terça-feira, 25 de junho de 2013

SOMOS TODOS BOLIVIANOS
MANIFESTO DE DESAGRAVO ÀS TRABALHADORAS AGREDIDAS
Este dia 22 de junho de 2013 entra tristemente para a história da cidadania do coração do Pantanal e da América do Sul pela truculência dos gendarmes que agiram, não como servidores públicos, mas verdugos da irmandade de dois povos que vêm construindo uma nova página na história latinoamericana.
Por meio deste manifesto público, fazemos nosso incondicional e irrestrito ato de desagravo às trabalhadoras da Feira Brasbol agredidas acintosa e covardemente, em plena luz do dia e diante de diversas câmeras, sábado, 22 de junho, por gendarmes despreparados, eivados do ranço xenófobo que vem sendo alimentado irresponsavelmente por algumas autoridades de Corumbá, de modo obtuso e na contramão da história.
Fruto dessa empáfia bizarra, tais agentes do Estado parecem desconhecer que o outrora polo cosmopolita que abrigou quase todos os povos no coração do Pantanal e da América do Sul só pôde permanecer por mais cinco décadas como importante centro comercial intracontinental graças ao mercado andino, predominantemente boliviano, que permitiu um movimento pela fronteira de Corumbá de mais de um milhão e meio de dólares por dia, segundo dados da CACEX (Carteira de Comércio Exterior) do Banco do Brasil.
Graças ao Pacto Pela Cidadania (em que deram o melhor de si cidadãos como Dom José Alves da Costa, Padre Pascoal Forin, Padre Ernesto Sassida, Irmã Antônia Brioschi, Jorge Katurchi, Armando Lacerda, Balbino de Oliveira, Arturo Ardaya, Alexandre Gonçalves, Elemar Ebeling, Lamartine Costa, Maçu Sabatel, Heloísa Urt, Angélica Anache, Luz Marina Silva, Cristiane Santana, Ednir de Paulo e Delari Botega), dois parlamentares defenderam em Brasília a implantação da Área de Livre-Comércio de Corumbá e Ladário, de modo a equalizar as condições de comercialização entre as duas fronteiras irmãs.
De modo fraternal e sincero, estabeleceram-se canais de interlocução entre os atores sociais dos dois lados desta fronteira, tendo servido de instrumento balizador das políticas públicas pioneiras, introduzidas na sequência. Aliás, os motivos que levaram ao engavetamento dos referidos projetos de lei no Congresso Nacional não estão relacionados ao sacrifício feito pela coordenação do Pacto Pela Cidadania, cujos membros foram muitas vezes alvo do escárnio dos que desde sempre se alimentaram da exclusão social pantaneira.
Em pleno século XX, quando as fronteiras nacionais são abolidas pelo inexorável processo histórico de integração dos blocos continentais, é inadmissível que funcionários públicos de formação no mínimo questionável coloquem em xeque uma relação fraternal e profícua desenvolvida nos últimos 60 anos, quando da celebração do Tratado de Roboré pelas autoridades do Brasil e da Bolívia, e que a partir de então culminaram com a construção da Ferrovia Corumbá – Santa Cruz de la Sierra, do Gasoduto Bolívia – Brasil.
Não é demais recordar os desavisados que, desde o início do funcionamento do gasoduto (a partir de 2000), Corumbá tem sido beneficiada pela elevação da parcela que lhe cabe no bolo do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços), e por conta disso sua receita não despencou no ranking estadual.
Relembramos ainda aos abutres que se alimentam da discórdia, que vêm acirrando uma hedionda intolerância com bolivianos e árabes (“turcos”) por meio de opiniões racistas, destituídas de qualquer fundamentação lógica, que xenofobia é racismo, crime inafiançável. Antes de passar pelo constrangimento de estar por trás das grades, prudência e civilidade não são demais.
Como a ignorância é torpe e atrevida, cabe aqui recalcar que, a exemplo das Mães da Coronilla (as heroínas que protagonizaram a primeira gesta libertária contra o jugo colonial na chamada América Espanhola, em solo boliviano), a grande Juana Azurduy, cantada pela voz imortal de Mercedes Sosa, também era conterrânea de muitas senhoras humilhadas e agredidas neste nefasto sábado, 22 de junho. A chibata, portanto, feriu de morte a dignidade e a honra da nação latinoamericana, vítima desde sempre dos feitores e jagunços que protegem saqueadores e seus sabujos, não seu povo explorado e humilhado.
Está enlutada a mãe-terra em cujo útero foram gestados cérebros generosos e iluminados como Pedro de Medeiros, Luiz e Mário Feitosa Rodrigues, Lobivar de Mattos, Apolônio de Carvalho, Wega Nery, Admar Amaral (Ramda Larama), Clio Proença, Carlos de Castro Brasil, Alceste de Castro, Ângela Maria Pérez, Magali de Souza Baruki, Renato Báez, Márcio Nunes Pereira, Jorapimo, Heloísa Urt, Augusto Malah dos Santos, Manoel de Barros, Augusto César Proença, Edson Moraes, Dary Júnior, Luiz Taques, Nelson Urt, Bolivar Porto, Edson Castro, Marcelo Fernandes e Felipe Porto.
É por isso que os signatários deste manifesto, à luz da ética universal, da irrestrita solidariedade e da indignação cidadã, declaram-se também em uma só voz: SOMOS TODOS BOLIVIANOS!

