em toda a sua Vida honrada e de muita luta, foi um voluntário, pois nunca auferiu qualquer remuneração pelo que fez com denodo, desprendimento e convicção. De uma geração de resistentes palestinos em que a realização acontece pelo resultado do que faz, não de louvores ou de salamaleques, todos os seus trabalhos foram fruto de muita luta, esforço pessoal. Seu mais recente trabalho, a publicação do resgate biobibliográfico do Poeta e Jornalista Ghassan Kanafani (organizado por Yasser Farid Fayad), ativista de esquerda assassinado pelo Mossad em Beirute na década de 1970, corrobora a trajetória fecunda de Vida e de luta, sem holofotes ou frivolidades.

Sou testemunha privilegiado do valor desse grande ser humano, cuja falta fará, não só para a sua Família (deixa Esposa e Filhos/as em São Paulo), mas para a humanidade, logo nestes nada generosos tempos de individualismo e muita vaidade. Além do aprendizado, ganhei dele alguns livros ímpares como ele (o último, que chegou às minhas mãos pelas de seus Irmãos, é este sobre Kanafani), inúmeras horas de atividades inesquecíveis e, para quem não imaginava, deliciosos pratos palestinos que ele mesmo fazia em casa. Aos queridos Amigos-Irmãos Munther, Nasser e Dona Nelly, à Cunhada Jalila, aos Filhos, Primos, Sobrinhos e Sobrinhos-netos, meus profundos sentimentos. Até sempre, Companheiro Jadallah, e obrigado por ter existido!

Ahmad Schabib Hany

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