Desculpem-nos pela perversidade e pelos facínoras impunes
Cinquenta anos atrás, quando, no auge de nossa juventude, críamos inocentemente vencer os verdugos da humanidade, jamais nos ocorreu que eles não só seriam aclamados como heróis como cinicamente empurrariam o Planeta à beira de sua destruição total.
A sensação de impotência, fracasso e entrega das futuras gerações à própria sorte, nesta quadra da história em que um pedófilo mentiroso fascista sob o comando de um genocida contumaz sionista tomou de assalto os destinos da humanidade, nos levam a um inadiável pedido de desculpas por não termos conseguido vencer os nossos verdugos -- não que não tenhamos, com todas as nossas forças, argumentos e determinação, tentado até o último round.
Este pedido sincero de perdão à juventude, fazemos questão de esclarecer, não é capitulação, acovardamento, claudicação, sucumbência ou rendição. Jamais. Trata-se de necessário ato de autocrítica honesta para a ineludível retomada de fôlego para continuarmos a sagrada pugna por uma sociedade menos injusta e um mundo melhor, em que a imensa maioria das populações de seres viventes deixem de ser reféns de um crime em série desde que o império romano (seguido por seus herdeiros milênios a fio) atribuiu para si o 'santo' direito supremo de impingir aos demais povos seus desvarios e sua cobiça.
Compreendemos que, ante a desfaçatez e perversidade de Donald Trump e seus cúmplices por ação ou omissão -- desde os servis títeres da União Europeia, dos países-membro da OTAN, do Reino Unido (patrocinador ou copatrocinador das mais sórdidas tragédias, como a divisão da Irlanda, África do Sul, Palestina e de todos os estados artificiais criados no acordo de Sykes-Picot, de triste memória) e de governantes fantoches como Javier Milei, Rodrigo Paz, Santiago Peña, Daniel Noboa, José Antonio Kast, José María Balcázar, José Raúl Mullino e todos os petromonarcas árabes --, chegamos ao limite da razoabilidade conquistada no pós-guerra de 1945, que não foi o melhor mas foi o possível depois do genocídio representado pelo nazifascismo, salazarismo, franquismo, sionismo e congêneres.
Não há cinismo maior que a indiferença dos 'civilizados' do ocidente ante o genocídio contra a população indefesa e inofensiva de Gaza, Cisjordânia, Síria, Líbano, Iêmen, Sudão, Congo, Ruanda, Burkina Faso, Etiópia, Somália, Eritreia, Guiné, Nigéria e Miammar, em que os Estados Unidos e seus cúmplices estão diretamente envolvidos, cujas atrocidades são difundidas em tempo real por corajosas testemunhas pelas redes sociais, enquanto a mídia corporativa, podre e cínica, ignora ou, quando muito, desinforma com mentiras sobre os fatos.
Neste contexto de lacaios dos genocidas e saqueadores como Trump e seu líder Netanyahu não há como não fazermos referência a uma cínica dinastia de falsos patriotas, como o presidiário covarde e seus filhos igualmente canalhas, cujo primogênito vem acenando como candidato em sua representação e a venenosa mídia corporativa lhe dá tratamento de 'estadista'. É um ato de traição à pátria sua manifestação, ao lado do irmão foragido da justiça brasileira, em que arriou sua dignidade e de quatro pediu que Trump o fizesse feliz, entregando à cobiça e pilhagem as riquezas que não lhe pertencem, mas ao povo brasileiro.
Senador, em seu obscuro e medíocre mandato sequer apresentou algum projeto que visasse algo de interesse popular, mesmo assim é proclamado por obtusos seres como o novo 'messias' (da própria família, pois só pensam neles, por eles e sobre eles mesmos). Como deputado estadual, ficou célebre por ter abrigado no gabinete cônjuges e parentes de milicianos, inclusive aquele que executou a vereadora Marielle Franco em 2018 -- além da corrupção com as vergonhosas 'rachadinhas' em que amealhou dinheiro de seus empregados, além do uso de dinheiro em espécie na aquisição de imóveis caríssimos, usados para lavar dinheiro mal havido, tanto que uma reunião no início do nefasto mandato do pai ficou claro que não toleraria que ministro seu e que qualquer subalterno 'perseguisse' esse filho, e que para isso demitiria -- e demitiu! -- quem tivesse a 'ousadia' de aplicar a lei contra ele.