Corumbá (MS), 24 de junho de 2013.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

FÓRUM DE DIREITOS HUMANOS E DA TERRA - MT: SOMOS TODOS BOLIVIANOS

FÓRUM DE DIREITOS HUMANOS E DA TERRA - MT: SOMOS TODOS BOLIVIANOS: ---------- Mensagem encaminhada ---------- De:  Schabib Hany   < schabibhany@gmail.com > Data: 25 de junho de 2013 15:34 Assunto: SO...

SOMOS TODOS BOLIVIANOS

SOMOS TODOS BOLIVIANOS


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Schabib Hany <schabibhany@gmail.com>
Data: 25 de junho de 2013 15:34
Assunto: SOMOS TODOS BOLIVIANOS
Para: "Amigo(a)s Estimado(a)s" <amigos.estimados@gmail.com>


Estimado(a)s Amigo(a)s,
 
Estou encaminhando o texto preliminar do manifesto de desagravo às senhoras vítimas da covarde agressão feita por alguns policiais militares e guardas municipais em Corumbá (MS), acompanhados de outros funcionários públicos (municipais), numa sucessão de equívocos protagonizados pela nova administração municipal, cuja obtusidade começa a dar combustível ao já crescente sentimento antipetista em todo o País.

O texto é preliminar (porque será lido por um coletivo para ser assinado por várias pessoas e instituições), mas pode ser divulgado à vontade. E para quem quiser saber de quem é a redação, eu adianto que é de minha exclusiva iniciativa e autoria (mas aberta a contribuições), e desafio os parasitas do poder a qualquer tentativa de intimidação.
 
Sou da geração que desafiou a ditadura, e não me amedrontam quaisquer feitores travestidos de "esquerdalha", caricaturas, aliás, que me faz cócegas.
 
