sábado, 30 de março de 2024

LEÓN GIECO - EL ÁNGEL DE LA BICICLETA


CLAUDIO ‘POCHO’ LEPRATTI, EL ÁNGEL DE LA BICICLETA

Hoje é a véspera do transcurso dos 60 anos do golpe empresarial-militar de 1º de abril de 1964. Então, havia muitos empresários desejosos de estabelecer uma relação de maior promiscuidade com as corporações empresariais dos Estados Unidos. Havia também uma horda golpista de militares alinhados à geopolítica do ocidente, contrários ao Estado de Direito desde antes do suicídio de Getúlio Vargas, contra uma posição mais altiva do Brasil no concerto das nações. Obviamente as famílias proprietárias dos mais influentes meios de comunicação da época estavam frenéticas para, em sintonia com instituições ultraconservadoras como a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (a famigerada TFP), de Plínio Corrêa de Oliveira, e um setor igualmente ultraconservador da Igreja Católica, que promoveram as edições da Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

Para coroar a tão necessária reflexão sobre quanto custou à sociedade civil brasileira essa noite de 21 anos (entre 1964 e 1985), em que mortes, torturas, prisões ilegais, sequestros criminosos, mortes ‘acidentais’ e tantos outros crimes foram cinicamente cometidos, faremos uma pausa para ouvir a genial interpretação do cantor e compositor argentino León Giecco de “El ángel de la bicicleta”, uma homenagem-denúncia à execução por policiais fardados da província de Santa Fe, em dezembro de 2001, do assistente social e voluntário Claudio ‘Pocho’ Lepratti, de um projeto de inclusão social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade estavam comendo. Apesar do apelo de ‘Pocho’ de que não atirassem porque só haviam meninos comendo, as bestas feras, sem qualquer comiseração, atiraram não só contra os meninos como contra o assistente social que tentava salvar vítimas da injustiça social que fazem questão de ignorar acintosamente na Argentina como em todas as partes do mundo, sobretudo nestes tempos de obscurantismo fascista.

É este o link com a história trágica deste ativista social religioso em processo de análise para eventual beatificação (era seminarista salesiano dedicado, por conta de sua formação, ao Serviço Social): <https://es.wikipedia.org/wiki/Claudio_%C2%ABPocho%C2%BB_Lepratti>. Vale a pena ler, refletir e compartilhar. Até por conta da Páscoa, que coincidentemente transcorre nesta véspera do dia do golpe empresarial-militar que não podemos esquecer. Aliás, não se trata de apenas de lembrar, mas de exigirmos a devida reparação dos inúmeros danos causados e a responsabilização dos que estão vivos e têm que pagar pelos seus crimes, até para evitar a sanha perversa de novas tentativas de golpes, como o tentado em 8 de janeiro de 2023.

Afinal, quantas tragédias parecidas podem ter sido cometidas em nome de um falso patriotismo, cujos desdobramentos conhecemos muito bem.

VIVA O DIA DA TERRA! GLÓRIA ÀS E AOS MÁRTIRES DA PALESTINA!

Viva o Dia da Terra!

Glória às e aos Mártires da Palestina!

A Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira em Corumbá se irmana aos cidadãos e cidadãs de todo o Mundo para celebrar o 48º Dia da Terra, uma data para ser lembrada a milenar Palestina, de todos os credos, todas as culturas e todas as raças.

A humanidade vem assistindo, com perplexidade e angústia, ao genocídio perpetrado em Gaza por um dos maiores (e mais corruptos) exércitos do planeta, o do estado sionista, com a efetiva cumplicidade das maiores potências financeiras e militares da atualidade: Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Como quadrilha, trazem o nome de união não para promover a paz e o progresso, mas para invadir, saquear, oprimir e, sobretudo, arrasar e dominar regiões estratégicas do mundo, como a Palestina milenar, Terra Santa de todos os credos, todas as culturas e todas as raças.

Sob cínico pretexto de retaliar uma ação de combatentes palestinos em 7 de outubro do ano passado, o governo nazissionista do carniceiro de Gaza, com o explícito apoio militar, financeiro e, em especial, publicitário (toda a mídia mercantil faz fakenews contra o Povo Palestino, sem qualquer limite ético ou compaixão), já causou a morte injustificável e criminosa de pelo menos 32.650 mártires, 70% deles mulheres e crianças (Faixa de Gaza), e mais de 453 mártires (Cisjordânia), além de usar a fome e a sede como arma de guerra, invadir com tropas armadas hospitais e escolas e universidades para depois explodi-las e sob os escombros manter feridos e mutilados até a morte, pois impedem a ação de socorro humanitário, o que é crime de guerra, de lesa-humanidade.

