Cerimedo, a mentira como negócio milionário
Fernando Cerimedo -- o 'faketeiro' argentino que fundou o 'La Derecha Diario' e assessorou respectivamente um grupo de empresários pinochetistas contra a Constituinte no Chile em 2020, José Antonio Kast em 2021, Jair Bolsonaro em 2022, Javier Milei em 2023, Rodrigo Paz em 2025 e Nasry Asfura também em 2025 -- foi preso por tentativa de feminicídio na Bolívia e em seguida flagrado com um milhão de dólares de propinas e outros crimes. Agora que o 'paladino' da direita foi desmascarado, nem o presidente da Bolívia diz conhecer o agente da CIA responsável pela lucrativa estruturação de mentiras e um propinoduto em todos os países por onde passou.
O 'faketeiro' Fernando Cerimedo foi detido esta semana no Aeroporto de Viru-viru por tentativa de feminicídio contra sua namorada na Bolívia, advogada Nadia Beller. Nádia, ativista de direitos femininos e acusadora do ex-presidente Evo Morales por pedofilia, está grávida de quatro semanas do argentino e foi atingida por três balas quando, induzida pelo namorado, foi à frente do hotel em que estava hospedada em Santa Cruz de la Sierra para pegar lanche por serviço de entrega.
Cerimedo, 'faketeiro' argentino fundador do 'La Derecha Diario' em sociedade com o agitador espanhol Javier Negre, ganhou notoriedade ao assessorar -- isto é, espalhar mentiras para 'virar o jogo' em favor de seus 'clientes' --, respectivamente, um grupo de empresários chilenos pinochetistas contrários ao processo constiuinte [em 2020, com a participação do diário de extrema-direita 'Mercurio', a empresa dele, Numen SpA, espalhou fakenews contra o projeto de uma nova Constituição para o Chile, ocasião em que conheceu o atual presidente pinochetista José Antonio Kast, para o qual trabalhou na campanha de 2021], o ex-presidente Jair Bolsonaro ['amigo' de Eduardo Bolsonaro, trazido por ele de Buenos Aires, arrolado no processo do STF sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 por disseminar vídeos em que ele desacredita as urnas brasileiras como se fosse perito]; Javier Milei, o presidente 'mais sionista do mundo' [assessor de campanha em 2023 e que, após o escândalo de corrupção envolvendo a poderosa Karina Milei, irmã e secretária-geral da presidência, em desvio milionário do fundo assistencial para pessoas com deficiência, foi demitido, mas sua cônjuge, Natalia Basil, continua na assessoria da Casa Rosada]; Rodrigo Paz, da Bolívia [assessor no final do primeiro e em todo o segundo turno da bem-sucedida campanha eleitoral de 2025 do hoje impopular 'pollo pillo' ('frango patife'), e, ao voltar do serviço para a CIA em Honduras, assumiu cargo de assessor presidencial do fantoche boliviano], e Nasry Asfura, de Honduras [ex-preso condenado a 40 anos nos EUA por narcotráfico, anistiado em 2025 por Donald Trump para fraudar as eleições gerais hondurenhas e eleger um reconhecido traficante como artífice do 'combate ao narcoterrorismo', em que Cerimedo teria cumprido papel 'estratégico' como agente da CIA em colaboração com o Mossad].
Tomado de surpresa, o governo fantoche de Rodrigo Paz, há dez meses no poder e em meio a sucessivas crises políticas por corrupção e mentiras em série [como o não cumprimento de promessas de campanha que lhe asseguraram uma vitória eleitoral inimaginável], sequer desta vez agiu rápido. Além do porta-voz oficial, sem credibilidade junto à opinião pública, ninguém do primeiro escalão fez uma declaração para condenar, de viva voz, a tentativa de feminicídio contra Nádia Beller, ex-auxiliar que se demitiu depois de deixar clara a sua relação afetiva com Cerimedo (havia rumores de que ele mantivesse relação extraconjugal com a irmã de Paz). Somente no início da noite seguinte à da tentativa do crime uma nota protocolar do presidente boliviano nas redes sociais prestou solidariedade à ex-assessora e lhe declarou garantia de vida, sem fazer qualquer alusão ao hoje inconveniente 'assessor principal da presidência', preso preventivamente por 180 dias, primeiro por tentativa de feminicídio e, mais tarde, por mensagens muito comprometedoras achadas em seu computador e em dois celulares apreendidos.