No mandato do hoje covarde presidiário, além de tripudiar contra a dignidade de brasileiros vítimas da pandemia -- quadro agravado por seu negacionismo criminoso que condenou à morte de mais de 700 mil pessoas em território pátrio --, num flagrante ato de desvio de função, promoveu a prevaricação em escala ministerial, incentivando a pilhagem de aposentadorias por descontos ilegais, fazendo vistas grossas à devastação de matas nativas em todos os biomas brasileiros, invasões ilegais de terras indígenas, liberação de garimpos sem qualquer estudo preliminar e a não condenação de quadrilhas organizadas, inclusive em atos criminosos de contrabandistas, traficantes, garimpeiros, madeireiros, grileiros et caterva.
Pois essa mesma mídia que nos anos de chumbo emprestou seus veículos para o transporte criminoso de pessoas condenadas à tortura, à morte e à desaparição e à veiculação de notícias mentirosas feitas por 'penas de aluguel' -- similar aos ditos 'probos' profissionais de hoje que são capazes de escrever contra a própria mãe para auferir vantagens em seu nefasto local de trabalho -- hoje cumpre um triste papel, de dar uma reciclada na imagem ensanguentada de protetores dos assassinos de Marielle e de tantas outras vítimas de milicianos tupiniquis e de genocidas anglo-sionistas, porque as malditas famiglias merdinho da Lodo, mosquita do Estradão e gelas da Falha (bem como todos os seus cúplices pelo Brasil e o mundo afora) provaram que sabem melhor que ninguém fazer qualquer negócio, e o Brasil e a humanidade que se danem.
Como sabiamente observou Eduardo Galeano: a guerra sempre é proclamada em nome dos mais 'elevados' princípios da humanidade -- pela democracia, pela paz, pelos direitos humanos, pela civilização, pelo progresso, por razões humanitárias etc --, mas a verdadeira motivação, desde os funestos tempos das 'grandes navegações', o que instiga as elites ocidentais é o saque, a ganância, a cobiça, a pilhagem (como explicou, aliás, em sua obra pioneira, "As veias abertas da América Latina", de 1971).
Depois da capitulação suspeita de Mikhail Gorbatchev e sua trupe em 1991, com o melancólico fim da União Soviética, os Estados Unidos e seus cúmplices da OTAN tiraram a máscara e revelaram sua verdadeira face: sem qualquer disfarce, invadem estados soberanos, destroem países desenvolvidos, promovem o desmonte retrógrado e a limpeza étnica de sociedades humanas milenares, sempre recorrendo ao mais cínico e criminoso discurso de arautos da justiça e da liberdade, tal qual seus ancestrais piratas e corsários.
Este modesto mas sincero texto é a propósito da celebração da Páscoa e do transcurso de 62 anos do golpe cívico-militar de 1964 (minuciosamente gestado desde 1960 por assessores do Departamento de Estado e da CIA da potência que atribuiu para si um direito que ninguém, absolutamente ninguém, lhe conferiu, com a conivência de falsos cristãos, falsos democratas, falsos humanistas, falsos ambientalistas, falsos pensadores, falsos jurisconsultos).
Para concluir, cito expressamente parte do poema "De mãos dadas", de Carlos Drummond de Andrade, do livro "Sentimentos", publicado na década de 1940, em pleno auge da Segunda Guerra Mundial: "Estou preso à vida e olho meus companheiros. / Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. / Entre eles, considero a enorme realidade. / O presente é tão grande, não nos afastemos. / Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas."
Ahmad Schabib Hany