Onde estão os direitos humanos? A população palestina não tem direito nem aos direitos animais. O facínora que se diz ministro da Defesa daquele estado sionista disse com todas as palavras que “estamos lutando contra animais e agindo de acordo”, e alguma instituição multilateral, como a ONU, condenou a ele e seu governo? Pelo visto, para a chamada comunidade internacional, a população palestina não está contemplada nem pelos direitos dos animais, sejam eles silvestres ou domésticos. Essa é a recompensa ao Povo Palestino, que acolheu as vítimas do holocausto nazista durante e depois da Segunda Guerra Mundial, e hoje é vítima desses que foram protegidos desde o tempo das Cruzadas, da Inquisição e do Nazismo pela generosa mãe Palestina, berço de muitas religiões do mundo, com bilhões de fiéis.

Agradecemos, sim, ao Papa Francisco e ao Presidente Lula por suas incansáveis gestões em favor de um cessar-fogo e a construção de bases sólidas para uma paz justa, duradoura e efetiva em bases históricas. Mais que mensagens, o Sumo Pontífice da Igreja Católica e o maior Estadista da história do Brasil têm atuado de modo exemplar pelos bastidores do concerto das Nações para conter a sanha sanguinária do carniceiro de Gaza e seu séquito de hipócritas cúmplices, que por baixo do discurso diplomático abastecem de armamento de última geração, inclusive armas químicas e nucleares, o tenebroso exército sionista. A biografia de todos os chefes de Estado e de governo da atualidade tem sua consciência e suas mãos manchadas do sangue inocente de mães e avós de bebês e crianças que tiveram a sua vida criminosamente ceifada por haverem nascido na Palestina de Jesus Cristo e de tantos Profetas, Santos e Sábios ao longo da História da humanidade.

O Dia da Terra nos remete ao ano de 1976, quando em 30 de março, durante uma greve geral na Galileia, seis camponeses palestinos foram assassinados pelos sórdidos soldados invasores, pertencentes ao estado sionista saqueador e genocida. Sobre os territórios que havia anexado ilegalmente em 1967, o governo sionista já punha em prática seu odiento projeto de expropriação de terras particulares, casas de família e áreas públicas para a construção de colônias judias na ínfima porção territorial que a ONU havia determinado, na mesma resolução que criou o estado artificial de Israel, para acolher os habitantes da milenar Palestina.

A propósito do transcurso do 48º Dia da Terra, em meio ao luto imposto pelo genocídio sionista, a Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira em Corumbá se irmana aos irmãos e irmãs de todos os povos, credos e convicções políticas em todo o Mundo para nos mantermos em vigília permanente em uma celebração de resistência e de revigoramento da convicção de que os mártires que tombaram desde antes de 1948, início da Nakba (a tragédia palestina), terão a sua memória honrada e dignificada, pois a identidade, a cultura e a nacionalidade palestina permanecerão por milênios, como sempre estiveram, enquanto vários impérios nasceram, cresceram e desapareceram.

A Resistência Palestina segue seu curso histórico, sem perder a convicção de que se trata de uma causa humanista, uma causa do progresso humano e da evolução de nossos tempos. A História testemunha a determinação e a dignidade de um povo que vem sendo humilhado e, pior, desumanizado e criminalizado, quando as principais potências mundiais conhecem os bastidores dessa barbárie. Enquanto houver um ser humano solidário e progressista na face da Terra e houver mulheres e homens livres e de valor a empunhar luta emancipadora como esta, as consignas a seguir ecoarão vibrantes na consciência da humanidade:

Palestina, palestino, resistir é o teu destino!

A Paz Mundial começa na Palestina!

Viva o Dia da Terra!

Glória às e aos Mártires da Palestina!

Corumbá (MS), 30 de março de 2024.

