https://youtu.be/jrQX2y8c1f4?si=AAOgzeUk0HPL1u88 - TVGGN - NASSIF: CAMPANHA DA MIDIA NO CASO MASTER VISA TIRAR PODER DO STF.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
MOCHILEROS DE ZION - HISPANTV - ISRAEL EN LA PATAGONIA
https://youtu.be/xfcovrcSnOU?si=EPHimHQECItcPheC - DATA URGENTE - HISPANTV DOCUMENTAL SEBASTIÁN SALGADO - MOCHILEROS DE ZION - HISPANTV - ISRAEL EN LA PATAGONIA
O papel do Irã na geopolítica mundial - Salém Nasser - Programa 20 Minutos
https://www.youtube.com/watch?v=G7qXnk_qDQs - OPERA MUNDI com Breno Altman (estréia da nova casa) - O PAPEL DO IRÃ NA GEOPOLÍTICA MUNDIAL - SALÉM NASSER - PROGRAMA 20 MINUTOS
CHOCANTE! Como o Mossad Chantageia a Casa Branca. Salem Nasser Explica C...
https://www.youtube.com/watch?v=lrjiK7b7jcg - OPERA MUNDI com Breno Altman - CHOCANTE! Como o Mossad chantageia a Casa Branca. Salem Nasser explica conexão entre Trump e Epstein.
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Salgado confirma la ocupación militar norteamericana en territorio argen...
https://www.youtube.com/watch?v=7or54dzLYf0 - RADIO CON AGUANTE: SALGADO CONFIRMA LA OCUPACIÓN MILITAR NORTEAMERICANA EN TERRITORIO ARGENTINO | SEBASTIÁN SALGADO
¿Desesperación o Liberación? Lo que los Medios No te Cuentan sobre Gaza ...
https://www.youtube.com/watch?v=q9zJAoEm4ls - RADIO CON AGUANTE - ¿DESESPERACIÓN O LIBERACIÓN? LO QUE LOS MEDIOS NO TE CUENTAN SOBRE GAZA | SEBASTIÁN SALGADO
"En Argentina hay un solo canal de noticias que no controla el sionismo ...
https://www.youtube.com/watch?v=DkdR1otbfVs - "EN ARGENTINA HAY UN SOLO CANAL DE NOTICIAS QUE NO CONTROLA EL SIONISMO ISRAELÍ" | SEBASTIÁN SALGADO
Israel en la Argentina. Un informe a fondo
https://www.youtube.com/watch?v=TUk291ZJRR0 - RADIO GRÁFICA - SEBASTIÁN SALGADO - ISRAEL EN LA ARGENTINA. UN INFORME A FONDO.
Plan Andinia: de conspiración a realidad | Columna de Alberto Mas
https://www.youtube.com/watch?v=FVDexZ1UYI0 - RADIO CON AGUANTE - PLAN ANDINIA: DE CONSPIRACIÓN A REALIDAD | COLUMNA DE ALBERTO MAS
Los soldados israelíes en la Patagonia: ¿Turismo, espionaje o colonizaci...
https://youtu.be/y9dE--ayQD0?si=kWSoZBEoKcm9JH6q - RADIO CON AGUANTE - SEBASTIÁN SALGADO: SOLDADOS ISRAELÍES EN LA PATAGONIA, ¿TURISMO, ESPIONAJE O COLONIZACIÓN?
ESTO HACEN LOS SOLDADOS ISRAELÍES EN PATAGONIA
https://www.youtube.com/watch?v=1Q2RdahgeM0 - DATA URGENTE: ESTO HACEN LOS SOLDADOS ISRAELÍES EN LA PATAGONIA - SEBASTIAN SALGADO ENTREVISTA A ALEJANDRO BELETSKY Y A PATRICIO MERY BEL
"Nikolas precisa ser combatido antes que seja tarde demais", diz João Ce...
https://youtu.be/gD2jFFd2UoY?si=FN-ySEXuRyREsyD- - 25 JAN. 26 - BOA NOITE 247, DOMINGO - SARA GOES ENTREVISTA O PROFESSOR JOÃO CÉZAR CASTRO ROCHA: "NIKOLAS PRECISA SER COMBATIDO ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS"
Fascistas ganham força com chegada de motociclistas; entre a farsa e a t...
https://www.youtube.com/live/7Jdgxf_C1IE?si=-XxgJTV2u_L5tFNw - LIVE DO DCM 25 JAN. 26 - Professor Viaro entrevista Samuel Braun - Fascistas ganham força com chegada de motociclistas; entre a farsa e a tragédia: Nikolas emula o 8/1
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
¿Por qué hay tantos árabes en Bolivia y Latinoamérica? Nadie te lo expli...
https://youtu.be/NUa6mOmFfD0?si=UiZ4rKF02Y1LF-s9 - El Observatorio - ¿Por qué hay tantos árabes en Bolivia y Latinoamérica? Nadie te lo explicó así
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
OS ESTADOS UNIDOS E SEUS ARROUBOS PREDADORES
Charge de Louis Dalrymple, de 1905. Ao lado, a adaptação de 2025.
