sábado, 7 de fevereiro de 2026

CORUMBÁ SEM OBJETIVO NÃO É CORUMBÁ

CORUMBÁ SEM OBJETIVO NÃO É CORUMBÁ

O futuro de Corumbá e de Ladário -- enfim, do Pantanal -- está na consciência de cidadania. Integrantes do Movimento UFPantanal, a Professora Lígia Baruki e Melo e Família têm inequívoca contribuição para a Educação, inclusive por meio do IBEC/Objetivo, cujo funcionamento foi interrompido, para tristeza nossa.

Corumbá, centro cosmopolita que, com pioneirismo e pluralidade, acolheu imigrantes de diferentes origens por décadas a fio desde o pós-guerra de 1865, não pode perder o seu objetivo. Nem o IBEC/Objetivo, escola que, nos 33 anos de atuação, além de formar estudantes capacitados para os diversos cursos universitários pelo Brasil e, até, pelo Mundo afora, preparou cidadãs e cidadãos qualificados para tempos adversos.

Com sinceridade, em meus 62 anos de intensa vivência em Corumbá, terra que acolheu meus Pais desde os primeiros meses de 1964, nunca vi tanta letargia -- pior, apatia -- como depois que o ódio foi inserido na agenda política do Brasil. Em 2020, sem um esboço de indignação ou contrariedade, a população corumbaense -- e as autoridades de Mato Grosso do Sul, sobretudo -- viram o centenário Centro de Ensino Imaculada Conceição (CENIC, ou melhor, GENIC) fechar as portas melancolicamente. Não demorou muito e a Faculdade Salesiana de Santa Teresa, a menos de duzentos metros, iniciou seu processo de descontinuidade das graduações, observando que muitos políticos locais iniciaram ou concluíram sua formação no Santa Teresa de tantas gerações.

E o IBEC/Objetivo tem parte de sua história nesse mesmo contexto. No impacto da súbita perda de seu Pai, a Professora Lígia procedeu a transferência da titularidade do Instituto de Ensino Superior do Pantanal (IESPAN) para a Missão Salesiana de Mato Grosso (MSMT), entidade mantenedora da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e dezenas de educandários espalhados por Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e oeste de São Paulo. Cursos como Direito, Economia, Turismo e Zootecnia foram oferecidos à população de Corumbá e Ladário com pioneirismo (na época, o campus local da UFMS, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, ainda não oferecia Direito).

PROJETO VISIONÁRIO

Quando, em 1993, já aposentados, o Professor Salomão Baruki, sua Companheira de Vida, Professora Magali de Souza Baruki, e a Professora Terezinha Baruki decidiram fundar o Instituto Baruki de Educação e Cultura (IBEC) e adquirir da Professora Loreta Negreiros a Escola CEAC/Cirandinha tinham não só consciência da complexidade da Educação, como a experiência em diferentes educandários e instituições universitárias para dar solidez e consistência ao ousado projeto em mente, a partir da celebração da parceria com o Sistema Objetivo e mais tarde a fundação do IESPAN.

Diferentemente de uma instituição pública, um projeto educacional com a dimensão do IBEC/IESPAN, de fato, exigiu muito fôlego, ousadia e determinação. A Professora Lígia, que assumiu a direção depois da eternização dos fundadores, precisou ter, sobretudo, a racionalidade necessária para manter uma Escola de referência no topo e, ao mesmo tempo, a humildade de compreender que a Educação é trabalho de equipe. Discreta e bastante equilibrada, enfrentou os quatro anos de intenso combate ideológico de forma lúcida e resiliente.

No entanto, em uma sociedade em que o mercado, com sua volatilidade atroz e sua ação predadora, não perde oportunidade, sobraram motivos para sua equipe, forjada na conduta inovadora, ser diluída paulatinamente. Contudo, a história é processo em que os fatos, dentro de seu devido contexto, constituem o corolário da verdade, e não, como vemos hoje, as narrativas suplantando os fatos, o processo como um todo. Assim como Corumbá não sucumbe às tempestuosas sanhas do oportunismo, o IBEC/Objetivo saberá retomar o caminho da história, leve o tempo que levar.

Lembro-me como hoje, durante as reuniões preparatórias para a fundação do Centro Padre Ernesto de Promoção Humana e Ambiental (CENPER), entre 1999 e 2001, sob a sábia coordenação do Padre Ernesto Saksida e a entusiástica participação do Senhor Jorge José Katurchi, a ponderada contribuição do Professor Salomão Baruki. Foi nesse período em que, expondo a magnitude de mais um projeto educacional de sua iniciativa, tive noção de sua incansável determinação. Afinal, participara da gênese do Instituto Superior de Pedagogia de Corumbá (ISPC), com a participação proativa de uma comissão formada, além dele (escolhido por seus pares como presidente e depois diretor do ISPC), pelo Professor José Ferreira de Freitas (então deputado estadual), Professora Edy Assis de Barros, os médicos Cleto Leite de Barros e Lécio Gomes de Souza e o engenheiro civil Luiz Pedro Ametlla (titulares).