A situação de Cerimedo é insustentável. Preso por tentativa de assassinar a mãe de seu filho em gestação, de apenas quatro semanas, o renomado 'faketeiro' da direita internacional foi flagrado, também, com dinheiro em sua bagagem no aeroporto e ainda algo como um milhão de dólares em espécie em uma gaveta de guarda-roupa de seu segundo apartamento. Por que tanto dinheiro efetivo? Não há banco confiável? Pelo visto, não é só hábito de seus amigos e ex-clientes Eduardo e Flávio Bolsonaro, membros do clã também 'apoiado' pelo 'paladino' da 'democracia', 'liberdade', de 'Deus, pátria e família'...
DIREITA, SEU NOME É MENTIRA
Um século atrás, Joseph Goebbels -- o homem da propaganda nazista -- começou a ensinar a arte de mentir como instrumento de conquista do poder pela direita, adotada e aperfeiçoada depois pelos Estados Unidos durante a guerra fria. Derrotada a União Soviética, os EUA mantiveram a doutrina de Goebbels desde a década de 1990 em todas as invasões promovidas com a participação da OTAN, com o afã de saquear os recursos naturais de territórios antes sob influência soviética, tendo usado sistematicamente a mentira como pretexto: Iraque (1990-1991, 2003-...), Iugoslávia (1991-2001), Chechênia (1994-1996, 1999-2009), Ruanda (1990-1993), Somália (1991-...), Congo (1996-1997, 2013-...), Líbano (2003-...), Tunísia (2010), Egito (2010-...), Líbia (2010-...), Síria (2011-...), Iêmen (2011-...), Ucrânia (2014-...), Gaza (2023-...) e Irã (1979-2016), 2025-...). A inusitada invasão à Venezuela (2026-...), com o sequestro de seu presidente e rapinagem de suas riquezas, faz parte do novo ciclo de invasões dentro do continente, que inclui Cuba (1960-...), há décadas obsessão do imperialismo estadunidense.
Não se trata de 'levar a democracia', mas de pilhar -- cobiçar, saquear, roubar cinicamente -- os recursos naturais e posições geopolíticas, sobretudo desde que George W. Bush (filho alcoólatra do ex-presidente homônimo) em 2001 permitiu a consumação do autoatentado do Word Trade Center, em Nova Iorque (algo muito parecido ao que Benjamin Netanyahu permitiu que ocorresse nos limites de Gaza em 2023, pretexto para a deflagração do genocídio previamente planejado contra a população palestina, em pleno curso e sem qualquer intervenção humanitária), tido como laboratório de novas estratégias de invasão a países soberanos.
A imagem patética de Trump é artifício da estratégia de investida colonial de um império em franca decadência. A desintegração de suas bases ficou patente com a inteligente resistência iraniana. Colônia do sionismo desde o assassinato de John Kennedy, em 1963, a subordinação incondicional dos Estados Unidos a Israel ficou exposta quando Richard Nixon teve que aceitar goela abaixo a nomeação como secretário de Estado ninguém menos que Henry -- aliás, Heinz Alfred -- Kissinger, alemão foragido do III Reich que virou queridinho do império em luta contra a União Soviética, até desintegrá-la com a colaboração do 'camarada' Mikhail Gorbatchev e do alcoólatra Boris Yeltsin, dois militantes sionistas.
Até com Barack Obama, primeiro presidente negro e filho de pai muçulmano dos EUA, a CIA e o Pentágono tinham carta branca -- ou cheque em branco -- para operar no submundo do crime e promover lawfare na América Latina, como provou o WikiLeaks, em que Julian Assange disponibilizou mensagens secretas da espionagem global da Casa Branca e revela coisas escabrosas, e ato contínuo outro vazamento referenda essa mesma conduta, agora por Edward Snowden, dois cidadãos corajosos que desafiaram os temidos e poderosos esquemas de poder da falsa 'democracia' estadunidense, refém do sionismo.