Os Estados Unidos e seus arroubos predadores
'Destino manifesto', 'doutrina Monroe' e 'doutrina Donroe'. Desde a colonização pelos ingleses, as elites estadunidenses são predadoras: não por acaso dizimaram os povos originários e submeteram ao seu jugo opressor africanos escravizados, latino-americanos explorados, árabes e demais asiáticos e africanos condenados por pura ganância e cobiça sem fim. Até quando?
Tomo a liberdade de iniciar este texto remetendo-me a uma das razões que fizeram com que o escrevesse (há outra, exatamente oposta, para felicidade de quem teimou em passar boa parte da vida a tentar valorizar, anônima e ainda que minimamente, as bases de uma sociedade menos injusta e mais solidária).
Dias atrás, ao conversar com o filho universitário (mais de 50 anos de vida, pós-graduado e com tudo que um pai faz pelo primogênito) de um grande Amigo -- desses com letra maiúscula --, percebi que estudar não significa muita coisa quando o pensamento é raso e o neopentecostalismo faz verdadeira lavagem cerebral e, como em guerra de terra arrasada, perdem sua razão de ser todos os valores construídos pela humanidade ao longo de milênios que com muita coerência e abnegação a família desse Amigo passou a vida a fortalecer.
Sábio, meu querido e saudoso Pai, em nosso fecundo convívio familiar, vivia a nos alertar, contando o episódio em que o pai tomado de perplexidade com a mediocridade do filho formado que retorna da Europa, a quem dá uma 'invertida' com genial paródia ao ridículo poema com que ao chegar saudou seus familiares e amigos no campo de pouso do povoado da Amazônia boliviana: "Se de teus estudos / esse é o fruto, / aiaiai que bruto, / aiaiai que bruto!" ["Si de tus estudios / ése es el fruto, / ¡ayayay, qué bruto!, / ¡ayayay, qué bruto!"]
SEDUTORES OLHOS AZUIS
Ver os arroubos predadores do 'agente laranja' que se jacta de ser uma espécie de 'césar' do século XXI é pura desinformação. Os Estados Unidos são a melhor representação daquilo que durante séculos o colonialismo europeu proclamou de 'civilização' e chamou para si um papel fictício de paladinos do 'progresso'.
Triste é vermos não apenas uns energúmenos portadores de diploma -- pobres diabos que se creem 'cultos' pelo diploma que carregam --, mas uma imprensa criminosa que vive a mentir, mentir e mentir acintosamente desde os tempos em que construíram uma narrativa para sublimar o chamado 'quarto poder'. Na verdade, poder do quarto -- da edícula dos criminosos que desde as 'grandes navegações' vivem a assaltar terras, vidas, culturas, riquezas, a história e o porvir de outros povos. À exceção, é claro, de Jornalistas com letra maiúscula que, com coragem e dignidade, ajudam ou ajudaram a escrever a história com base nos fatos.
'Destino manifesto', 'doutrina Monroe' ou agora 'doutrina Donroe'? Uma ova, não passa de mera justificativa para cobiçar, explorar, pilhar, saquear, roubar. Isso as elites estadunidenses fazem, desde sempre, com eficiência e muito, mas muito profissionalismo. Feito fera acuada, o imperialismo, recorre a todos os meios de que dispõe -- inclusive com o recrudescimento do fascismo, desta vez remasterizado e 'cristianizado', com as bênçãos dos sionistas que exportam seu know-how genocida experimentado com o povo milenar da Palestina, Líbano, Iraque, Líbia e Síria, não por acaso, (ex?)colônias da Inglaterra, França e Itália.