O Professor Salomão Baruki, cuja geração teve ceifada sua trajetória política (ao lado do Doutor Cleto Leite de Barros e do Senhor Hélio Péres, por exemplo), soube encontrar a via com a qual erigir sua utopia em tempos de chumbo. Dessa obstinação nasceram o ISPC (mais tarde CPC/UEMT e depois CEUC/UFMS), o Instituto Luiz de Albuquerque (ILA) que no primeiro governo do Doutor Wilson Barbosa Martins se transformou na Casa de Cultura Luiz de Albuquerque, o IBEC/Objetivo e o IESPAN. A Professora Lígia, melhor que ninguém, sabe que a adversidade é a razão de ser das grandes vitórias.

Como pai de dois ex-alunos e tio de uma ex-aluna, guardo infinita gratidão pelo cuidado e, sobretudo, pela formação cidadã e escolar proporcionada ao longo de duas décadas. Sou testemunha partícipe do compromisso ético e da qualificação pedagógica oferecida por um projeto vitorioso, virtuoso e ousado. A Professora Lígia e o Professor Wilson Ferreira de Melo, seu Companheiro de Vida, que participam desde a primeira hora do Movimento UFPantanal -- isto é, da campanha pela criação da Universidade Federal do Pantanal --, têm clareza suficiente de que a Educação não é o forte das elites brasileiras, de modo que um projeto à frente de seu tempo como o IBEC/IESPAN e o próprio ILA, hoje jogado às traças, são um inesgotável motivo para continuar a viver e a lutar por um Objetivo maior que o horizonte tacanho dos inquilinos que se revezam em Corumbá ou Mato Grosso do Sul.

O fato é que Corumbá (e Ladário, e, por extensão, o Pantanal), não pode perder a razão de ser, o objetivo -- e o Objetivo. A História, como a Vida, não se esgota em si mesma. O futuro de Corumbá (e do Pantanal) está na consciência de cidadania. Cabe-nos fazê-la fecundar, regar e florescer, sob pena de não haver amanhã para a humanidade.

Ahmad Schabib Hany

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

MOVIMENTO UFPANTANAL ENTREGA CARTA A MINISTRO GUILHERME BOULOS NA CAPITAL

Professor Anísio Guató, do Movimento UFPantanal, entrega carta ao Ministro Guilherme Boulos
Foto: Ney do Bonito, gentilmente enviada ao Movimento UFPantanal por meio de Anísio Guató

Movimento UFPantanal entrega carta a Ministro Guilherme Boulos na capital

Anísio Guató, que enfrentou uma epopeia para chegar até a capital, fez a entrega da carta pró-UFPantanal ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, em Campo Grande.

Em defesa da criação da Universidade Federal do Pantanal, o Movimento UFPantanal fez a entrega de mais uma carta a integrantes do primeiro escalão do Governo Federal, em que é reiterada a demanda por universidade-bioma no coração do Pantanal e da América do Sul. O Professor Anísio Guilherme da Fonseca, Anísio Guató das grandes causas, foi o porta-voz, que argumentou a seu correligionário e quase xará a relevância da criação de um centro gerador / difusor de conhecimento com características ímpares, tal qual o bioma das áreas úmidas.

Titular da Secretaria-geral da Presidência da República, o deputado Guilherme Boulos, que trabalha no Palácio do Planalto, veio a Mato Grosso do Sul em sua quarta expedição ministerial a pedido do Presidente Lula, que determinou que sua pasta fosse uma ouvidoria das demandas populares. É bem verdade que na capital houve um burocratismo para barrar ao máximo a participação dos movimentos sociais do interior do estado. Antes de Campo Grande, Boulos cumpriu agenda na periferia de três outras capitais: Brasília, São Paulo e Macapá.

No ato de entrega da carta pelo Professor Anísio Guato, o Ministro Guilherme Boulos se inteirou das demandas do Movimento UFPantanal -- bem como de outras levadas pelo incansável lutador das grandes causas --, tendo assegurado que, tão logo despache com Lula na semana que vem, o projeto inovador da Universidade Federal do Pantanal será o tema na área da Educação que será prioridade. Em recente conversa com a bancada de parlamentares sul-mato-grossense que apoiam seu governo, o Presidente da República disse que Corumbá e o Pantanal são prioridade para ele.

Como bem observou o Professor Jorge Eremites de Oliveira, historiador e antropólogo com intensa atuação na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação (MEC), os povos originários têm marca indelével na construção das culturas e dos saberes que, a rigor, formam parte da ciência cidadã em construção permanente -- de tal sorte que o exemplo de competência e unidade de ação demonstrado ao terem conquistado a Universidade Federal dos Povos Indígenas, criada em dezembro por Lula em Brasília, serve de inspiração para o Movimento UFPantanal, conforme deixou patente na reunião virtual realizada em fins de janeiro.