Contudo, a imprensa corporativa jamais deu o merecido destaque às denúncias de Julian Assange e Edward Snowden, tidos como criminosos, de acordo com o ponto de vista da Casa Branca. Foi essa mesma imprensa a que transformou a quadrilha de prevaricadores, conspurcadores e procrastinadores de Curitiba em paladinos da moralidade [na verdade, responsáveis por terem acabado com a indústria de base nacional (processam-se e se condenam executivos corruptos, preservando-se as empresas sólidas, detentoras expertise, know-how de engenharia civil, naval, petrolífera, aeroespacial e de energia, visadas pelas concorrentes transnacionais, e os milhares de empregos qualificados por elas gerados), hoje reconhecidamente fantoches, reles serviçais de quinta categoria do Departamento de Justiça dos EUA no governo de Barack Obama, verdadeiros delinquentes malversadores de recursos públicos, denunciados pela Procuradoria Geral da República, e a qualquer momento sob julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.
A propósito, por que a Lobo dos Merdinho, a Fechol dos Comunidade, a Falha dos Frígidos e o Estradão dos Mosquita -- e seus congêneres espalhados pelo Brasil -- fazem sempre opção contra os interesses do Brasil? Porque as oligarquias, desde a colonização, são parasitas vinculadas à metrópole: vivem do dinheiro público, saqueado sem pudor. À exceção da saudosa Fechol do tempo de Seu Vittorio [que, a exemplo de seu irmão Cesare, contratou um time de Jornalistas gigantes (grandes profissionais, com talento e muita dignidade, aqui e na Argentina, tanto que os ditadores Videla e Massera o pressionaram para que vendesse sua editora e saísse do país pelo 'crime' de contratar profissionais 'comunistas' como León Pomer, diretor editorial) para fazer revistas que entraram para a história], as demais oligarquias participaram da conspiração contra o Brasil e sua democracia em 1964 com o regime militar, 1989 com Collor e 2013-2018 e 2019-2022 com Temer e Bolsonaro (desde 1989, aí sim, com a participação de um dos filhos e os netos de Seu Vittorio, tomados pela soberba, fazem de suas revistas panfletos mercenários e, ao se nivelar a seus concorrentes, deram chance aos Merdinho e os Frígidos comerem seu fígado até levá-los à bancarrota, tendo, por outros motivos, fim parecido ao do tio-avô Cesare na Argentina, eles também fora do país desde 2018, quando descartaram por cem mil reais a editora construída com muito afinco por seu avô Vittorio a um investidor financeiro especialista na recuperação de empresas em crise, com uma dívida superior a 1,6 bilhão de reais).
MENTIRA QUE ROUBA, DÁ LUCRO E MATA
Ainda que não confirmado pelos seus amos e senhores da Casa Branca, Cerimedo não passa de um serviçal de quinta categoria do império. Pau mandado desde os tempos em que foi 'estudar' (ser treinado, na verdade) nos Estados Unidos, esse 'faketeiro' -- chamá-lo de marqueteiro é uma ofensa aos profissionais da área -- que ganhou projeção internacional graças a Eduardo Bolsonaro que, na ânsia de manter o inominável no Palácio do Planalto, foi contratado para fazer vídeos com 'laudos', como se fosse perito, de algo que nunca tinha visto, as urnas eletrônicas brasileiras. Por isso seu nome está na lista dos incentivadores da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, mas a mesma imprensa que tornou Moro e Dalagnol heróis hoje finge não saber da gravidade dos crimes em série cometidos por Cerimedo e posa de 'imparcial' cobrindo 'gentilmente' os golpistas em sua campanha, tomada de fakenews.
Além de a quase tragédia ter revelado o mau-caratismo de Cerimedo, tido por referência da direita do Hemisfério Sul, a tentativa de feminicídio de Nadia Beller expõe a inconsistência ética dos autoproclamados 'libertários' [talvez de seus bolsos, pois movidos a corrupção nos países usurpados pela direita, crimes de sangue e total falta de escrúpulos -- eis que o defensor da família não hesitou em se envolver com uma colega de trabalho na Bolívia, engravidou-a e, conforme denúncia do Ministério Público, depois tentou livrar-se dela e do filho ainda no ventre, mesmo declarando-se 'contra o aborto'].