Com um arsenal nuclear capaz de destruir o Planeta dezenas de vezes, os EUA têm noção, sim, de que os dias de hegemonia global estão contados. Nunca se tratou de defesa da democracia e liberdade, mas de cobiça e saque. A história está aí para provar, e para isso não vamos a desenhar, vamos recorrer às emblemáticas pinturas e charges a expressar eloquentemente esse irrefutável dom, inigualável aptidão para dominar, explorar, destruir e exterminar as suas vítimas.
Os Estados Unidos são o cúmulo da volúpia saqueadora europeia, cuja perfeição é o Estado sionista de Israel. Como as novas gerações de cariocas vivem a dizer, "tudo junto e misturado". Ou teria sido mera coincidência o apoio incondicional ao genocídio de Gaza pelos sionistas de Benjamin Netanyahu, sob o pretexto de retaliar a 'ação terrorista' que capturou soldados em festa em área contígua à Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023? Bebês, crianças, adolescentes, jovens, mulheres grávidas, mães de todas as idades, idosos inofensivos, mortos aos milhares com requintes de crueldade por serem palestinos. Isso é 'democracia', é 'civilização'?
O século XIX -- diferentemente do anterior, em que o Iluminismo, herança do Renascimento ocidental (porque o oriental, acintosamente ignorado pelo ocidente, havia ocorrido um milênio antes e com efetivo protagonismo árabe, cujo legado foi essencial para a emancipação civilizacional da Europa feudal), contribuiu para a difusão do humanismo em solo europeu -- foi pródigo não apenas para a exarberação do racismo científico eurocêntrico (a 'eugenia'), como para as 'doutrinas' em que os europeus e as elites herdeiras das ex-colônias tentavam justificar uma suposta 'missão divina', como o sionismo e as bases fundantes do nazismo, fascismo e 'apartheid'.
INTERPRETAÇÃO TORTA DA BÍBLIA
Absolutamente nada os seguidores de Henrique VIII, Lutero e Calvino podem criticar das ações da Companhia de Jesus, da igreja católica, e seu afã de 'cristianizar' os 'pagãos' que habitavam os territórios 'descobertos' (invadidos) pelos súditos dos reis católicos (lusitanos, castelhanos e aragoneses, mais tarde portugueses e espanhóis). Os súditos dos descendentes de Henrique VIII (aquele rei que, ao não ter consentimento papal para contrair o quarto casamento, decidiu, aproveitando a onda protestante, criar sua própria igreja, tanto que até hoje o rei inglês é o sumo pontífice da igreja anglicana) se valeram da pirataria para pilhar as naus cheias de matéria-prima saqueada das terras recém-ocupadas pelos ibéricos -- além de franceses, belgas e holandeses, que usaram corsários --, e quando decidiram tomar parte das terras colonizadas por seus 'irmãos cristãos' também recorreram à interpretação torta da Bíblia, como, aliás, fazem hoje os neopentecostais, nada diferente, a rigor.
Em 'Progresso Americano', de 1872, John Gast retrata alegoricamente o 'destino manifesto', doutrina com que desde o início do século XIX as elites dos Estados Unidos procuram estimular o ímpeto predador, colonialista e explorador sob a interpretação bíblica ao bel prazer e, sobretudo, de interesses inconfessáveis. Não esqueçamos que essas elites são seguidoras do puritanismo protestante do século XVI e, por meio da ideologia do 'destino manifesto', recorreram a u'a 'missão divina' para levar 'democracia' e 'progresso' a todo o continente. Ao aliar à doutrina Monroe, as elites passaram a ter o que queriam para delinquir em sua ganância mórbida. Eis o 'capetalismo' que 'cristãos' apoiadores do sionismo tanto defendem.
[Imagem disponível na Divisão de Gravuras e Fotografias da Biblioteca do Congresso dos EUA. Domínio público, identificação digital: ppmsca.09855.]
A doutrina "A América para os americanos" foi adotada pelos Estados Unidos em 1823, na presidência de James Monroe, daí o nome. Com a sua adoção, o território triplicou e suas riquezas tiveram crescimento exponencial, a ponto de se tornar, ainda no século XIX, uma potência mundial. No pós-guerra de 1945, foram considerados uma das duas superpotências e por 45 anos disputaram com a extinta União Soviética a hegemonia mundial. Desde 1991, com o fim do antagonismo soviético, passaram a ser considerados a maior potência global, quando teses de Francis Fukuyama (do fim da história) e de Samuel Huntington (do choque de civilizações), serviram para justificar as investidas da Casa Branca no Iraque, Líbia e outros países árabes cobiçados.