Munther Suleiman Safa

Presidente da Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira em Corumbá

quarta-feira, 27 de março de 2024

REFLEXÃO OPORTUNA

Reflexão oportuna

A coincidência da Páscoa com o Dia da Terra e os 60 anos do golpe financiado pelos Estados Unidos em 1964 permite uma reflexão oportuna e inadiável, sem a qual a sociedade brasileira será condenada a viver de joelhos perante os abutres do império.

Primeiramente, a celebração da Páscoa pelos Cristãos em todo o mundo é uma das festividades máximas da Cristandade, como consagração do legado de Jesus Salvador, e pela Ressurreição, como Filho de Deus para salvar a humanidade. Jesus fora condenado à pena capital pelas autoridades de Roma na Palestina ocupada pelo império romano, atendendo à denúncia de Anás e Caifás, sumos rabinos em Jerusalém, ao acusá-Lo como ‘falso Messias’, e Jesus venceu a morte e ressuscitou no terceiro dia.

Esses rabinos se recusavam a aceitar a Mensagem de Jesus ao ‘gentio’ (não judeus), quando proclamava que veio para salvar todo aquele que Nele crê e terá Vida eterna. Anás e seu genro Caifás O renegaram porque, para eles, o povo escolhido, portanto a ser salvo, era só o judeu, razão pela qual decidiram denunciá-Lo a Pilatos, governador romano da Palestina. Contudo, ressuscitou e sua Mensagem foi acolhida pela maioria da humanidade, e hoje são dois bilhões e meio de pessoas pelo mundo que professam a fé Cristã, que tem no perdão, na caridade e na esperança as suas bases. Não mais ‘olho por olho, dente por dente’, mas o infinito perdão e o amor como base de sua fé generosa e salvadora.

Nas sábias palavras do Papa Francisco em sua mensagem ‘Urbi et Orbi’ de 2023, sobre a Páscoa: “Seja ela para cada um de vós, queridos irmãos e irmãs, em particular para os doentes e os pobres, os idosos e quantos atravessam momentos de provação e dificuldade, uma passagem da tribulação à consolação. Não estamos sozinhos: Jesus, o Vivente, está conosco para sempre. Alegrem-se a Igreja e o mundo, porque hoje as nossas esperanças já não se quebram contra o muro da morte, mas o Senhor abriu-nos uma ponte para a vida. Sim, irmãos e irmãs! Na Páscoa, mudaram as sortes do mundo, e hoje (dia que coincide com a data mais provável da ressurreição de Cristo) podemos alegrar-nos de celebrar, por pura graça, o dia mais importante e belo da história.”

Segundo, o Dia da Terra, importante marco da história recente do sofrido e resiliente Povo Palestino, é celebrado para assegurar a preservação da milenar História e da Cultura Palestina, sob ameaça de extinção pelas atrocidades sionistas, de triste memória. A causa imediata para a fixação dessa data foi o massacre de Al-Jahil (um em centenas desde que a generosidade palestina permitiu acolher seus algozes por terem sido vítimas de seu similar da Alemanha nazista): 48 anos atrás, em 1976, uma greve geral contra a desapropriação de terras para assentar colonos sionistas nos territórios invadidos levou à repressão e morte de seis camponeses e à mutilação de centenas de manifestantes palestinos pelos sórdidos soldados invasores.

Como na Roma de Pilatos e na Grã-Bretanha de Balfour, os Estados Unidos e a União Europeia, fiéis herdeiros desses impérios com as mãos manchadas do sangue de inocentes de todos os tempos, vivem a lucrar das tragédias dos povos oprimidos, sobretudo do Povo Palestino, que há 76 anos, pelo menos, vem sendo vítima não só de uma insólita guerra de extermínio -- mediante a estratégia bélica de terra arrasada contra bebês, crianças, adolescentes, mulheres, jovens, idosos e adultos em plena atividade econômica, se não matando-os, mutilando-os, causando-lhes traumas permanentes e dilacerando as famílias --, mas de uma sórdida propaganda -- baseada no legado de Joseph Goebbels, o nazista da propaganda de Hitler -- em que difamam sua dignidade, sua honra e sobretudo sua humanidade.