Nadia Beller, experiente ativista de direitos femininos, soube agir quando vítima dos disparos ante o atirador que a surpreendeu como entregador de serviços de lanche. Ela revelou que se jogou ao chão enquanto o matador fazia os disparos a queima-roupa e se fingiu morta. Denunciou a demora do serviço de emergência, cuja equipe de socorristas fez, segundo ela, corpo-mole para deixá-la dessangrar e agravar o seu quadro clínico, considerado estável na clínica onde foi internada. Nadia não revelou apenas a inusitada rotina do amante e assessor presidencial como da família do presidente Rodrigo Paz, para ela todos envolvidos em contrabando de ouro e madeira (algumas 'untadas' com mais de cem toneladas de cocaína, como revelaram autoridades alfandegárias do Chile), bem como propina em uma série de produtos e serviços, como combustíveis e eletricidade.
Há quem veja amadorismo na conduta de Fernando Cerimedo em sua carreira de mercenário a serviço da extrema-direita adestrado pela CIA e outros órgãos de inteligência (segundo Nadia Beller, inclusive o Mossad). Ter se envolvido com uma colega de trabalho foi um, segundo o jornalista boliviano Mauricio Porras, repórter policial há mais de 35 anos, ligado à direita cruceñista. Porras tenta pôr dúvida quanto à 'aquisição' de Cerimedo pelo desgastado e impopular fantoche Rodrigo Paz -- para ele, a 'importação' do 'faketeiro' argentino teria sido feita por um candidato 'canhoto' que não chegou ao segundo turno (versão da direita para se eximir de qualquer responsabilidade pela contratação desse assessor canastrão, desde sempre ligado à extrema-direita) --, e tenta livrar Rodrigo Paz pela atabalhoada compra do combustível argentino e paraguaio, causadora de um inusitado estrago de milhares de motores de carros e motos pelo país afora.
O fato concreto é que caiu a máscara de moralismo, religiosidade, legalismo e observância rigorosa dos valores republicanos desde os tempos dos chamados enciclopedistas que deram origem ao Estado contemporâneo (e a concepção dos três Poderes independentes), com a Revolução Francesa de 1789. Num ocidente decrépito, desacreditado e insaciavelmente predador (sempre executor do saque dos piratas e da pilhagem dos corsários), nunca se tratou de 'levar a civilização' ou de 'ensinar a democracia' aos povos do Sul Global, por não serem praticantes dos valores civilizacionais e muito menos da democracia. Os romanos, embora não fossem necessariamente isentos, foram os que os chamaram de 'bárbaros', e republicanos franceses do século XX os que torciam o nariz às oligarquias estadunidenses que se louvavam como modelo de democracia [Charles De Gaulle, presidente conservador da França pós-1945 que, a despeito de ser um colonialista confesso, teve o mérito de comandar a Resistência contra o nazifascismo e era um democrata liberal que não via com bons olhos o sistema bipartidário, de colégio eleitoral e eleições indiretas nos EUA, e por isso defenestrado pelo establishment americano].
Parabéns, Nadia Beller, que com sua coragem e inteligência de mulher altiva, não se intimidou, enfrentou e sobreviveu com dignidade para desmascarar o fio do novelo de uma farsa criada pelos laboratórios coloniais e saqueadores da Casa Branca. Não por acaso todo fascista, todo direitista, é misógino. Mas não resiste ao poder de uma mulher inteligente, e cai como um pato pronto para o abate... A propósito, qualquer semelhança com o 'Zero Hum' e seus congêneres não terá sido mera coincidência.
Que o Todo Poderoso tenha misericórdia da humanidade! Livre-a do jugo nefasto dos criminosos contumazes que se fingem cristãos impolutos e pródigos mesmo sabendo que não o são.
"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará..." (João 8:32)
Ahmad Schabib Hany
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