Embora desde fins da década de 1990 o déficit fiscal dos EUA fosse trilionário -- isto é, se encontrasse em escala estratosférica e os tivessem levados a gestões predadoras em nível planetário --, é a partir de 2008 que a crise financeira do tesouro estadunidense se torna indisfarçável. A (re)eleição de Donald Trump em 2024 reacende a velha nova postura predadora dos Estados Unidos perante a Terra e, em 2025, em meio a sucessiva coleção de fracassos em sua obsessiva 'guerra' contra a China, anuncia a (re)criação da 'Doutrina Monroe 2.0', mais tarde rebatizada de 'Doutrina Donroe', em associação ao seu primeiro nome e ao sobrenome de James Monroe. O ápice de seus desvarios até o momento é o ousado ataque à Venezuela, com a maior reserva de petróleo do mundo e que havia 25 anos se afastado da influência dos EUA.
Não dá para disfarçar que, a despeito da pirotécnica e desproporcional ação militar contra a Venezuela, Trump e sua quadrilha -- com a covarde torcida de, digamos, 'inocentes úteis' da América Latina -- não quiseram repetir os erros cometidos por seus antecessores no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, por exemplo, e deixaram, sob a mira de fuzis, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, até porque a rastejante María Corina, digo, 'Trumpina' Machado não tem, sequer, competência e estatura para governar um país das dimensões da Venezuela. Por essa razão, o 'agente laranja' vive a alternar postagens em suas redes sociais, ora louvando, ora ameaçando a estadista venezuelana -- isso para atender seu narcisismo mórbido, cada vez mais próximo de Nero, o desmiolado que ateou fogo em Roma, destruiu seu império e deu fim à própria vida.
13 QUE SE TORNAM 50
Os Estados Unidos são as 13 ex-colônias inglesas que em 1776 se libertaram do jugo inglês. Os 13 estados federados com capital Washington (em homenagem a um dos líderes da independência), em poucas décadas triplicaram seu território e em menos de 100 anos se tornam 50 estados, graças à cobiça de suas elites -- que se criam destinadas a triunfar sobre os demais povos da América (do Norte, Central e do Sul). Inclusive sobre os povos originários, que foram dizimados ou, depois de explorados e saqueados, escravizados como os africanos acorrentados pelos europeus em seu funesto comércio escravista. Durante o século XIX foram se expandindo para o Oeste, invadindo territórios de seus vizinhos mexicanos, também ex-colônia europeia (da Espanha), tomando-lhes, a partir de 1836, o que hoje corresponde à Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada, Utah, Texas, Colorado, Wyoming, Kansas, Oklahoma e a 'compra' de Gadsden em 1856.
Criada um ano depois da independência do Brasil, a doutrina que parecia ser, a princípio, de proteção, pelos Estados Unidos, dos países norte, centro e sul-americanos recém-independentes das metrópoles coloniais (Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Dinamarca etc) revelou-se invasora, saqueadora e opressiva. Além do México, os países do continente americano que sentiram a mão pesada dos 'irmãos do norte' foram as nações que se libertaram do jugo espanhol (Cuba, Porto Rico, Panamá, Honduras, Costa Rica, Nicarágua, Colômbia e Venezuela) e da França (o Haiti, na época próspero e dos primeiros da América a se libertar do colonialismo europeu).
Caro/a leitor/a, Você acha que as populações da Groenlândia, Bermudas, Canadá, México, Guatemala, Belize, Cuba, Panamá, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Porto Rico, Costa Rica, Haiti, Jamaica, Trinidad e Tobago, República Dominicana, Martinica, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai -- cuja altiva população foi e é submetida à mais tirânica ação imperialista desde os tempos de Francisco Solano López -- morrem de amores pelos Estados Unidos? Quanto às suas elites bisonhas, não há dúvida de que ficam de quatro, igual María Corina Machado, para Donald Trump ou quem estiver na Casa Branca.
Sequer tocamos na trágica experiência da América Central e do Sul entre o final do século XIX e o século XX. Planejamento e execução de atentados como o que matou o presidente Omar Torrijos no Panamá e financiamento de golpes militares sangrentos contra presidentes democraticamente eleitos como Juan Bosch, da República Dominicana, em 1963; João Goulart, do Brasil, em 1964, e Salvador Allende, do Chile, em 1973. Na África, os crimes são ainda mais ousados, como a execução do ex-primeiro-ministro Patrice Lumumba, da República Democrática do Congo, em 1962, e Amílcar Cabral, em Guiné-Bissau, em 1973.