Fraternalmente,
 
Schabib
 
SOMOS TODOS BOLIVIANOS
MANIFESTO DE DESAGRAVO ÀS TRABALHADORAS AGREDIDAS
Este dia 22 de junho de 2013 entra tristemente para a história da cidadania do coração do Pantanal e da América do Sul pela truculência dos gendarmes que agiram, não como servidores públicos, mas verdugos da irmandade de dois povos que vêm construindo uma nova página na história latinoamericana.
Por meio deste manifesto público, fazemos nosso incondicional e irrestrito ato de desagravo às trabalhadoras da Feira Brasbol agredidas acintosa e covardemente, em plena luz do dia e diante de diversas câmeras, sábado, 22 de junho, por gendarmes despreparados, eivados do ranço xenófobo que vem sendo alimentado irresponsavelmente por algumas autoridades de Corumbá, de modo obtuso e na contramão da história.
Fruto dessa empáfia bizarra, tais agentes do Estado parecem desconhecer que o outrora polo cosmopolita que abrigou quase todos os povos no coração do Pantanal e da América do Sul só pôde permanecer por mais cinco décadas como importante centro comercial intracontinental graças ao mercado andino, predominantemente boliviano, que permitiu um movimento pela fronteira de Corumbá de mais de um milhão e meio de dólares por dia, segundo dados da CACEX (Carteira de Comércio Exterior) do Banco do Brasil.
Graças ao Pacto Pela Cidadania (em que deram o melhor de si cidadãos como Dom José Alves da Costa, Padre Pascoal Forin, Padre Ernesto Sassida, Irmã Antônia Brioschi, Jorge Katurchi, Armando Lacerda, Balbino de Oliveira, Arturo Ardaya, Alexandre Gonçalves, Elemar Ebeling, Lamartine Costa, Maçu Sabatel, Heloísa Urt, Angélica Anache, Luz Marina Silva, Cristiane Santana, Ednir de Paulo e Delari Botega), dois parlamentares defenderam em Brasília a implantação da Área de Livre-Comércio de Corumbá e Ladário, de modo a equalizar as condições de comercialização entre as duas fronteiras irmãs.
De modo fraternal e sincero, estabeleceram-se canais de interlocução entre os atores sociais dos dois lados desta fronteira, tendo servido de instrumento balizador das políticas públicas pioneiras, introduzidas na sequência. Aliás, os motivos que levaram ao engavetamento dos referidos projetos de lei no Congresso Nacional não estão relacionados ao sacrifício feito pela coordenação do Pacto Pela Cidadania, cujos membros foram muitas vezes alvo do escárnio dos que desde sempre se alimentaram da exclusão social pantaneira.
Em pleno século XX, quando as fronteiras nacionais são abolidas pelo inexorável processo histórico de integração dos blocos continentais, é inadmissível que funcionários públicos de formação no mínimo questionável coloquem em xeque uma relação fraternal e profícua desenvolvida nos últimos 60 anos, quando da celebração do Tratado de Roboré pelas autoridades do Brasil e da Bolívia, e que a partir de então culminaram com a construção da Ferrovia Corumbá – Santa Cruz de la Sierra, do Gasoduto Bolívia – Brasil.
Não é demais recordar os desavisados que, desde o início do funcionamento do gasoduto (a partir de 2000), Corumbá tem sido beneficiada pela elevação da parcela que lhe cabe no bolo do ICMS (Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços), e por conta disso sua receita não despencou no ranking estadual.
Relembramos ainda aos abutres que se alimentam da discórdia, que vêm acirrando uma hedionda intolerância com bolivianos e árabes (“turcos”) por meio de opiniões racistas, destituídas de qualquer fundamentação lógica, que xenofobia é racismo, crime inafiançável. Antes de passar pelo constrangimento de estar por trás das grades, prudência e civilidade não são demais.
Como a ignorância é torpe e atrevida, cabe aqui recalcar que, a exemplo das Mães da Coronilla (as heroínas que protagonizaram a primeira gesta libertária contra o jugo colonial na chamada América Espanhola, em solo boliviano), a grande Juana Azurduy, cantada pela voz imortal de Mercedes Sosa, também era conterrânea de muitas senhoras humilhadas e agredidas neste nefasto sábado, 22 de junho. A chibata, portanto, feriu de morte a dignidade e a honra da nação latinoamericana, vítima desde sempre dos feitores e jagunços que protegem saqueadores e seus sabujos, não seu povo explorado e humilhado.
Está enlutada a mãe-terra em cujo útero foram gestados cérebros generosos e iluminados como Pedro de Medeiros, Luiz e Mário Feitosa Rodrigues, Lobivar de Mattos, Apolônio de Carvalho, Wega Nery, Admar Amaral (Ramda Larama), Clio Proença, Carlos de Castro Brasil, Alceste de Castro, Ângela Maria Pérez, Magali de Souza Baruki, Renato Báez, Márcio Nunes Pereira, Jorapimo, Heloísa Urt, Augusto Malah dos Santos, Manoel de Barros, Augusto César Proença, Edson Moraes, Dary Júnior, Luiz Taques, Nelson Urt, Bolivar Porto, Edson Castro, Marcelo Fernandes e Felipe Porto.
É por isso que os signatários deste manifesto, à luz da ética universal, da irrestrita solidariedade e da indignação cidadã, declaram-se também em uma só voz: SOMOS TODOS BOLIVIANOS!
Corumbá (MS), 24 de junho de 2013.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cuba, a dignidade de um povo do tamanho de sua altivez