Além das mortes físicas cometidas contra inocentes de todas as idades, há mortes anímicas que sociólogos, antropólogos, psicólogos e demais especialidades da ciência precisarão se debruçar ao longo de décadas para desvelar para a humanidade as feridas abertas na alma de seres humanos que não têm culpa alguma por terem nascido na Palestina, por cujos ancestrais viverem há milênios na Terra Santa. Aliás, senhores representantes desses impérios, qual é o crime cometido pelos milhares de meninos e meninas vil e cruelmente assassinados desde antes de 1948? Por que a insistência maledicente de criminalizá-los, invisibilizá-los e desumanizá-los sádica e sistematicamente?

‘Estamos lutando contra animais e agindo em conformidade’, disse o facínora travestido de ministro da Defesa do estado sionista. Como assim? Na maioria dos países há leis de preservação e de proteção de animais silvestres e de estimação contra todas as formas de violência, mas as convenções internacionais, humanitárias e de direitos humanos e dos animais sequer são permitidas ao Povo Palestino. Por muito menos que isso -- e merecidamente, diga-se de passagem -- inúmeros réus foram condenados a penas rigorosas em todos os países cujos governantes são coniventes com o governo sionista e os protegem como protegessem um ser inofensivo e indefeso. Mas que detém um dos mais poderosos (e corruptos) exércitos do planeta, diversos órgãos de espionagem e armas nucleares de última geração.

Os crimes cometidos pela entidade sionista são comparáveis aos cometidos pelos nazistas, gostem ou não os sionistas, seus aliados e cúmplices por ação ou omissão (porque defender criminosos de guerra é crime de cumplicidade). ‘Israel’ está manchada com o sangue de inocentes, sim, desde antes de sua criação, pela ONU, sem qualquer consulta prévia aos maiores interessados, a população palestina, de 1,3 milhão de habitantes então. Se as atrocidades cometidas ao longo destes 76 anos de Nakba (tragédia palestina) já fossem causar perplexidade e repulsa, é inimaginável a carnificina nestes cinco meses e meio de sórdida violência humana à Faixa de Gaza, onde atualmente está confinada uma população de mais de dois milhões de habitantes.

Relatos de instituições como as Nações Unidas são de pasmar: a fome catastrófica (apesar dos donativos fazerem longas filas de carretas da ONU, sionistas se entrincheiram para impedir a passagem pelas estradas permitidas), o frio intenso (a primavera começou, mas as temperaturas baixas permanecem para torturar civis de todas as idades que tiveram que ir morar em tendas de lona ou simplesmente sob os escombros à intempérie), a falta de água e de higiene (o cerco impediu o acesso aos poços artesianos e redes de água potável instalados na região e a população é castigada pela falta de água para beber, preparar alimentos e se higienizar). Aliás, o relato mais recente, da ONU Mulheres, é de que Gaza já atingiu o nível mais grave de ausência total de condições de sobrevivência humana, ao ponto de mulheres estarem dando à luz sem quaisquer condições sanitárias mínimas, o que tem causado mortes de recém-nascidos e parturientes, por contaminação.

É como esses ditos ‘religiosos’ [tementes a Deus?] tratam os descendentes dos palestinos, árabes que ao longo da história protegeram seus ancestrais judeus, perseguidos pela Inquisição e outras investidas europeias vinculadas, obviamente, ao império romano e seus diversos espólios, na Idade Média e Moderna. Onde foi perpetrado o holocausto nazista? Na Europa. Onde foram perseguidos os judeus na Inquisição? Na Europa. Quem, em diversas ocasiões protegeu os judeus, inclusive durante a perseguição nazista do século XX, acolhendo-os fraternalmente? Os palestinos, árabes que desde os remotos tempos os tratavam de ‘primos’ por conta da ascendência semita, pois os árabes também descendem de Abraão, pela linha de Ismael, filho dele com Hagar, a escrava árabe que lhe deu um filho. Ou isso foi revogado de seus livros sagrados? Da Torá? Do Talmude, repleto de códigos para que o ‘gentio’ não o compreenda?

Pois é, e o Brasil também tem seus ‘representantes’ paralelos que foram ‘pedir desculpas’ ao nazissionista Netanyahu: dois inomináveis que me recuso a nominá-los, eis que não passam de fantoches, marionetes, títeres do amarelão que, fazendo jus à sua tradição de covarde, procurou ‘refúgio’ na embaixada da Hungria no início de fevereiro. Mas o passeio vai lhes custar caro, pois um grande cidadão brasileiro que tenho a honra de conhecer [cujo nome não declino, pois não consegui falar com ele até o momento em que finalizo meu texto] entrou com ação contra esses dois usurpadores da prerrogativa do Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores, vinculado do Governo Federal] de atuar nessa seara, e não de bajuladores de genocidas que têm seus dias contados na vida pública, devendo logo voltar para a privada, de onde jamais deveriam ter saído.