Voltaremos às cínicas intervenções estadunidenses em todo o Mundo, pois, talvez assim, com fatos e imagens, os inocentes úteis que teimam em justificar e defender crimes em série contra a humanidade cometidos pelas elites estadunidenses possam abrir seus horizontes e compreender por que é preciso que a humanidade pare o Nero laranja antes de que seja tarde para todo o Planeta. Sem essa de 'destino manifesto' ou 'povo eleito'...
Este texto é dedicado à memória de Amílcar Cabral, o líder de dois países africanos por ele libertados -- Cabo Verde e Guiné-Bissau --, assassinado em 20 de janeiro de 1973 em uma tocaia sob planejamento de países ocidentais, a pedido do já decadente regime fascista e colonial do Portugal salazarista, de triste memória, que quinze meses depois era deposto pelo Movimento das Forças Armadas Democráticas, sob o comando do General António de Spínola, na célebre Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974.
Ahmad Schabib Hany
domingo, 11 de janeiro de 2026
CINCO ANOS SEM PADRE PASQUALE FORIN
Cinco anos sem Padre Pasquale Forin
Em 10 de janeiro de 2021 o Padre Pasquale Forin se eternizou em Campo Grande, depois de lutar renhidamente contra a covid-19. Um generoso combatente da paz e da fraternidade entre as centenas de milhares de vítimas não só da pandemia, mas do negacionismo sórdido que ainda teima em vitimar a humanidade, inclusive no Brasil.
Dia 10 de janeiro de 2021 entrou para a história de Corumbá, Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil, Itália e, sobretudo, a história dos movimentos sociais e pastorais católicas de todo o Planeta por causa da eternização do incansável e inspirador peregrino que generosamente fez da missão de religioso instrumento de empoderamento, protagonismo e transformação dos invisíveis, explorados, excluídos, oprimidos e criminalizados.
Em 2021, quando foi criado o Memorial das Vítimas do Coronavírus, fiz questão de enviar meu testemunho sobre a relevante e digna personalidade que foi e é o Padre Pasquale Forin. Verdadeiro Amigo e Companheiro, humilde, exemplar e incansável, cuja ausência é perceptível entre os desassossegados que tiveram o privilégio e a honra de contar com a sua iluminada Companhia. Uma pena que muitos que se beneficiaram de suas inúmeras iniciativas tenham se esquecido até da data de sua eternização.
Em homenagem à sua inspiradora memória, o Observatório da Cidadania Dom José Alves da Costa, por unanimidade, decidiu que, a partir de 2027, esta data será destinada ao Festival da Cidadania Padre Pasquale Forin, em que um conjunto de atividades serão realizadas em Corumbá, Ladário, Campo Grande e demais municípios onde o querido Amigo e Companheiro deixou seu rastro de peregrino incansável.
Por outro lado, os coletivos e espaços públicos dos quais o saudoso Amigo, com discrição e humildade, participou passarão a ter estas novas denominações, passando a compor a sua estrutura em coordenação colegiada única:
Observatório da Cidadania Dom José Alves da Costa
Pacto Pela Cidadania Padre Pasquale Forin
Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais Padre Ernesto Saksida
Movimento Viva Corumbá Jorge José Katurchi
Sociedade dos Amigos da Cultura Augusto César Proença
Centro de Desenvolvimento Cultural e de Estudos Contemporâneos Heloísa Urt
Comitê Pró-Cultura de Corumbá Lincoln Gomes de Souza
Comitê Corumbá Pela Paz Andrés Corrales Menacho
Para concluir, postamos o texto publicado em 24 de fevereiro de 2023 no portal Inumeráveis, do Memorial das Vítimas do Coronavírus (disponível pelo link <https://inumeraveis.com.br/pasquale-forin/>):
Pasquale Forin
1936 - 2021
Humilde peregrino, veio da Itália direto para o Coração do Pantanal inspirar o protagonismo dos excluídos.
O Padre Pasquale Forin foi um sacerdote salesiano ligado à defesa dos Direitos Humanos que fundou na década de 1980, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o Centro de Defesa de Direitos Humanos Marçal de Souza e instalou, juntamente com outros salesianos, a sede estadual da Comissão Pastoral da Terra, para apoiar os trabalhadores rurais sem-terra.
