Bassma Assrieh, sempre na memória
Companheira de Vida do imigrante palestino Omar Fares, Bassma Assrieh se eternizou nesta sexta-feira, 12 de junho, com honrado legado de resistência das Mulheres Palestinas, ao lado da saudosa Abla Issa. Seu exemplo vive em nossa memória.
Por meio do Amigo Jornalista Edson Moraes tomei conhecimento, neste final de semana, da eternização da Senhora Bassma Assrieh, uma incansável resistente em defesa da Palestina, ao lado da igualmente saudosa Abla Subhi Issa Ahmad. Desde jovem, Dona Bassma, ao lado de Abla, mobilizava imigrantes palestinos e a população local em eventos ou manifestações -- inclusive passeatas e atos públicos --, em um tempo em que ainda não havia sido estruturada a entidade que congrega a comunidade palestina no coração do Pantanal e América do Sul.
Bassma Assrieh, comerciante e membro do Conselho Fiscal da Associação Comercial e Empresarial de Corumbá (ACIC), era casada com o conhecido imigrante palestino Omar Fares, vice-presidente da Sociedade Árabe-Palestino-Brasileira em Corumbá, diretor da Sociedade Beneficente Muçulmana de Corumbá (SOBEMCO) e colunista do Correio de Corumbá.
MULHERES PIONEIRAS
Corajosas e convictas, as Mulheres Palestinas (maiúsculas), desde o início da Nabka, têm um papel relevante de protagonismo na resistência ao processo de colonização com extrema violência promovido pelo sionismo, com total apoio e cumplicidade das potências ditas 'democráticas', mas sequer deram chance para ouvir a população palestina antes de entregar um território milenar que não lhes pertence a europeus nascidos na região oriental, conhecidos como asquenazis, que há décadas controlam o governo do Estado colonial sionista.
Na década de 1960, sobretudo depois do Terceiro Assalto (no ocidente, Guerra dos Seis Dias), a resistência palestina passou a ser alvo de campanha aviltante. A derrota militar sofrida por Gamal Abdel Nasser, da República Árabe Unida (Egito e Síria) e líder árabe inconteste, serviu de alento para o sionismo, por meio da imprensa corporativa, rotular a resistência palestina de terrorista. Era um tempo em que, na América Latina, a maioria dos países era dominada por ditaduras que usavam o mesmo discurso contra seus opositores.
Foi nesse contexto político que Bassma e Abla, saudosas resistentes palestinas, bem como outras jovens estudantes secundaristas que saíam altivas nos desfiles empunhando a bandeira da Palestina, honraram a soberania e a história de seu país milenar. Decorridas cinco décadas, graças à cobertura em tempo real pelos meios independentes, veem-se hoje as atrocidades denunciadas corajosamente por essas jovens, cujo legado é motivo de orgulho para as novas gerações, e, em especial, para a comunidade local.
Bassma e Abla, entre tantas outras jovens cujos nomes a história reconhece, merecem ser nomeadas como mártires da Causa Palestina. Emigraram em tenra idade, contra a própria vontade de seus pais, não tendo podido fazer escolhas. Tiveram que se ater, num primeiro momento, às atividades possíveis, como o comércio, mas o caráter e o talento provam que teriam sido o que quisessem, pois nunca lhes faltaram capacidade, altivez e determinação.
À Família enlutada nossa solidariedade, em especial ao incansável Amigo Omar Fares -- Companheiro de Vida e de luta de Bassma -- e às Irmãs e descendentes, com a certeza de que a História da Resistência Palestina tem em seus honrados anais o registro da saga de Bassma e Abla no Coração do Pantanal e da América do Sul.
A lealdade, a coragem e o caráter são a marca dos povos que vencem todos os poderosos, estejam onde estiverem. Como testemunha ocular dessa honrada quadra da história, só tenho a agradecer. Obrigado, Bassma, pelo legado de lealdade e consciência pela Causa Palestina, que é a causa da humanidade.
Bassma Assrieh, sempre na memória!
Ahmad Schabib Hany
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