CUBA, A DIGNIDADE DE UM POVO DO TAMANHO DE SUA ALTIVEZ
“Lo que brilla con luz propia, nadie lo puede acabar.
Su brilho puede alcanzar la oscuridad de otras cosas.”
Pablo Milanés (Canción por la Unidad Latinoamericana)
Desde que a trágica colonização se abateu sobre o continente batizado de americano, o povo do território que foi chamado de Cuba, ainda no século XVI, nunca mais conheceu a paz e a concórdia, mas o saque e a exploração até que a Revolução Cubana de 1959 lhe assegurou soberania, dignidade, respeito e autoestima.
Piratas, corsários e todas as corjas oriundas da Europa usavam o arquipélago cubano, no Caribe, como base de apoio às suas aventuras.
No genocida processo de colonização, os povos originários praticamente foram extintos pelos espanhóis, e para explorar a mão de obra escrava e alimentar o comércio negreiro, trouxeram aprisionados centenas de milhares de africanos, que hoje constituem a maioria da população cubana.
Na dura luta pela independência da Espanha, o povo cubano teve como líder o pensador, jornalista e poeta José Martí, também chamado de “O Apóstolo”, mutilado em pleno combate pelas tropas coloniais antes do fim da guerra pela independência, em fins do século XIX.
É dele este emblemático pensamento:
“A liberdade custa muito caro e temos ou de nos resignar a vivermos sem ela ou de nos decidir a pagarmos o seu preço.” (José Martí)
Mas seu exemplo, resgatado pela Revolução Cubana, sequer foi honrado pelos sucessivos ditadores, verdadeiros marionetes do “Grande Irmão do Norte” e demais representantes dos interesses das empresas açucareiras e de orgias para a elite estadunidense, na primeira metade do século XX.
Durante praticamente duas décadas de luta contra o ditador Fulgencio Batista, mais um fantoche dos interesses americanos em solo cubano, três jovens líderes de um levante popular sem precedentes deram outro rumo à história do Povo Cubano: Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Ernesto Che Guevara.
A ira da elite entreguista cubana e os interesses do poder capitalista americano tentaram de todos os meios silenciar a Revolução. Mas o Povo Cubano deu o apoio necessário ao novo líder, Fidel Castro, e aos poucos foi se aproximando do socialismo, em plena Guerra Fria.
No início da década de 1960, com a participação de Che Guevara no governo revolucionário cubano, os Estados Unidos tentaram uma invasão, mal sucedida e que custou caro ao governo norte-americano, humilhado dentro de sua área de influência. O ponto alto dessa tensão foi a crise do mísseis, quando a União Soviética enviou mísseis para a defesa da ilha e os Estados Unidos tentaram repelir – segundo alguns historiadores o episódio por pouco não foi o estopim de uma possível terceira Guerra Mundial.
Desde então, Cuba vive um terrível bloqueio econômico (um verdadeiro boicote econômico que impede que as demais nações do continente negociem com o governo da ilha), além de parte de seu território, a região de Guantánamo, ter estado sob permanente ocupação militar estadunidense. Aliás, é lá onde atualmente se encontra a abominável prisão que o governo dos Estados Unidos mantém desde 2001 aprisionadas as vítimas de sua propaganda terrorista contra os árabes: sem qualquer processo formal, violando as mais elementares prerrogativas dos Direitos Humanos e das convenções internacionais, os autoproclamados “paladinos da democracia e dos direitos humanos” cometem toda forma de desumanidade, em nome de uma ficção que eles mesmos criaram – a luta contra o “terrorismo” (quando eles são os maiores terroristas).
Mesmo acuada, Cuba não deixou de manter viva a chama da solidariedade socialista, e, além de ter recebido jovens de todas as partes do mundo para frequentar suas universidade, escolas profissionais e centros de excelência em diversas atividades humanas, enviou suas missões humanitárias para vários continentes, sobretudo África (Angola e Moçambique) e América Latina (Peru, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Venezuela e mais recentemente Brasil).
Não por acaso, Fidel Castro, ao lado de Jawaharlal Nehru (Índia), Gamal Abdel Nasser (República Árabe Unida) e Josip Broz Tito (Iugoslávia) foram os protagonistas do Movimento de Países Não Alinhados, que representou uma alavanca à luta dos povos por sua libertação nacional, seja América, África, Ásia, Oceania e Europa.
Até para os conservadores, Cuba tem um sentido emblemático, ou, como os camaradas baianos declararam na convenção de solidariedade anterior, “uma terrível pedra no sapato, uma vez que é a demonstração real da superioridade moral do socialismo”. E são eles que disseram que soube superar “as maiores adversidades após o fim da União Soviética sem fechar um único hospital ou escola e sem abrir mão da solidariedade internacional: menor taxa de mortalidade infantil da América Latina, menor taxa de violência urbana, analfabetismo zero, todas as crianças na escola, primeiro país do continente americano a cumprir as metas do milênio segundo a ONU, melhor país da América Latina e 30º do mundo para ser mãe, segundo a fundação inglesa Save the Children”.
Depois da extinção da União Soviética, os trabalhadores do mundo e alguns governos socialistas e anti-imperialistas passaram a colaborar com o Povo Cubano, mas o mérito de sua heroica superação é deles, exclusivamente. Ao contrário da insaciável propaganda enganosa do “grande irmão do norte” e de todas as iniciativas terroristas estadunidenses de sabotar, cooptar e denegrir o Povo Cubano de todas as formas, Cuba dá inequívocas provas de sua decisiva opção pelo socialismo como real alternativa para a sociedade decadente e cada vez mais fratricida do hediondo capitalismo, agora travestido de sociedade global, mas sempre igualmente perverso, tirânico, excludente e mais que nunca intolerante e explorador.
Por isso, a solidariedade a Cuba e à dignidade de seu bravo e heroico Povo é incondicional, fraternal, militante e, sobretudo, literalmente dialética: proativo, criativo, palpitante, alegre, futurista e permanente – como a Vida –, com a mesma convicção dos jovens que transformaram e transformam o mundo para as novas gerações, e dos sábios anciões como Oscar Niemeyer que, do alto de seus mais de cem anos, calou a boca dos milhões de cínicos “ex-socialistas” arrependidos: “Enquanto houver uma só criança no mundo a morrer de fome, tenho orgulho de ser socialista.”
Foi assim como Chico Buarque verteu para o português o citado poema de Pablo Milanés:
A história é um carro alegre cheio de um povo contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue.
É um trem riscando trilhos, abrindo novos espaços, acenando muitos braços, balançando nossos filhos.
Quem vai impedir que a chama saia iluminando o cenário, saia incendiando o plenário, saia inventando outra trama?”