Em 1987 foi designado pároco da Paróquia São João Bosco, em Corumbá, onde se aposentou, em 2014, permanecendo nessa mesma diocese até os últimos dias. Nessa cidade foi Vigário Geral no episcopado de Dom José Alves da Costa e de Dom Segismundo Álvarez Martínez; fundou a Rádio Comunitária FM Pantanal, a Casa de Recuperação Infantil Padre Antônio Müller (CRIPAM), o Centro de Apoio à Infância e Juventude Madre Mazzarello (CAIJ) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) regional do Pantanal.
Ao lado do Padre Osvaldo Scotti e da Antropóloga Iara Penteado (FUCMT), ajudou para o reconhecimento da existência da etnia Guató no Pantanal, expulsa da Ilha Ínsua durante o regime de 1964, cuja líder e matriarca Dona Josefina Ferreira perambulava pelos escritórios da FUNAI e ministérios em Brasília, até que, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário conseguiu o reconhecimento dessa etnia e o retorno às terras ancestrais no início da década de 1990.
Entre 1993 e 2021, quando faleceu, foi fundador e Coordenador-adjunto do Comitê de Corumbá e Ladário da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e Pela Vida (criada pelo Sociólogo Herbert de Souza, o Betinho), bem como do Pacto Pela Cidadania (Movimento Viva Corumbá), que articulava os mais diferentes setores da sociedade civil para dar-lhes visibilidade e protagonismo, tendo como principal articulador e seu primeiro Coordenador-Geral o então Bispo Diocesano Dom José Alves da Costa.
Para seu amigo Ahmad Schabib, Padre Pasquale foi "um homem de rara sensibilidade humana e cristã, um importante articulador e incentivador do protagonismo cidadão de diferentes faixas etárias, pois, mesmo sendo pároco em uma distante diocese do Pantanal Sul-Mato-Grossense, apoiou o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua (MNMMR) na articulação Criança Constituinte Prioridade Absoluta, que originou a concepção da proteção integral do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990".
"Além disso, deu apoio incondicional ao Fórum Permanente de Entidades Não Governamentais de Corumbá e Ladário (membro da Plenária Estadual de Fóruns de Políticas Públicas de Mato Grosso do Sul), que efetivou o controle social de políticas públicas como Saúde, Assistência Social, Direitos da Criança e do Adolescente, Cultura, Direitos Humanos, Direitos dos Afrodescendentes, Direitos dos Povos Originários, Direitos dos Idosos, Direitos da Juventude, entre outros.”
Seu amigo conta também que a idade avançada não impediu Pasquale de atuar como voluntário junto às crianças e adolescentes atendidos pelo CAIJ, bem como de permanecer envolvido na realização das atividades natalinas da comunidade do Cristo Redentor, onde está localizada a sede do projeto social destinado à proteção social da população infanto-juvenil em situação de vulnerabilidade econômica, educativa e social.
Por coincidência, ou não, um homem que lutou tanto pela garantia dos Direitos Humanos, teve suas últimas atividades na data em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Em 10 de dezembro de 2020, pela manhã, deixou uma mensagem aos seus contatos e, ao final da tarde, foi internado na Santa Casa de Corumbá. De lá foi transportado para Campo Grande, onde, exatamente um mês depois, faleceu. Seu corpo foi sepultado em Campo Grande, no jazigo da Missão Salesiana de Mato Grosso.
Concluindo sua homenagem, o amigo Ahmad Schabib desabafa: “Todas as obras sociais de Padre Pasquale permanecem em atividade, embora sem sua presença inspiradora tenham sofrido um considerável arrefecimento, sobretudo o Centro de Documentação e Apoio aos Movimentos Populares (CEDAMPO), situado em Campo Grande.”
Pasquale nasceu na Itália e faleceu em Campo Grande (MS), aos 84 anos, vítima do novo coronavírus.
Testemunho enviado pelo amigo de Pasquale, Ahmad Schabib Hany. Este tributo foi apurado por Andressa Vieira, editado por Vera Dias, revisado por Maria Eugênia Laurito Summa e moderado por Ana Macarini em 24 de fevereiro de 2023.
domingo, 4 de janeiro de 2026
Quando chamam o petróleo de "democracia" e a pilhagem de "civilização"
Quando chamam o petróleo de 'democracia' e a pilhagem de 'civilização'
Jornalista e escritor, autor de "As veias abertas da América Latina", Eduardo Galeano advertira, há mais de 50 anos, que os povos "salvos" pelos Estados Unidos se transformaram em manicômios ou cemitérios. Ex-assistente de Luther King, pré-candidato presidencial em 1984 e 1988, Reverendo Jesse Jackson alertou 10 anos atrás que, em seu país, "os pobres estão ficando cada vez mais pobres, os ricos cada vez mais ricos e a 'classe média' a se afundar".