A CARTA

Excelentíssimo Senhor Ministro,

Receba as boas-vindas do povo pantaneiro por ocasião de sua visita a Mato Grosso do Sul, de cujo território os municípios de Corumbá e Ladário são profundamente marcados pela histórica atuação vanguardista -- verdadeiro bastião de resistência -- de sua população, pela diversidade cultural, pela ancestralidade de seus povos e pela riqueza natural de um dos maiores biomas úmidos do planeta, o Pantanal.

O Movimento pela Criação da Universidade Federal do Pantanal (UFPANTANAL) vem respeitosamente solicitar o apoio institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República para a consolidação desta proposta estratégica, que articula educação superior pública, valorização cultural, justiça climática e desenvolvimento territorial sustentável enraizado no bioma.

A UFPANTANAL não será uma universidade convencional. Ela nasce com a missão de promover uma formação crítica, interdisciplinar e profundamente comprometida com os saberes tradicionais, com a ciência cidadã e com a preservação da sociobiodiversidade. Será uma universidade da vida, das águas e da cultura pantaneira — um espaço em que se encontram as expressões artísticas, os patrimônios materiais e imateriais e os desafios contemporâneos vividos por ribeirinhos, indígenas, quilombolas e comunidades urbanas da fronteira oeste do Brasil.

Mais que uma instituição de ensino, pesquisa e extensão, a UFPANTANAL será um território de escuta, diálogo e criação coletiva, voltado para a construção de um futuro sustentável enraizado nas realidades do Pantanal. Combinando geração de conhecimento, valorização dos saberes tradicionais e compromisso com a ciência cidadã, a universidade se propõe a fortalecer as identidades locais, promover inclusão social, estimular a economia da cultura e a bioeconomia, e enfrentar as desigualdades históricas que marcam a região.

Neste momento, em que a proposta já conta com mais de 10.000 assinaturas de apoio de todas as regiões do país, e com a mobilização ativa de comunidades tradicionais, gestores públicos, universidades e organizações da sociedade civil, acreditamos que o apoio da Secretaria-Geral da Presidência da República seja fundamental para que esta universidade nasça plural, decolonial e comprometida com os territórios criativos do Pantanal.

Assim, solicitamos que Vossa Excelência se manifeste publicamente em apoio à criação da UFPANTANAL e que esta pauta possa ser incorporada às ações estratégicas do Governo Federal no contexto das políticas públicas voltadas para a valorização dos territórios, das identidades e da memória dos povos do Pantanal.

Estamos certos de que Vossa Excelência, cuja trajetória é marcada pelo compromisso com a educação, com as demandas das camadas populares e com a sustentabilidade, compreenderá a relevância desta proposta para o futuro de Mato Grosso do Sul e do Pantanal brasileiro. Colocamo-nos à disposição para fornecer maiores informações e aspectos técnicos do projeto, e se necessário agendar, em momento oportuno, uma apresentação às demais autoridades federais interessadas.

Agradecemos desde já por sua presença oportuna em Mato Grosso do Sul e por sua atuação como parlamentar e membro do Governo Federal efetivamente comprometido com os interesses maiores do povo brasileiro e suas legítimas demandas.

Cordialmente,

Movimento UFPANTANAL

Ahmad Schabib Hany

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

AULA DE CIDADANIA NA ENTREGA DE CARTA PRÓ-UFPANTANAL AO REPRESENTANTE DO MINC

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A PROPÓSITO DOS TRÊS ANOS SEM SEU JORGE KATURCHI

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

NASSIF ALERTA: CAMPANHA DA MÍDIA NO CASO MASTER VISA TIRAR PODER DO STF


https://youtu.be/jrQX2y8c1f4?si=AAOgzeUk0HPL1u88 - TVGGN - NASSIF: CAMPANHA DA MIDIA NO CASO MASTER VISA TIRAR PODER DO STF.

MOCHILEROS DE ZION - HISPANTV - ISRAEL EN LA PATAGONIA


https://youtu.be/xfcovrcSnOU?si=EPHimHQECItcPheC - DATA URGENTE - HISPANTV DOCUMENTAL SEBASTIÁN SALGADO - MOCHILEROS DE ZION - HISPANTV - ISRAEL EN LA PATAGONIA

O papel do Irã na geopolítica mundial - Salém Nasser - Programa 20 Minutos


https://www.youtube.com/watch?v=G7qXnk_qDQs - OPERA MUNDI com Breno Altman (estréia da nova casa) - O PAPEL DO IRÃ NA GEOPOLÍTICA MUNDIAL - SALÉM NASSER - PROGRAMA 20 MINUTOS