(Pablo Milanés e Chico Buarque, Canção para a Unidade da América Latina)

sábado, 1 de junho de 2013

"OZIEL FALAVA EM PÁSSARO" (Por Professor Fábio Nogueira)


Oziel falava em pássaro

Oziel, liderança terena, falava em pássaro.
OZIEL, LIDERANÇA TERENA, FALAVA EM PÁSSARO.
“Conversava em Guató, em Português, e em 
Pássaro.”
(Manoel de Barros sobre Sombra-Boa)
- E foi assim, disse desolado Adamastor.
Era uma narrativa breve e melancólica.
As crianças escutavam tudo imóveis como as sombras ao meio dia.
Adamastor, com sua fala arrastada, descrevia como as terras dos sem fim se converteram em enormes propriedades rurais, produtivas e modernas.
Os confins se tornaram concentrações de coisas.
Desfez-se o reino da imensidão, da natureza, dos rios, das plantas e dos animais. Tudo se transformou em papel moeda.
As pessoas desaprenderam a falar em guató e em pássaro.
Só o português bastava.
Português é idioma bom para dar ordens.
Ninguém dá ordem em pássaro.
Em guató, as águas se erguem para ouvir. E isso é coisa imprestável na língua dos fazendais orgulhosos de sua estupidez endinheirada!
E o povo foi desaprendendo a falar. Disseram que pássaro e guató eram “línguas mortas” e condenadas ao exílio.
Retiraram os índios de suas terras e os despejaram às margens dos palavrórios de números e estatísticas.
Esta é a verdadeira “língua morta”: a língua surda do poder.
Adamastor era triste destas palavras.
Conhecera um terena que falava em pássaro.
Na Atlântida guató, pantaneira, uma gramática de águas e bichos conspirou contra as cercas do poder. Disseram isso pela canoa.
Oziel escutava tudo em silêncio. Aproximou-se de Adamastor e disse:
- Só fala em pássaro quem é livre!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

PROFESSORA EUNICE AJALA ROCHA, A HISTÓRIA COM NOME E SOBRENOME

Professora Eunice Ajala Rocha, a história com nome e sobrenome

A Professora Eunice Ajala Rocha se eterniza sem ter visto a reparação moral de Edu Rocha, assassinado a queima-roupa por um denunciado impune, e sem ter podido ver a publicação da pesquisa pioneira sobre o cururu, o siriri, o banho de São João e a viola de cocho, sua dissertação de Mestrado, em 1982.

Com o falecimento da Professora Eunice Ajala Rocha, ocorrido na primeira semana de 2013 -- a apenas dois meses do sepultamento de seu segundo esposo, Nineve Franco de Arruda --, encerra-se um rico período da história recente de Corumbá, ainda não suficientemente conhecido pelas novas gerações de corumbaenses e sul-mato-grossenses.

Docente aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, lotada no então Centro Universitário de Corumbá, ela é muito mais que uma proba ex-secretária de Educação e Cultura do município da primeira gestão do prefeito Fadah Scaff Gattass, por indicação do então vereador peemedebista Valmir Batista Corrêa: como pesquisadora resgatou o siriri e o cururu para a cultura regional e revelou para a posteridade talentos até então anônimos, como o cururueiro Agripino Magalhães Soares, o da viola de cocho (celebrizado pela saudosa Helô Urt quando gestora da Casa de Cultura Luiz de Albuquerque), e como cidadã foi protagonista de uma fase épica (mas nem por isso menos tumultuada) da política corumbaense, em que o célebre vereador Edu Rocha, seu primeiro esposo, resultou metralhado na saída da Câmara Municipal, depois de denunciar autoridades federais baseadas em Corumbá envolvidas com o tráfico de carros contrabandeados -- os famosos “rabos-de-peixe” --, cujo mandante permaneceu impune, apesar de todas as evidências e reportagens publicadas em uma das maiores revistas semanais de então, a O Cruzeiro, que dedicara a capa ao famigerado fato.