Não é de hoje que as potências ocidentais, de passado colonialista irrefutável, costumam chamar as riquezas naturais que cobiçam de 'democracia'. Da mesma forma, a sua pilhagem -- isto é, saque, rapinagem, exploração, roubo -- de 'civilização', que também já chamaram de liberdade, progresso e modernidade. Antes dos Estados Unidos -- que já vinham saqueando o México e os países do Caribe --, foram a Inglaterra (depois Grã-Bretanha, hoje Reino Unido), França, Bélgica, Itália, Alemanha, Espanha e Portugal. Depois do Congo Belga, foram Nigéria, Libéria, Gana, Serra Leoa, Ruanda, Guiné, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Angola, África do Sul, Chad, Saara, Argélia, Líbia, Sudão, Egito, Palestina, Síria, Líbano e Afeganistão (pós-União Soviética).
Os Estados Unidos e os aliados da OTAN passaram décadas acusando o governo da Venezuela de não ser democrático, financiando uma oposição inconsistente que não representa necessariamente os interesses da população daquele país. Donald Trump, um psicopata temido e pedófico confesso, não hesitou em invadir o território soberano para fazer diatribes e rasgar definitivamente a Carta das Nações Unidas, aprovada quando da criação da ONU no pós-guerra de 1945.
A arrogância e a certeza de impunidade com que as potências ocidentais têm agido -- sobretudo os Estados Unidos -- depois da dissolução da União Soviética, em 1990, é de causar perplexidade e indignação. O acintoso e cínico ataque à Venezuela e o sequestro de sua maior autoridade no primeiro final de semana do ano recém-iniciado não só revelam a verdadeira face do herdeiro do colonialismo europeu (em cuja propaganda, pela indústria cultural, sempre se autoproclamou o porta-voz legítimo da civilização, da democracia e da justiça), como também indisfarçável desespero pelo processo de decadência, de perda da hegemonia econômica e decadência social.
O consumidor do conteúdo midiático ocidental (as mentiras embrulhadas em papel celofane -- para os mais novos, papel de seda --, e, no caso da indústria cinematográfica de Hollywood, efeitos especiais), diferente do leitor crítico -- perspicaz porque procura compreender criticamente tudo o que é divulgado como verdade absoluta --, talvez tenha dificuldade de compreender por que a "operação policial" feita em nome do combate ao narcoterrorismo é pura farsa, pura ilegalidade.
Com a sucessão de operações estapafúrdias e pirotécnicas Trump está violando sistemática e acintosamente cláusulas pétreas do direito internacional -- respeito à soberania nacional, paz e segurança regional, autodeterminação dos povos e à integridade da população e dos dignitários de Estados constituídos --, escritas no pós-guerra de 1945, quando a humanidade despertou perplexa dos crimes causados pela violência nazista, fascista, salazarista e franquista. Por causa da chamada Guerra Fria, António Salazar e Francisco Franco -- dois cúmplices de Hitler e Mussolini -- não foram presos, julgados e condenados em Nuremberg. Tanto que os dois ditadores, de Portugal e da Espanha, morreram impunes, como Alfredo Stroessner e Augusto Pinochet. No caso da Espanha, foi um absurdo que o ditador impôs a volta da monarquia, dando um golpe no rei que deveria ter assumido e determinando que o filho, pedófilo confesso, fosse coroado sem que o pai tivesse abdicado ou falecido, e logo depois protagonizou um escândalo abafado por décadas, com a morte suspeita de uma atriz menor de idade, Sandra Mozarowsky, que estava grávida e ela dizia que era "dele".
EDUARDO GALEANO E JESSE JACKSON
Além do precedente perigoso que abriu com a invasão de um país soberano e o sequestro de sua maior autoridade, Trump violou as normas constitucionais dos Estados Unidos, pois em qualquer circunstância o inquilino da Casa Branca deve comunicar previamente o Capitólio para realizar qualquer ato que caracterize ação militar em território estrangeiro. Nos últimos dias do ano ele já estava às voltas de fortes críticas, inclusive dentro de seu próprio partido, por causa da crise econômica e das repercussões sociais (isso sem entrar na questão do Caso Epstein, em que é acusado de pedofilia por correligionários que representam o chamado núcleo duro do Partido Republicano).