O terceiro tema, ao qual já adentramos ao fazer alusão aos órfãos e viúvos da ‘redentora’, que por 21 anos submeteu o Brasil a um atroz regime com sequelas até hoje irremovíveis, trata dos malefícios de uma aventura golpista protagonizada por pelo menos dois grandes parlamentares -- Carlos Lacerda e Magalhães Pinto --, na época governadores da Guanabara e de Minas, que, na ânsia de cessar a consolidação do getulismo ou trabalhismo como força política hegemônica, ‘venderam sua alma ao diabo’, isto é, ao governo Lyndon Johnson, dos Estados Unidos, às poderosas multinacionais (como a ITT, famosa telefônica estadunidense, que repassou muitos dólares aos golpistas) e ao empresariado ‘patriota’, ou melhor, ávido de dinheiro para se locupletar com o verde do dólar e o amarelo do ouro.

Esse filme, aliás, teve um reprise, muito mal feito, e pior, tendo um neto de um grande parlamentar [eleito em 1985 primeiro presidente civil pós-ditadura militar], Tancredo de Almeida Neves, grande brasileiro, como pivô desse arremedo de golpe e que incompetente perdeu a vez para um palerma, covarde, desqualificado e, pior de tudo, incompetente. O nome? Aéreo Never, pois nunca mais chegará nem à prefeitura de sua cidade-natal. Pobre diabo. O que faltou ao golpe de 2016 contra Dilma Rousseff foi a competência parlamentar da dupla Lacerda-Pinto, em que um mobilizava e o outro articulava. Só que estes também se deram mal, muito mal, porque outros encilharam os cavalos e deixaram os protagonistas a ver... torturas! Um deles, Lacerda, morreu em circunstâncias muito nebulosas, próprias desses pseudopatriotas, quando articulava uma frente única contra a ditadura e pretendia trazer ao seu lado ninguém menos que Juscelino Kubitscheck e João Goulart, ambos igual e coincidentemente mortos em circunstâncias misteriosas, em datas próximas, quando as ditaduras filhotas do ‘tio sam’ já tinham acertado o Plano Condor.

Decorridos sessenta anos da aventura golpista de abril de 1964, cabe à sociedade civil, e a nós, individualmente, a inadiável reflexão, mais que devida, para literalmente exorcizar os fantasmas do passado, erradicar de vez os impunes malfeitores que se protegeram nas fardas de diferentes maus soldados e, finalmente, fazermos as contas com a História, em especial com as gerações futuras, que não podem viver sob o risco iminente de uma horda de desvairados, sentindo-se Napoleão dos trópicos, venham surrupiar a soberania popular, cuja construção custou Vida, muitas Vidas de gente generosa e digna, e cuja memória não pode ser mais uma vez enxovalhada.

Golpistas têm que ser presos e condenados, conforme a legislação determina. Nada de privilégios aos que, tendo a obrigação institucional, ousaram golpear o governo federal e, por extensão, todos os três Poderes da República. A hipocrisia não tem cabida aqui: ou se é autenticamente sincero, ou que os hipócritas cantem seu feitos onde quiserem. Com o necessário debate, em condições civilizadas e mediante agenda propositiva, é hora de fazer jus ao belíssimo cenário que a Natureza nos legou e que precisamos, inclusive, cuidar com todo esmero possível.

Em síntese, o Papa Francisco alertou que Páscoa tem significado etimológico de passagem, transição. Isso faz sentido com o momento vivido pela Palestina milenar e seu resiliente povo, que não se abate ainda que sob bombas armadas com uso de armas proibidas, como o fósforo branco, nem deixa abater pela propaganda vergonhosa das potências ocidentais. E o mesmo é preciso fazer pelos sessenta anos da ‘redentora’: com coragem e bastante ética, tomemos para nós o que os jovens do passado, sem qualquer temor, fizeram por nós em sã consciência e correndo todos os riscos que correram.

Ahmad Schabib Hany