Há um episódio ilustrativo da urbanidade – ou, melhor, da magnanimidade – do casal Eunice – Edu Rocha, conhecido por pouquíssimas pessoas, que foi narrado pelo falecido protagonista e confirmado pela professora, duas décadas atrás: a poucos meses do assassinato do vereador Edu Rocha, em fins da década de 1950, um imigrante palestino, então recém-chegado, aportara no início da manhã à casa do renomado político para, como mascate, oferecer suas mercadorias na típica mala de fibra, tendo sido recebido pela esposa. Como o mascate ainda não falava o português, algum conterrâneo lhe fizera um texto grafado em árabe com o que deveria ser um preâmbulo de abordagem em português para expor os seus produtos. Contudo, por brincadeira de mau gosto ou pura má-fé, o conterrâneo do mascate, depois do cumprimento inicial, escrevera algo como “você quer dormir comigo?”, em vez de solicitar permissão para iniciar a demonstração de seus artigos à cliente. Tomada pelo susto (imagine-se o impacto daquelas palavras na metade do século passado), a professora Eunice pediu ao mascate que repetisse o que lera, e ele, com a inocência de quem não sabia o que estava lendo, insistira na proposta indecorosa. Ato contínuo, ela pediu licença para chamar o esposo, que se preparava para sair, que, depois da leitura do cumprimento com a dificuldade característica de um recém-chegado ao país, ouviu atônito a repetição do bizarro “você quer dormir comigo?”. Mal refeito da inusitada proposta, pediu à esposa que servisse um café ao mascate e depois de telefonar para alguém convidou o imigrante que o acompanhasse para poder compreender seu propósito. Algumas quadras depois, chegam a um tradicional estabelecimento de um imigrante libanês em pleno centro da cidade e Edu Rocha pede ao mascate que voltasse a ler sua “cola” diante do comerciante, que ruborizado lhe traduziu os termos de sua proposta. Envergonhado, o mascate pediu, de joelhos, perdão pelo ocorrido e se despediu deles, apressadamente, à procura do conterrâneo irresponsável, que por sua brincadeira poderia ter lhe causado a própria morte se não tivesse a sorte de ter sido recebido por esse casal afável. Meses depois, ao saber da morte daquele polido senhor que praticamente lhe salvara a vida, ele fez questão de ir ao seu funeral em sinal de gratidão. Por coincidência da vida, a Professora Eunice, antes de ser docente do Centro Universitário de Corumbá, trabalhou num órgão do Ministério do Trabalho ligado à atividade marítima, sediado no extinto Serviço de Navegação da Bacia do Prata, cujo prédio era próximo da loja do já próspero comerciante palestino, situada também na rua Quinze de Novembro, o que possibilitou que ele retribuísse aquele gesto magnânimo com a amizade e o respeito de toda a sua família, tendo transformado um constrangedor episódio em uma anedota sem maiores consequências, algumas vezes contadas aos amigos mais próximos. Hoje, à exceção do comerciante libanês procurado por Edu Rocha para esclarecer o imbróglio, esses protagonistas não mais estão entre nós, mas deixaram uma lição de urbanidade e cosmopolitismo para a posteridade, a despeito do indolente descaso com a memória pública em nossa região.

A amnésia coletiva reinante no coração do Pantanal, aliás, é pródiga: personagens medíocres sem qualquer atributo meritório são alvo de repetidas homenagens em vida. Já personalidades com a biografia de uma cidadã digna e proba, porém discreta e humilde, como a Professora Eunice Ajala Rocha, passam despercebidas, quase anônimas, por nosso cotidiano de bajulações entediantes. Em 2002, o escritor Augusto César Proença e eu fizemos uma tentativa, lamentavelmente frustrada, de publicar uma versão em formato não acadêmico da dissertação de mestrado da Professora Eunice, em que faz generosos aportes à cultura popular e à identidade cultural da região. Decorridos dez anos, sequer a versão acadêmica de sua dissertação foi publicada. Talvez agora, com seu falecimento, os doutos do saber acadêmico tomem a -- ainda que extemporânea -- iniciativa de publicar seu trabalho, até para que não seja alvo de plágio pelos colecionadores de títulos acadêmicos que vivem a garimpar méritos a qualquer custo.

Ahmad Schabib Hany

Feitas duas correções posteriores à publicação: adequação ortográfica do termo "siriri" e substituição do nome da revista semanal Manchete pelo da O Cruzeiro, em cujas edições foram publicadas denúncias antes e depois do assassinato do Vereador Edu Rocha, em 1959.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ATÉ SEMPRE, DOM JOSÉ!

Até sempre, Dom José!

Ontem, dia 4 de dezembro, pela voz embargada do Padre Pascoal Forin, pároco de São João Bosco (Corumbá), fomos tristemente surpreendidos pela partida de nosso querido Amigo e Irmão, o agora saudoso Dom José Alves da Costa, Bispo Emérito da Diocese de Corumbá e imortal Presidente de Honra do Pacto Pela Cidadania e do Comitê de Corumbá e Ladário da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, que ajudou fundar e conferiu dignidade e autonomia, em tempos em que o protagonismo cidadão era incompreendido e combatido – muito mais que hoje.

Os derradeiros anos de existência de Dom José foram de intensa resistência por sua saúde, bastante fragilizada, inicialmente pelo diabetes e mais tarde pelo mal de Alzheimer, que o privou de sua memória privilegiada. Nesta terça, depois de tomar o café da manhã, sem ter manifestado dor ou desespero, partiu em silêncio, como todo anjo sói mudar-se para outra dimensão.

Foi-se, aliás, do mesmo jeito com que viveu e ensinou generosamente muitas lições de cidadania até aos mais arrogantes senhores da região. Com elegância e caridade, não se submetia aos gritos e arroubos de prepotência de coronéis caquéticos e gendarmes ensandecidos à espreita de humildes camelôs de além-fronteira, cujas mercadorias eram saqueadas e eles postos a correr, como se estar na economia informal fosse uma opção, e não um desesperado intento de buscar a sobrevivência no limiar da legalidade.