"Cada vez que os Estados Unidos 'salvam' um povo, o deixam convertido em manicômio ou cemitério." Eduardo Galeano, do alto de seus 50 anos de lida, de luta e de Jornalismo crítico, o disse com total autoridade. Não nos esqueçamos de que ele foi o autor de "As veias abertas da América Latina", obra com a qual, pelo menos as gerações das décadas de 1970, 1980 e 1990 acordaram para a realidade atroz e perversa de um império tirano, hipócrita e etnocêntrico como sua funesta metrópole, a Inglaterra dos piratas e genocidas que promoveram o pós-renascimento -- a acumulação capitalista do mercantilismo e da 'revolução industrial' -- a ferro e fogo, sem compaixão ou comedimento.
2026 inicia como terminou 2001. Desesperado ante sua inevitável decadência e a inquestionável ascensão econômica e militar da China, o imperialismo reage furiosa e cegamente, mais uma vez, contra os que ousam afrontá-los soberana e legitimamente. Porque os piratas e corsários do século XXI não são "policiais do mundo" -- como eles cinicamente se proclamaram quando conseguiram a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, em 1991, e impuseram a "pax americana", mais parecida à paz dos túmulos (Afeganistão, Iraque, Líbia, Egito, Sudão, Congo, Iêmen, Líbia, Síria, Líbano e Palestina que o digam).
Nossa ingenuidade coletiva de habitantes do Hemisfério Sul nos levou a, mais uma vez, sermos tomados de surpresa e perplexidade pela ação predadora e cínica da nefasta potência que só pratica a cobiça e promove infelicidade para o resto da humanidade.
Há alguma dúvida sobre isso? Os EUA alguma vez se engajaram em campanhas de enfrentamento da fome e outras crises humanitárias, em algum continente? Não. O respeitável leitor pode esquecer a "Aliança para o Progresso" (depois USAID), de triste memória, criada por John Kennedy para contrapor à crescente rebeldia dos povos do então chamado "Terceiro Mundo" quando, em plena Guerra Fria, os líderes do Movimento dos Países Não Alinhados -- Jawaharlal Nehru, da Índia; Gamal Abdel Nasser, da República Árabe Unida (Egito); Broz Tito, da Iugoslávia, e Sukarno, da Indonésia -- promoveram as conferências de Bandung e Belgrado e a adesão de dois terços dos Estados-membro da ONU.
Mais uma pergunta: alguma vez os Estados Unidos usaram sua tecnologia e suas riquezas -- resultado de pilhagem ao longo dos últimos três séculos (o México e os países do Caribe que o digam) -- para socorrer a humanidade de flagelos como a pandemia de covid-19? Nem pensar! O governo dos EUA, igualmente que o desmiolado que desgovernou o Brasil na mesma época, não só se negou a promover ações ou implantar políticas públicas de saúde e assistência social, como proibiu instituições de pesquisa públicas a desenvolver estudos para tal objetivo e, pior, retirou o país da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Quanto aos EUA serem uma potência nefasta, não fui eu quem o disse. Há mais de meio século, o Reverendo Jesse Jackson, ex-pré-candidato presidencial de seu país em duas primárias (para 1984 e 1988), acintosamente preterido por "correligionários" do Partido Democrata, em entrevista ao extinto (e original) "New-York Tribune", época em que era assistente do saudoso mártir Martin Luther King (assassinado em 1968), em seu sábio tom ponderado, assim o disse. É dele a frase rebelde: "Erga a cabeça. Jamais se renda."
A propósito, ao não conseguir encontrar nos arquivos da internet a edição do jornal com a emblemática entrevista da década de 1960, compartilho com o/a leitor/a parte de uma entrevista concedida para a Jornalista Joanna Gill, do EuroNews, em 2015, em que, coincidentemente, trata de Cuba, Irã, Venezuela, Julian Assange e Trump, mas o que repercutiu foram as relevantes afirmações de que "é mais barato investir na diplomacia que nas guerras", "na questão dos direitos humanos, não podemos impor a Cuba o que não cumprimos nos Estados Unidos", "é melhor falar sobre as questões dos direitos humanos em vez de isolar os países", "a repressão policial nos EUA é mais uma questão de classe que de uma questão de raça" e "aqui [EUA] os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres e a classe média está a se afundar". O Reverendo Jesse Jackson está vivo, mas padece de uma doença degenerativa, por tal razão sua voz sensata não pôde ser ouvida nestes insólitos tempos.
Ahmad Schabib Hany
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