Ficou célebre a sua atitude contundente ao impedir que uma guarnição da Polícia Militar apreendesse mercadorias e detivesse senhoras idosas que vendiam na calçada da antiga Mitra Diocesana, defronte da Praça da República e próximo da Polícia Federal. Também, não passou despercebida sua igualmente firme postura diante de diversas viaturas policiais que pretendiam deter membros do Movimento dos Sem-Teto, em fins de 1998, quando mobilizou voluntários da Ação da Cidadania para cadastrar as famílias que estavam se assentando no loteamento Pantanal, na parte alta da cidade, a fim de poderem receber cestas básicas que estariam sendo disponibilizadas naquele período.

Com a mesma galhardia litúrgica que pautava seu sagrado ofício sacerdotal, exercia e fomentava a cidadania de seus semelhantes. Tanto assim, coordenando o Pacto Pela Cidadania, cumpriu extensa agenda na governadoria e na Assembleia Legislativa, em Campo Grande, além de diversas reuniões nas prefeituras e câmaras de Corumbá e de Ladário. Sem qualquer constrangimento, num tempo em que receber visita de candidatos de esquerda era, para o status quo, no mínimo bizarro, esteve reunido por mais de quarenta minutos com os então candidatos Luís Inácio Lula da Silva e José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, a fim de expor sobre a importância da implantação da Área de Livre-Comércio de Corumbá e Ladário para a retomada do desenvolvimento sustentável desta região de fronteira.

Demonstrava serenidade e profunda sensatez, até mesmo em momentos dramáticos, como da inusitada invasão da Mitra Diocesana por assaltantes armados no início de uma reunião de trabalho do Pacto Pela Cidadania, em fevereiro de 1998, quando ele e outras dez pessoas foram trancafiadas no pequeno oratório ao lado da sala de estar por mais de duas horas, enquanto os saqueadores reviravam todos os espaços da casa à procura de dinheiro e objetos de valor. Tudo o que conseguiram tirar não passava de cem reais e um anel comemorativo de sua ordenação sacerdotal, que o fazia lamentar-se pelo valor afetivo. Indagado se esse episódio mudaria sua rotina, ele desconversava, lembrando que seu ofício, como os demais, sempre dá margem ao imponderável. Mas jamais deixou de receber cidadãos na modesta residência oficial de Bispo de Corumbá, sempre de portas abertas para acolher a todos os que lá acorriam, fossem membros de sua Diocese ou cidadãos dos vários movimentos sociais que apoiava com sabedoria e sisudez.

Neste momento em que Corumbá e Ladário – aliás, o Planeta, na verdade – ficam muito mais pobres e tristes com a sua pranteada partida, reproduzo, a seguir, a mensagem de despedida que os membros do Pacto Pela Cidadania, da Ação da Cidadania Contra a Fome e Pela Vida e do Fórum Permanente de Entidades não Governamentais (FORUMCORLAD) leram na última reunião conjunta coordenada por ele, ainda como Bispo Diocesano de Corumbá, em agosto de 1999, na sede da Casa de Cultura Luiz de Albuquerque (ILA).

 

Mensagem dos aprendizes de cidadão

Quis a Vida que estivéssemos reunidos no local em que oito [vinte e um] anos atrás era dado o primeiro grito de alerta da cidadania para o drama vivido pelo maior espaço destinado para a memória cultural da região, então em ruínas. Era setembro de 1991. Na época, Dom José Alves da Costa, recém-chegado à Diocese, com a espontaneidade que lhe é [era] peculiar, se aproximou dos organizadores da Semana da Cultura para manifestar sua simpatia pela iniciativa, somando-se ao conjunto da sociedade local. Hoje, embora tivéssemos muito para comemorar, diante das inúmeras conquistas acumuladas ao longo desse período – inclusive a revitalização da Casa de Cultura [ILA] –, lamentavelmente estamos reunidos para nos despedir [para sempre] do sábio e compreensivo sacerdote que aceitou ser nosso timoneiro neste duro mas fecundo aprendizado de cidadania [agora sem a presença de dois saudosos Companheiros de primeira hora: Heloísa Helena da Costa Urt, nossa querida Helô, e o igualmente leal e estimado Aurélio Mansilha Tórrez, que também partiram para outra dimensão, deixando uma profundidade de saudades mil].

Desde o primeiro encontro com o sacerdote que cativou corações [e mentes] de todos os credos e correntes de pensamento, nasceu um relacionamento marcado pela generosidade e pelo desprendimento que transcendeu fronteiras de toda natureza. Em 1993, durante as atividades reflexivas da Segunda Semana Social Brasileira, promovida pela CNBB, foi dado o primeiro passo concreto no sentido da articulação da sociedade local para os problemas sociais. Assim, em junho daquele ano, nascia o Comitê de Corumbá e Ladário da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, sob a iluminada coordenação de Dom José Alves da Costa. Como nunca até então fora visto, centenas de voluntários de todos os credos, raças e classes sociais se irmanaram no intuito de amenizar o drama de mais de sete mil famílias que na ocasião se encontravam abaixo do limite da pobreza.

Inspirada nos ensinamentos do sociólogo Herbert de Souza – o saudoso Betinho –, a Ação da Cidadania, com o apoio dos funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Itaú, Embrapa, INSS, Sanesul, Telems, Enersul, IBGE, Cimento Itaú, UFMS, Correios, INCRA, Embratel, Empaer, prefeituras de Corumbá e Ladário e diversos educandários – além do providencial envolvimento das comunidades católica, evangélicas (sobretudo presbiteriana e batista) e espírita –, distribuiu na região, nos primeiros três anos, mais de quinze mil cestas básicas e iniciou um trabalho de capacitação profissional para as famílias mais carentes, tendo incentivado a formação de clubes de mães, hortas comunitárias e cursos de alfabetização. E foi graças ao levantamento da Ação da Cidadania, o chamado Censo da Fome [de 1993], que Corumbá e Ladário passaram a estar incluídas em diversos programas federais de âmbito social [como o PRODEA], pois até então as respectivas prefeituras locais sequer dispunham de levantamento sistematizado acerca dos problemas sociais em seus municípios.

Em dezembro de 1994, com a implantação da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), uma comissão de voluntários foi disponibilizada para montar um grupo de estudos e discutir com a sociedade ladarense o processo de municipalização da Assistência Social naquele município. Com a experiência acumulada, a Ação da Cidadania foi responsável pela organização [ao longo de quase um ano e meio], em dezembro de 1995, do Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário [FORUMCORLAD], pioneiro no estado na articulação dos segmentos afins em diferentes áreas de interesse das políticas públicas de âmbito social, e que tem como Presidente de Honra o Padre Ernesto Sassida. Hoje é modelo para muitas cidades de diferentes estados, sobretudo pelas plenárias [desde 2009, fóruns setoriais] em que são discutidas as políticas públicas e pelo papel desempenhado nas discussões dos respectivos conselhos municipais, sendo responsável pela escolha dos membros da maioria deles [a despeito do servilismo sórdido de verdadeiras marionetes de interesses inconfessáveis de gendarmes de quinto escalão que não se cansam, inutilmente, de tentar usurpar tal prerrogativa, conquistada com legitimidade e dignidade, além de muita luta e altivez].

Por outro lado, a dramática situação social, decorrente da estagnação econômica da região, criou as condições para que fosse organizado o Pacto Pela Cidadania [Movimento Viva Corumbá], em junho de 1995, como resultado de uma extraordinária articulação de mais de quinze segmentos sociais de Corumbá e Ladário, sob a coordenação de Dom José Alves da Costa. Camelôs, estudantes, professores, feirantes, ferroviários, comerciantes, pescadores, taxistas, agricultores, funcionários públicos, exportadores, donas-de-casa, moradores de bairros, artistas, intelectuais e religiosos assumiram o compromisso de defender uma agenda mínima em defesa da região, a qual foi atualizada em agosto de 1998, conforme o documento Agenda 98: vida e cidadania – caminhos para o reencontro de Corumbá e Ladário com o progresso.

Desde a promoção da Semana da Cultura pela Sociedade dos Amigos da Cultura, em setembro de 1991, até a apoteótica realização do Seminário da Saúde em Corumbá, em junho de 1999, muitas conquistas foram protagonizadas pela cidadania local, com a generosa e incansável colaboração de Dom José Alves da Costa, que com sua sábia humildade soube conduzir com cordialidade e senso de justiça as exacerbações circunstanciais. Sem dúvida, o ponto alto desta jornada interminável ainda está [estava] por vir. Em vez de Coordenador, função que doravante será [está sendo] exercida pelo Padre Pascoal Forin (até então Coordenador-Adjunto), Dom José Alves da Costa está sendo [foi] proclamado Presidente de Honra do Pacto Pela Cidadania e do Comitê de Corumbá e Ladário da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Mais que homenagem, é o reconhecimento de nossa coletividade pelas importantes contribuições proporcionadas para a região mais antiga do estado, e não por acaso das mais esquecidas desde a criação do estado de Mato Grosso do Sul.

Como aprendizes de cidadãos e seguidores de seus ensinamentos, estamos certos de que faremos com que o Senhor, Dom José, retorne muitas vezes à terra que Frei Mariano jamais amaldiçoou (até porque missão de sacerdote não é essa) [retornou, sim, duas vezes: na inauguração da sede da CRIPAM e na outorga do título de cidadão corumbaense pela Câmara]. Com a generosa condução de homens libertos de vaidades como o Senhor, a cidadania local está fazendo a tão sonhada retomada, com amor, solidariedade e muita compreensão.

Até breve [até sempre], Dom José!

Ahmad Schabib Hany

Agosto de 1999 [dezembro de 2012]